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Porto
Alegre á Foz do Iguaçu (Setembro 2007)
A
Viagem: realizada de 04 de setembro a 08 de setembro de
2007
Pois
bem! No domingo já estava com os alforjes prontos,
roupas embaladas em sacolas plásticas e a calma serena
de quem aparenta uma falsa experiência em viagens e um
pensamento muito forte sobre segurança. Afinal havia
recebido a notícia que um amigo virtual da comunidade
“sou amigo dos Bodes do Asfalto” no Orkut, o Joe
Aventureiro, havia partido para o Oriente eterno numa
das estradas do nordeste indo para Salvador, apesar de não
conhecê-lo e ter trocado poucas palavras o sentimento
de que “alguma coisa está fora da ordem” fica.
Na
terça feira pela manhã sai em direção a Três
Passos/RS, pois tinha um trabalho a realizar naquela
cidade, esperei até o momento do meu filho acordar e ir
para a escola para dar um beijo nele e me ver saindo e
levar comigo a imagem dele sorrindo e abanando na janela
para mim. A viagem até certo momento foi tranqüila,
programei paradas a cada 150 km para abastecimento e
descanso rápido, o calor já estava forte e eu vestido
a caráter com a roupa de cordura da SKYA, fui escutando
música no MP4, parei para um almoço leve num posto de
Gasolina em Tio Hugo/RS e segui viagem. O consumo da
moto foi ótimo, cerca de 21 km/l.
A
viagem estava tranqüila até a altura do trevo de
Seberi para Palmeiras das Missões. A estrada
estava vazia e a minha frente apenas um caminhão que
notei estava com velocidade reduzida, como estava em
curso de curva, reduzi a marcha para observar melhor o
fluxo contrário e fazer a ultrapassagem na curva aberta
e sem faixa contínua, checada a pista oposta, acelerei
para ultrapassagem, quando estava no curso desta , ouvi
um barulho de motor reduzindo e travando os pneus, porém
sem “cantar” , automaticamente acelerei a moto e
encostei mais á direita onde percebi uma Courrier
branca invadindo o acostamento e a metade da pista contrária
, acho que era um destes representantes de produtos agrícolas,
o cidadão apenas olhou para mim e seguiu em frente,
ainda fiz um gesto pedindo calma para ele, o susto foi
providencial, fiquei questionando se havia olhado o
retrovisor antes de ultrapassar, sinceramente não
lembro, mas pela velocidade que ele vinha talvez nem
adiantasse....
A
Partir daí, normatizei que o melhor era antes de estar
me aproximando para uma possível ultrapassagem olhar o
retrovisor para ter uma idéia se alguém também
poderia querer ultrapassar a mim e o outro carro.
A
paisagem é muito bonita nesta época do ano, enquanto não
é plantado soja, o trigo é a cultura do momento,
transformando os campos em um oceano de um verde vivo e
intenso, o sentimento é de riqueza e fartura pois até
ao longe no horizonte predomina a visão destes campos,
alguns campos já haviam sido ceifados deixando seco os
talos do trigo, transformando o verde em um amarelo ouro
complementando o espetáculo da natureza. O momento mais
marcante foi quando observei um bando de Siriemas
(pequenos avestruzes que por aqui também chamamos de
Emas, quando maior)
ciscando por entre o trigal, não resisti e
tentei tirar uma foto, uma pena que na resolução apareçam
apenas alguns pontos escuros.

Durante
meu percurso até Três Passos/RS pensava neste relato e
o que leva a gente a ficar horas em cima de uma moto
pensando e apenas pensando, tive a idéia de escrever um
livro, mas tantos livros já foram escritos! Será que
teria alguma coisa acrescentar? Pensei no título que
poderia ter, pensei em alguns que achei bem criativos: Eu
e eu! Ou
Eu e meu
capacete – Diálogos existenciais de um motociclista
com o seu capacete. Meu
capacete e Eu. Consegui rir um pouco com este exercício
de imaginação e criatividade conclui: -O que não se
faz para passar o tempo enquanto se viaja numa moto e só
se acelera.....
Seguindo
para Três Passos, cheguei por volta das 16h , antes de
chegar minha bolha que até então mostrava-se eficiente
soltou, como faltava uns 30 km para chegar resolvi
reapertar apenas quando chegasse na cidade, este
problema iria me acompanhar toda viagem.
