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Relato Viagem - Uruguai (abril 2007)

Acabei indo para o uruguai! fomos em quatro motos e um carro de apoio, fizemos o Ponto de encontro na praia do Cassino pois tinha parceiros dos Bodes do Asfalto vindo de Santiago, Montenegro,Porto Alegre e Santa Maria.

A saída foi programada para as 7h e acabamos saindo as 8.30h pois resolvemos tomar café numa cafeteria em frente ao hotel atlântico.

O tempo estava bom e a previsão para os próximos dias eram promissoras.
Até a entrada para o Taim a viagem foi sem novidades, apenas muita expectativa, até o momento que a adrenalina aumentou quando depois de passar por muitos animais atropelados durante a noite e que deixavam manchas no asfalto, vimos uma que seria mais uma mancha de sangue de outro animal atropelado, mas por segundos a realidade da cena ficou gravada pelas marcas de freada, cacos de vidro, uma mancha de sangue ainda vermelho escuro e um capacete dilacerado na beira da estrada.
Aquilo era um aviso do cuidado e prevenção que teríamos que ter na nossa jornada....

Rodando no Taim

Depois da injeção de adrenalina e aviso sobre os riscos numa viagem, continuamos na estrada adentrando no Taim. A região é muito bonita, fiquei pensando como alguém teria condições, se não fosse um local protegido, de explorar o local. Passamos por algumas viaturas do IBAMA, três se não me engano, e fiquei agradecido por ter esta fiscalização, é muita beleza para não ter alguém cuidando. 

O verde na paisagem é constante mas as tonalidades variam, quando se está rodando pelo Taim tem-se á esquerda para quem vai em direção ao Uruguai, todo o banhado e á direita campos explorados por pecuarista, aparentemente a convivência é ´harmoniosa, até porque , imagino eu, que se uma daquelas vacas ou ovelhas ultrapassam a cerca, caem no arroio onde existe a possibilidade de haver um jacaré.Neste trecho a moto deve ser abastecida previamente pelo risco de ficar sem combustível, rodamos um trecho de quase 200 km sem abastecimento, minha drag star estava fazendo uma média de 12 km/l a uma velocidade de 110 km/h, baixei o ritmo para os 90 km/h para ter uma certa garantia de chegada até o posto próximo ao chui pois t.

Paramos no único posto do trecho para abastecer, não lembro o valor da gasolina, mas sei que era bem caro tipo preço de especial para comum.
Neste posto deixamos nossa primeira marca dos Bodes do Asfalto (está lá!) colamos o adesivo no vidro que passamos por lá "fazendo poeira!".

A qualidade do piso é boa, sem buracos ou depressões, um certo cuidado deve-se ter com os "mata-burros" que são trilhos que seccionam o asfalto afim de evitar a circulação de animais e também a passagem deles por baixo da estrada, tentando assim minimizar os atropelamentos , que são muitos. Neste trecho vimos vários animais atropelados principalmente antes do inicio do taim como : gambás (zurrilhos como chamamos por aqui), Ratão do banhado (carpincho); um pequeno veado Campeiro( este me deu dó! são poucos que tem por ai....), cachorro do mato (sorro) e também muitos passáros pequenos.
A expectativa para chegar em solo Uruguaio era grande.

 

Chuy

Antes de chegar ao Chuy não esqueça de abastecer a moto pois temos uma distancia de quase 200 km sem abastecimento, o primeiro posto a direita após a saída do Taim está fechado, o outro fica a uns 20 km depois e o preço da gasolina comum é como fosse aditivada.

Chegamos ao Chuy, imediatamente ao estacionarmos as motos, tivemos uma amostra de que seriamos atração no resto da viagem, muitas pessoas, principalmente a gurizada, pedia para tirar fotos das motos, se fosse montado era a glória , os sorriso era aberto e prazeroso ( quantos futuros motocilistas fomentamos com estas viagens!). Resolvemos almoçar no chuy, comida cara e ruim, cheguei a perguntar a garçonete se o cozinheiro era hipertenso , pois a comida era zem! (zem sal,zem tempero e zem gosto!)pagamos R$14,oo pelo prato especial francês "buffet insosssé". saimos de lá e no próximo abastecimento comi um cereal para organizar o estomago.

