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Três dias conhecendo o Vale Europeu Catarinense
Durante o Carnaval de 2005 Gilda e eu resolvemos tirar as tão sonhadas férias. Subimos na moto e lá fomos nós, rodar durante três dias pelo "Vale Europeu" catarinense. Acertamos na escolha do roteiro. Conhecemos traços culturais de imigrantes alemães e italianos, apreciamos lagos enormes no alto de montanhas, visitamos um zoológico com espécies nativas e exóticas, saboreamos cervejas e chops de fabricação caseira... Enfim, fizemos turismo de forma barata, prazerosa e segura.
Como manda o manual do aventureiro, planejamos bem a viagem. Traçamos a rota que, partindo de Penha, onde moramos no litoral catarinense, incluía Pomorede, Rio dos Cedros, Timbó, Blumenau, Brusque e Nova Trento. Com exceção de Nova Trento, que fica no Vale do Rio Tijucas, as demais situam-se na região do Vale do Rio Itajaí. Escolhemos a opção de hospedagem em Pomerode, cidade onde pretendíamos ficar por mais tempo. Calculamos gastos com alimentação, hospedagem, combustível, souvenirs e um extra para contingências. A moto também estava devidamente revisada. Levamos poucas roupas - o suficiente para enfrentar o calor dos vales e a aragem fria das montanhas de Rio dos Cedros. Capas de chuva de boa qualidade, polainas e um reparador instantâneo de pneus compuseram a bagagem. Luvas, bota e jaqueta de couro são primordiais em qualquer viagem e as qualificamos entre os itens de segurança.
O roteiro começa por Pomerode, a cidade mais alemã do Brasil. Singela. Mas linda, gostosa, aconchegante. Paisagens rurais convivem com as urbanas. O pequeno centro da cidade é um convite. Você encontra museus, lojas de artesanatos, restaurantes com comida típica e panificadoras com seus doces e tortas famosos pelo sabor inigualável da cozinha alemã. Parece haver no imaginário dos habitantes a cultura do turismo. Todos atendem bem e com competência.
Em Pomerode, além da comida alemã, vale conhecer o zoológico e em especial dois museus. Um deles é gerenciado por seu Egon Tied. Ele mora no próprio museu e é um colecionador e restaurador de tudo quanto é objeto cotidiano que você possa imaginar. Chama-se Museu Pomerano e você é acompanhado durante toda a visita pelo próprio Egon. Uma aula de história contada por alguém fora do meio acadêmico. Na verdade, um outro conceito de museu. Gilda e eu passamos toda a tarde do primeiro dia de viagem conversando com seu Egon e sua esposa. O outro museu é o do famoso entalhista Erich Teichmann, já falecido. A esposa e o filho tocam o museu e são os cicerones dos visitantes. Teichmann é considerado um dos mais expressivos representantes contemporâneos da arte em madeira. Se você for um tanto "cara de pau", ainda pode pedir para ir aos fundos do quintal da casa onde fica o museu e mora a família Techmann. Se tiver sorte, vai se deparar com algumas capivaras em estado natural.
Outra atração de Pomerode é a arquitetura tipicamente alemã. As dezenas de casas, algumas quase centenárias, construídas em estilo enxaimel, são uma atração a parte. O bacana é que são moradas ainda ocupadas por famílias descendentes dos primeiros imigrantes vindos da região pomerana, na Alemanha.
No roteiro de turismo da cidade há, inclusive, a "Rota do Enxaimel", que percorremos na manhã do segundo dia, após a visita ao Zôo. E você lembra do seu Egon Tied? Pois é, ele é um dos mais famosos restauradores desse tipo de construção. Inclusive, dá aulas para estudantes universitários de arquitetura. No interior, há ainda alguns templos luteranos; Um deles registra em sua fachada a data da organização da comunidade onde se instalou. Estes templos são também exemplares da arquitetura germânica.
A "Região dos Lagos", como é conhecida, chega a ter mais de mil metros de altitude em relação ao nível do mar. São dois principais lagos: o Pinhal, que está a 800 metros de altitude e tem aproximadamente 14Km de extensão, e o Rio Bonito, a uma altitude de 600m e com 9km de comprimento. Você se espanta ao deparar-se com tanta água no alto das montanhas.
Resolvemos ficar em Timbó. Achamos um hotel barato e bom no centro da cidade, nos hospedamos e saímos para jantar. Fomos na Tapioca. Você não pode deixar de ir a este lugar quando for a Timbó. É ao mesmo tempo uma cervejaria, uma pizzaria e uma boate à beira de um dos afluentes do rio Itajaí-açu. Toda em tijolo à vista fica ao lado de uma pequena queda e, por capricho, ainda tem uma roda d'água para exagerar no charme. Outra dica: relaxe e peça a cerveja artesanal, para sorver com tranqüilidade e ao som das águas nervosas do rio que corre logo abaixo.
Na manhã do dia seguinte partimos para nosso destino final: o santuário católico de Madre Paulina, que fica em Nova Trento. Passamos por Blumenau e Brusque e chegamos por volta do meio dia na "cidade santa". O local é agradável e cheio das atrações. Mesmo os não-cristãos vão gostar da visita. Moto Esporte " Parabéns ao casal,
com uma viagem curta e barata, se divertiu e curtiu, com um dos maiores
prazeres da vida, "Moto"..... até o proximo relato... |