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Relato
Viagem - Uruguai (abril 2007)
Acabei
indo para o uruguai! fomos em quatro motos e um carro de
apoio, fizemos o Ponto de encontro na praia do Cassino
pois tinha parceiros dos Bodes do Asfalto vindo de
Santiago, Montenegro,Porto Alegre e Santa Maria.

A
saída foi programada para as 7h e acabamos saindo as
8.30h pois resolvemos tomar café numa cafeteria em
frente ao hotel atlântico.
O
tempo estava bom e a previsão para os próximos dias
eram promissoras.
Até a entrada para o Taim a viagem foi sem novidades,
apenas muita expectativa, até o momento que a
adrenalina aumentou quando depois de passar por muitos
animais atropelados durante a noite e que deixavam
manchas no asfalto, vimos uma que seria mais uma mancha
de sangue de outro animal atropelado, mas por segundos a
realidade da cena ficou gravada pelas marcas de freada,
cacos de vidro, uma mancha de sangue ainda vermelho
escuro e um capacete dilacerado na beira da estrada.
Aquilo era um aviso do cuidado e prevenção que teríamos
que ter na nossa jornada....
Rodando
no Taim
Depois
da injeção de adrenalina e aviso sobre os riscos numa
viagem, continuamos na estrada adentrando no Taim. A
região é muito bonita, fiquei pensando como alguém
teria condições, se não fosse um local protegido, de
explorar o local. Passamos por algumas viaturas do
IBAMA, três se não me engano, e fiquei agradecido por
ter esta fiscalização, é muita beleza para não ter
alguém cuidando.
O
verde na paisagem é constante mas as tonalidades
variam, quando se está rodando pelo Taim tem-se á
esquerda para quem vai em direção ao Uruguai, todo o
banhado e á direita campos explorados por pecuarista,
aparentemente a convivência é ´harmoniosa, até
porque , imagino eu, que se uma daquelas vacas ou
ovelhas ultrapassam a cerca, caem no arroio onde existe
a possibilidade de haver um jacaré.Neste trecho a moto
deve ser abastecida previamente pelo risco de ficar sem
combustível, rodamos um trecho de quase 200 km sem
abastecimento, minha drag star estava fazendo uma média
de 12 km/l a uma velocidade de 110 km/h, baixei o ritmo
para os 90 km/h para ter uma certa garantia de chegada
até o posto próximo ao chui pois t.
Paramos
no único posto do trecho para abastecer, não lembro o
valor da gasolina, mas sei que era bem caro tipo preço
de especial para comum.
Neste posto deixamos nossa primeira marca dos Bodes do
Asfalto (está lá!) colamos o adesivo no vidro que
passamos por lá "fazendo poeira!".
A
qualidade do piso é boa, sem buracos ou depressões, um
certo cuidado deve-se ter com os "mata-burros"
que são trilhos que seccionam o asfalto afim de evitar
a circulação de animais e também a passagem deles por
baixo da estrada, tentando assim minimizar os
atropelamentos , que são muitos. Neste trecho vimos vários
animais atropelados principalmente antes do inicio do
taim como : gambás (zurrilhos como chamamos por aqui),
Ratão do banhado (carpincho); um pequeno veado
Campeiro( este me deu dó! são poucos que tem por
ai....), cachorro do mato (sorro) e também muitos passáros
pequenos.
A expectativa para chegar em solo Uruguaio era grande.
Chuy
Antes
de chegar ao Chuy não esqueça de abastecer a moto pois
temos uma distancia de quase 200 km sem abastecimento, o
primeiro posto a direita após a saída do Taim está
fechado, o outro fica a uns 20 km depois e o preço da
gasolina comum é como fosse aditivada.
Chegamos
ao Chuy, imediatamente ao estacionarmos as motos,
tivemos uma amostra de que seriamos atração no resto
da viagem, muitas pessoas, principalmente a gurizada,
pedia para tirar fotos das motos, se fosse montado era a
glória , os sorriso era aberto e prazeroso ( quantos
futuros motocilistas fomentamos com estas viagens!).
Resolvemos almoçar no chuy, comida cara e ruim, cheguei
a perguntar a garçonete se o cozinheiro era hipertenso
, pois a comida era zem! (zem sal,zem tempero e zem
gosto!)pagamos R$14,oo pelo prato especial francês
"buffet insosssé". saimos de lá e no próximo
abastecimento comi um cereal para organizar o estomago.
Fomos
muito bem recepcionados na Aduana, onde encontramos mais
motociclistas a caminho de Montevidéo e outros chegando
para o encontro no chuy ao qual não conferimos. troquei
decalco com um motoclube do local que agora não lembro
o nome (digo depois....) mas o cara foi muito legal
passando informações importantes sobre os papéis
exigidos pela polícia uruguaia.
