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- Expedição São Paulo á MACHU PICCHU
- 2008/2009 10.576Km em 20 dias
Crônica "A Aventura de Moto de um Casal e o Fim da Relação"
(entrar)
1º DIA - 18/12/08 - SÃO PAULO (SP) - PATO BRANCO (RS)
 
| Quilômetros
Rodados |
875
km |
| Horários |
Saída:
7h |
Chegada:
19h |
| Despesa
Combustível |
R$
145,00 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço:
12,00 / Jantar: 23,00 |
| Despesa
Hospedagem |
R$
45,00 |
| Despesa
Passeios |
-0- |
| Classificação
da cidade |
Simples
e com algumas opções de Hotel |
|
|
Piloto
6 horas - Começa nossa jornada, apesar de tão cedo o trânsito
já estava infernal. Vamos iniciar um dos piores trechos da
viagem – S. Paulo / Curitiba, o céu estava encoberto e a
previsão do tempo já era pessimista, mesmo assim, seguimos
driblando a chuva e os caminhões, até Curitiba, e não teve
jeito, tivemos que colocar aquelas roupas fashion de chuva, a
nossa sorte é que foi por pouco tempo, e por incrível que pareça,
quanto mais nos aproximávamos de Pato Branco (PR) mais o tempo
melhorava. Chegamos às 19h com o céu azul e o sol a pino, a
tempo de pegar o Pato Branco acordado. Amanhã tem mais...
 
Garupa
Primeiro dia de Viagem- Confesso que os 200 km iniciais foram
difíceis, por dois motivos: Por causa da parte física, que
realmente demora uns 2 dias para adaptar e por causa do medo do
que vem pela frente. Este sentimento é muito importante, pois
é ele que fará com que tenhamos cuidado e prestemos mais atenção
em todos os detalhes. Um outro motivo é a saudade dos
familiares e dos amigos, afinal de contas vamos passar o Natal e
o Ano Novo na estrada.
Como garupa curti a estrada, acho este trecho muito bonito e
aproveitei para começar a tirar umas fotos, apesar de ser uma
rota de deslocamento, sem fins turísticos, não dá grandes
resultados, mas dá para vocês terem uma idéia do que estamos
vendo e vivendo.
 
Uma parte interessante é que passamos por uma reserva indígena,
ao mesmo tempo foi um pouco deprimente, pois não gostei do que
vi, crianças a beira da estrada vendendo algumas coisas.
Quando completou 8 horas de viagem, comecei a sentir dores no
corpo e ainda faltava mais 4, dá para imaginar? Tudo bem, o dia
estava lindo e com muito sol então dava para esticar mais um
pouco. Pato Branco é uma cidade muito agradável. Encontramos
logo um hotel para pernoitar. Ainda bem que não causou estresse
esta parte.
Saímos para jantar, porque ninguém é de ferro.
Impressionante a diferenças de valores quanto saímos de São
Paulo, um lanche aqui é muito barato. Enquanto comíamos
aproveitamos para escrever o texto sobre o primeiro dia e
acertar alguns detalhes para os outros. O começo é sempre
complicado, mas depois acredito que conseguiremos nos organizar.
Mais tarde voltamos para o hotel para preparar os arquivos e
enviar os e-mails.
2º DIA - 19/12/08 - PATO BRANCO (RS) - CORRIENTES (ARG)
 
| Quilômetros
Rodados |
806
km |
| Horários |
Saída: 8h |
Chegada: 20h |
| Despesa
Combustível |
R$
151,00 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço
R$ 22,00 / Lanche R$ 10,00 (01 pessoa) |
| Despesa
Hospedagem |
R$
140,00 |
| Despesa
Passeios |
-0- |
| Classificação
da cidade |
Cidade
muito bonita, com cassino e bares beirando o Rio |
|
Eu, o Zé e a Barata. Isso mesmo, nós tivemos hóspede a
noite passada. Pior do que imaginar que ela existe é ter a
certeza que ela esta presente de corpo e alma. Tudo bem, o calor
e o cansaço eram tão grandes que acabei esquecendo que ela
existia.
O dia estava novamente muito quente. Era 7h da manhã e o
calor já era de matar. Hoje era o dia que passaríamos pela
aduana e entraríamos na Argentina. Exigiram todos os
documentos, principalmente a carta verde. Deu tudo certo, mas
logo ali na frente, uns 2km já aconteceria a nossa primeira
parada. Desce da moto e mostra todos os documentos
novamente.
 
Temos muita sorte com os policiais argentinos. Fizeram muitas
perguntas e logo nos liberaram. Anda mais um pouquinho e uma
nova parada e assim sucessivamente... resolvemos parar até
quando não pediam aí aproveitávamos fazíamos um alongamento
e batia um papinho, com direito a souvenir do Brasil e tudo.
Levamos uns chaveiros com a bandeira do brasil para presentear
algumas pessoas que diziam ter um certo carinho por nosso pais.
Diferente da fama que tem os policiais da Argentina, até agora
não tivemos nenhum problema.
Seguimos viagem com muita cautela, no começo a estrada
parecia um tobogã, cheia de subidas e descidas e de borboletas
amarelas kamikazes. E o calor nos matando, mesmo em meio à mata
fechada. Logo a diante paramos em Posadas para tomar um lanche,
mas para nosso azar estava tudo fechado. É que nessa região
eles fecham às 12h e reabrem às 16hs. Comemos o que
encontramos para poder seguir viagem. Isso já eram quase 4h da
tarde e o sol quase nos matando.
A sensação térmica era de mais ou menos 42 graus. Parece
que não, mas a viagem se torna muito cansativa e pra ajudar a
paisagem era sempre a mesma e aquela reta que nunca acabava. Pra
piorar a situação, aconteceu o nosso primeiro susto da viagem,
um cachorro cruzou a nossa frente e ficou parado olhando pra
nossa cara, deu até dó e o danado era bonitinho que fiquei até
sem jeito de brigar. Queria ter fotografado, mas na hora fiquei
sem iniciativa, ou eu via o que poderia acontecer ou registrava
o momento. Pena, ficou registrado só na memória.
 
Esta estrada entre Posadas e Corrientes é muito perigosa por
causa dos animais que cruzam a pista. Felizmente o ABSZÉ
funcionou.Parece que tudo aconteceu neste dia, nosso primeiro
estresse para encontrar um hotel. Pensamos até em desistir e
seguir em frente, mas já eram 9h da noite e resolvemos
pernoitar em Corrientes mesmo.
Ah! O Piloto não escreveu hoje porque ele estava muito
estressado e cansado e resolveu dormir. Depois de tanto tempo
procurando hotel sem muito sucesso, imagina né? Até um
argentino muito simpático nos ofereceu ajuda, mas sem sucesso,
porque a gente estava numa ira só. O coitado não entendeu
nada. Amanhã o piloto aparece por aqui.
3º DIA - 20/12/08 - CORRIENTES (ARG) - SALTA (ARG)
 
| Quiilômetros Rodados |
845 km |
| Horários |
Saída: 10h |
Chegada: 18:30h |
| Despesa Combustível |
R$ 155,00 |
| Despesa
Alimentos |
R$ 60,00
(jantar) |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 110,00 -
Posada de las Farolas - Rua Córdoba,246 - Salta
(muito bom) |
| Despesa Passeios |
-o- |
| Caixinha do
guardinha |
R$ 36,00 |
| Classificação
da cidade |
Cidade simpática,
muito turística, facil de resolver qualquer coisa.
Aproveite este local se precisar
resolver algum problema. |
|
Piloto
3º dia - Aconteceu um pouco de tudo. Saímos de Corrientes com
o céu nublado, para nossa alegria, mas por pouco tempo, logo a
chuva nos pegou e tivemos que vestir a roupa de chuva.
 