Fomos muito bem recepcionados na Aduana, onde encontramos mais motociclistas a caminho de Montevidéo e outros chegando para o encontro no chuy ao qual não conferimos. troquei decalco com um motoclube do local que agora não lembro o nome (digo depois....) mas o cara foi muito legal passando informações importantes sobre os papéis exigidos pela polícia uruguaia.
Após a aduana fomos pela ruta 9 e passamos pelo parque Sta. Tereza (voltarei lá, lugar bonito!) antes de chegar a este parque a pista de rolamento subitamente alarga e a demarcação idem pois se torna por cerca de 1000 m uma pista de pouso para aviões de grande porte, posso dizer que andei de moto numa pista de pouso ( não pude deixar de lembrar da cena do Tom Cruise em top Gun) quase me sentí o próprio! Se a moto fosse uma ZX 12 seria completa a fantasia.....

O Parque do Forte Sta Tereza é muito bonito, pela falta de tempo vimos a beira do mar (paisagem tipo litoral Inglês) e o Herbariun com muitas espécies de orquídeas e peixes. Lugar bom para descansar e pensar um pouco....
Ainda tínhamos muito chão pela frente até montevidéo e as estradas eram desconhecidas.

...Até Montevidéo.

Estávamos nas estradas uruguaias, Chão Bom!,As curvas suaves da estrada proporcionam uma pilotagem prazerosa. A paisagem á nossa direita era acompanhada pelo lago negro, e aos poucos as diferenças de vegetação, relevo e hábitos iam se revelando, é interessante que de uma hora para outra tudo fica diferente, comida, costumes e hábitos. Passávamos por cidades em que não aparecia pobreza mas condições humildes de vida, porém não vimos miséria, o que é muito bom. 

Passados alguns quilômetros o nosso companheiro com sua V- Strom, Alexandre e esposa foi parado pela Polícia Rodoviária, senti que iria junto, estava a mais ou menos 120 km/h e ele talvez a 140 km/h, o Policial mandou eu passar, passei e logo após estacionei, sendo seguido pelos outros, passados poucos minutos, fui até eles com a curiosidade para ver o que estava acontecendo, o policial anotava detalhes da Documentação. 

Na dúvida e para iniciar conversa, perguntei quantos quilômetros até o próximo posto de "Nafta", 30 km responderam, comentei sobre seu português quase perfeito e iniciamos um papo, em seguida puxei um adesivo dos Bodes e repassei o "regalo" que foi aceito com muita alegria ( Dica: leve os adesivos de seu Moto clube servem como cartão de apresentação e passaporte para iniciar uma relação diplomática!) não sei se por isto o gelo foi quebrado mas que a Polícia Rodoviária trata os turistas muito bem ,isto é uma verdade,os caras são 10! sempre que passávamos buzinávamos e a resposta era cordial.A esta dica do adesivo agradeço ao Mano Renato Lopes,está no seu Livro "Motociclistas nas Rutas do Cone Sul" melhor livro sobre viagens de moto que já li. Recomendo!

Depois do policial, seguimos viagem em direção a Rocha e Maldonado. Rocha (Rotcha) tem umas praias muito bonitas onde resalta suas formações rochosas, passando Rocha seguimos a Maldonado, que ao longo do horizonte pode ser referênciado pelo monte Chamado "Pan de Azúcar". por esta "Ruta 9" existem várias entradas para punta del este, estávamos chegando a Montevidéo, o sol indo e a falta de hotel tbm.

 

antes de Montevidéo....

Logo após a Blitz do polícial tivemos um imprevisto e da minha parte um pequeno susto, ainda durante a parada sugerí a um mano dos Bodes (Fernando Orth) que o próximo posto era a 30 km e que seria bom ele abastecer com o galão sobressalente que estava trazendo,não colocou, andou uns quilômetros e parou, sei que parou porque o Neto (nosso orientador de Direção Defensiva), enrolou o cabo e nos alcançou para avisar que o Orth havia parado, retornamos, mas ainda não sabia que era pane seca, até saber a preocupação tomou conta, passa mil coisas pela cabeça da gente...Logo depois paramos num posto de "nafta" onde nos alimentamos e tomamos uma bebida, particularmente acho que se vc for ao Uruguai e não experimentar o refrigerante de Pomelo e comer pancho com "mostassa" ,vc não conheceu todo Uruguai.