Após a aduana fomos pela ruta 9 e passamos pelo parque
Sta. Tereza (voltarei lá, lugar bonito!) antes de
chegar a este parque a pista de rolamento subitamente
alarga e a demarcação idem pois se torna por cerca de
1000 m uma pista de pouso para aviões de grande porte,
posso dizer que andei de moto numa pista de pouso ( não
pude deixar de lembrar da cena do Tom Cruise em top Gun)
quase me sentí o próprio! Se a moto fosse uma ZX 12
seria completa a fantasia.....
O
Parque do Forte Sta Tereza é muito bonito, pela falta
de tempo vimos a beira do mar (paisagem tipo litoral
Inglês) e o Herbariun com muitas espécies de orquídeas
e peixes. Lugar bom para descansar e pensar um pouco....
Ainda tínhamos muito chão pela frente até montevidéo
e as estradas eram desconhecidas.
...Até
Montevidéo.
Estávamos
nas estradas uruguaias, Chão Bom!,As curvas suaves da
estrada proporcionam uma pilotagem prazerosa. A paisagem
á nossa direita era acompanhada pelo lago negro, e aos
poucos as diferenças de vegetação, relevo e hábitos
iam se revelando, é interessante que de uma hora para
outra tudo fica diferente, comida, costumes e hábitos.
Passávamos por cidades em que não aparecia pobreza mas
condições humildes de vida, porém não vimos miséria,
o que é muito bom.
Passados
alguns quilômetros o nosso companheiro com sua V-
Strom, Alexandre e esposa foi parado pela Polícia
Rodoviária, senti que iria junto, estava a mais ou
menos 120 km/h e ele talvez a 140 km/h, o Policial
mandou eu passar, passei e logo após estacionei, sendo
seguido pelos outros, passados poucos minutos, fui até
eles com a curiosidade para ver o que estava
acontecendo, o policial anotava detalhes da Documentação.
Na
dúvida e para iniciar conversa, perguntei quantos quilômetros
até o próximo posto de "Nafta", 30 km
responderam, comentei sobre seu português quase
perfeito e iniciamos um papo, em seguida puxei um
adesivo dos Bodes e repassei o "regalo" que
foi aceito com muita alegria ( Dica: leve os adesivos de
seu Moto clube servem como cartão de apresentação e
passaporte para iniciar uma relação diplomática!) não
sei se por isto o gelo foi quebrado mas que a Polícia
Rodoviária trata os turistas muito bem ,isto é uma
verdade,os caras são 10! sempre que passávamos buzinávamos
e a resposta era cordial.A esta dica do adesivo agradeço
ao Mano Renato Lopes,está no seu Livro
"Motociclistas nas Rutas do Cone Sul" melhor
livro sobre viagens de moto que já li. Recomendo!
Depois
do policial, seguimos viagem em direção a Rocha e
Maldonado. Rocha (Rotcha) tem umas praias muito bonitas
onde resalta suas formações rochosas, passando Rocha
seguimos a Maldonado, que ao longo do horizonte pode ser
referênciado pelo monte Chamado "Pan de Azúcar".
por esta "Ruta 9" existem várias entradas
para punta del este, estávamos chegando a Montevidéo,
o sol indo e a falta de hotel tbm.
antes
de Montevidéo....
Logo
após a Blitz do polícial tivemos um imprevisto e da
minha parte um pequeno susto, ainda durante a parada
sugerí a um mano dos Bodes (Fernando Orth) que o próximo
posto era a 30 km e que seria bom ele abastecer com o
galão sobressalente que estava trazendo,não colocou,
andou uns quilômetros e parou, sei que parou porque o
Neto (nosso orientador de Direção Defensiva), enrolou
o cabo e nos alcançou para avisar que o Orth havia
parado, retornamos, mas ainda não sabia que era pane
seca, até saber a preocupação tomou conta, passa mil
coisas pela cabeça da gente...Logo depois paramos num
posto de "nafta" onde nos alimentamos e
tomamos uma bebida, particularmente acho que se vc for
ao Uruguai e não experimentar o refrigerante de Pomelo
e comer pancho com "mostassa" ,vc não
conheceu todo Uruguai.
No
posto fizemos a festa quando vimos gasolina com 87, 95 e
97 octanas, falamos que as motos iam conhecer a
verdadeira gasolina, que elas iam virar um foguete,
agora os motores iam ficar limpos etc...A Partir deste
abastecimento começaram alguns problemas que nos
acompanhariam até Rivera.