Foi o tempo de colocar e ter que tirar, pois o sol não
deu trégua e nos acompanhou a viagem inteira. A temperatura
estava uns 40 graus, mas a sensação sobre a moto era de 45º.
Obs: A todos os amigos que nos mandam e-mails, agradecemos
pelo apoio e carinho e responderemos a todos assim que for possível.
Garupa
Esta noite não tivemos hospede, também pelo preço do hotel
seria muito desonesto dividir espaço com um ser não pagante.
Depois de todo o estresse da noite anterior e de quase termos
voltado para São Paulo resolvemos tudo com uma boa conversa. Não
pense que viajar a dois não tem problemas, o bom é que aconteça
no começo da viagem para que as coisas sejam resolvidas logo no
início.
 
Hoje pagamos o nosso primeiro pedágio policial, isso mesmo,
prefiro pensar assim já que em quase toda a Argentina moto não
paga pedágio para rodar em bons asfaltos, então para não
ficar com raiva faz de conta que é um pedágio. Retiro parte do
elogio que fiz aos policiais daqui, realmente é como algumas
pessoas relatam, eles só faltam pedir descaradamente e como
estamos de férias em outro país o melhor é resolver logo e não
aumentar o problema.
Nosso azar é que eram os nossos últimos 50 Pesos para
abastecer a moto e o filha da mãe teve que ficar com ele. Cá
pra nós, acho que o Zé Carlos quis passar por esta experiência
só para saber o seu poder de barganha em portunhol.
Na minha opinião este foi até agora a parte mais chata da
viagem, a minha esperança é que melhore daqui pra frente.
Diferente do sul da Argentina, onde há mais lugares turísticos
para se visitar e tirar fotos. O calor estava pior que o dia
anterior, a impressão que tive é que fui até o inferno e
abracei o diabo. Não é a toa que tem uma região com o nome de
Pampa del Inferno O calor que subia do asfalto vinha até a cabeça,
parecia uma bica de suor.
 
Nada adiantava e para piorar tinha que desviar o tempo todo
dos passarinhos. Um não teve a sorte de ficar por aqui e teve
que voar mais alto. A parte boa desta viagem é que conhecemos
um casal de brasileiros, o Ronald e a Ana, que pararam no posto
policial para nos oferecer ajuda e tivemos o prazer de mais
tarde em Salta, jantarmos juntos.
Grande noite!
4º DIA - 21/12/08 - SALTA (ARG) - SAN PEDRO ATACAMA
 
| Quiilômetros Rodados |
598 km |
| Horários |
Saída: 11:30h |
Chegada: 19:45h |
| Despesa Combustível |
R$ 112,00 |
| Despesa
Alimentos |
R$ 20,00
(jantar) - SOPA / Lache R$ 16,00 |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 120,00 |
| Despesa Passeios |
-o- |
| Classificação
da cidade |
Exótica |
|
Piloto
Como precisávamos descansar resolvemos sair mais
tarde. Por um lado foi bom, por outro acabamos chegando muito
tarde em San Pedro. De Salta a Susques é um trecho delicado de
autonomia, se não fosse os três litros reservas que levamos a
parte, teríamos ficado no deserto sem combustível.
No segundo trecho da viagem que foi de Susques a San Pedro
apesar das belas paisagens, pagamos o preço por ter saído mais
tarde, porque além do frio no deserto tivemos que enfrentar
mais de 100Km de um forte vento lateral, que em algumas situações
era preciso engatar 2º marcha para poder vencer a força do
vento. No fim tudo deu certo e estamos prontos para a próxima
etapa.
 
Garupa
Agora posso dizer que começou a viagem. Só pelas
fotos da para ter uma idéia. Realmente foi como eu imaginei,
aquele trecho de Eldorado a Currientes é um tédio. Quando saímos
de Salta em direção a Calama, não imaginei como seria fresca
a viagem e então começamos a curtir. Passamos por lugares
lindos, todo detalhe era importante e não podia deixar de
registrar. Neste trecho tem um salar, fica um pouco antes de
Susques.
Tem banheiro limpo a 1 Peso e também umas pessoas que ficam
ali vendendo artesanato feito em sal. O traje deles assusta um
pouco, mas depois da explicação, faz sentido.Eles ficam
praticamente com o corpo todo coberto para se proteger do calor,
do sol e do branco do sal. Paramos em Susques para abastecer (último
posto de abastecimento antes de chegar a San pedro neste período
da viagem) Nossos anjos da guarda estavam novamente junto com a
gente, os chamo assim, mas também poderia ser chamado de carro
de apoio.
A Ana e o Ronald nos encontraram pelo caminho e toda vez que
parávamos vinha o serviço de bordo, água fresca e geladinha.
Que mordomia não? Quando mais andávamos mais a paisagem ia se
transformando, achei interessante, pois seria a nossa climatização.
Chegar ao deserto do Atacama de avião é muito diferente de você
chegar pela estrada, falo isso porque vivemos esta experiência
o ano passado. O choque é bem menor e a gente vai se adaptando
aos poucos. Pra quem tem dificuldade com altitude, fazer desta
forma ajuda muito.
 
Não senti muito os sintomas da montanha, não sei se por
coincidência ou não, fui a única que não comeu nada, somente
o café da manhã, talvez seja por isso que eu não fiquei
enjoada como os outros. Não posso deixar de reforçar o que o Zé
Carlos disse logo a cima, passar pelas montanhas um pouco mais
tarde, tipo 7h da noite não foi uma boa escolha. Realmente tínhamos
que sair mais cedo para não passar o que passamos.
O frio era de lascar, parar para se agasalhar nem pensar,
pois com o vento era impossível fazer tal estripulia, a única
coisa que consegui colocar foi uma luva para não ficar
totalmente congelada. Em Susques tem uma pousada (130,00 pesos)
e um restaurante, caso não queiram passar por esta situação
podem se hospedar lá. O pescoço estava super tenso e as pernas
doíam muito por causa da força dos ventos.
Contava os minutos para chegar logo, tamanho era o desespero.
Finalmente chegamos em San Pedro, apesar de nosso destino ser
Calama, mas seria impossível e até mesmo irresponsável de
nossa parte se fossemos até lá. A única coisa que queríamos
era um banho quente e um bom prato de sopa.
5º DIA - 22/12/08 - SAN PEDRO ATACAMA(CH) - TOCOPILLA (CH)
 
