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Em Ushuaia com uma BMW HP2 - Janeiro 2008
Aventureiro: José Teiga Júnior - jjtj@uol.com.br
Viagem feita em Janeiro no total de 9200 kms percorridos e com um grande marco, pois fui o primeiro motociclista no planeta a levar uma BMW HP2 ao ponto mais austral do mundo em 2 semanas com partida e chegada em Porto Alegre.
Além de mim, tive o parceiro Brazuca Americano Jimi Uez com uma BMW GS1150. Leiam os momentos dessa grande viagem.

Com saída em 16 de Janeiro de 2008 de Porto Alegre a Colônia no Uruguai com um percurso nesse dia de 944 km em 11 horas de viagem e temperatura de 25 graus. O primeiro trecho foi até a fronteira com o Uruguai via Jaguarão, viagem tranqüila até Pelotas, já nos últimos 130 km pegamos uma chuva considerável, mas depois de quatro horas estávamos lá. No segundo trecho nesse dia resolvemos ir por Montevidéu para ver se conseguíamos pegar o Buque Bus, mas não conseguimos. Fomos para Colônia para tentar um mais tarde, onde só conseguimos passagem no outro dia.
Dia 17 Colonia/Buenos Aires via Buque bus até Bahia Blanca na Argentina com um total de 710 km percorridos. Acordamos cedo para passar a balsa até Buenos Aires com o tempo muito bom ao meio dia com trânsito leve. Nos primeiros 450 km, tudo ótimo e os últimos km mais chato e com pouco de vento com uma temperatura de 24 graus. Incrível, mas os que já fizeram esse trajeto sabem que esse trecho sem vento e chuva é raro. Chegamos tranqüilos e fomos procurar ainda um tanque auxiliar para a HP2 que tem uma autonomia limitada.
Dia 18 Bahia Blanca a Puerto Madryn com um percurso de 780 Km. Acordamos cedo pois o nosso objetivo era ir direto para a península valdez mas com receio de conseguirmos alojamento, já que lá é limitado. Novamente o tempo nos ajudou nesse dia e já focado ao que viria, ótimas estradas com retas intermináveis. Devido aos hotéis de Península Valdez estarem lotados, seguimos em frente até Puerto Madryn.

Dia 19 Puerto Madryn a Caleta Olívia num total de 540 km percorridos e temperatura variando de 20 a 25 graus. Seguimos até Caleta Olívia pois a partir dali teríamos poucos locais para abastecer e dormir então decidimos percorrer menos nesse dia até para nos preservar fisicamente já que nesse trecho em diante sempre há muito vento na estrada. A viagem foi mais tranqüila, pois não dava para exagerar na dose já que os trechos que foram percorridos, tiveram intervalos de 190 km, onde mais uma vez a HP2 se portou muito bem. Chegamos bem mas com uma enorme dificuldade em alojamento, mas é assim mesmo, um dia podemos dormir mal mas outros muito melhores. Outra coisa que devo salientar foi o número grande de motociclistas por essa região, de todas as nacionalidades e estilos de moto que certamente nos dá uma enorme felicidade em compartilhar essas aventuras com nossos novos amigos.
Dia 20 Caleta Olívia a Cerro Sombrero com uma distância percorrida de 860 km.Saímos cedo no dia 20 com temperatura entorno de 15 graus, o objetivo era fazermos a travessia do Estreito de Magalhães passando pela fronteira Argentina e depois a Chilena além da grande quilometragem a percorrer, pois não estávamos afim de chegar muito tarde e não conseguirmos o hotel em Cerro Sombrero. Certamente esse dia seria os mais cansativos, pois cada vez mais ficávamos nessa região mais inóspita e sem muitos locais para abastecimento. Nesse dia eu estava quase certo que iria usar os tanques de abastecimento, pois cada ponto era de 200km onde também teve um de 220 que não precisei abastecer,maravilha essa moto me dá muita felicidade. Não tivemos do que reclamar nesse dia,a estrada está maravilhosa salvo 20km de uma rípio que estão consertando a estrada e a cada parada, tivemos vários momentos para aproveitar.

Conseguimos atravessar a fronteira sem problemas e com muita sorte, passamos a balsa do Estreito de Magalhães direto. Na chegada ao hotel, que teve lugar por sorte, encontramos uma dupla de ingleses com duas Dominator da Honda. Seguiríamos juntos até Ushuaia.
Dia 21 Cerro Sombrero a Ushuaia com 420 km percorridos. A saída foi cedo com uma temperatura de 5 graus, pois tínhamos um trecho de rípio que foram de 134 kms até a fronteira Argentina em San Sebastian mas com certeza foi onde minha moto mais teve desempenho, pois ela foi feita para isso. Após 5 dias e 6 horas chegamos ao nosso destino Ushuaia. Conseguimos depois de muito tentar um ótimo hotel na cidade e nos dirigimos para o parque de Lapataia a 25 km de Ushuaia, local essa que é onde acaba a ruta nacional número 3, depois disso não há nada, apenas a Antártida. Neste dia as 16 hora e esse amigo aqui se tornou o primeiro motociclista a chegar ao ponto mais Austral do Mundo com uma BMW HP2.
No dia 22 aproveitamos para passear pela cidade, primeiro subimos o Glaciar Martial e pela tarde fizemos o passeio de barco pela baía e Canal de Beagle e vários passeios pela belíssima cidade. Na data seguinte, começamos o retorno. O objetivo era Puerto Natales.
Dia 23 Ushuaia a Puerto Natales onde percorremos 780 kms.Saímos cedo de Ushuaia com chuva e vento, situação bem típica da região. Os Ingleses que tínhamos conhecido e levado até Ushuaia resolveram fazer a volta junto conosco. Na volta até a fronteira de San Sebastian foi chata, com chuva que foi de intensa até não haver mais na chegada da fronteira. Na passagem da fronteira Chilena os nossos amigos ingleses pegaram uma rota diferente da nossa de maior transito e não vimos quando eles pegaram e fomos pela nossa rota anteriormente definida.

