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Porto Alegre á Foz do Iguaçu (Setembro 2007)

A Viagem: realizada de 04 de setembro a 08 de setembro de 2007

Pois bem! No domingo já estava com os alforjes prontos, roupas embaladas em sacolas plásticas e a calma serena de quem aparenta uma falsa experiência em viagens e um pensamento muito forte sobre segurança. Afinal havia recebido a notícia que um amigo virtual da comunidade “sou amigo dos Bodes do Asfalto” no Orkut, o Joe Aventureiro, havia partido para o Oriente eterno numa das estradas do nordeste indo para Salvador, apesar de não conhecê-lo e ter trocado poucas palavras o sentimento de que “alguma coisa está fora da ordem” fica.

Na terça feira pela manhã sai em direção a Três Passos/RS, pois tinha um trabalho a realizar naquela cidade, esperei até o momento do meu filho acordar e ir para a escola para dar um beijo nele e me ver saindo e levar comigo a imagem dele sorrindo e abanando na janela para mim. A viagem até certo momento foi tranqüila, programei paradas a cada 150 km para abastecimento e descanso rápido, o calor já estava forte e eu vestido a caráter com a roupa de cordura da SKYA, fui escutando música no MP4, parei para um almoço leve num posto de Gasolina em Tio Hugo/RS e segui viagem. O consumo da moto foi ótimo, cerca de 21 km/l.

A viagem estava tranqüila até a altura do trevo de  Seberi para Palmeiras das Missões. A estrada estava vazia e a minha frente apenas um caminhão que notei estava com velocidade reduzida, como estava em curso de curva, reduzi a marcha para observar melhor o fluxo contrário e fazer a ultrapassagem na curva aberta e sem faixa contínua, checada a pista oposta, acelerei para ultrapassagem, quando estava no curso desta , ouvi um barulho de motor reduzindo e travando os pneus, porém sem “cantar” , automaticamente acelerei a moto e encostei mais á direita onde percebi uma Courrier branca invadindo o acostamento e a metade da pista contrária , acho que era um destes representantes de produtos agrícolas, o cidadão apenas olhou para mim e seguiu em frente, ainda fiz um gesto pedindo calma para ele, o susto foi providencial, fiquei questionando se havia olhado o retrovisor antes de ultrapassar, sinceramente não lembro, mas pela velocidade que ele vinha talvez nem adiantasse....

A Partir daí, normatizei que o melhor era antes de estar me aproximando para uma possível ultrapassagem olhar o retrovisor para ter uma idéia se alguém também poderia querer ultrapassar a mim e o outro carro.

 

A paisagem é muito bonita nesta época do ano, enquanto não é plantado soja, o trigo é a cultura do momento, transformando os campos em um oceano de um verde vivo e intenso, o sentimento é de riqueza e fartura pois até ao longe no horizonte predomina a visão destes campos, alguns campos já haviam sido ceifados deixando seco os talos do trigo, transformando o verde em um amarelo ouro complementando o espetáculo da natureza. O momento mais marcante foi quando observei um bando de Siriemas (pequenos avestruzes que por aqui também chamamos de Emas, quando maior)  ciscando por entre o trigal, não resisti e tentei tirar uma foto, uma pena que na resolução apareçam apenas alguns pontos escuros.

Durante meu percurso até Três Passos/RS pensava neste relato e o que leva a gente a ficar horas em cima de uma moto pensando e apenas pensando, tive a idéia de escrever um livro, mas tantos livros já foram escritos! Será que teria alguma coisa acrescentar? Pensei no título que poderia ter, pensei em alguns que achei bem criativos: Eu e eu!  Ou  Eu e meu capacete – Diálogos existenciais de um motociclista com o seu capacete. Meu capacete e Eu. Consegui rir um pouco com este exercício de imaginação e criatividade conclui: -O que não se faz para passar o tempo enquanto se viaja numa moto e só se acelera.....

Seguindo para Três Passos, cheguei por volta das 16h , antes de chegar minha bolha que até então mostrava-se eficiente soltou, como faltava uns 30 km para chegar resolvi reapertar apenas quando chegasse na cidade, este problema iria me acompanhar toda viagem.