| Quiilômetros Rodados |
306 km |
| Horários |
Saída: 11:30h |
Chegada: 19:00h |
| Despesa Combustível |
R$ 56,00 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço R$ 0 /
Jantar R$ 55,00 |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 69,00 |
| Despesa Passeios |
Chuquicamata - gratuíto |
| Classificação
da cidade |
Tocopilla -
cidade muito pequena e muito simples |
|
Piloto
Saímos de San Pedro de Atacama as 11:30 agora com
a próxima parada em Tocopilla. Antes, porém, fomos a
Chuquicamata conhecer a maior mina de cobre do mundo. É
impressionante a grandiosidade não só da mina e dos caminhões
que transportam as “rocas”, mas de alguns números: Cada
caminhão tem uma capacidade de carga de 400t; Tanque de combustível
de 4.000l; Autonomia 24h; Cada Pneu custa U$ 30.000 e dura 1 ano
(cada caminhão tem 6 pneus); A frota atual é de 99 caminhões;
22.000 funcionários se revezam em 3 turnos diários 7 dias por
semana.
Após a visita de pouco mais de 1 hora, que é feita num ônibus
da própria Copelco (estatal que controla mina), de segunda a
sexta as 14h. Este passeio é gratuito. Seguimos rumo a
Tocopilla, uma cidade fora dos padrões, pelo menos dos meus.
Depois de seguir 160 quilômetros pelo deserto, você desce a
montanha e avista o oceano pacífico espremida entre eles esta a
minúscula Tocopilla. Agora tchau que eu vou dormir, amanhã
conto o resto.
 
Garupa
Hoje foi a despedida dos nossos mais novos amigos. Eles são
muito engraçados, acredita que além do kit polícia argentina
até penico eles trouxeram? Vamos sentir saudades. Mudamos nosso
roteiro. Nossa parada seria Antofagasta, ma por causa da visita
a mina resolvemos dormir em Tocopilla. Não acho que foi uma boa
escolha, mas devido as circunstâncias foi a decisão que
tomamos. Primeiro chegamos em Calama, uma cidade complicada em
todos os sentidos.
Fiquei insegura porque todos com quem conversei pediram para
tomar cuidado com a moto, capacetes e bagagens. A mina de
Chuqicamata vale a pena visitar, (procure o posto de informação
ao turista e se inscreva antes de ir) só acho que deveria ser
um pouco mais organizado. Hoje foi um dia tranqüilo porque
rodamos pouco e acho que foi bom pois assim descansamos, afinal
já são 05 dias na estrada passando por momentos de muito frio
e muito calor e isso realmente cansa, principalmente no deserto
aonde o vento é muito forte. Tocopilla é uma cidade muito
estranha, apesar de pouco tempo não consegui decifrar como ela
funciona.
Parece uma coisa, mas é outra. Para pernoitar não tem boas
opções.
Agora para fechar a noite com chave de ouro me fizeram passar
por um susto que estou com taquicardia até agora. Uma senhora
que eu nunca tinha visto na vida bateu em nossa porta e
disse:"La moto és tuia? Levaram-na."
 
Nunca mais vou esquecer esta frase Dei um grito que a coitada
ficou super assustada e pedia mil desculpas pela brincadeira e o
Zé Carlos, coitado, não sabia o que fazer para me socorrer,
pensou que eu ia ter um treco. Ela só queria pedir para
estacionar a moto em outro lugar, acredita?
No dia seguinte não sabia o que fazer, continuava a pedir
desculpas, mas eu ainda continuava tão apática que nem
conseguia brigar com ela ou dizer qualquer coisa. Tudo bem já
passou só espero não passar por outra.
6º DIA - 23/12/08 - TOCOPILLA (CH) - ARICA (CH)
 
| Quiilômetros Rodados |
557 km |
| Horários |
Saída: 9:30h |
Chegada: 18:30h |
| Despesa Combustível |
R$ 95,00 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço R$ 22,OO
/ Jantar R$ |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 69,00 |
| Despesa Passeios |
-0- |
| Classificação
da cidade |
Muito boa, legal
para se conhecer. |
|
Piloto
O Chile é um país surpreendente. Saímos de Tocopilla rumo a
Iquique, agora com novo visual, a direita montanhas gigantescas
e a esquerda o pacífico, uma estrada lindíssima, uma espécie
de Rio-Santos sem verde e sem atlântico. Apesar do mar ao lado
esquerdo o cenário ainda é de deserto, com exceção de
algumas figuras que aparecem na estrada, como um cara que no
meio do nada aparece caminhando com seu cachorro.
De onde ele saiu e pra onde ele vai, só Deus sabe. Iquique
me lembrou do Singapura do Maluf, na av. da praia tudo lindo,
belos prédios, restaurantes, nos fundos um favelão. De Iquique
para Arica voltamos a subir a montanha, mais 320 km perto do céu
até descer novamente de encontro com o mar, faltando 5 km tive
que fazer uso, pela segunda vez, da minha reserva especial de
gasolina. Arica parece ser uma cidade bem legal de passar um ou
dois dias, muitos bares e restaurantes que parecem ser bons, vou
saber disso daqui a pouco. Até amanhã, que os Piscos me
esperam.
 
Garupa
Tudo está indo muito bem, apesar de Tocopilla não ser um lugar
legal para dormir, foi mais ou menos um ponto interessante para
se hospedar. Isso porque podemos apreciar a costa do pacífico
bem descansados, diferente se tivéssemos feito isso num final
de tarde. O Chile é um país curioso, você está num lugar que
não é bonito e de repente surge do nada um espetáculo a nossa
frente. Viajar com paisagens bonitas cansa muito menos e dá
mais motivação.
O visual até Iquique é muito lindo, só estraga quando
chega na cidade que ao meu ver tem uma discrepância muito
grande. Muitas pessoas vêm de longe voar de paraglider. Com
certeza a vista lá de cima deve ser bem bonita, mas acredito
também que ver toda aquela pobreza deve incomodar um pouco. A
saída da cidade é bem o retrato do que estou falando, tem até
uma favela com o nome de Ciudad de Dios.
 
Todo este trajeto foi necessário usar roupa de frio porque
ainda continua com muitas serras e muito vento, pelo menos nesta
época do ano. A estrada volta a ficar entediante, mas de
repente surge uns abismos e no meio do vale, rodeado por
gigantescas montanhas, tem um pequeno vilarejo com um córrego e
com algumas vegetações, este é mais ou menos o desenho do
trajeto ---nununu----. Confesso que senti um pouco de medo,
porque neste trecho tem muitas curvas beirando o precipício, a
sorte é que a estrada e bem sinalizada e o asfalto é
excelente.
Chegando a Arica já gostei logo de cara do lugar. Não é
uma cidade pequena, mas me pareceu bem simpática. Tem bons
lugares para dormir e comer e ainda com preços justos. Uma dica
é procurar “Los Residenciales”, é mais barato que os hotéis
da orla e fica próximo ao centro, assim dá para sair a noite
sem a moto. Afinal de contas ela também precisa descansar.
7º DIA - 24/12/08 - ARICA (CH) - AREQUIPA (PE)
 