Na
cidade entrei em contato com as pessoas ao qual iria
visitar a obra em questão, fizemos os acertos técnicos,
visitei a obra e retornaria no outro dia, fui para o
Hotel onde liguei para uma prima- irmã a qual não via
a muito tempo, á noite fui visitar ela e sua família,
lembramos de histórias (com H porque é verdade!) da
nossa família desde
a sua chegada ao Brasil, especulando como a saga da família
Simões começou a partir de São Sepé/RS onde temos
uma representante imortalizado numa estátua na praça
da cidade. A noite foi ótima com um maravilhoso papo
com seu esposo Naldo ( figura brilhante!) , acredito que
foi revitalizante o encontro.
No
outro dia iniciei os trabalhos bem cedo, pois teríamos
uma detonação na estrada e tínhamos que avaliar o
entorno, visando possíveis efeitos colaterais. Mais
alguns contatos com uma equipe do MT e me vi liberado
para seguir viagem ainda no meio da tarde, com sorte
chegaria ainda de dia em São Miguel do Oeste/SC antes
da noite.

A
Partida para SMO/SC (São Miguel do Oeste/SC), foi rápida,
tenho por hábito deixar minha mala sempre organizada
caso tenha atraso para deixar o Hotel por causa do
trabalho. Peguei como caminho a estrada que estou
participando da construção, são 9 Km de terra ( muita
pedra solta e muito pó!) mas com baixa velocidade e
paciência a DS 650 não iria reclamar! Assim fui, minha
velocidade não passava dos 20 km/h,
parei para tirar umas fotos e o calor já estava
nos 33 graus C, como eu sabia?. Ganhei um relógio de um
mano e sobrinho que marca além das horas, cronômetro
etc. marca também altitude, temperatura e previsão do
tempo (possui barômetro!). Era bastante calor para
suportar com a roupa de cordura com a baixa velocidade,
mas fui indo, as pessoas passavam por mim naquela
estrada e me acompanhavam com um olhar de curiosidade, A
estrada é usada para dar acesso a Tenente Portela/RS e
economiza cerca de 150 km de estrada até a fronteira do
RS com SC.

Certo
ponto depois de 5 km tivemos que parar, havia uma
descarga de aterro no trecho, parei a moto para tirar
umas fotos da paisagem quando ouvi um barulho atrás,
era a ZECA caída, putz! Tomara que não tenha tido
estrago.... Quando estacionei coloquei o pezinho, mas não
me flagrei que estava numa leve descida, simples! a ZECA
deslizou como peso próprio e foi ao chão!, Meu maior
problema foi levantar a moto, não encontrava um ponto
de pega.
Levantei
meio que na marra e na vergonha, revisei e nada de
danos, ainda bem. Segunda lição!: Na descida deixar a
moto engatada!
Para
disfarçar continuei tirando as fotos, tanto que numa
delas o espelho da moto saiu torto..... Que vergonha!.
Liberada
a estrada segui meu caminho, mais 4 km de chão, com um
piso mais plano cheguei ao asfalto e segui em direção
a Tenente Portela/RS. Tomei a decisão prudente de
seguir a uma velocidade baixa, pois a estrada apesar de
ser muito boa era quase deserta com um movimento
tipicamente rural: tratores, carroças, motos de baixa
cilindrada e animais pastando a beira da estrada. As
marcas de pneus no acostamento, animais pastando
amarrados as cercas e a ausência de porteiras em
algumas casas era o aviso.
A
paisagem era tentadora para apreciação, pois a mescla
de mata virgem e pequenas culturas demonstravam uma
batalha silenciosa entre a natureza e a ação do Homem
na busca de seu sustento. Era nítido a barreira da mata
nativa e as plantações, ou seja, cultivam até onde as
condições permitem pois se não fosse o relevo, com
certeza a mata não estaria mais por ali, penso
que tudo pode ser equilibrado, como preservação e
produção. Passada esta observação, continuei em
velocidade constante não ultrapassando os 80 km/h, as
curvas e o asfalto liso e limpo me proporcionavam um
prazer maravilhoso, o de tangenciar curvas abertas e
fechadas em baixa velocidade acentuando as forças
gravitacionais (centrifuga e centrípeta), fazendo
sentir a plenitude de uma curva e a emoção de usufruir
da sensação de estar realizando a curva sem grandes
preocupações de risco podendo me integrar no balanço
da moto, na pequena distancia entre a pedana e o
asfalto, no som do atrito do pneu com o piso, ou seja,
ter a sensação de um piloto de super bike numa curva
em alta velocidade, só que bem devagarzinho!.