Na cidade entrei em contato com as pessoas ao qual iria visitar a obra em questão, fizemos os acertos técnicos, visitei a obra e retornaria no outro dia, fui para o Hotel onde liguei para uma prima- irmã a qual não via a muito tempo, á noite fui visitar ela e sua família, lembramos de histórias (com H porque é verdade!) da nossa família  desde a sua chegada ao Brasil, especulando como a saga da família Simões começou a partir de São Sepé/RS onde temos uma representante imortalizado numa estátua na praça da cidade. A noite foi ótima com um maravilhoso papo com seu esposo Naldo ( figura brilhante!) , acredito que foi revitalizante o encontro.

No outro dia iniciei os trabalhos bem cedo, pois teríamos uma detonação na estrada e tínhamos que avaliar o entorno, visando possíveis efeitos colaterais. Mais alguns contatos com uma equipe do MT e me vi liberado para seguir viagem ainda no meio da tarde, com sorte chegaria ainda de dia em São Miguel do Oeste/SC antes da noite.

A Partida para SMO/SC (São Miguel do Oeste/SC), foi rápida, tenho por hábito deixar minha mala sempre organizada caso tenha atraso para deixar o Hotel por causa do trabalho. Peguei como caminho a estrada que estou participando da construção, são 9 Km de terra ( muita pedra solta e muito pó!) mas com baixa velocidade e paciência a DS 650 não iria reclamar! Assim fui, minha velocidade não passava dos 20 km/h,  parei para tirar umas fotos e o calor já estava nos 33 graus C, como eu sabia?. Ganhei um relógio de um mano e sobrinho que marca além das horas, cronômetro etc. marca também altitude, temperatura e previsão do tempo (possui barômetro!). Era bastante calor para suportar com a roupa de cordura com a baixa velocidade, mas fui indo, as pessoas passavam por mim naquela estrada e me acompanhavam com um olhar de curiosidade, A estrada é usada para dar acesso a Tenente Portela/RS e economiza cerca de 150 km de estrada até a fronteira do RS com SC.

 

Certo ponto depois de 5 km tivemos que parar, havia uma descarga de aterro no trecho, parei a moto para tirar umas fotos da paisagem quando ouvi um barulho atrás, era a ZECA caída, putz! Tomara que não tenha tido estrago.... Quando estacionei coloquei o pezinho, mas não me flagrei que estava numa leve descida, simples! a ZECA deslizou como peso próprio e foi ao chão!, Meu maior problema foi levantar a moto, não encontrava um ponto de pega.

Levantei meio que na marra e na vergonha, revisei e nada de danos, ainda bem. Segunda lição!: Na descida deixar a moto engatada!

Para disfarçar continuei tirando as fotos, tanto que numa delas o espelho da moto saiu torto..... Que vergonha!.

Liberada a estrada segui meu caminho, mais 4 km de chão, com um piso mais plano cheguei ao asfalto e segui em direção a Tenente Portela/RS. Tomei a decisão prudente de seguir a uma velocidade baixa, pois a estrada apesar de ser muito boa era quase deserta com um movimento tipicamente rural: tratores, carroças, motos de baixa cilindrada e animais pastando a beira da estrada. As marcas de pneus no acostamento, animais pastando amarrados as cercas e a ausência de porteiras em algumas casas era o aviso.

 A paisagem era tentadora para apreciação, pois a mescla de mata virgem e pequenas culturas demonstravam uma batalha silenciosa entre a natureza e a ação do Homem na busca de seu sustento. Era nítido a barreira da mata nativa e as plantações, ou seja, cultivam até onde as condições permitem pois se não fosse o relevo, com certeza a mata não estaria mais por ali,  penso que tudo pode ser equilibrado, como preservação e produção. Passada esta observação, continuei em velocidade constante não ultrapassando os 80 km/h, as curvas e o asfalto liso e limpo me proporcionavam um prazer maravilhoso, o de tangenciar curvas abertas e fechadas em baixa velocidade acentuando as forças gravitacionais (centrifuga e centrípeta), fazendo sentir a plenitude de uma curva e a emoção de usufruir da sensação de estar realizando a curva sem grandes preocupações de risco podendo me integrar no balanço da moto, na pequena distancia entre a pedana e o asfalto, no som do atrito do pneu com o piso, ou seja, ter a sensação de um piloto de super bike numa curva em alta velocidade, só que bem devagarzinho!.