| Quiilômetros Rodados |
448 km |
| Horários |
Saída: 9:30h |
Chegada: 17:30h |
| Despesa Combustível |
R$ 95,00 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço R$ 19,00
/ Jantar R$ 23,00 |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 96,00 (Hotel
Yanahuara) |
| Despesa Passeios |
-0- |
| Classificação
da cidade |
No começo
assustadora, depois muito divertida. |
|
Piloto
Peru - Festival de carimbos na aduana. Foi a aduana mais
demorada que enfrentamos, mas enfim entramos no Peru (no bom
sentido, é claro), é impressionante como a mudança de
fronteira muda também o visual, o Céu não é mais azul e as
montanhas agora são cor de terra, rodamos kms no topo delas,
depois descemos beirando precipícios e de repente aparece uma
uma plantação verdinha, umas vacas pastando, é surpreendente.
A chegada em Arequipa merece um capítulo a parte, logo que
chegamos no centro ficamos assustados, o transito é caótico,
ninguém respeita ninguém, os pedestres parecem que são caçados
pelos carros, mas depois de algumas horas é divertido. Para
minha surpresa achamos um ótimo hotel, nossa ceia de natal será
aqui no quarto mesmo. Feliz Natal pra todos, e até amanhã.
Ah... amanhã começamos a subir, Puno fica a 3.800 metros e
começa o frio.
 
Garupa
Véspera de Natal, só não vamos passar sozinhos porque vocês
estão viajando com a gente e sempre nos mandando e-mails de
incentivo. Já estou com saudades do Brasil, o nosso país é
muito lindo, só damos conta disso quando estamos distante dele,
é ai que percebemos o quanto ele é “rico”.
Antes de passar pela aduana peruana, logo quando sai de
Arica, deve -se passar em um posto (barraquinha com uma senhora
na própria rodovia) que vende os papéis por 750 Pesos (para o
casal + a moto- ida e volta). Isso facilita muito o processo,
principalemte se preencher ali mesmo.
 
Entramos no Peru, por favor, sem piadinhas, tá? Deixamos
para trás Arica e nossas amigas peruanas que se encantaram com
a moto e com a nossa viagem.
A aduana do Peru é a mais bonita que já passamos, mas também
é a mais burocrática.
Saímos do Chile e é incrível como o céu já muda. No Peru o
céu parece que está sempre nublado, mas os tons das montanhas
continuam o mesmo, um pouco só mais escuro, já estou me
sentindo meio bege. Nunca estive na lua, mas a impressão que eu
tenho é que estou nela.
Estou estranhando muito os lugares por onde estamos passando,
mas deve ser ainda o período de adaptação.
 
Se por um lado o Peru é bem diferente do Brasil, por outro
se parece muito, as pessoas aqui são muito prestativas. Paramos
para abastecer em um posto e o proprietário logo veio nos
ajudar. Muito sorte a nossa, porque Arequipa é uma cidade muito
grande e com certeza teríamos dificuldade de nos hospedar. Ele
nos indicou um taxista e pediu que nos deixassem em um hotel próximo
a saída para Puno assim nós sairíamos daquela muvuca. Nos
aconselhou a não ficar pelo centro porque não é seguro.
O hotel realmente é muito bom (Hotel Yanahuara) e o bairro
me pareceu tranqüilo e tem uma praça com uma vista para un dos
vulcões de Arequipa "o Vulcão Misti".
Tivemos sorte, pelo menos vamos passar nosso Natal sem estresse.
Feliz Navidad!
8º DIA - 25/12/08 - AREQUIPA (PE) - PUNO (PE)
 
| Quiilômetros Rodados |
325 km |
| Horários |
Saída: 9:30h |
Chegada: 13:30h |
| Despesa Combustível |
R$ 71,00 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço R$ 0 /
Jantar R$ 24,00 |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 67,00 |
| Despesa Passeios |
R$ 24,00
(Comunidade UROS - Ilhas flutuantes) |
| Classificação
da cidade |
Mais turística
que os outros lugares, diversas opções de hosp. e
rest. |
|
Piloto
Puno – 3.820 metros de altitude. No caminho, sobre as
montanhas chegamos a 4.000 metros, indescritível a paisagem ao
lado das nuvens, as fotos podem dizer melhor. O frio também é
intenso, três graus, é preciso estar bem equipado, mas vale
muito a pena.
Gostei de Puno, o centro com as ruas apertadas, os
taxis-bicicletas são engraçados.
Aproveitamos que chegamos cedo e fomos conhecer o lago
Titicaca, e a comunidade indígena Uro, que mora em ilhas
flutuantes. Passamos também por Juliaca, e apesar de todos os
avisos de atenção, cuidado, não tivemos nenhum problema, graças
a Deus. Amanhã seguimos para Cusco. Até lá.
 
Ps. A moto está indo muito bem na altitude, não teve
nenhuma mudança no comportamento, já não posso dizer o mesmo
de mim, começo a sentir um pouco de falta de ar.
Garupa
Saímos facilmente de Arequipa, nem precisamos contratar um
taxi e segui-lo.
Disseram-nos que Puno é muito frio e sempre chove, mas estávamos
confiantes.
O dia amanheceu ensolarado então não nos agasalhamos muito
para não passar calor, engano nosso, o frio era de rachar.
Tivemos que parar várias vezes para trocar de roupa. Quanto
mais subíamos, mas o frio apertava. Só melhorou quando
coloquei a roupa de chuva, assim me senti mais agasalhada. Está
sendo a parte mais difícil da viagem. Ainda acho tudo muito
estranho.
A gente roda um tempo sem ver nada interessante e de repente
aparece em nossa frente uma imagem magnífica do lago Titicaca.
Infelizmente não pude filmar este trecho sobre a moto, pois o
frio não permitia. Chegando a Puno achamos facilmente um hotel
para dormir e logo em seguida fomos visitar as ilhas flutuantes.
A espera foi só de uma hora e meia, mas tudo bem, aproveitei
para tirar um cochilo no barco e começar a acertar meu fuso horário.
No Peru a diferença é de três horas em relação ao
Brasil, isso também por causa do horário de verão. Valeu a
pena o frio que passamos, é um passeio impressionante,
interessante e diferente de tudo que já vi. Pena que já tínhamos
arrumado onde dormir, porque na ilha tem uma espécie de
pousada, que é uma tenda hostel, que eles montaram para quem
quiser pernoitar por apenas 15 soles, a mais em conta que a
gente tinha encontrado pelo caminho.
Ainda não tinha sentido os efeitos da altitude, mas no final da
noite tive uma dor de cabeça insuportável e deixei para
escrever meu texto pela manhã e assim vou poder relatar o
ocorrido durante a noite que não foi nada fácil.
 