Neste
período comecei a monitorar a altitude pelo relógio,
que pode demonstrar em forma de gráfico a evolução média
da altitude com leituras a cada três minutos, Qual o
motivo?. Não sei, mas talvez a possibilidade de ter
mais um controle de viagem tornam a viagem mais
divertida!
Rodei
cerca de 80 km até encontrar a Br que dá acesso a
Frederico Westhpalen/RS, a partir daí a presença de
buracos seria uma constante assim como o movimento de
caminhões. Num dos acessos à cidade de Frederico
percebi de longe um caminhão esperando oportunidade
para entrar na pista principal e apesar de me ver
na preferencial seguiu adiante “cortando”
minha frente, coloquei entre aspas o cortando porque
tomo como premissa básica que entrada de cidades são
zonas urbanas, então a velocidade também deve ser
urbana ( 60 km/h) então,
não fez diferença nenhuma a negligência do
caminhoneiro, mas imaginei naqueles tantos que pela
velocidade excessiva acabaram por encontrar a carroceria
de um caminhão vindo a não estar mais entre nós.
Pensei comigo, será que não estou ficando neurótico
com esta coisa de prevenção?, Não, pois isto é
prevenção que significa prever a ação, então não
estou errado.
A
seguir passei por Irai/RS e logo em seguida a visão
maravilhosa do Rio Uruguai, várias vezes me deparei com
este rio, e sempre que nos encontramos admiro cada vez
mais a força da natureza.
Com
a estrada um pouco mais vazia e o asfalto em melhores
condições aumentei a velocidade para chegar logo em
Santa Catarina, nossa combinação era de que nos reuniríamos
em São Miguel do Oeste ás 18h. Comecei a monitorar
mais o mapa que carregava na minha bolsa de tanque e o
relógio, o ótimo foi que depois que passei a ponte da
divisa entre RS e SC o asfalto mudou para muito melhor!
Logo após o entroncamento
em direção a Iracema/Sc e Maravilha o segundo
abastecimento já se fazia necessário pois adotei o parâmetro
de 150 km para abastecimento e a ZECA estava na média
que ficou depois do primeiro abastecimento, 17 km/l,
claro, a velocidade estava maior também! Passei um
primeiro posto sem bandeira, não arrisquei e segui
adiante. Passados alguns quilômetros uma placa
anunciava outro posto, era este o escolhido, fiquei
cuidando mas o dito estava tão camuflado que quando
passei não havia condições para parar e retornar pois
a estrada estava com um acostamento deplorável e eu
estava entre uma fila de carros na velocidade de espera
atrás de um caminhão lomba acima, não havia escolha,
calculei o quanto ainda poderia ter de combustível para
chegar a SMO/SC e aliviei o motor. A partir daí começaram
as dúvidas: -Quantos litros tem este tanque mesmo?!.
Minha autonomia é de 300 km ou de 240 km?!. Quantos quilômetros
será que faltavam para SMO? .Putz! dúvidas que fazem a
adrenalina subir...mas fui tocando...ainda se conhecesse
a estrada e se tivesse mais placas informativas esta
ansiedade não seria presente. Consegui me desvencilhar
do Trânsito e seguir adiante.
Passados
vários quilômetros e o monitoramento placas, mapa, odômetro
e velocidade o indesejável aconteceu! Que sensação
ruim! A moto deu uma engasgada, um pequeno corte de
corrente e parou! Baixei a torneira da reserva e sem
saber se estava perto ou longe e quanto faltava para
chegar, comecei a traçar o plano B de conseguir combustível
e chegar a SMO. Pensei várias coisas:- Parar um
carro.-Descer com a moto no embalo até uma casa .
Empurrar !? Nem pensar!. –Ligar para um dos Bodes,
esperar um Mano de estrada etc. Idéias vinham e o
stress aumentava! Até que após uns quilometro tudo
ficou mais claro, iluminado!
Eu cheguei! Num trevo de entrada encontrei o Mano
Sosinski, a agradável sensação de ver um motociclista
usando uma roupa de cordura amarela e um P. Brasão do
RS com um Bode de moto ao centro é muito boa!. Parei a
moto nos cumprimentamos e ele indicou o caminho, era só
seguir mais dois quilômetros, primeiro posto á
esquerda.Cheguei depois de quatro horas de viagem e
380km percorridos. Pensei comigo: Precisava todo este
susto?