No posto fizemos a festa quando vimos gasolina com 87, 95 e 97 octanas, falamos que as motos iam conhecer a verdadeira gasolina, que elas iam virar um foguete, agora os motores iam ficar limpos etc...A Partir deste abastecimento começaram alguns problemas que nos acompanhariam até Rivera.
O preço da gasolina é mais caro que os daqui, e começar a se acostumar a encher o tanque e pagar U$380,00 dói no bolso e pensamento demora a processar o cambio. ( dica: esqueça a conversão de moeda pegue um produto de referência, tipo refrigerante e manda bala!).
Logo a seguir vem Maldonado e a opção é Punta del Este ou mais 100 km e Montevidéo, optamos por seguir a Montevidéo por ser mais fácil encontrar hotéis e Punta ter a fama de praia em pagamento em dólar.No dia seguinte visitaríamos pelo Roteiro: Canelones,Atlantida, Piriápolis, Punta Balena e Punta Del Este com uma Van alugada.

Na região Metropolitana de Montevidéo percebemos como chamamos a atenção com as motos, a grande maioria das motos por lá é de baixa cilindrada e chinesas, muitos carros estão caindo aos pedaços mas ainda circulando.

Uma coisa que os uruguaios pedem é para acelerar a moto, porque? Não sei mas acham o maior barato, vibram quando são atendidos...

 

Chegamos a Montevidéo.....

A noite estava chegando junto e a apreensão era constante, dúvidas do tipo: conseguiremos hotel, estamos na semana do turismo dizem que está tudo lotado, qual a segunda opção?, mas o negócio era tomar caminho, seguir e achar a "Rambla", pois era o meu ponto de referência para achar os hotéis, durante o trajeto de chegada fiz um filme andando de moto ( coisa arriscada que insisto em fazer!) e detalhes nos chamava a atenção: alguns carros muito antigos e outros caindo aos pedaços,alguns chamavam mais que outros e até poderiam ter nomes sugestivos: como 'Lazanha" pois era pura massa ou um "podrevete" chevete cheio de ferrugem etc... 

Fato que todos comentamos depois foi uma camionete que acompanhamos por bastante tempo, já que existem muitos semáforos no final da ruta 9, na cabine da camionete iam três homens e atrás na boléia, pasmem, as esposas!, Putz! que maneira de tratar as mulheres. 

A recepção foi a melhor possível, a cada parada de semáforo aproveitávamos e combinávamos alguma coisa, foi quando um monza vermelho fez sinal para nos aproximar, fui até ele e o gentil motorista perguntou: -Ustedes querem la Rambla? e eu num "ótimo" portunhol respondi que sim pois depois de lá conseguiria a chegar no hotel escolhido. Então, fomos escoltados até a Rambla.´Melhor recepção impossível, agradeci a gentileza e seguimos rumo resolvemos parar num posto pois a preocupação era não se perder um do outro no trânsito de Montevidéo (dica:mantenha sua direita, eles estão acostumados como motonetas que são mais lentas.)

No Posto decidimos procurar o Hotel IBIS e ter acomodação por lá.Seguimos, por indicação do atendente a um posto mais próximo, lá resolvemos estabelecer uma base e eu e o Neto procurar um hotel.Não sei o que houve mas passamos ao lado do Edifício de 10 andares, todo iluminado e não vimos o Ibis.Achei meu ponto de referência e acabamos na praça da constituinte, perguntamos aos taxistas do local que indicaram o outro hotel escolhido e seguimos "calle San José"....

 

Estamos no centro...

A partir da praça da constituinte, estava em casa, na Calle San José paramos no primeiro hotel avistado,sugeri ao Neto que avaliasse o Hotel, pensando no conforto daqueles a quem eu conduzia,o local não era do meu agrado, mas como já estava noite, o pessoal cansado e esperando num posto mal iluminado era uma opção,fiquei de guarda das motos quando avistei um outro hotel na frente do primeiro escolhido, entrei na portaria e no saguão lotado de coreanos( a seita do reverendo Moon é bem forte por lá,não sei se eram, presumi apenas que eram coreanos), vcs sabem qdo vc se sente um ET? ou qdo vc vai a um baile a fantasia e chega lá ninguém te avisou que mudaram os planos para baile com traje a rigor? pois é... entrei no lugar e um silêncio de 22 T se abateu no local, imagina eu com capacete todo cheio de refletivos e roupa completa de cordura amarela e preta...era o próprio ET!;Mas havia quartos disponíveis e por um preço convidativo (US$24,00 casal com café e garagem),reservei e em um minuto fui chamar o Neto e fiquei convencido que era a melhor opção pois o primeiro era um casarão antigo e cheirava a mofo, imaginei a reclamação das esposas primeiro e depois do resto...sugerí ao neto de garantir as reservas enquanto buscava o resto do pessoal,busquei!.