Senti muito medo de não conseguir chegar até o final da
viagem, pois a dor era tanta que a única coisa que eu pensava
era sair daqui e ir embora pra casa. Me perguntava o tempo todo
o que eu estou fazendo neste final de mundo? Tive que tomar o chá
de folha de coca, urgh!!! Tudo bem que não tem gosto de nada,
mas a impressão é muito ruim, depois o Zé Carlos queria que
eu mastigasse a folha, como ele tinha feito pela tarde, aí eu
me recusei, se eu tivesse que melhorar seria só com o chá. Se
isso voltar a acontecer, posso até pensar em mascar a folha de
coca, porque os sintomas são muito desconfortáveis. Vou seguir
a dica de uma amiga minha, Jansi, comprar as balinhas de folha
de coca, deve ser um pouco melhor.
Vamos ver o que nos espera pela frente, subiremos até 5.500m.
9º DIA - 26/12/08 - PUNO (PE) - CUSCO (PE)
 
| Quiilômetros Rodados |
394 km |
| Horários |
Saída: 9:30h |
Chegada: 15:30h |
| Despesa Combustível |
R$ 71,00 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço R$ 0 /
Jantar R$ 34,00 |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 64,00 |
| Despesa Passeios |
-0- |
| Classificação
da cidade |
Muito legal e
com diversos passeios para fazer. |
|
Piloto
Depois de 5.158 km chegamos a Cusco (PE). Agora é só voltar.
Logo na saída do hotel em Puno, meu coração ficou apertado
(pra não dizer outra coisa), a moto não queria pegar, sinal da
gasolina peruana, mas depois de varias insistências e algumas
preces ela pegou e partimos rumo ao nosso destino final, Cusco,
tendo que passar mais uma vez pela difamado Juliaca, dessa vez não
tivemos muita sorte, fomos assaltados por um guarda, que me
mandou parar por estar com o farol ligado (segundo ele, aqui é
proibido durante o dia), ele queria de todo o jeito as minhas
luvas, mas no final se contentou com 10 soles, que a Débora
mesmo acabou negociando (já está ficando expert nisso).
Puts, como esses peruanos enchem o saco por causa do farol,
me avisam o tempo todo que está ligado. O Trânsito no Peru é
uma calamidade, ninguém respeita nada e todo mundo buzina o
tempo todo.
Bom, saímos de 3.820 metros de altitude (que já foi muito
difícil de dormir) e chegamos até 5.500 no topo das montanhas,
onde até para comer um pão estava difícil de respirar junto.
Chegamos em Cusco a 3.350 metros e como viemos nos aclimatando
pelo caminho, agora está tranqüilo. A poucos quilômetros de
Cusco fomos recepcionados pela chuva, que já estava prometida,
por esse motivo hoje temos poucas fotos da cidade, amanhã com
certeza estará recheado.
 
A moto terá dois dias de descanso, enquanto vamos para o
Vale Sagrado e Machu Picchu de trem, aliás, adoro viajar de
trem também.
Garupa
... e continua chovendo. Não podemos reclamar, pois sabíamos
que era época de chuva aqui no Peru, o fato é que só podemos
tirar férias nesta época, então não tínhamos muita escolha.
Vocês viram o que o policial peruano fez? É deprimente, ele já
chegou com esta intenção, mas não tive dúvida, simulei que não
estava muito bem por causa da altitude e do frio e quando vi que
ele se preocupou, peguei-o no pulo.
Queria por que queria a luva do Zé Carlos, chegou até a
vesti-la e disse que combinaria com a moto que ele tinha. Só
que aquela luva era a minha e de forma alguma a daria para ele.
Como ele pediu um champanhe para comemorar o ano novo com o
amigo dele e disse que 10 soles serviria, não tive dúvida,
contei as moedas que eu tinha no bolso e as entreguei. Filho da
mãe se vendeu por R$ 8,00.
 
Considerei novamente um pedágio peruano só para não passar
raiva. Viajar às vezes cansa, ser turista não é fácil,
sempre tem alguém que quer passar a perna na gente, por isso
tudo tem que ser muito bem explicado e se possível repetir várias
vezes a mesma coisa para não ter engano. Sobre o estresse da
parte da manhã (a moto não funcionar) nem preciso falar né?
Se o Zé Carlos ficou daquele jeito imagina eu, e olha que eu já
tinha passado por uma “broma” (brincadeira) a alguns dias
atrás.
Chegamos em Cusco com muita chuva e para achar a agência de
turismo e o hotel foi um parto. As ruas do centro turístico são
muito estreitas, de paralelepípedo e fica um sabão quando
chove, além do mais a gente não sabia se podia subir com a
moto por estas vielas. Encontramos o Hostel e pra piorar
descobrimos que não tinha estacionamento, enfim, mais uma vez
ela vai dormir na recepção, e precisam ver como as pessoas
ficam curiosas para ver a moto. Acho que vou pedir um cachê artístico
pra danadinha, ela merece!
Agência de turismo Dos Manos - Procurar por Vanise.
10º DIA - 27/12/08 - CUSCO (PE) - VALE SAGRADO
 
| Quiilômetros Rodados |
0 km |
| Horários |
Saída: 8:10h |
Chegada: 19:30h |
| Despesa Combustível |
0 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço R$ 0 /
Jantar R$ 15,00 |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 64,00 |
| Despesa Passeios |
US$ 25,00 por
pessoa (inclui almoço) - Boleto turístico para 03
sítios
S/. 70,00 por pessoa |
| Classificação
da cidade |
Muito
interessante e emocionante. |
|
Piloto
Cusco – Patrimônio Cultural da Humanidade.Difícil descrever
com palavras o Vale Sagrado, além da beleza natural do lugar
ele tem uma energia especial, emociona pensar que nos anos de
1400 / 1500 uma civilização tinha conceitos de viver em
sociedade e respeitar a natureza que até hoje são
atuais.
 
Os modelos de construção, os museus arqueológicos, a
filosofia dos Incas. Pena que com o passar dos anos o homem
evoluiu em tantas coisas, mas menosprezou conceitos básicos.Não
dá pra descrever aqui toda a história de civilização Inca,
nem dá pra transmitir a emoção que senti nesses lugares.
Amanhã vamos a Macho Picchu, acho melhor deixar pra contar o
resto depois, hoje eu adorei.
Ah! Esse lugar tem a cara da minha irmã.
Beijos a todos.
Garupa
...sem chuva. Acordamos e o “Deus Inti” (Sol) queria dar
o ar da graça. Que sorte a nossa, não? Hoje visitamos o Vale
Sagrado (Pisaq, Ollantaytambo e Chinchero) esses são alguns dos
sítios arqueológicos. Existem outros que também podem ser
visitados, mas dá para ser no mesmo dia. Quando se compra o
boleto turístico que custa 130,00 Soles por pessoa,
aproximadamente, US$ 44,00 pode-se visitar por até 10 dias
dezesseis pontos turísticos. Como não iríamos ficar por
muitos dias pagamos somente os locais que iríamos
visitar.
 
Não dá para relatar todo o aprendizado, só tenho a dizer
que a cultura Inca é magnífica e nos deixa encantados. Os
locais estão bem preparados para receber turistas, a nossa guia
Ilda deu uma aula de conhecimento Inca. Vale muito à pena
visitar estes locais, a única coisa que não gostei muito foi o
excesso de visitantes, isto acaba tirando um pouco a magia do
lugar. Aprendemos muitas palavras usadas no idioma Quechua, mas
pra falar a verdade já esqueci quase todas. É muita informação
em tão pouco tempo.
Tá vendo esse cachorrinho na foto? Então, este é o Inca
Dog. Uma graça, não?Dá pra se divertir bastante e se cansar
também. Tem que estar um pouco preparado fisicamente, pois os
caminhos são irregulares, muita subida e sem contar com a
dificuldade na altitude. Ficaria horas escrevendo sobre o local
e as sensações que eles causam e como mexe com nossa
espiritualidade.
 