Na
Cidade de SMO fomos recepcionados pelo MC Cães do
Asfalto, manos de alto gabarito! Proporcionaram-nos ótimos
momentos por lá. Fomos apresentados à sede deles
(coisa de luxo!) com um bar aberto ao público
motociclista e outra que me chamou a atenção,
Um escrito bem grande na parede do Bar “–Zoeira tô
fora!” começa
por ai a diferença de motociclistas e motoqueiros, o
comportamento!.
Após
as apresentações fomos para o Hotel, simples, mas
confortável, era um dos poucos disponíveis na cidade
que estava lotada de turistas em passagem para Argentina
e outras cidades. Fiquei com o Mano Julio Malta como
companheiro de quarto, que me cedeu o “privilégio”
de tomar um banho primeiro. Ao entrar no banho fiquei
com o registro na mão! A coisa estava estragada! Para
piorar não me avisaram que não podia dar descarga,
pois se desse a pressão da água do chuveiro caia! Ah!
Também tinha que tirar o papel higiênico do suporte
senão molhava na hora de tomar o banho! Acabei
consertando o registro usando as ferramentas da moto e
ficou tudo bem. Depois de tudo aprumado nos divertimos
com a situação afinal, era tudo festa!.
Fomos
jantar num restaurante simples e muito bem servido,
confraternizamos com os nossos anfitriões onde trocamos
idéias e experiências. Um dos donos deste restaurante
anunciava os pratos em dialeto Vêneto e eu consegui
enganar um pouco respondendo da mesma forma, pelo pouco
que aprendi convivendo com o meu pessoal de Nova Bréscia/RS.
Como estava sozinho, sem uma companhia feminina resolvi
extrapolar e me atirar com todo o pecado que a gula me
permitia e comi MUITA massa ao alho e óleo! No outro
dia sabia que com a viagem o cheiro não ficaria, foi
muito bom! Bem, azar do Julio que estava no mesmo quarto
que eu. Parece que tudo
terminou bem pois não houve reclamação.... após
fomos tomar mais uns chops
num bar tradicional da cidade e tentar assistir
um pouco do Jogo do Grêmio.

Partimos
bem cedo no outro dia após um rápido café. O ponto de
reunião foi na sede do MC Cães do asfalto. Parte do
Grupo dos Cães nos acompanhariam até uma parte, pois
estavam indo para Toledo/Pr para participar do encontro
que é um dos maiores da região e também divulgar o
encontro deles em SMO.
A
Viagem foi muito boa, o asfalto estava em boas condições,
exceto no trecho entre Baracão/SC
e Capanema/Pr, estrada com muitas falhas e
depressões, me questionei se aquele era o melhor
caminho para retornar.....
A
Ida para algum lugar que não se conhece é mais
demorada, parece mais longe sempre, pois não se sabe
quando será a chegada, demoramos quase cinco horas
para chegar a Foz do Iguaçu/PR.
O
Bonde era de mais ou menos quinze motos porém ficou
implícito que as mais velozes ou aqueles que queriam
enrolar o cabo fossem na frente. Fui acompanhando este
grupo por um bom tempo até que se dividiu em dois com
aqueles que reduziram um pouco a velocidade cruzeira,
fiz parte deste segundo grupo até que me juntei ao
terceiro em Capanema/Pr, não havia necessidade de
ganhar uns minutos a mais em detrimento da tranqüilidade
e prazer de viajar.
A
Partir de Capanema comecei a observar mais a paisagem e
perceber como era parecida com as missões, ao qual
estava um dia antes. Muita plantação de trigo e outras
que não reconheci, é interessante que depois desta
região a paisagem se torna lacônica, pois não se
observa muitas plantações, talvez por ser uma região
leiteira, tanto que um dos nossos foi pego de surpresa
com leite derramado na pista num quebra molas e ao
“beliscar” o freio acabou ”comprando terreno” no
Paraná. Foram poucos os danos, apenas alguns arranhões
e o susto.
A
Bolha continuava a se soltar e o consumo seria o mesmo
de toda viagem 17km/l.
Durante
este trecho pude ter a satisfação de realizar uma cena
que seguido vejo em fotos ou filmes. É a de estar num
comboio de motos todas custom com seus alforjes e
características particulares de ronco dos escapamentos,
postura de pilotagem, reflexo dos cromados, faróis
acesos e populações adjacentes as estradas parando e
observando nossa passagem e projetando naqueles que
passam com suas máquinas seus sonhos e anseios de
liberdade, da mesma forma que nos proporcionamos a
realização destes anseios, proporcionamos a estes que
nos observam a oportunidade de sonhar e questionar
coisas que questionamos enquanto sozinhos como nossas máquinas.