O preço da gasolina é mais caro que os daqui, e começar
a se acostumar a encher o tanque e pagar U$380,00 dói
no bolso e pensamento demora a processar o cambio. (
dica: esqueça a conversão de moeda pegue um produto de
referência, tipo refrigerante e manda bala!).
Logo a seguir vem Maldonado e a opção é Punta del
Este ou mais 100 km e Montevidéo, optamos por seguir a
Montevidéo por ser mais fácil encontrar hotéis e
Punta ter a fama de praia em pagamento em dólar.No dia
seguinte visitaríamos pelo Roteiro:
Canelones,Atlantida, Piriápolis, Punta Balena e Punta
Del Este com uma Van alugada.
Na
região Metropolitana de Montevidéo percebemos como
chamamos a atenção com as motos, a grande maioria das
motos por lá é de baixa cilindrada e chinesas, muitos
carros estão caindo aos pedaços mas ainda circulando.
Uma
coisa que os uruguaios pedem é para acelerar a moto,
porque? Não sei mas acham o maior barato, vibram quando
são atendidos...
Chegamos
a Montevidéo.....
A
noite estava chegando junto e a apreensão era
constante, dúvidas do tipo: conseguiremos hotel,
estamos na semana do turismo dizem que está tudo
lotado, qual a segunda opção?, mas o negócio era
tomar caminho, seguir e achar a "Rambla", pois
era o meu ponto de referência para achar os hotéis,
durante o trajeto de chegada fiz um filme andando de
moto ( coisa arriscada que insisto em fazer!) e detalhes
nos chamava a atenção: alguns carros muito antigos e
outros caindo aos pedaços,alguns chamavam mais que
outros e até poderiam ter nomes sugestivos: como
'Lazanha" pois era pura massa ou um
"podrevete" chevete cheio de ferrugem
etc...
Fato
que todos comentamos depois foi uma camionete que
acompanhamos por bastante tempo, já que existem muitos
semáforos no final da ruta 9, na cabine da camionete
iam três homens e atrás na boléia, pasmem, as
esposas!, Putz! que maneira de tratar as mulheres.
A
recepção foi a melhor possível, a cada parada de semáforo
aproveitávamos e combinávamos alguma coisa, foi quando
um monza vermelho fez sinal para nos aproximar, fui até
ele e o gentil motorista perguntou: -Ustedes querem la
Rambla? e eu num "ótimo" portunhol respondi
que sim pois depois de lá conseguiria a chegar no hotel
escolhido. Então, fomos escoltados até a Rambla.´Melhor
recepção impossível, agradeci a gentileza e seguimos
rumo resolvemos parar num posto pois a preocupação era
não se perder um do outro no trânsito de Montevidéo
(dica:mantenha sua direita, eles estão acostumados como
motonetas que são mais lentas.)
No
Posto decidimos procurar o Hotel IBIS e ter acomodação
por lá.Seguimos, por indicação do atendente a um
posto mais próximo, lá resolvemos estabelecer uma base
e eu e o Neto procurar um hotel.Não sei o que houve mas
passamos ao lado do Edifício de 10 andares, todo
iluminado e não vimos o Ibis.Achei meu ponto de referência
e acabamos na praça da constituinte, perguntamos aos
taxistas do local que indicaram o outro hotel escolhido
e seguimos "calle San José"....
Estamos
no centro...
A
partir da praça da constituinte, estava em casa, na
Calle San José paramos no primeiro hotel
avistado,sugeri ao Neto que avaliasse o Hotel, pensando
no conforto daqueles a quem eu conduzia,o local não era
do meu agrado, mas como já estava noite, o pessoal
cansado e esperando num posto mal iluminado era uma opção,fiquei
de guarda das motos quando avistei um outro hotel na
frente do primeiro escolhido, entrei na portaria e no
saguão lotado de coreanos( a seita do reverendo Moon é
bem forte por lá,não sei se eram, presumi apenas que
eram coreanos), vcs sabem qdo vc se sente um ET? ou qdo
vc vai a um baile a fantasia e chega lá ninguém te
avisou que mudaram os planos para baile com traje a
rigor? pois é... entrei no lugar e um silêncio de 22 T
se abateu no local, imagina eu com capacete todo cheio
de refletivos e roupa completa de cordura amarela e
preta...era o próprio ET!;Mas havia quartos disponíveis
e por um preço convidativo (US$24,00 casal com café e
garagem),reservei e em um minuto fui chamar o Neto e
fiquei convencido que era a melhor opção pois o
primeiro era um casarão antigo e cheirava a mofo,
imaginei a reclamação das esposas primeiro e depois do
resto...sugerí ao neto de garantir as reservas enquanto
buscava o resto do pessoal,busquei!.