Amanhã vem o objetivo de nossa Expedição “Machu
Picchu”. Pensando bem, a viagem toda foi um grande
aprendizado, amadurecemos bastante e passamos por diversas
experiências. Não dá pra dizer que este é o nosso único
objetivo e sim um deles.
11º DIA - 28/12/08 - CUSCO (PE) - MACHU PICCHU
 
| Quiilômetros Rodados |
0 km |
| Horários |
Saída: 6:10h |
Chegada: 21:15h |
| Despesa Combustível |
0 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço R$ 45,00 |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 64,00 |
| Despesa Passeios |
US$ 60,00 por
pessoa (não inclui almoço) - S/. 180,00 Trem
Backpacker / ônibus/entrada do park / Guia. |
| Classificação
do Local |
Impressiona |
|
 
Piloto
Machu Picchu – Missão Cumprida
Com a graça do Deus Inte (Sol), que esteve presente o dia
todo, tivemos o prazer de conhecer a “Velha Montanha”.
O Passeio a Machu Picchu é puxado, o guia nos pegou no hotel
às 06h10min para embarcarmos no trem rumo a Águas Calientes às
7:00, depois de 4hs chacoalhando no trem, pegamos um ônibus que
em mais 30 minutos nos deixou no portão de acesso do parque (nós
e mais um batalhão de turistas do mundo todo).
No começo fiquei meio assustado com o número exagerado de
visitantes, parecia que estávamos na fila do zoológico. Mas,
fomos seguindo o guia, atento a todas as explicações da
civilização Inca e depois ficamos com a Montanha, quase que só
pra nós.
 
Depois de andar muito, tirar muitas fotos às 17h pegamos o
trem de volta a Cusco, chegando às 21h15min.
Hoje concluímos a Expedição Machu Picchu. Agora nos resta
concluir a Expedição São Paulo, que iniciaremos amanhã.
Garupa
Neste momento não gostaria de dizer nada sobre Machu Picchu.
Preciso de mais tempo para explicar exatamente o que senti.
Enqaunto isso tirem suas conclusões vendo as fotos e mais pra
frente, quem sabe poderei dizer algo.
 
Pelo que estava observando, existe um passeio que sai às
6h30min por um portão dentro do Sítio Arqueológico de Machu
Picchu para subida a Montanha Waynapicchu. É uma trilha, onde
tem um Guia experiente que leva no máximo 200 pessoas. Este
passeio deve ser impressionante, pois quando se entra em Machu
Picchu deve ter bem menos visitantes, aí o local deve mostrar o
seu lado místico. Todo o comércio ao redor do parque é
extremamente caro, o ideal é pegar o ônibus e ir até Águas
Calientes para almoçar.
Começa a nossa volta, esperamos passar por lugares
diferentes. No Peru eu acho meio difícil, porque é melhor
dormir nas grandes cidades. Provavelmente na Argentina será
possível. Espero que continuem nos acompanhando.
12º DIA - 29/12/08 - CUSCO (PE) - AREQUIPA (PE)
 
| Quiilômetros Rodados |
655 km |
| Horários |
Saída: 11:00h |
Chegada: 18:15h |
| Despesa Combustível |
R$ 114,00 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço R$ 40,00
/ Jantar R$ 0 |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 81,00 (Hotel
Yanahuara - www.hotelyanahuara.com) |
| Despesa Passeios |
0 |
| Classificação
do Local |
Mais tranquilo
do que a primeira vez |
|
Piloto
O Peru é um país de contrastes. A minha primeira impressão
quando chequei por aqui, foi de um país pobre, com um trânsito
caótico, sem muita infra-estrutura. Hoje, depois de três dias
de Peru, já começo a sentir saudades. A pobreza não é um
estado de espírito, às vezes precisamos tomar um banho de
humildade ou humanidade para relembrarmos dos verdadeiros
valores da vida.
No nosso trecho de viagem de hoje, de Cusco a Arequipa, em
apenas 650 km, é incrível as mudanças não só de clima que
passamos, mas também de geografia, história e costumes de cada
pedacinho desse país. Detalhes que só viajando de moto podemos
ver, sentir e se emocionar.É incrível poder andar de moto no
topo das montanhas, ao lado das nuvens, e imaginar de passagem,
a vida que os moradores dessa região levam, cuidando de seus
animais, muitas vezes apenas um ou dois, cuidando da terra,
independente do frio, do tempo ou das regras que estamos
acostumados a viver no nosso dia-a-dia.
 
Viajar é sempre um aprendizado. Viajar de moto é como fazer
parte de um quadro que estamos ajudando a pintar.
Garupa
Depois de alguns dias parados voltamos à estrada. Já estava
com saudades. É muito bom ficar na garupa observando a
paisagem. São nestes momentos que eu paro pra pensar, ter novas
idéias e até resolver alguns problemas.
Saímos de Cusco e resolvemos aceitar a dica do nosso amigo
Cesar, visitar antes de ir embora mais um sítio arqueológico,
Saqsayhuaman. O lugar é bem bonito, só que estávamos com
pressa e não pegamos um guia pra nos explicar, falha nossa,
pois as ruínas são lindas, mas sem explicação fica faltando
alguma coisa. O bom foi que fizemos boas fotos, porque dali a
vista da cidade de Cusco é bem interessante. Aliás, a cidade
histórica de Cusco é uma graça. Pelas fotos dá para
perceber. Só que nada de salto alto por aqui, as ruas não
permitem, viu meninas!
Durante a viagem a paisagem estava impressionante, o sol
batendo no capim dourado das montanhas, fazia com que o visual
ficasse encantador. Mas como vocês sabem que tudo que é bom
dura pouco, de repente começou um frio arrepiante, logo tive
que pedir para parar e colocar todas as roupas que eu tinha.
Fiquei parecendo um astronauta com toda aquela roupa, mas quando
as crianças olham me acham parecida com um ET, sabe como é né,
criança não sabe disfarçar, então mostro a língua pra elas.
 