Todos instalados, banho tomado, fomos a "Cidade vieja" para jantar, aproveitei e mostrei os principais pontos do centro: Mausoléo Artigas,edif. Comércio,Banco Central, Teatro Solís, Portão da Cidade Vieja,Calçadão dos bares,praça da constituinte e o restaurante "La passiva" adivinha o que comemos: -Chivitos! (aquelas refeições que eu não descrever o que comemos na certa foi chivitos), para manter a minha tradição comi Panchos e depois um chivito acompanhado de uma ótima cerveja.

Já haviamos visto o preço da excurção a Punta mas o preço era caro demais (US$50,00 pessoa) e optamos também pela liberdade de deslocamento, a moto do Fernando já tinha apresentado problema com a gasolina deles...

 

Vamos a Punta!

Saimos pela manhã em direção a Punta del este seguindo a Rambla, costeando as margens do Rio da Prata que mais parece o oceano. O Ritmo comecou muito lento a velocidade não passava dos 40 Km/h e preví que iriamos não chegar a Punta com aquela velocidade. O pessoal tinha razão, muita coisa para se ver e fotos para tirar, levamos cerca de uma hora apenas para percorrer a Rambla que deve ter cerca de 10 km.

Saindo da Rambla entramos na praia Atlantida e acabamos nos perdendo, optamos por seguir pela ruta 9 até a direção de Piriápolis, Canelones, Punta Balena e Punta del Este. Só que ao passar o pedágio em direção a Piriápolis, deu confusão e dois dos nossos motociclistas, já que o Fernando estava com o Pandolfo e cunhadas no carro,enrolaram o Cabo e acabaram passando a entrada para Piriápolis, que frustração! ao longo ví o morro de Santo Antonio sumindo por trás do Pan de Azucar e um acréscimo de quase 80km no nosso percurso, confesso que fiquei incomodado pois o mais bonito da viagem perdemos, pois deixamos inclusive de visitar o Museo de Villaró em Punta Balena, sensação muito boa ver obras de Picasso!,e o pior que estávamos a poucas quadras do local, mas como as coisas já estavam atrapalhadas e a fome batendo, vamos almoçar! Preparem-se!. 

Estivemos em dois restaurantes e simplesmente não fomos atendidos , parece que estávamos fazendo um favor de estar no local para almoçar, perdemos mais de uma hora nesta função e por consequência o Passeio em Punta, acabamos almoçando num agradável restaurante na saída da cidade, o consumo de pão e manteiga como entrada da refeição foi de uma cesta por pessoa. resolvemos voltar e participar do Encontro iternacional, depois da frustração do passeio o retorno foi ótimo, a estrada foi nossa! tres motos em velocidade constante e em sintonia harmonica fazendo a gente sentir um tipo de prazer que só a moto proporciona...
Este é um momento que vale um novo tópico.

Parecia que estávamos parados.. 

E o resto estáva em movimento. Nossa coordenação de velocidade e distância nas duas primeiras motos era tão harmonica que as vezes a sensação era de congelamento de imagem, nós rodando e os carros parados.

O Neto teve uma participação fantástica neste episódio. Pela sua formação, o Cara é expert no assunto em motos em comboio,pois ele foi piloto e instrutor de batedores da policia do exercito e dirigia as motos de grande cilindrada, o mano cuidava da retaguarda deixando caminho livre para nós, antecipando nossas ultrapassagens segurando o tráfego enquanto comíamos asfalto, ainda agora sinto como se estivésse lá, com as pernas estendidas nos estribos da Drag Star passando de uma pista a outra como toda a segurança possível a uma velocidade de 110 Km/h que era o permitido na estrada.
Quem lê este relato agora e sente ou vivência a mesma sensação que eu tenho, sabe o que é ser motocilista e seu significado.

Chegamos a Montevidéo cerca de 45 minutos depois de sair de Punta e fomos procurar o Estádio Centenário, encontramos uns motociclistas do Uruguai com algumas possantes (KZ,R1, ZX etc) na rambla e nos instruiram como chegariamos até lá, logo a seguir encontramos outro motociclista brasileiro de Esteio/RS, cidade vizinha a minha, numa XT 660 e nos indicou outro caminho ( Dica: quando vc precisar chegar a um local, peça informação a um taxista ou se for o caso a apenas uma pessoa, peça um ponto de referência e siga até ele, a partir de lá peça a mesma informação porque vc já estara próximo ao local e assim por diante até chegar. senão...( chegou o Pandolfo, demoramos muito para achar o local, muitas indicações ao mesmo tempo, ninguém esperava ninguém!, acredito que o entusiasmo de participar de um encontro internacional era uma emoção muito forte para todos, até que achamos o estádio Centenário, onde foi disputado a primeira copa do mundo.