Neste período comecei a monitorar a altitude pelo relógio, que pode demonstrar em forma de gráfico a evolução média da altitude com leituras a cada três minutos, Qual o motivo?. Não sei, mas talvez a possibilidade de ter mais um controle de viagem tornam a viagem mais divertida!

Rodei cerca de 80 km até encontrar a Br que dá acesso a Frederico Westhpalen/RS, a partir daí a presença de buracos seria uma constante assim como o movimento de caminhões. Num dos acessos à cidade de Frederico percebi de longe um caminhão esperando oportunidade para entrar na pista principal e apesar de me ver  na preferencial seguiu adiante “cortando” minha frente, coloquei entre aspas o cortando porque tomo como premissa básica que entrada de cidades são zonas urbanas, então a velocidade também deve ser urbana ( 60 km/h)  então, não fez diferença nenhuma a negligência do caminhoneiro, mas imaginei naqueles tantos que pela velocidade excessiva acabaram por encontrar a carroceria de um caminhão vindo a não estar mais entre nós. Pensei comigo, será que não estou ficando neurótico com esta coisa de prevenção?, Não, pois isto é prevenção que significa prever a ação, então não estou errado.

A seguir passei por Irai/RS e logo em seguida a visão maravilhosa do Rio Uruguai, várias vezes me deparei com este rio, e sempre que nos encontramos admiro cada vez mais a força da natureza.

Com a estrada um pouco mais vazia e o asfalto em melhores condições aumentei a velocidade para chegar logo em Santa Catarina, nossa combinação era de que nos reuniríamos em São Miguel do Oeste ás 18h. Comecei a monitorar mais o mapa que carregava na minha bolsa de tanque e o relógio, o ótimo foi que depois que passei a ponte da divisa entre RS e SC o asfalto mudou para muito melhor! Logo após o entroncamento  em direção a Iracema/Sc e Maravilha o segundo abastecimento já se fazia necessário pois adotei o parâmetro de 150 km para abastecimento e a ZECA estava na média que ficou depois do primeiro abastecimento, 17 km/l, claro, a velocidade estava maior também! Passei um primeiro posto sem bandeira, não arrisquei e segui adiante. Passados alguns quilômetros uma placa anunciava outro posto, era este o escolhido, fiquei cuidando mas o dito estava tão camuflado que quando passei não havia condições para parar e retornar pois a estrada estava com um acostamento deplorável e eu estava entre uma fila de carros na velocidade de espera atrás de um caminhão lomba acima, não havia escolha, calculei o quanto ainda poderia ter de combustível para chegar a SMO/SC e aliviei o motor. A partir daí começaram as dúvidas: -Quantos litros tem este tanque mesmo?!. Minha autonomia é de 300 km ou de 240 km?!. Quantos quilômetros será que faltavam para SMO? .Putz! dúvidas que fazem a adrenalina subir...mas fui tocando...ainda se conhecesse a estrada e se tivesse mais placas informativas esta ansiedade não seria presente. Consegui me desvencilhar do Trânsito e seguir adiante.

Passados vários quilômetros e o monitoramento placas, mapa, odômetro e velocidade o indesejável aconteceu! Que sensação ruim! A moto deu uma engasgada, um pequeno corte de corrente e parou! Baixei a torneira da reserva e sem saber se estava perto ou longe e quanto faltava para chegar, comecei a traçar o plano B de conseguir combustível e chegar a SMO. Pensei várias coisas:- Parar um carro.-Descer com a moto no embalo até uma casa . Empurrar !? Nem pensar!. –Ligar para um dos Bodes, esperar um Mano de estrada etc. Idéias vinham e o stress aumentava! Até que após uns quilometro tudo ficou mais claro, iluminado!  Eu cheguei! Num trevo de entrada encontrei o Mano Sosinski, a agradável sensação de ver um motociclista usando uma roupa de cordura amarela e um P. Brasão do RS com um Bode de moto ao centro é muito boa!. Parei a moto nos cumprimentamos e ele indicou o caminho, era só seguir mais dois quilômetros, primeiro posto á esquerda.Cheguei depois de quatro horas de viagem e 380km percorridos. Pensei comigo: Precisava todo este susto?