Hoje foi o segundo dia pior da viagem pra mim, aconteceram
tantas coisas... Primeiro o frio era insuportável, chegava a
doer os ossos. Imagina a 5.000m de altitude e ainda com chuva.
Era tão insuportável que eu gritava e cantava para esquecer o
que eu estava sentindo. Teve uma hora que as minhas pernas
congelaram na posição que estava que quando eu as soltei, não
consegui voltar mais para posição normal. E para abastecer?
Tinha que descer da moto, é claro. Imagina a cena, parecia uma
velha de 90 anos.
Se não bastasse isso, uma roda de um ônibus se soltou, a
nossa sorte é que ela correu pro lado e passou bem longe da
gente. Tá pensando que foi só isso, tem mais, pra dificultar
mais um pouco, sentindo aquele frio eu ainda estava preocupada
com o combustível que estava no final. Tivemos que parar e
comprar em uma casa na beira da estrada. Chegando em Arequipa, a
única coisa que eu queria era um banho quente e nada mais.
Voltamos para o mesmo hotel que tínhamos hospedado, assim era
mais fácil e mais rápido. Depois do banho... o que era mesmo
que eu estava sentindo?
13º DIA - 30/12/08 - AREQUIPA (PE) - IQUIQUE (CH)
 
| Quiilômetros Rodados |
824 km |
| Horários |
Saída: 10:00h |
Chegada: 17:15h
(horário do Peru/9:00h hor. Chile) |
| Despesa Combustível |
R$ 130,00 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço R$ 10,00
/ Jantar: R$ 40,00 |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 78,00 (Hotel
no centro) |
| Despesa Passeios |
0 |
| Classificação
da cidade |
Bonita / com
praia e local para saltar de paraglider |
|
Piloto
Olá,
Vou ser muito breve hoje, como dormimos tarde ontem e com a
mudança de fuso horário (no Peru – 3h e no Chile – 1h)
estamos atrasados e ainda preciso trocar o óleo da moto e
procurar o suporte do GPS que sumiu. Só vou falar uma coisa, 3
litrinhos de gasolina extra fazem milagre.
FELIZ ANO NOVO.
 
Garupa
Um dia muito frio o outro quente. Atravessamos a região de
deserto do Peru, aliás, ainda não entendi o Peru. Onde não
tem nada, de repente tem uma região com muito verde num vale
entre duas montanhas de pura terra e por outro lado esta região
que atravessamos não tem absolutamente nada, a não ser na região
do Pisco.
Passamos por dois momentos difíceis, um que não tínhamos
dinheiro e tinha bastante postos de gasolina, mas não aceitava
cartão (isso no Peru). O outro é que tínhamos dinheiro, mas não
tinha posto (no Chile). Os galões extras nos salvaram
novamente. Incrível não ter nenhum posto entre Arica e
Iquique. Pra piorar chegamos à noite e para procurar hotel foi
um estresse, da minha parte é claro, porque por incrível que
pareça quem estava tranqüilo era o Zé desta vez. Depois de
uma hora procurando encontramos um no centro da cidade.
 
As senhoras que nos atenderam foram muito simpáticas e então
resolvemos ficar. Indicaram o calçadão do centro. Pedimos umas
Salsipapas e como ninguém é de ferro, abrimos uma exceção,
enchemos a cara de pisco sour mango. Adivinha! Não conseguimos
escrever e nem montar a página. Resolvemos deixar para o dia
seguinte.
Sobre Machu Picchu, ainda não posso lhes dizer nada,
continuo pensando. Tenham calma. Acho que chegarei a uma conclusão.
BOM AÑO DE 2009!
14º DIA - 31/12/08 - IQUIQUE (CH) - ANTOFAGASTA (CH)
 
| Quiilômetros Rodados |
437 km |
| Horários |
Saída: 12:00h |
Chegada: 16:30h |
| Despesa Combustível |
R$ 85,00 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço R$ 20,00
/ Jantar R$ 50,00 |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 130,00 (Hotel
Ancla Inn) - no centro |
| Troca de óleo |
R$
137,00-Lubricentro Parada -Av. Argentina,
2511-Antofagasta - Roberto |
| Classificação da
cidade |
Simpática |
|
Piloto
Bem amigos, (isso lembra alguém?)
De Iquique a Antofagasta a estrada é pra curtir o visual
beirando o mar, lindo.
Vamos passar o reveillon em Antofagasta, é uma cidade bem
legal, com muita infra, praia e o povo é bem receptivo, tanto
que fomos trocar o óleo da moto e o dono da loja acabou nos
convidando para passar o reveillon na casa dele (a moto é muito
legal por isso, fazemos amigos por onde passamos).
E aqui vai uma dica para quem tiver passando por estas bandas
e precisar de uma troca de óleo ou alguma ajuda mecânica:
Lubricentro Parada – Av. Argentina, 2511
Antofagasta – Procure o Roberto, é brother.
Já já iremos pra praia comemorar o Ano Novo, desejo a todos
que nos acompanham um ano cheio de saúde e muita felicidade,
porque no fundo é isso o que importa.
 
Um grande beijo e Feliz Ano Novo!
Garupa - By JC
Oi gente,
Adorei o trecho de hoje, principalmente as duas horas que tirei
pra dar uma dormidinha. Agora já são quase 23h e ainda não
consegui encontrar acetona pra fazer minhas unhas, estou ficando
uma fúria, onde já se viu passar o reveillon com as unhas
nesse estado.
Ah, outra tragédia, deixei cair minha luva hoje .
Vamos comemorar a passagem do ano com nossos ermanos chilenos
(rsrsrsrs)
Garupa
Acredita que o JC queria fazer o meu texto hoje?
E ainda disse que me deixaria aqui se eu não o publicasse.
Fica assim então, não vamos contrariar para não perder a
carona.
Agora sou euzinha mesmo.
Hoje foi um dia muito tranqüilo, trecho curto, a única coisa
que incomodou foram as paradinhas para o Sr. José Carlos fazer
xixi. Até nisso os homens levam vantagem.Quero publicar uma
foto deste ato, mas ele não deixa. Por que será? Só os homens
lêem estes relatos e vêem as fotos mesmo, não tem problema.
 
Sem brincadeiras, agora é sério. Os Chilenos são pessoas
maravilhosas, me sinto muito segura neste País. Hoje é dia de
Ano Novo, sei que estamos longe de nossos familiares e amigos e
por estar longe é que sabemos o quanto são importantes pra nós.
Antofagasta é aquela cidade que tem a mão do deserto, mas não
vamos conhecer, pois fica no caminho para Santiago e não iremos
passar por lá porque custaria mais dois dias de viagem e nós não
temos este tempo.
Feliz Ano Novo.
Ah! Quanto a passar o ano com as unhas feias, isso é verdade,
ele não estava brincando não.
15º/16º Dia - 01 e 02/01/09 - ANTOFAGASTA (CH) - JUJUY
(ARG) - 872km

| Quiilômetros Rodados |
999 km |
| Horários |
Antof.-Saída
11h - Cheg. 22h - Jujuy |
Jujuy-Saída 10h
- Cheg. 12h - Salta |
| Despesa Combustível |
1º trecho -R$
131,00 / 2 º trecho -R$ 20,00 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço R$ 20,00
/ Jantar R$ 50,00 |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 98,00 (Jujuy)
- R$ 120,00 (Salta)-Hostel Las Farolas |
| Classificação da
cidade |
Simpática |
|
Piloto
Saímos de Antofagasta às 11h, tínhamos um
trecho longo pela frente até Jujuy, perdemos algum tempo nas
aduanas e um outro tempo em San Pedro, fazendo as últimas
comprinhas. Saindo de San Pedro, subimos a montanha até seus
5.000 metros, com direito a paradinha para fotos a frente do
Lincancabur, resolvi acelerar porque queria descer dela antes do
sol se por, quase deu. Nosso atraso nos rendeu duas coisas, uma
boa e outra molhada:
A boa foi estar acima das nuvens, é incrível, parecia que
estava pilotando um avião iniciando o procedimento de
aterrissagem. Quando começamos a descer a montanha entramos nas
nuvens, a visibilidade era de uns 2 metros, isso já era noite,
e pra começar o ano com a alma lavada pegamos 70 km de chuva e
neblina até Jujuy. Mas o importante é chegar bem, e chegamos.
Bem molhados!
 