Achamos a porta dos fundos! contornamos o estádio e chegamos no portão principal. fizemos a inscrição, ganhamos adesivos e camisetas vamos participar!somos os bodes no uruguai!

 

O L.A.M.A. - Encontro de motociclistas...

·... em Montevidéo, após muitos desencontros e um pequeno "stress" estávamos no velódromo do estádio cinqüentenário, local bonito para um encontro, de cara a gente percebe as diferenças , apesar da vontade, empenho e dedicação da organização em receber os visitantes, não sei se foi por nós ser de outro País, mas não havia dificuldade em nos ajudar, os caras são DEZ!.

As motos em sua maioria são de baixa cilindrada (50 a 250 cc) chinesas e poucas e usadas japonesas ou HD, estas são um show a parte, muitas antigas, mas de um estado de conservação de deixar uma múmia com inveja, tirei foto de algumas. O comércio inexiste, havia três barracas de produtos, mas quase nada de motociclismo, numa delas estranhamos a venda de uns papeizinhos suspeitos (tipo para enrolar baseado), pois estava num tabuleiro de isopor enroladinhos como tal, o grupo formado em 150% de caretas incluindo eu!, pensou:os caras são cara de pau!, pois é gente era pescaria! tu pagava 5 pesos e tirava um papel que te sorteava um chaveiro, botton etc..

Outra coisa que chamou a atenção era que se alguém acelerasse mais forte, fizesse um zerinho ou queimasse pneu, era correria geral para ver, num destes momentos ficamos sozinhos no lado da pista porque o mecânico disponível no encontro tinha exagerado na bebida e começou a fazer "loucuras" de acelerar a moto!. Ficamos olhando de longe e comparando com os nossos encontros...

As nossas motos eram atração, com muitos tirando fotos, puxando conversa,pedindo adesivo do MCBDA.Nesta noite conseguimos nos encontrar com os outros "Bodes do Asfalto" que vinham por Bagé, o contato foi breve mas prazeroso, é sempre bom ver Brasileiros em outro Pais.

Fiquei por último até o Orth trazer a moto para consertar pois a lenta dele estava ruim e apagava muito (coisas da Nafta uruguaia). Amanhã era outro dia e a ruta 5 nos aguardava, Rivera era noso destino.Voltamos ao Hotel e nos reunimos ao grupo num mercado próximo ao hotel para comer pizza (ou algo parecido e muito gostoso!)lembre-se:jamon é presunto!

 

Iniciando o retorno.

Acordamos na expectativa de pegar a estrada a qual ninguém conhecia, ou se conhecia, não disse.O Neto e cunhada ficaram. Sabiamos que era esperado grandes extensões sem muitas habitações ou postos de gasolina combinamos em abastecer em Florida e depois até Paso de Los Toros,a paisagem mudou para os Pampas sem a presença de coqueiros, apenas campos verdes, eucaliptos e mata nativa de médio porte e os Cerros que transpõem o conceito da beleza na simplicidade da natureza. 

Até a metade do caminho passamos por plantações de Pessegos, oliveiras e outras árvores frutíferas, os riachos, são límpidos de uma água que espelha as nuvens pois a calmaria das águas proporcionam isto. 

O asfalto continuava como um veludo,porém o casamento da paisagem a temperatura amena, ausência de vento, ruido dos motores e uma reta quase que infinita com pouco trânsito,era o convite a uma velocidade constante e segura ficando eu absorvido apenas no momento presente, não conseguia pensar em próxima parada ou coisa parecida esta é uma das mágias que o viajar de moto nos proporciona, de estar com a gente mesmo. Passado o primeiro abastecimento nossa próxima passagem seria por durazno(pêssego em espanhol, o horizonte anunciava chuva e ela chegou com força e vento! Putz! será que o resto da viagem seria assim?. 

Mas aventura tem que ter emoção! paramos colocamos as bagagens no carro de apoio ( grande mano Pandolfo e cunhada Solange!) e pegamos estrada! passados 20 km a chuva parou e abriu sol, era apenas uma grande nuvem.Paramos em Paso de Los Toros e aproveitamos para abastecer e reduzir o volume das roupas. 