Todos
instalados, banho tomado, fomos a "Cidade
vieja" para jantar, aproveitei e mostrei os
principais pontos do centro: Mausoléo Artigas,edif. Comércio,Banco
Central, Teatro Solís, Portão da Cidade Vieja,Calçadão
dos bares,praça da constituinte e o restaurante
"La passiva" adivinha o que comemos:
-Chivitos! (aquelas refeições que eu não descrever o
que comemos na certa foi chivitos), para manter a minha
tradição comi Panchos e depois um chivito acompanhado
de uma ótima cerveja.
Já
haviamos visto o preço da excurção a Punta mas o preço
era caro demais (US$50,00 pessoa) e optamos também pela
liberdade de deslocamento, a moto do Fernando já tinha
apresentado problema com a gasolina deles...
Vamos
a Punta!
Saimos
pela manhã em direção a Punta del este seguindo a
Rambla, costeando as margens do Rio da Prata que mais
parece o oceano. O Ritmo comecou muito lento a
velocidade não passava dos 40 Km/h e preví que iriamos
não chegar a Punta com aquela velocidade. O pessoal
tinha razão, muita coisa para se ver e fotos para
tirar, levamos cerca de uma hora apenas para percorrer a
Rambla que deve ter cerca de 10 km.
Saindo
da Rambla entramos na praia Atlantida e acabamos nos
perdendo, optamos por seguir pela ruta 9 até a direção
de Piriápolis, Canelones, Punta Balena e Punta del
Este. Só que ao passar o pedágio em direção a Piriápolis,
deu confusão e dois dos nossos motociclistas, já que o
Fernando estava com o Pandolfo e cunhadas no
carro,enrolaram o Cabo e acabaram passando a entrada
para Piriápolis, que frustração! ao longo ví o morro
de Santo Antonio sumindo por trás do Pan de Azucar e um
acréscimo de quase 80km no nosso percurso, confesso que
fiquei incomodado pois o mais bonito da viagem perdemos,
pois deixamos inclusive de visitar o Museo de Villaró
em Punta Balena, sensação muito boa ver obras de
Picasso!,e o pior que estávamos a poucas quadras do
local, mas como as coisas já estavam atrapalhadas e a
fome batendo, vamos almoçar! Preparem-se!.
Estivemos
em dois restaurantes e simplesmente não fomos atendidos
, parece que estávamos fazendo um favor de estar no
local para almoçar, perdemos mais de uma hora nesta função
e por consequência o Passeio em Punta, acabamos almoçando
num agradável restaurante na saída da cidade, o
consumo de pão e manteiga como entrada da refeição
foi de uma cesta por pessoa. resolvemos voltar e
participar do Encontro iternacional, depois da frustração
do passeio o retorno foi ótimo, a estrada foi nossa!
tres motos em velocidade constante e em sintonia
harmonica fazendo a gente sentir um tipo de prazer que só
a moto proporciona...
Este é um momento que vale um novo tópico.
Parecia
que estávamos parados..
E o
resto estáva em movimento. Nossa coordenação de
velocidade e distância nas duas primeiras motos era tão
harmonica que as vezes a sensação era de congelamento
de imagem, nós rodando e os carros parados.
O
Neto teve uma participação fantástica neste episódio.
Pela sua formação, o Cara é expert no assunto em
motos em comboio,pois ele foi piloto e instrutor de
batedores da policia do exercito e dirigia as motos de
grande cilindrada, o mano cuidava da retaguarda deixando
caminho livre para nós, antecipando nossas
ultrapassagens segurando o tráfego enquanto comíamos
asfalto, ainda agora sinto como se estivésse lá, com
as pernas estendidas nos estribos da Drag Star passando
de uma pista a outra como toda a segurança possível a
uma velocidade de 110 Km/h que era o permitido na
estrada.
Quem lê este relato agora e sente ou vivência a mesma
sensação que eu tenho, sabe o que é ser motocilista e
seu significado.
Chegamos
a Montevidéo cerca de 45 minutos depois de sair de
Punta e fomos procurar o Estádio Centenário,
encontramos uns motociclistas do Uruguai com algumas
possantes (KZ,R1, ZX etc) na rambla e nos instruiram
como chegariamos até lá, logo a seguir encontramos
outro motociclista brasileiro de Esteio/RS, cidade
vizinha a minha, numa XT 660 e nos indicou outro caminho
( Dica: quando vc precisar chegar a um local, peça
informação a um taxista ou se for o caso a apenas uma
pessoa, peça um ponto de referência e siga até ele, a
partir de lá peça a mesma informação porque vc já
estara próximo ao local e assim por diante até chegar.
senão...( chegou o Pandolfo, demoramos muito para achar
o local, muitas indicações ao mesmo tempo, ninguém
esperava ninguém!, acredito que o entusiasmo de
participar de um encontro internacional era uma emoção
muito forte para todos, até que achamos o estádio
Centenário, onde foi disputado a primeira copa do
mundo.