Chegamos a balsa para atravessar o estreito de magalhães e não achamos nossos amigos. Ficamos preocupados com a situação mas como eram motociclistas experientes iríamos nos encontrar no nosso destino. Bem pessoal relato isso aqui nos maiores detalhes porque infelizmente, quando estávamos andando dentro da balsa ficamos sabendo de um acidente com um dos nossos parceiros que estavam viajando conosco, estávamos em estradas diferentes e não vimos como realmente aconteceu.
Nos falaram que um dos motociclistas tinha batido em uma van no rípio e que a moto tinha pegado fogo na batida, com o falecimento do piloto. Ficamos em estado de choque e sem saber se as notícias eram confiáveis. Já quase em Puerto Natales, onde paramos em um posto policial, é que nos confirmaram o falecimento de um dos pilotos. Com o Jimi ao meu lado, optamos em voltar pelo trajeto mais curto para a casa com um grande sentimento de perda mesmo nessa maravilhosa cidade de Puerto Natales, onde o por do sol era em torno da meia noite.
No dia 24 Puerto Natales a El Calafate com 630 kms percorridos e temperatura de 10 graus. Focados em continuar a viagem, acordamos cedo para fazer um dos trajetos mais lindos que já presenciei em minha vida. Primeiro foi o parque Torres del Paine em estrada de rípio e depois a bela cidade de El Calafate e onde 80 km depois há um dos 2 glaciais em formação ascendente de gelo no planeta e o único com visitação, o Glacial Perito Moreno.
Dia 25 El Calafate a Comodoro Rivadávia num percurso de 840 kms.Na manhã seguinte, seguimos por uma estrada alternativa, o rípio da Ruta 9. Onde muitos pensam em andar mas poucos o fazem, pois são 195 kms de rípio bom com trechos muito ruins e perigosos. Fiquei muito preocupado com os pneus nesse trecho. A primeira parte nesse dia foi difícil, foi torturante para dizer na verdade, já que a tarde o vento quente fazia as motos saírem lateralmente e a temperatura passou de 10 graus a 40 graus a tarde, realmente estava de matar. Mas apesar das adversidades, chegamos a Comodoro Rivadávia no final da tarde.
No dia 26, Comodoro Rivadávia a Puerto Madryn e feitos mais 450 kms. Saímos de Comodoro e seguimos para Puerto Madryn, num trajeto que já sabíamos e resolvemos fazer menos dessa vez para
descansar cedo no final do dia, já que não tínhamos descansado
o suficiente no dia anterior e tentar ainda ir até Puerto Pirâmides, mas novamente estava lotado os alojamentos.

Dia 27, Puerto Madryn até 3 Arroyos num total de 865 kms. Estrada limpa no início com a temperatura rachando a 35 graus e uma previsão de chuva que estávamos vendo atrás da gente, nos seguindo fortemente. Sabíamos que ela nos pegaria.
Quando estávamos na estrada encontramos 2 brasileiros de moto e um casal com uma camionete que nos falaram a versão oficial do acidente ocorrido com o nosso amigo inglês. A princípio pensávamos que era o Tony,mas foi o seu colega e foram eles que ajudaram o nosso amigo na hora do acidente, ocorrido pela imprudência do motorista argentino que foi ultrapassar um caminhão na ruta coberta de pó e bateu de frente no nosso amigo que teve morte instantânea. Bem, não mudou nada a perda, mas que isso seja descrito para avisar que essa ruta ao lado de Cerro Sombrero, a Ruta 3 ,seja desviada pela que vai para Porvenir que tem menos transito e também com o rípio melhor ok.
Dia 28, 3 Arroyos a Montevidéo via Buque Bus e feitos mais 510 kms. Como prevíamos no dia anterior a chuva nos alcançou e saímos muito cedo com a intenção de dormir já no Uruguai. Dia de chuva de total stress, pista com óleo até Buenos Aires com as vias cheias não foi fácil ficar atrás dos caminhões. O Jimi, como um grande andador de trilha, estava sem a roupa adequada para andar na chuva virou um pinto. Pegamos o buquê bus para Montevidéu e jantamos uma carne maravilhosa no Mercado del Puerto. Já estávamos sentindo o cheirinho de casa.
Dia 29 Montevidéo a Porto Alegre com percurso de 810 kms. O último dia com chuva, saímos cedo para chegarmos ainda de dia a Porto Alegre, já que o Jimi ainda teria de fazer mais um trecho até Caxias. Voltamos novamente por Jaguarão onde o trecho é mais curto. A pesar da chuva, chegamos ainda de dia no nosso destino. Viagem realizada! 9200 km e estamos de volta.
Um abraço a todos que amam esse mundo do motociclismo aventura.
Moto Esporte: Parabéns Teiga... na próxima
estaremos aqui para o relato... Equipe Moto Esporte
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