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VIAJEM
DE JUNDIAÍ À FLORIANÓPOLIS - 2.132Km A viajem que vou narrar foi a realização de um antigo sonho em percorrer de motocicleta um longo percurso, de preferência por estradas secundárias, sem pressa ou preocupação. Procuramos sempre por belas paisagens, boa comida, lugares aprazíveis e baixo custo. E conseguimos. Após bem pensados preparativos, minha esposa Maribel e eu partimos para essa aventura.
A
motocicleta foi uma Honda NX 4 – Falcon, ano 2001, da qual foi trocada
a coroa original de 40 dentes para a coroa da Honda NX 350 - Sahara com
38 dentes. Isso proporciona uma redução de giro do motor de
aproximadamente 10% do indicado no painel, sem prejuízo significativo
de torque e tornou a viajem mais agradável e um pouco mais econômica
pois o motor não teve que trabalhar esgoelado nos trechos de maior
velocidade. Foi equipada com um para-brisa especial para a Falcon da “eduardoramos.com.br”,
bolsa de tanque marca Gift e top case da Givi. A viajem teve início no dia 23 de abril de 2003, na cidade de Jundiaí, estado de São Paulo onde residimos, passando por Sorocaba até Juquiá pela Rodovia SP 79, com piso bom e razoavelmente sinalizada. Estrada de muitas curvas, segue em meio a Mata Atlântica onde, por um longo percurso é margeadas de ambos os lados com marias sem vergonha (flores coloridas que podem ser encontradas em toda a Serra do Mar). Na grande maioria do trecho pouco ou nada do céu dava para ser visto. As grandes árvores formam uma espetacular túnel (ou vereda). Já próximo a Juquiá, um belo trecho margeando o Rio que empresta o nome à cidade.
De lá, inevitavelmente, seguimos pela Rodovia BR-116 – Régis Bitencourt que naquele dia estava com pouco trânsito e praticamente vazia de caminhões. A viajem teve início no final de abril, época da colheita e embarque do soja e o grosso da “caminhãozada” estava enroscada pelos lados de Paranaguá como acabamos constatando. Dia absolutamente azul, nos proporcionou um verdadeiro passeio até mais ou menos 20 km antes de Curitiba onde, saindo da BR 116, rumamos para o litoral paranaense via Morretes, descendo a Serra da Graciosa.
O
traçado da Serra da Graciosa é para ser feito na boa, passeando, mesmo
porque o piso se alterna entre asfalto e curtos trechos de calçamento
em paralelepípedos já bem desgastados e lisos pelas décadas de uso.
Dizem que a vista panorâmica na Serra é de tirar o fôlego o que,
infelizmente, não nos foi possível conferir, pois logo ao iniciarmos a
descida, apesar do dia claro e céu azul, em questão de minutos, tudo
ficou nublado e às 15 horas trafegávamos como se fosse noite. Depois
ficamos sabendo que o fenômeno é normal e realmente assusta os
desavisados. Dentro do planejado, pernoitamos em Morretes. A bela cidadezinha ao pé da Serra da Graciosa é, cortada por um rio ao longo do qual vários restaurantes e bares disputam a venda de peixe e do barreado, comida típica que vale a pena conferir. Aliás, nossa parada em Morretes foi para fazer essa conferência. O barreado é carne de segunda e ricamente temperada e condimentada, cozida lentamente em fogão de lenha, por 10, 12 ou até 14 horas, até se desmanchar. Engrossada com farinha é servida em forma de pirão e vários acompanhamentos, tais como arroz, mandioca, polenta, batata... Apesar da frustração na descida da Serra da Graciosa, acertamos em cheio na escala gastronômica.