Na Cidade de SMO fomos recepcionados pelo MC Cães do Asfalto, manos de alto gabarito! Proporcionaram-nos ótimos momentos por lá. Fomos apresentados à sede deles (coisa de luxo!) com um bar aberto ao público  motociclista e outra que me chamou a atenção, Um escrito bem grande na parede do Bar “–Zoeira tô fora!”  começa por ai a diferença de motociclistas e motoqueiros, o comportamento!.

Após as apresentações fomos para o Hotel, simples, mas confortável, era um dos poucos disponíveis na cidade que estava lotada de turistas em passagem para Argentina e outras cidades. Fiquei com o Mano Julio Malta como companheiro de quarto, que me cedeu o “privilégio” de tomar um banho primeiro. Ao entrar no banho fiquei com o registro na mão! A coisa estava estragada! Para piorar não me avisaram que não podia dar descarga, pois se desse a pressão da água do chuveiro caia! Ah! Também tinha que tirar o papel higiênico do suporte senão molhava na hora de tomar o banho! Acabei consertando o registro usando as ferramentas da moto e ficou tudo bem. Depois de tudo aprumado nos divertimos com a situação afinal, era tudo festa!.

Fomos jantar num restaurante simples e muito bem servido, confraternizamos com os nossos anfitriões onde trocamos idéias e experiências. Um dos donos deste restaurante anunciava os pratos em dialeto Vêneto e eu consegui enganar um pouco respondendo da mesma forma, pelo pouco que aprendi convivendo com o meu pessoal de Nova Bréscia/RS. Como estava sozinho, sem uma companhia feminina resolvi extrapolar e me atirar com todo o pecado que a gula me permitia e comi MUITA massa ao alho e óleo! No outro dia sabia que com a viagem o cheiro não ficaria, foi muito bom! Bem, azar do Julio que estava no mesmo quarto que eu. Parece que tudo  terminou bem pois não houve reclamação.... após fomos tomar mais uns chops  num bar tradicional da cidade e tentar assistir um pouco do Jogo do Grêmio.

Partimos bem cedo no outro dia após um rápido café. O ponto de reunião foi na sede do MC Cães do asfalto. Parte do Grupo dos Cães nos acompanhariam até uma parte, pois estavam indo para Toledo/Pr para participar do encontro que é um dos maiores da região e também divulgar o encontro deles em SMO.

A Viagem foi muito boa, o asfalto estava em boas condições, exceto no trecho entre Baracão/SC  e Capanema/Pr, estrada com muitas falhas e depressões, me questionei se aquele era o melhor caminho para retornar.....

A Ida para algum lugar que não se conhece é mais demorada, parece mais longe sempre, pois não se sabe quando será a chegada, demoramos quase cinco horas  para chegar a Foz do Iguaçu/PR.

O Bonde era de mais ou menos quinze motos porém ficou implícito que as mais velozes ou aqueles que queriam enrolar o cabo fossem na frente. Fui acompanhando este grupo por um bom tempo até que se dividiu em dois com aqueles que reduziram um pouco a velocidade cruzeira, fiz parte deste segundo grupo até que me juntei ao terceiro em Capanema/Pr, não havia necessidade de ganhar uns minutos a mais em detrimento da tranqüilidade e prazer de viajar.

A Partir de Capanema comecei a observar mais a paisagem e perceber como era parecida com as missões, ao qual estava um dia antes. Muita plantação de trigo e outras que não reconheci, é interessante que depois desta região a paisagem se torna lacônica, pois não se observa muitas plantações, talvez por ser uma região leiteira, tanto que um dos nossos foi pego de surpresa com leite derramado na pista num quebra molas e ao “beliscar” o freio acabou ”comprando terreno” no Paraná. Foram poucos os danos, apenas alguns arranhões e o susto.

A Bolha continuava a se soltar e o consumo seria o mesmo de toda viagem 17km/l.

Durante este trecho pude ter a satisfação de realizar uma cena que seguido vejo em fotos ou filmes. É a de estar num comboio de motos todas custom com seus alforjes e características particulares de ronco dos escapamentos, postura de pilotagem, reflexo dos cromados, faróis acesos e populações adjacentes as estradas parando e observando nossa passagem e projetando naqueles que passam com suas máquinas seus sonhos e anseios de liberdade, da mesma forma que nos proporcionamos a realização destes anseios, proporcionamos a estes que nos observam a oportunidade de sonhar e questionar coisas que questionamos enquanto sozinhos como nossas máquinas.