Achamos
a porta dos fundos! contornamos o estádio e chegamos no
portão principal. fizemos a inscrição, ganhamos
adesivos e camisetas vamos participar!somos os bodes no
uruguai!
O
L.A.M.A. - Encontro de motociclistas...
·...
em Montevidéo, após muitos desencontros e um pequeno
"stress" estávamos no velódromo do estádio
cinqüentenário, local bonito para um encontro, de cara
a gente percebe as diferenças , apesar da vontade,
empenho e dedicação da organização em receber os
visitantes, não sei se foi por nós ser de outro País,
mas não havia dificuldade em nos ajudar, os caras são
DEZ!.
As
motos em sua maioria são de baixa cilindrada (50 a 250
cc) chinesas e poucas e usadas japonesas ou HD, estas são
um show a parte, muitas antigas, mas de um estado de
conservação de deixar uma múmia com inveja, tirei
foto de algumas. O comércio inexiste, havia três
barracas de produtos, mas quase nada de motociclismo,
numa delas estranhamos a venda de uns papeizinhos
suspeitos (tipo para enrolar baseado), pois estava num
tabuleiro de isopor enroladinhos como tal, o grupo
formado em 150% de caretas incluindo eu!, pensou:os
caras são cara de pau!, pois é gente era pescaria! tu
pagava 5 pesos e tirava um papel que te sorteava um
chaveiro, botton etc..
Outra
coisa que chamou a atenção era que se alguém
acelerasse mais forte, fizesse um zerinho ou queimasse
pneu, era correria geral para ver, num destes momentos
ficamos sozinhos no lado da pista porque o mecânico
disponível no encontro tinha exagerado na bebida e começou
a fazer "loucuras" de acelerar a moto!.
Ficamos olhando de longe e comparando com os nossos
encontros...
As
nossas motos eram atração, com muitos tirando fotos,
puxando conversa,pedindo adesivo do MCBDA.Nesta noite
conseguimos nos encontrar com os outros "Bodes do
Asfalto" que vinham por Bagé, o contato foi breve
mas prazeroso, é sempre bom ver Brasileiros em outro
Pais.
Fiquei
por último até o Orth trazer a moto para consertar
pois a lenta dele estava ruim e apagava muito (coisas da
Nafta uruguaia). Amanhã era outro dia e a ruta 5 nos
aguardava, Rivera era noso destino.Voltamos ao Hotel e
nos reunimos ao grupo num mercado próximo ao hotel para
comer pizza (ou algo parecido e muito
gostoso!)lembre-se:jamon é presunto!
Iniciando
o retorno.
Acordamos
na expectativa de pegar a estrada a qual ninguém
conhecia, ou se conhecia, não disse.O Neto e cunhada
ficaram. Sabiamos que era esperado grandes extensões
sem muitas habitações ou postos de gasolina combinamos
em abastecer em Florida e depois até Paso de Los
Toros,a paisagem mudou para os Pampas sem a presença de
coqueiros, apenas campos verdes, eucaliptos e mata
nativa de médio porte e os Cerros que transpõem o
conceito da beleza na simplicidade da natureza.
Até
a metade do caminho passamos por plantações de
Pessegos, oliveiras e outras árvores frutíferas, os
riachos, são límpidos de uma água que espelha as
nuvens pois a calmaria das águas proporcionam
isto.
O
asfalto continuava como um veludo,porém o casamento da
paisagem a temperatura amena, ausência de vento, ruido
dos motores e uma reta quase que infinita com pouco trânsito,era
o convite a uma velocidade constante e segura ficando eu
absorvido apenas no momento presente, não conseguia
pensar em próxima parada ou coisa parecida esta é uma
das mágias que o viajar de moto nos proporciona, de
estar com a gente mesmo. Passado o primeiro
abastecimento nossa próxima passagem seria por
durazno(pêssego em espanhol, o horizonte anunciava
chuva e ela chegou com força e vento! Putz! será que o
resto da viagem seria assim?.
Mas
aventura tem que ter emoção! paramos colocamos as
bagagens no carro de apoio ( grande mano Pandolfo e
cunhada Solange!) e pegamos estrada! passados 20 km a
chuva parou e abriu sol, era apenas uma grande
nuvem.Paramos em Paso de Los Toros e aproveitamos para
abastecer e reduzir o volume das roupas.