No
dia seguinte, pelo litoral, partimos para Camburiú, passando por
Matinhos, Caiobá, atravessando a Baia de Guaratuba de balsa. Aqui uma
dica, quando fizer travessias com balsas ou outro tipo de embarcação,
fique sobre sua moto. Na volta de nossa viajem estava acontecendo o
encontro de motos em Itapema onde e ficamos sabendo de um grupo foi
fazer a travessia e uma das motos acabou caindo sobre as outras fazendo
um verdadeiro “strike”. Passamos,
também, por São Francisco do Sul que vale ser visitada e onde existe o
Museu da Marinha somente com Embarcações Brasileiras. Nesse ponto,
rumamos para Joinville e de lá seguimos pela BR 101 passando por, Barra
Velha, Piçarras, Penha onde está o Beto Carrero, Navegantes, Itajaí e
Camburiú, Itapema, Porto Belo, Bombas, Bombinhas, onde estabelecemos
nossa base de viajem. Por ser baixa temporada a cidade, que fica há
apenas 70 km de Florianópolis, estava vazia com preços realmente bons. Falar da beleza de Floripa é redundância. Suas praias, boa comida como seus peixes, “seqüências de camarão” e hospedagem de primeira fazem com que o viajante tenha vontade de alongar a estadia e sair da estrada. Mas não era essa nossa vontade, pois queríamos explorar a região entre Porto Belo e Bombinhas que nos pareceu – e era – muito interessante. Além disso, já conhecíamos Florianópolis. Camburiú, também, estava fora de cogitações devido às suas características muito urbanas, quase um Guarujá. Assim, resolvemos ficar em Bombinhas onde na pousada Solar dos Girassóis alugamos uma pequena casinha na praia, ou “com o pé na areia” como falam por lá.
Chegando
a Bombinhas acabou a moleza para a Falcon, porque saindo da avenida
beira mar era só terra, muita pedra e areia, aliás foi na areia e nas
pedras que a moto mostrou sua raça e seu “espírito de aventura”
como vem grafado em suas laterais. Em alguns trechos pegamos muita areia
solta com direito a torcida da molecada local para ver se o casal, moto
e tralha de praia tomava chão. E não tomamos. Saia de frente, jogava a
bunda pra lá, garupa se agarra, dá-lhe acelerador e mais um ponto para
a moto (e para a dupla também). De lá, todas as manhãs partíamos
para novas praias retornando ao final do dia, às vezes já à noite.
Cachadaço, Sepultura, Recanto dos Frades, Zimbros, Mariscal, Conceição,
Canto e Tainha foram algumas das praias que conhecemos. A praia da Tainha, para quem conhece deixa saudades. Pequena, limpa, ondas fracas, mar azul turquesa devido às águas profundas é margeada por pedras dos dois lados, tornando o local especial para mergulho livre e caça submarina. Chegar até lá de moto é um prêmio. A estrada estreita é um barranco de um lado e uma pirambeira do outro; tem muita, mas muita pedra e cascalho além de alguns bolsões de areia e mato no meio. Certamente o comentário não se presta para todos os motociclistas, mas para mim e minha esposa que até janeiro de 2003 ficarmos dois anos rodando no “macio” em estradas asfaltadas de Shadow, chegar à praia da Tainha foi uma bela aventura. Outra dica, apesar de se ter acesso para todos os povoados da região é sempre bom levar água e algo para se comer, especialmente se você for viajar fora de temporada como nós fizemos.
Saindo
da Praia da Tainha passa-se pelo morro mais alto da região e que tem
seu topo conhecido por Mirante Eco 360º e de onde se tem uma vista
privilegiada de todas as praias ao redor. Dá para ir de moto até quase
o topo, depois mais uns 200 metros de subida à pé e uma vista magnífica. Também
vale conferir a Praia da Atalaia do Mariscal, pequena está quase
escondida e com acesso dificultado pelas pedras só se entra nela na maré
baixa ou atravessando o Hotel Atalaia do Mariscal para o qual nos
mudamos por dois dias exatamente para desfrutar o belíssimo local,
quase que privativo e com algumas mordomias. Mas estava chegando a hora de começar a volta, mesmo porque o tempo começava a mudar com a chegada de uma frente fria que já encobria toda a Ilha de Florianópolis. Arrumada a tralha na moto, recomeçamos nossa viajem com uma parada em Itapema. A região tem muita roupa de couro de boa qualidade, com corte e confecção impecáveis e, mais importante, a preços excelentes, uma calça feminina por R$ 160,00 para pagamento em duas vezes. Tivemos que pernoitar em Itapema pois nos distraímos com a hora.
Pela manhã, no dia 1º de Maio, com a moto abastecida e pneus calibrados, estrada novamente. Como o tempo estava cada vez mais fechado, resolvemos tocar direto pela BR 101 até Curitiba onde fizemos uma parada para esticar as pernas e tentar almoçar. Nesse trecho o que nos chamou atenção foi o grande número de vendedores de conchas e estrelas do mar ao longo da estrada.