 

Após o abastecimento em Capanema seguimos para Foz onde quilômetros antes avistamos faixas de boas vindas para os Bodes do Asfalto de SC e RS. Na entrada da cidade avistamos a barraca de recepção ao qual nos aguardavam com cerveja, refrigerante e água a vontade. Neste ponto o calor já estava insuportável nas roupas de cordura e a visão de uma caixa cheia de gelo e uma cerveja é irresistível. Todos que optaram pela cerveja, inclusive eu, tomaram apenas uma lata pequena.

Fomos acompanhados pelo Mano Reinaldo (Irmão que não mediu esforços para nos acolher!) que nos levou ao hotel onde guardamos as motos e partimos para as compras e no retorno descanso na piscina com direito a caipirinha! Meu companheiro de quarto foi o Paulo César ao qual chamava de PC! Grande amigo não é mano ainda por uma questão geográfica. Era dele a outra Drag Star que estava na estrada, saiu com a moto zerada!

A noite participamos de um jantar oferecido ao MCBDA nos jardins do Hotel. Organização impecável!, churrasco saborosíssimo!, local requintado e irmãos , cunhadas, sobrinhos e amigos confraternizando, exalando alegria, felicidade e descobrindo a fraternidade que o motociclismo e a nossa fraternidade proporcionam. Se há dúvidas?, as fotos falam por si.

Durante a Ida já havia decidido que retornaria no sábado, salvo se melhor opção aparecesse, o retorno seria duas etapas, pois tinha que estar em Poá na Segunda feira.

Paraguai é bom para as compras. A pobreza continua a falta de limpeza, a insegurança e a eterna desconfiança se o produto comprado é o realmente original, ainda é a mesma. Porém com uma sutil mudança positiva após a queda da Ditadura Strossner. Algumas ruas em Puerto Iguazu estão pavimentadas e os eletrônicos parecem que são originais.

 

Fui novamente às cataratas onde pude realizar o desejo de andar de Helicóptero. Sensação indescritível, se conselho é bom este eu dou, não tenha medo vá!

Depois da espera dos meus ótimos amigos que concordaram em esperar uma meia hora para eu poder realizar este desejo, fomos para as cataratas. Um dia não é o bastante para aproveitar! Prometi para mim que retornarei lá se possível com o meu filhão para fazer tudo que tiver de direito: Arvorismo, Helicóptero (de novo!), Rappel, trila ecológica e o incrível passeio de Lancha na garganta do Diabo.

Saímos de lá as 20.30h ! Chegando ao hotel ainda tínhamos um jantar numa casa de shows, resolvi não ir, pois o cansaço estava presente. Outros tiveram a mesma idéia.... Reunimos-nos num restaurante perto do Hotel, chegando por lá tive a grata satisfação de encontrar o Alexandre e a cunhada, que alegria! A turma do Uruguai estava reunida novamente na mesma mesa!, conversamos me despedi de todos, não sem insistirem para que eu ficasse, mas estava decidido iria voltar no outro dia.

Voltei cedo para o Hotel arrumei os alforjes tomei banho e  “desencarnei no sono”.

No outro dia acordei as 6h e sem acordar o PC sai do quarto e encontrei o Julio Malta e a cunhada indo tomar café e depois fazer compras no Paraguai, tomamos café juntos e na recepção encontrei o Roberto Mello ( o que comprou terreno!) combinamos de irmos juntos até os primeiros 120 km pois a partir daí ele iria para Curitiba e eu para o RGS.

 

Depois de uma pequena espera, abastecemos as motos e partimos em direção a saída da Cidade, passada a série de sinaleiras ou farol como dizem pelas bandas de São Paulo, acelerei planejando manter uma velocidade Inicial de 100 km/h  e posteriormente quando chegasse na via rápida acelerar para 120 a 140 km/h a estrada estava vazia e não tinha acessos laterais para proporcionar sustos ou surpresas, mas olhando pelo espelho percebi que o Roberto não chegava junto, apesar da HD 1500 que estava pilotando,  reduzi a velocidade  para esperar, depois de manter uns 60 km/h por um bom tempo sem perceber avanço na aproximação meu senso cronológico falou mais alto e ponderei, tenho  1000 km pela frente ou aproveito a oportunidade ou terei que pernoitar no caminho então mentalmente pedi desculpa ao Roberto e enrolei o cabo, o consumo da moto deve ter ido para baixo!, tracei meu plano de volta seguindo um conselho.O Mano Rolim preocupado com minha estratégia me sugeriu o seguinte roteiro , diante da minha dúvida em ter sucesso de fazer um mini “Iron butt” de  Foz  até Canoas/RS- Foz a Capanema , São Miguel do Oeste , Frederico Westphalen, Carazinho, Soledade, Lajeado- Canoas A cada parada abastecimento e lanche. Assim iria seguir.