Paso
é uma cidade muito atraente, tem uma estátua
gigantesca de um touro de uma perfeição divina e um
rio que harmoniza com os campos que fazem do lugar um
local diferente dos demais, nesta cidade tem origem uma
tônica de muito sucesso por lá, além do pomello.Um
dos melhores almoços que fizemos foi lá, comi :
Ensalada e asado em tira (costela), coisa simples mas
saborosa acompanhada de pão e manteiga soborosíssima.abastecemos
e partimos..
seguindo
viagem....
Estávamos
indo em direção a Tacuarembó, a presença de cerros
(pequenos planaltos formado por formações rochosas e
vegetação rasteira) é constante e o lugar é lindo.
As melhores fotos foram tiradas nesta região.
As
estradas continuam no padrão uruguai, retas, sem
buracos e bem sinalizadas, numa destas retas me deparei
com uma cena que acho que não esquecerei mais até ser
substituida por uma melhor; Em certo momento após subir
uma elevação na reta, ao chegar ao topo vislumbrei no
horizonte uma formação de cerros, uma grande reta a
minha frente, nenhum carro vinda em minha direção e um
verde contrastante com o céu azul decorado por algunas
nuvens, eu pude sentir o verdadeiro significado ( mais
uma vez!) da liberdade de andar numa moto,
automaticamente pensei no Dennis Hopper e o Peter Fonda
e entendí o porque do titulo do clássico "sem
destino", é isso simplesmente a vontade de
satisfazer em andar de moto sem importar para onde
estamos indo, mas no nosso caso estávamos com um
destino, mas sem horário a cumprir, então conclui que
a sintese estáva em apenas estar na estrada e ir
seguindo nosso caminho então era só isso:"-Tô
indo!". pensei asim como a FEB na segunda guerra
tinha um lema de campanha que era "senta a
Pua!" (se não me engano é a manobra de mergulhar
o avião para atacar o inimigo") a nossa podia ser
esta :"-Tô indo!", não tinhamos pressa em
chegar a rivera apenas ter o prazer de estar indo.
O
local mais bonito que passamos foi no "cerrito de
Tacuarembó" que faz encontro de um grande arroio
aos pés do cerro, que faz refletir este nas águas
calmas do arroio transformando o lugar cercado de beleza
e magia. Deus foi generoso naquelas paragens.
Faltando
120 km para a fronteira paramos para registrar nossas últimas
fotos em terras uruguaias, a partir daí a magia da
estrada foi indo embora, as habitações, fábricas,
exploração da natureza ficou mais evidênte e nos
fazia lembrar com mais insitência que tinhamos mais um
dia de aventura. o ânimo do grupo continuava como se
fosse primeiro dia.Êta gente boa!
Rivera.......Compras!
Pouco
antes de chegarmos a Rivera o céu começou a ficar
carregado, a chuva que deixamos em Canellones nos alcançava,
tudo bem!, estávamos chegando!, Rivera e livramento é
uma típica cidade do interior do RS, casas estilo
barroco ainda com marcas da riqueza de outros tempos,
algumas com beiras e eiras e ouras sem...
Antes
de entrar no Brasil, passamos pela alfandega para
carimbar vistos de saída, nesta parada vimos que o mano
Orth além de deixar estória com seu galãozinho de
estimação, queimou sua calça impermeável no escape
da Intruder (logo a seguir ele vai deixar o endereço do
blog dele para vcs verem a foto!).Entramos em Santana do
Livramento, não sem enfrentar um engarrafamento na rua
principal.
Nesta
rua o Mano Alexandre conseguiu encontrar um conhecido,
esperamos ele alguns minutos, e seguimos para o
engarrafamento e despedidas, pois ele e a cunhada Renata
iriam rumar direto para Santiago, foi-se mais um dos
nossos companheiros de estrada, nos abraçamos dissemos
poucas palavras, como num pacto silencioso de não nos
emocionar,ficou a cumplicidade de todos de que ali
estava concluída uma estória que não vai se apagar
para o resto de nossas vidas ( e foram tão poucos os
quilômetros!).
Na
despedida não ví que um guarda de trânsito apitava
para mim, pois tinha feito um retorno indevido, (vai a
dica: demonstre simpatia,arrependimento e
desconhecimento, seja sincero!)desci da moto e antes de
combinar sobre o hotel com o grupo fui ao guarda e pedi
desculpas,demonstrei meu desconhecimento com a sinalização
e argumentei sobre a minha alegria por estar na cidade
depois de 500 km de estrada).