Paso é uma cidade muito atraente, tem uma estátua gigantesca de um touro de uma perfeição divina e um rio que harmoniza com os campos que fazem do lugar um local diferente dos demais, nesta cidade tem origem uma tônica de muito sucesso por lá, além do pomello.Um dos melhores almoços que fizemos foi lá, comi : Ensalada e asado em tira (costela), coisa simples mas saborosa acompanhada de pão e manteiga soborosíssima.abastecemos e partimos..

 

seguindo viagem....

Estávamos indo em direção a Tacuarembó, a presença de cerros (pequenos planaltos formado por formações rochosas e vegetação rasteira) é constante e o lugar é lindo. As melhores fotos foram tiradas nesta região. 

As estradas continuam no padrão uruguai, retas, sem buracos e bem sinalizadas, numa destas retas me deparei com uma cena que acho que não esquecerei mais até ser substituida por uma melhor; Em certo momento após subir uma elevação na reta, ao chegar ao topo vislumbrei no horizonte uma formação de cerros, uma grande reta a minha frente, nenhum carro vinda em minha direção e um verde contrastante com o céu azul decorado por algunas nuvens, eu pude sentir o verdadeiro significado ( mais uma vez!) da liberdade de andar numa moto, automaticamente pensei no Dennis Hopper e o Peter Fonda e entendí o porque do titulo do clássico "sem destino", é isso simplesmente a vontade de satisfazer em andar de moto sem importar para onde estamos indo, mas no nosso caso estávamos com um destino, mas sem horário a cumprir, então conclui que a sintese estáva em apenas estar na estrada e ir seguindo nosso caminho então era só isso:"-Tô indo!". pensei asim como a FEB na segunda guerra tinha um lema de campanha que era "senta a Pua!" (se não me engano é a manobra de mergulhar o avião para atacar o inimigo") a nossa podia ser esta :"-Tô indo!", não tinhamos pressa em chegar a rivera apenas ter o prazer de estar indo. 

O local mais bonito que passamos foi no "cerrito de Tacuarembó" que faz encontro de um grande arroio aos pés do cerro, que faz refletir este nas águas calmas do arroio transformando o lugar cercado de beleza e magia. Deus foi generoso naquelas paragens. 

Faltando 120 km para a fronteira paramos para registrar nossas últimas fotos em terras uruguaias, a partir daí a magia da estrada foi indo embora, as habitações, fábricas, exploração da natureza ficou mais evidênte e nos fazia lembrar com mais insitência que tinhamos mais um dia de aventura. o ânimo do grupo continuava como se fosse primeiro dia.Êta gente boa!

   

Rivera.......Compras!

Pouco antes de chegarmos a Rivera o céu começou a ficar carregado, a chuva que deixamos em Canellones nos alcançava, tudo bem!, estávamos chegando!, Rivera e livramento é uma típica cidade do interior do RS, casas estilo barroco ainda com marcas da riqueza de outros tempos, algumas com beiras e eiras e ouras sem...

Antes de entrar no Brasil, passamos pela alfandega para carimbar vistos de saída, nesta parada vimos que o mano Orth além de deixar estória com seu galãozinho de estimação, queimou sua calça impermeável no escape da Intruder (logo a seguir ele vai deixar o endereço do blog dele para vcs verem a foto!).Entramos em Santana do Livramento, não sem enfrentar um engarrafamento na rua principal.

Nesta rua o Mano Alexandre conseguiu encontrar um conhecido, esperamos ele alguns minutos, e seguimos para o engarrafamento e despedidas, pois ele e a cunhada Renata iriam rumar direto para Santiago, foi-se mais um dos nossos companheiros de estrada, nos abraçamos dissemos poucas palavras, como num pacto silencioso de não nos emocionar,ficou a cumplicidade de todos de que ali estava concluída uma estória que não vai se apagar para o resto de nossas vidas ( e foram tão poucos os quilômetros!).

Na despedida não ví que um guarda de trânsito apitava para mim, pois tinha feito um retorno indevido, (vai a dica: demonstre simpatia,arrependimento e desconhecimento, seja sincero!)desci da moto e antes de combinar sobre o hotel com o grupo fui ao guarda e pedi desculpas,demonstrei meu desconhecimento com a sinalização e argumentei sobre a minha alegria por estar na cidade depois de 500 km de estrada). 