Após
o abastecimento em Capanema seguimos para Foz onde quilômetros
antes avistamos faixas de boas vindas para os Bodes do
Asfalto de SC e RS. Na entrada da cidade avistamos a
barraca de recepção ao qual nos aguardavam com
cerveja, refrigerante e água a vontade. Neste ponto o
calor já estava insuportável nas roupas de cordura e a
visão de uma caixa cheia de gelo e uma cerveja é irresistível.
Todos que optaram pela cerveja, inclusive eu, tomaram
apenas uma lata pequena.

Fomos
acompanhados pelo Mano Reinaldo (Irmão que não mediu
esforços para nos acolher!) que nos levou ao hotel onde
guardamos as motos e partimos para as compras e no
retorno descanso na piscina com direito a caipirinha!
Meu companheiro de quarto foi o Paulo César ao qual
chamava de PC! Grande amigo não é mano ainda por uma
questão geográfica. Era dele a outra Drag Star que
estava na estrada, saiu com a moto zerada!
A
noite participamos de um jantar oferecido ao MCBDA nos
jardins do Hotel. Organização impecável!, churrasco
saborosíssimo!, local requintado e irmãos , cunhadas,
sobrinhos e amigos confraternizando, exalando alegria,
felicidade e descobrindo a fraternidade que o
motociclismo e a nossa fraternidade proporcionam. Se há
dúvidas?, as fotos falam por si.
Durante
a Ida já havia decidido que retornaria no sábado,
salvo se melhor opção aparecesse, o retorno seria duas
etapas, pois tinha que estar em Poá na Segunda feira.
Paraguai
é bom para as compras. A pobreza continua a falta de
limpeza, a insegurança e a eterna desconfiança se o
produto comprado é o realmente original, ainda é a
mesma. Porém com uma sutil mudança positiva após a
queda da Ditadura Strossner. Algumas ruas em Puerto
Iguazu estão pavimentadas e os eletrônicos parecem que
são originais.

Fui
novamente às cataratas onde pude realizar o desejo de
andar de Helicóptero. Sensação indescritível, se
conselho é bom este eu dou, não tenha medo vá!
Depois
da espera dos meus ótimos amigos que concordaram em
esperar uma meia hora para eu poder realizar este
desejo, fomos para as cataratas. Um dia não é o
bastante para aproveitar! Prometi para mim que
retornarei lá se possível com o meu filhão para fazer
tudo que tiver de direito: Arvorismo, Helicóptero (de
novo!), Rappel, trila ecológica e o incrível passeio
de Lancha na garganta do Diabo.
Saímos
de lá as 20.30h ! Chegando ao hotel ainda tínhamos um
jantar numa casa de shows, resolvi não ir, pois o cansaço
estava presente. Outros tiveram a mesma idéia....
Reunimos-nos num restaurante perto do Hotel, chegando
por lá tive a grata satisfação de encontrar o
Alexandre e a cunhada, que alegria! A turma do Uruguai
estava reunida novamente na mesma mesa!, conversamos me
despedi de todos, não sem insistirem para que eu
ficasse, mas estava decidido iria voltar no outro dia.
Voltei
cedo para o Hotel arrumei os alforjes tomei banho e
“desencarnei no sono”.
No
outro dia acordei as 6h e sem acordar o PC sai do quarto
e encontrei o Julio Malta e a cunhada indo tomar café e
depois fazer compras no Paraguai, tomamos café juntos e
na recepção encontrei o Roberto Mello ( o que comprou
terreno!) combinamos de irmos juntos até os primeiros
120 km pois a partir daí ele iria para Curitiba e eu
para o RGS.

Depois
de uma pequena espera, abastecemos as motos e partimos
em direção a saída da Cidade, passada a série de
sinaleiras ou farol como dizem pelas bandas de São
Paulo, acelerei planejando manter uma velocidade Inicial
de 100 km/h e
posteriormente quando chegasse na via rápida acelerar
para 120 a 140 km/h a estrada estava vazia e não tinha
acessos laterais para proporcionar sustos ou surpresas,
mas olhando pelo espelho percebi que o Roberto não
chegava junto, apesar da HD 1500 que estava pilotando,
reduzi a velocidade
para esperar, depois de manter uns 60 km/h por um
bom tempo sem perceber avanço na aproximação meu
senso cronológico falou mais alto e ponderei, tenho
1000 km pela frente ou aproveito a oportunidade
ou terei que pernoitar no caminho então mentalmente
pedi desculpa ao Roberto e enrolei o cabo, o consumo da
moto deve ter ido para baixo!, tracei meu plano de volta
seguindo um conselho.O Mano Rolim preocupado com minha
estratégia me sugeriu o seguinte roteiro , diante da
minha dúvida em ter sucesso de fazer um mini “Iron
butt” de Foz
até Canoas/RS- Foz a Capanema , São Miguel do
Oeste , Frederico Westphalen, Carazinho, Soledade,
Lajeado- Canoas A cada parada abastecimento e lanche.