Os
guardas deram boas vindas e ainda me deixaram repetir a
barbeiragem para me juntar ao grupo na hora de ir ao
hotel.Por estar na frente do grupo e conhecer um pouco a
cidade, escapamos do engarrafamento por ruas laterias e
ganhamos uma meia hora para as compras, chegamos as
17.30h no Hotel. Combinamos em nos encontrar para a
janta as 20.30h, eu fui para o quarto e o grupo para as
compras , começou a chover fraco! O GADU é generoso!
Santa
de Livramento e as compras...
Reservei
os quartos no Hotel Plaza Verde para os casais
Orth/Gisele e Pandolfo/ Solange, pois naquele momento já
estavam na rua principal conhecendo as lojas, como eu já
conhecia as lojas e principalmente sabia o que queria
comprar calculei que ½ hora era suficiente para
executar esta tarefa, tomei um banho me arrumei e fui ás
compras.
Comprei
alguns perfumes e com o resto de pesos que tinha escolhi
alguns brinquedos para o meu filho. A chuva apertou e
apertou muito mesmo, logo a água formou pequenas
corredeiras e as frentes das lojas estavam lotadas do
pessoal se protegendo da chuva. Resolvi indo aos poucos
para o hotel procurando me molhar e menos possível (era
única roupa seca para colocar!) acabei parando num
daqueles trailers de panchos que ficam na praça das
bandeiras, comi sabe o que? Panchos!, mas os de lá são
melhor, com recheio etc...
Consegui
voltar ao hotel para jantarmos porém os casais não
vieram, a chuva atrapalhou tudo!nos encontramos no café
da manhã, e combinamos que sairíamos um pouco mais
tarde para as cunhadas retornarem as compras... No
retorno pegamos as motos e bagagens e seguimos para a
estrada, abastecemos com a nossa "péssima"
gasolina e as motos pararam de engasgar, falhar, tossir
e etc... acho que o que falava era a "cachaça"
para elas....A partir de agora era uma tocada até Porto
Alegre, e o movimento de carros já demonstrava que iríamos
ter tráfego intenso nas estradas. 14:33
(5
minutos atrás)
Retornando....
As motos pararam de
reclamar da gasolina então seguimos viagem em direção
a Rosário do Sul onde iríamos almoçar, a paisagem já
era conhecida, estávamos nos Pampas Gaúchos e aquelas
eram as terras onde nasci –Dom Pedrito- no caminho até
Rosário passamos por várias motos, sempre nos
cumprimentando e ratificando a máxima que na estrada
todos motociclistas são irmãos, chegamos após uma
hora e na dúvida de abastecer e almoçar fizemos os
dois num restaurante bem na entrada da cidade, é um dos
melhores, se bem que se vc for por lá não deixe de
comer a traíra que é servida no restaurante terraço
que fica na praia das areias brancas, em novembro tem
encontro por lá e vou unir o útil ao agradável vou a
trabalho e fico para o encontro.
A praia é na
realidade o Rio Santa Maria, mas o local é muito agradável
e o ponto de encontro da cidade.vale a pena
conhecer...Passamos o Ponte sobre o Rio Santa Maria,
ponte muito extensa - cerca de 3 km-, uma das maiores do
RS e seguimos a São Gabriel, terra dos Marechais,
passamos direto pois eram apenas 70 km depois da última
parada perto da entrada de Caçapava bateu a Reserva,
paramos também para tomar um café etc...conversamos um
pouco e seguimos viagem, era notório o desejo de todos
em chegar em casa, quanto mais perto maior a vontade de
chegar e poder rever os filhos, amigos, contar como foi
etc...A viagem seguia tranqüila até que o movimento
começou a apertar.....
O
tráfego....
Passando Cachoeira
do Sul o movimento de carros começou a piorar quando em
certo momento simplesmente perdemos o Pandolfo e as
cunhadas e nossas malas juntos, paramos duas vezes para
contato telefônico e novamente nos encontramos, um dos
motivos foi uma multa que o Pandolfo levou por
ultrapassagem indevida, porém a “sacanagem” é que
a PRF fica escondida na vegetação da estrada num ponto
entre duas descidas numa reta longa e de visão
privilegiada, dando condições de ultrapassagem porém
existe as faixas continuamos para trair o motorista....o
resto vcs devem imaginar a indignação... combinamos
que a próxima parada seria em Pântano Grande para
abastecer, paramos abastecemos e nos perdemos de novo
indo nos achar de novo a cinco quilômetros a frente graças
, novamente, aos celulares, neste momento o Orth e a
Gisele carregaram a Intruder e partiram via Santa Cruz
para Montenegro, destino final deles naquele dia ( ou
assim planejavam eles...). Nos despedimos e não houve
muito sentimento, pois nos encontramos todas as semanas
então era apenas um até logo! Depois que partimos
percebi que não me despedi da cunhada
Gisele.....Desculpa ai cunha!