Os guardas deram boas vindas e ainda me deixaram repetir a barbeiragem para me juntar ao grupo na hora de ir ao hotel.Por estar na frente do grupo e conhecer um pouco a cidade, escapamos do engarrafamento por ruas laterias e ganhamos uma meia hora para as compras, chegamos as 17.30h no Hotel. Combinamos em nos encontrar para a janta as 20.30h, eu fui para o quarto e o grupo para as compras , começou a chover fraco! O GADU é generoso!

 

Santa de Livramento e as compras...

Reservei os quartos no Hotel Plaza Verde para os casais Orth/Gisele e Pandolfo/ Solange, pois naquele momento já estavam na rua principal conhecendo as lojas, como eu já conhecia as lojas e principalmente sabia o que queria comprar calculei que ½ hora era suficiente para executar esta tarefa, tomei um banho me arrumei e fui ás compras. 

Comprei alguns perfumes e com o resto de pesos que tinha escolhi alguns brinquedos para o meu filho. A chuva apertou e apertou muito mesmo, logo a água formou pequenas corredeiras e as frentes das lojas estavam lotadas do pessoal se protegendo da chuva. Resolvi indo aos poucos para o hotel procurando me molhar e menos possível (era única roupa seca para colocar!) acabei parando num daqueles trailers de panchos que ficam na praça das bandeiras, comi sabe o que? Panchos!, mas os de lá são melhor, com recheio etc...

Consegui voltar ao hotel para jantarmos porém os casais não vieram, a chuva atrapalhou tudo!nos encontramos no café da manhã, e combinamos que sairíamos um pouco mais tarde para as cunhadas retornarem as compras... No retorno pegamos as motos e bagagens e seguimos para a estrada, abastecemos com a nossa "péssima" gasolina e as motos pararam de engasgar, falhar, tossir e etc... acho que o que falava era a "cachaça" para elas....A partir de agora era uma tocada até Porto Alegre, e o movimento de carros já demonstrava que iríamos ter tráfego intenso nas estradas. 14:33 (5 minutos atrás)

 

Retornando....

As motos pararam de reclamar da gasolina então seguimos viagem em direção a Rosário do Sul onde iríamos almoçar, a paisagem já era conhecida, estávamos nos Pampas Gaúchos e aquelas eram as terras onde nasci –Dom Pedrito- no caminho até Rosário passamos por várias motos, sempre nos cumprimentando e ratificando a máxima que na estrada todos motociclistas são irmãos, chegamos após uma hora e na dúvida de abastecer e almoçar fizemos os dois num restaurante bem na entrada da cidade, é um dos melhores, se bem que se vc for por lá não deixe de comer a traíra que é servida no restaurante terraço que fica na praia das areias brancas, em novembro tem encontro por lá e vou unir o útil ao agradável vou a trabalho e fico para o encontro.

A praia é na realidade o Rio Santa Maria, mas o local é muito agradável e o ponto de encontro da cidade.vale a pena conhecer...Passamos o Ponte sobre o Rio Santa Maria, ponte muito extensa - cerca de 3 km-, uma das maiores do RS e seguimos a São Gabriel, terra dos Marechais, passamos direto pois eram apenas 70 km depois da última parada perto da entrada de Caçapava bateu a Reserva, paramos também para tomar um café etc...conversamos um pouco e seguimos viagem, era notório o desejo de todos em chegar em casa, quanto mais perto maior a vontade de chegar e poder rever os filhos, amigos, contar como foi etc...A viagem seguia tranqüila até que o movimento começou a apertar.....

O tráfego....

Passando Cachoeira do Sul o movimento de carros começou a piorar quando em certo momento simplesmente perdemos o Pandolfo e as cunhadas e nossas malas juntos, paramos duas vezes para contato telefônico e novamente nos encontramos, um dos motivos foi uma multa que o Pandolfo levou por ultrapassagem indevida, porém a “sacanagem” é que a PRF fica escondida na vegetação da estrada num ponto entre duas descidas numa reta longa e de visão privilegiada, dando condições de ultrapassagem porém existe as faixas continuamos para trair o motorista....o resto vcs devem imaginar a indignação... combinamos que a próxima parada seria em Pântano Grande para abastecer, paramos abastecemos e nos perdemos de novo indo nos achar de novo a cinco quilômetros a frente graças , novamente, aos celulares, neste momento o Orth e a Gisele carregaram a Intruder e partiram via Santa Cruz para Montenegro, destino final deles naquele dia ( ou assim planejavam eles...). Nos despedimos e não houve muito sentimento, pois nos encontramos todas as semanas então era apenas um até logo! Depois que partimos percebi que não me despedi da cunhada Gisele.....Desculpa ai cunha!