Já em Curitiba, em vez de um restaurante, como era o Dia Internacional do trabalho, fizemos um pic-nic na entrada da Serra da Graciosa.
De
lá tocamos até Registro onde pernoitamos. O dia 2 de maio amanheceu
chovendo, portanto, encapotados até os dentes, voltamos para a BR 116
na espectativa de em Juquiá tocar direto para Sorocaba. Porém, o tempo
piorou ainda mais e sob uma chuva que se alternava entre fraca e forte,
não dava sequer para ver a serra que iríamos subir. Assim, resolvemos
tocar a viajem pela Régis Bitencourt. Aí a viajem se transformou em
aventura, aliás uma aventura “punk”. Apesar de estar
chovendo há mais de 15 horas e a estrada estar “lavada”, a “caminhãozada”
toda resolveu ir para São Paulo. Nesse
trecho é que pude avaliar outra característica da Falcon, pois apesar
de rodar em condições críticas de carga máxima, com muita água no
asfalto, ventos transversais, turbulências causadas por ônibus e
caminhões a moto sempre se mostrou estável e segura, mesmo rodando a
90 ou 100 km/h. Sei que pode parecer muita velocidade para as condições
do tempo e o estado da estrada, mas na Régis Bitencourt ou você anda
na defensiva ou você se borra todo e pára para fazer faxina. Como
disse um antigo aventureiro inglês: “a aventura pode ser louca,
mas o aventureiro tem que ter bom senso” ou ao menos saber o que
esta fazendo e os riscos que esta correndo. Em
algumas baixadas, víamos a poça de água do outro lado da estrada e
quando digo isso é na pista rumo a Curitiba. Dava para perceber o
sorriso macabro do motorista de caminhão que iríamos cruzar em alguns
segundos. Com a passagem do caminhão a água subia por uns 10 ou 15
metros atravessando o gramado entre as pistas e nos atingia em
cheio. Era o tempo de olhar para frente, gravar o que estava acontecendo
e esperar a porrada de água, óleo, detritos de pneu, terra e sabe-se lá
mais o quê. Por 1 ou 2 segundos estávamos em vôo cego, até o vento e
a chuva limpar as viseiras. Não foi o passeio que fizemos da
ida. Entre Juquiá e São Paulo contamos 4 acidentes com veículos de
passeio, todos por derrapagem. Vencido
o trecho da Serra de Miracatu já chegando em São Paulo, no Rodoanel Mário
Covas, a chuva deu uma trégua até entrarmos na Rodovia dos
Bandeirantes. Porém, de lá até Jundiaí, mais água. Nos
10 dias de viajem rodamos 2.132 km, 600 km dos quais por estradas de
terra entre cidades e praias. Ao todo gastamos R$ 1.150,00 nesse valor
incluído gasolina, troca de óleo em Bombinhas, hotéis e pousada,
refeições e cerveja, muita cerveja. Para se ter uma idéia, com R$
5,00 se comia uma bela porção de camarão frito ou peixe. Aqui registro meu
agradecimento pelo patrocínio parcial que tive da B.M. Motos Honda de
Jundiaí, que bancou revisão da moto antes e depois da viajem,
inclusive fornecendo vela, óleo e filtro, ficando um abraço ao amigo
Cristiano Lopes e ao pessoal da oficina comandada pelos mecânicos
Devalcir e Luiz. Também meu agradecimento ao Edson e Roberto da
Motocenter de Jundiaí que me orientaram e executaram a substituição
da coroa para melhor rendimento da moto na estrada. Gil
Camargo Adolpho - Jundiaí – S.P. E-mail: gil.adolpho@uol.com.br Moto Esporte: parabéns ao casal Gil e Maribel pela conquista de um sonho, só conseguimos realizar sonhos em nossas vidas quando se mechemos e decidimos, só aqueles que lutam para realizar seus sonhos são vencedores, mesmo os que não forem realizados... o importante é ter lutado.... um abraço de toda equipe Moto Esporte ao casal vencedor... ops: parabéns aos patrocinadores da viagem... B.M. Motos Honda de Jundiaí... Marcos Branco - ( diretor Moto Esporte ) |