Começou a chover! E
era para ficar, tudo bem a roupa de cordura estava
funcionando bem...Seguimos bem comigo dando uma certa
cobertura ao Pandolfo nas ultrapassagens avisando quando
o caminho estava livre, muita gente entendeu o recado e
seguiu atrás..., tudo foi bem até chegar antes do pedágio
da Charqueadas quando o transito parou por causa de uma
batida entre
dois carros, sem feridos apenas damos materiais,
perdemos mais meia hora nesta função, passamos o pedágio
e enrola cabo!....
Enrola
cabo!?....
Passando uns 20 km
do Pedágio, o trânsito parou total tentei ficar junto
com o Pandolfo por uns metros mas o calor do motor começou
a incomodar pois estava quente, a calça de cordura
estava com o forro impermeável, então segui até
adiante antes do entroncamento de Guaíba e Porto
Alegre, dava para ver a cidade ao longe, e a noite
chegou rapidamnete devido a chuva contínua....(Tão
perto, tão longe!) um detalhe que não registrei é que
depois que entrei nas terras brasileiras, o MP3 me
acompanhou direto e esta música do U2 tocava no
momento, achei legal a coincidência, parei a moto e
liguei para o mano Pandolfo, estava longe o cara!
Combinamos que eu iria esperar no posto da PRF de
Eldorado, cheguei e
esperei.....esperei......esperei....fiquei mais de uma
hora e meia esperando e tinha muito movimento....
ficamos em contato telefônico até o Mano aparecer ai
sim!
Quando chegaram me
comentaram que o mano Orth e Gisele ficaram em Santa
Cruz pois havia ocorrido um acidente com um motociclista
em Santa Cruz e o transito não seguiu mesmo e a chuva
apertou, ainda não era o dia de chegarem em casa
ficaram num hotel. Peguei as mochilas
nos despedimos e seguimos nosso caminho, tive
certeza que a partir dali ganhei duas pessoas que estarão
eternamente em meu coração, além dos outros que
faziam nossa aventura, talvez por ser os últimos e se
separar foram os mais significativos... depois disto foi
um teste de andar com a Drag star no engarrafamento,
andei com ela como se estivesse numa 125 cc. Consegui
uma maneabilidade nela que não sabia que possuía, tudo
para chegar em casa.....saudades.....
Tô
chegando.....cheguei!
O que eu mais
pensava antes de chegar em casa era no meu estado físico,
não estava moído, não estava cansado, a bunda não doía;
estava satisfeito não me sentia um vitorioso apenas
realizado pois esta era uma das viagens que sempre quis
fazer; me descobri um pouco, exerci coisas que muitas
vezes escutei como: tolerância, respeito ,
fraternidade, irmandade; me descobri como um amante da
liberdade, liberdade do espírito, do vento no rosto,
amante das paisagens e humilde diante da natureza e no
ela nos proporciona, confesso que voltei apaixonado pela
minha moto.... Sempre me emocionava quando lia os
relatos dos viajantes quando chegavam em casa depois de
uma aventura, pensava que seria assim ,mas não me
emocionei!
Hoje e agora sim me
emociono, fico com os olhos marejados escrevendo isto ,
talvez por recordar tudo que passamos juntos. Sei porque
fico assim, é pela vontade de estar nela de
novo, sentindo o ar puro, o vento no rosto, o vazio do
horizonte que preenche minha alma de intenções,
pensamentos bons e reflexões de onde estamos, porque
viemos e quem somos.
Quando cheguei em
casa e tive minha outra alegria, o sorriso e o abraço
do meu filho......
Sou feliz e tenho
sorte nesta vida.
Final
Obrigado a vocês
que tiveram a paciência e curiosidade de esperar junto
comigo este relato Desejo que este seja para vocês,
motivo de inspiração para novas aventuras, nos
encontramos na estrada.
Valeu Renato Lopes!
Teu livro “um Motociclista nas rutas del Cone Sur”
foi minha inspiração.
Relato de viagem realizada
em Abril/2007 por integrantes do MC Bodes do
Asfalto com o objetivo de participar do encontro
latino americano de motociclismo no Uruguai. Neste
encontro se reuniram motociclista representando todas
as Américas...
Abçs
Hilton Simões hiaton@terra.com.br
Moto Esporte: Parabens a
Hilton e todos companheiros pela bela viagem e deu
para sentir o quanto vcs amam as motocas.. é isso
aí... andar, viajar, curtir motos, não tem preço...
Abraço a
todos integrantes do MC Bodes do Asfalto.... e na
próxima estaremos de portas abertas para publicar
Marcos Branco - Diretor Moto Esporte
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