Assim iria seguir.
Rolim!
Valeu a dica!

Antes
de chegar a Capanema, “bateu” a reserva, como já
conhecia o caminho não deu pavor só tive que
administrar a velocidade que me consumiu algum tempo a
mais. Parei no mesmo
posto da
vinda onde me perguntaram se todos estavam bem. A
Atendente do posto disse que ficou admirada com relação
ao nosso comportamento, achava que iríamos fazer a
maior bagunça e
foi bem ao contrário, mais uma vez a diferença de
comportamento traduz o que é espírito motociclista.
Passei
tranqüilo no trecho ruim de Barracão e desta vez parei
nas fronteiras para fotografar a ZECA
junto as placas divisórias de estados. Em SMO
errei o caminho no trevo, me distrai e passei reto
fiquei em dúvida por 5 km até que pedi informação
para um casal numa trail que prontamente me indicou o
caminho correto. Incrível como a viagem estava sendo rápida.

O
trânsito era livre, quase não havia carros ou caminhões,
o maior fluxo se dava quando estava perto das cidades. A
ZECA parecia um bichinho que estava curtindo a minha
companhia e eu a dela, não reclamava apenas se mantinha
ali comigo
com o seu motor num ronco barítono, grave mas de
compasso agradável e cadenciado, em certos momentos
parecia que eu conseguia imaginar o pistão e as válvulas
funcionando, esta tríade: estrada , moto e piloto
formam a base para algo perfeito que pode se dar
o nome que quiser: Liberdade, desopilação,
felicidade o que quiser...Sei que quando esta febre
pega, não sabemos como termina, talvez na descoberta de
uma verdade.

A
viagem de retorno foi muita rápida apesar das 12 horas
que levei. Isto foi estranha, a relação tempo e distância
ficou desconexa, não cheguei cansado, pelo menos
mentalmente, durante o percurso não conseguia ficar
filosofando, mas é certo que achei um novo barato, o de
estar na estrada sem pensar em nada, só que desta vez
era diferente da Viagem do Uruguai. Eu estava mais tranqüilo,
mais seguro e principalmente confiante na moto e no
acaso de que nada iria dar errado.
Tenho
certeza que esta viagem foi preparo para algo maior que
devo planejar. Nesta viagem encontrei uma confiança,
uma segurança interior que ainda não conhecia, talvez
seja esta, a certeza que acompanha aqueles aventureiros
como Renato Lopes e outros aos quais acompanho na
Internet e que agora, tenha descoberto, para ter certeza
só na próxima! Minha curiosidade agora é saber qual a
descoberta da próxima viagem, nesta tenho certeza que
foi pessoal, e minha ligação com minha moto e o
motociclismo está muita maior que antes, pois me dizia
apaixonado pela minha moto, estava errado, tinha admiração.
Paixão e orgulho são o que tenho agora.
Aos
amigos e aqueles que estão lendo este relato, que várias
vezes tiveram medo ou insegurança de pegar uma estrada,
e isto é bom, pois não gera autoconfiança demasiada e
nos torna preventivos, me permito deixar um conselho: -Não
desista nem procure desculpas para não ir à estrada,
planeja, traça o caminho e encara! Nossa vida é muito
curta para fazer uma estória, façamos alguns causos
então!
Até
a próxima!
Na
segunda feira recebi a triste notícia que meu irmão
Lupatini do MCBDA da facção de Soledade foi chamado ao
Oriente Eterno. Na saída do hotel, ao inicio do retorno
foi ao encontro de uma parede, tudo indica, pela
apresentação do ocorrido e outras informações, que
ele teve um mal súbito ainda na moto, fazendo perder o
controle de aceleração e freio. Que a luz e a verdade
do Grande arquiteto do universo te seja agraciada.
Vai em Paz meu irmão!
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