Rolim! Valeu a dica!

 

Antes de chegar a Capanema, “bateu” a reserva, como já conhecia o caminho não deu pavor só tive que administrar a velocidade que me consumiu algum tempo a mais. Parei no mesmo  posto  da vinda onde me perguntaram se todos estavam bem. A Atendente do posto disse que ficou admirada com relação ao nosso comportamento, achava que iríamos fazer a maior bagunça  e foi bem ao contrário, mais uma vez a diferença de comportamento traduz o que é espírito motociclista.

Passei tranqüilo no trecho ruim de Barracão e desta vez parei nas fronteiras para fotografar a ZECA  junto as placas divisórias de estados. Em SMO errei o caminho no trevo, me distrai e passei reto fiquei em dúvida por 5 km até que pedi informação para um casal numa trail que prontamente me indicou o caminho correto. Incrível como a viagem estava sendo rápida.

        

 O trânsito era livre, quase não havia carros ou caminhões, o maior fluxo se dava quando estava perto das cidades. A ZECA parecia um bichinho que estava curtindo a minha companhia e eu a dela, não reclamava apenas se mantinha  ali comigo com o seu motor num ronco barítono, grave mas de compasso agradável e cadenciado, em certos momentos parecia que eu conseguia imaginar o pistão e as válvulas funcionando, esta tríade: estrada , moto e piloto formam a base para algo perfeito que pode se dar  o nome que quiser: Liberdade, desopilação, felicidade o que quiser...Sei que quando esta febre pega, não sabemos como termina, talvez na descoberta de uma verdade.

 

A viagem de retorno foi muita rápida apesar das 12 horas que levei. Isto foi estranha, a relação tempo e distância ficou desconexa, não cheguei cansado, pelo menos mentalmente, durante o percurso não conseguia ficar filosofando, mas é certo que achei um novo barato, o de estar na estrada sem pensar em nada, só que desta vez era diferente da Viagem do Uruguai. Eu estava mais tranqüilo, mais seguro e principalmente confiante na moto e no acaso de que nada iria dar errado.

Tenho certeza que esta viagem foi preparo para algo maior que devo planejar. Nesta viagem encontrei uma confiança, uma segurança interior que ainda não conhecia, talvez seja esta, a certeza que acompanha aqueles aventureiros como Renato Lopes e outros aos quais acompanho na Internet e que agora, tenha descoberto, para ter certeza só na próxima! Minha curiosidade agora é saber qual a descoberta da próxima viagem, nesta tenho certeza que foi pessoal, e minha ligação com minha moto e o motociclismo está muita maior que antes, pois me dizia apaixonado pela minha moto, estava errado, tinha admiração. Paixão e orgulho são o que tenho agora.

Aos amigos e aqueles que estão lendo este relato, que várias vezes tiveram medo ou insegurança de pegar uma estrada, e isto é bom, pois não gera autoconfiança demasiada e nos torna preventivos, me permito deixar um conselho: -Não desista nem procure desculpas para não ir à estrada, planeja, traça o caminho e encara! Nossa vida é muito curta para fazer uma estória, façamos alguns causos então!

Até a próxima!

 

Na segunda feira recebi a triste notícia que meu irmão Lupatini do MCBDA da facção de Soledade foi chamado ao Oriente Eterno. Na saída do hotel, ao inicio do retorno foi ao encontro de uma parede, tudo indica, pela apresentação do ocorrido e outras informações, que ele teve um mal súbito ainda na moto, fazendo perder o controle de aceleração e freio. Que a luz e a verdade do Grande arquiteto do universo te seja agraciada.

            Vai em Paz meu irmão!


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