Começou a chover! E era para ficar, tudo bem a roupa de cordura estava funcionando bem...Seguimos bem comigo dando uma certa cobertura ao Pandolfo nas ultrapassagens avisando quando o caminho estava livre, muita gente entendeu o recado e seguiu atrás..., tudo foi bem até chegar antes do pedágio da Charqueadas quando o transito parou por causa de uma batida  entre dois carros, sem feridos apenas damos materiais, perdemos mais meia hora nesta função, passamos o pedágio e enrola cabo!....

Enrola cabo!?....

Passando uns 20 km do Pedágio, o trânsito parou total tentei ficar junto com o Pandolfo por uns metros mas o calor do motor começou a incomodar pois estava quente, a calça de cordura estava com o forro impermeável, então segui até adiante antes do entroncamento de Guaíba e Porto Alegre, dava para ver a cidade ao longe, e a noite chegou rapidamnete devido a chuva contínua....(Tão perto, tão longe!) um detalhe que não registrei é que depois que entrei nas terras brasileiras, o MP3 me acompanhou direto e esta música do U2 tocava no momento, achei legal a coincidência, parei a moto e liguei para o mano Pandolfo, estava longe o cara! Combinamos que eu iria esperar no posto da PRF de Eldorado, cheguei e esperei.....esperei......esperei....fiquei mais de uma hora e meia esperando e tinha muito movimento.... ficamos em contato telefônico até o Mano aparecer ai sim! 

Quando chegaram me comentaram que o mano Orth e Gisele ficaram em Santa Cruz pois havia ocorrido um acidente com um motociclista em Santa Cruz e o transito não seguiu mesmo e a chuva apertou, ainda não era o dia de chegarem em casa ficaram num hotel. Peguei as mochilas  nos despedimos e seguimos nosso caminho, tive certeza que a partir dali ganhei duas pessoas que estarão eternamente em meu coração, além dos outros que faziam nossa aventura, talvez por ser os últimos e se separar foram os mais significativos... depois disto foi um teste de andar com a Drag star no engarrafamento, andei com ela como se estivesse numa 125 cc. Consegui uma maneabilidade nela que não sabia que possuía, tudo para chegar em casa.....saudades.....

Tô chegando.....cheguei!

O que eu mais pensava antes de chegar em casa era no meu estado físico, não estava moído, não estava cansado, a bunda não doía; estava satisfeito não me sentia um vitorioso apenas realizado pois esta era uma das viagens que sempre quis fazer; me descobri um pouco, exerci coisas que muitas vezes escutei como: tolerância, respeito , fraternidade, irmandade; me descobri como um amante da liberdade, liberdade do espírito, do vento no rosto, amante das paisagens e humilde diante da natureza e no ela nos proporciona, confesso que voltei apaixonado pela minha moto.... Sempre me emocionava quando lia os relatos dos viajantes quando chegavam em casa depois de uma aventura, pensava que seria assim ,mas não me emocionei! 

Hoje e agora sim me emociono, fico com os olhos marejados escrevendo isto , talvez por recordar tudo que passamos juntos. Sei porque  fico assim, é pela vontade de estar nela de novo, sentindo o ar puro, o vento no rosto, o vazio do horizonte que preenche minha alma de intenções, pensamentos bons e reflexões de onde estamos, porque viemos e quem somos.

Quando cheguei em casa e tive minha outra alegria, o sorriso e o abraço do meu filho......

Sou feliz e tenho sorte nesta vida.

Final

Obrigado a vocês que tiveram a paciência e curiosidade de esperar junto comigo este relato Desejo que este seja para vocês, motivo de inspiração para novas aventuras, nos encontramos na estrada.

Valeu Renato Lopes! Teu livro “um Motociclista nas rutas del Cone Sur” foi minha  inspiração.

Relato de viagem realizada em Abril/2007 por integrantes do MC Bodes do Asfalto com o objetivo de participar do encontro latino americano de motociclismo no Uruguai. Neste encontro se reuniram motociclista representando todas as Américas...

Abçs

Hilton Simões hiaton@terra.com.br 

Moto Esporte: Parabens a Hilton e todos companheiros pela bela viagem e deu para sentir o quanto vcs amam as motocas.. é isso aí... andar, viajar, curtir motos, não tem preço...

Abraço a todos integrantes do MC Bodes do Asfalto.... e na próxima estaremos de portas abertas para publicar

Marcos Branco - Diretor Moto Esporte


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