Garupa
Sabe aqueles dias em que se correr o bicho pega e se ficar o
bicho come? Foi o dia primeiro de janeiro. Saímos de
Antofagasta às 11hs, o que não foi uma boa escolha. Pegamos
muito frio para chegar em San Pedro, e eis que de repente
acontece uma coisa muito chata, o GPS se espatifou na pista.
Quase chorei de tristeza, mas o JC é super tranqüilo pra estas
coisas até fez a seguinte piada “agora além de ver satélites
ele vê estrelas”.
Em San Pedro o calor estava insuportável, mas mesmo assim
andamos pelas ruazinhas pra procurar um cyber café e comprar
algumas coisas. Foi aí que percebemos que estava muito tarde,
mas mesmo assim resolvemos seguir em frente. Tudo muito lindo e
maravilhoso, quando de repente nos vimos fugindo de uma enorme
chuva, esta não nos alcançou. Mais para frente vi uma cena
maravilhosa, estávamos nas nuvens. Parada para sessão de fotos
e filmagens, mas não imaginava o que vinha pela frente, só
neblina.
Não vou ser tão otimista quanto o Zé Carlos, na minha
opinião não dava para ver um palmo na frente. Rezei 355 ”Pai
nosso” e sei lá quantas “Ave Maria”. Não dava para
voltar e a única opção era seguir em frente. Lembra: se
correr o bicho pega e se ficar o bicho come, então, nossa única
saída era tentar fugir daquela situação e dormir em Jujuy.
Vencida esta etapa pensei que não teríamos mais problemas,
engano, se não bastasse tudo o que já havíamos passado, veio
à chuva. Me arrependo de não ter parado em Pomanarca. Até me
pareceu uma cidade simpática, mas nosso objetivo era Jujuy para
no dia seguinte irmos para Cafayate.
Chegamos ao nosso destino encharcados, não sei o Zé, mas o
meu corpo inteiro estava congelado e todo dolorido. Pra mim foi
o 3º dia pior da viagem e olha que tivemos muita sorte, lembra
de Machu Picchu? Começou com chuva e depois foi só alegria. De
cara encontramos um hostel e não podíamos ter muito luxo, era
o que tínhamos. Banho quente e depois de um único pastel em
San Pedro, qualquer cristão merece comer. Só tinha um detalhe,
não tínhamos moeda argentina e para piorar, aquela cidade que
se diz turística não aceitava cartão em lugar nenhum, aliás,
nos que estavam abertos, pois por ser dia primeiro nada
funcionava.
 
Voltamos decepcionados e mortos de fome para La Habitacion.
Vamos dormir, fazer o que? Mas de repente o Zé aparece com dois
pães murchos e um copo de gelo. Comei a comer o pão que o
diabo amassou, enquanto vocês aí comiam o resto da ceia,
aposto. Ah, o copo de gelo era para o pisco sour mango, que foi
o nosso drink para esquecer parte do que tínhamos passado neste
dia.
Agora já estou preparada para enfrentar 2009.
Não sou muito boa com as palavras, mas vou tentar.
Viajar de moto a2 é:
Primeiro, tudo de bom;
Aumentar a cumplicidade do casal;
Ficar mais próximo, aliás, muito próximos mesmo;
Dividir experiências únicas;
Saber que pode contar e confiar no outro;
Melhorar a relação;
Ter histórias pra contar;
Fazer amigos;
Na realidade são muitas coisas, mas o mais importante é poder
estar com quem a gente ama.
Agora chega, porque tenho que comemorar o aniversário do meu
piloto predileto.
Sobre Machu Picchu, estou começando a entender...
Ih, acho que hoje eu exagerei!
17º DIA - 03/01/09 - CORRIENTES (ARG) - BARRACÃO
(BR)

| Quiilômetros
Rodados |
687km |
| Horários |
Saída: 11:00h |
Chegada: 21:00h |
| Despesa Combustível |
R$ 136,OO |
| Despesa
Alimentos |
Almoço R$ 0 /
Jantar R$ 35,00 |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 100,00 (Hotel
Provincias) |
| Classificação
do Local |
imples
(fronteira) |
|
Piloto
Bom, o trecho de hoje não tem muito que comentar,
é como se fosse uma parte de deslocamento de um rally, sem
muitos atrativos. Acho que aos 40.000 km da V-Strom a relação
começa a pedir socorro. (Esclarecimento as mulheres: a relação
que me refiro é a coroa, corrente e pinhão, ok?)
Garupa
Hoje daríamos início ao trecho mais monótono da
viajem, Salta a Corrientes e exatamente o local onde tivemos que
bonificar um policial argentino. Já estava até me preparando
para situação. Como é muito chata esta parte da viagem fui
testando minhas habilidades fotográficas para ver se pegava um
passarinho bem a nossa frente.
 
Desta vez não teve nenhum óbito e eu conseguir fazer a
foto. Além de ser muito perigoso por causa dos animais que
cruzam a pista, é também muito quente o que dá um pouco de
sono, mas depois de passar tanto frio nos dias anteriores, não
podia reclamar. Encontramos pelo caminho muitas motos indo em
direção ao Atacama e até ficamos uma horinha parado no posto
contando o que tínhamos passado e dando algumas dicas.
Uma coisa que observei nesta região é que o céu é todo
organizadinho, a impressão que dá é que elas foram desenhadas
e parece que são de algodão. Muito lindo de se observar, na
correria do dia a dia às vezes não paramos para dar atenção
a estes detalhes. A parada em Salta para um dia de descanso e
comemoração valeu muito a pena, assim conhecemos melhor a
cidade e nos prepararamos para um dia longo de viagem.
18º DIA - 04/01/09 - CORRIENTES (ARG) - BARRACÃO
(BR)
 
| Quiilômetros
Rodados |
667km |
| Horários |
Saída: 11:00h |
Chegada: 21:00h |
| Despesa Combustível |
R$ 143,00 |
| Despesa
Alimentos |
Almoço R$ 0 /
Jantar R$ 35,00 |
| Despesa
Hospedagem |
R$ 100,00 (Hotel
Provincia) |
| Classificação
do Local |
Simples
(fronteira) |
|
Piloto (by garupa)
Acho que hoje ele não passa por aqui. Precisa
dormir um pouquinho.
Garupa
Hoje seria um daqueles dias normais, mesmo caminho
de retorno e nada mais. As fotos já começam a ficar
repetitivas e sem muita criatividade. Levantamos tarde e
passamos no posto para abastecer, as garrafinhas de reserva
foram descartadas mesmo contra minha vontade, afinal já tivemos
uma experiência o ano passado eu preferia mantê-las até o
final.
No caminho passamos por um posto e como tinha acabado a
energia não era possível abastecer. Chega a ser cômico, uma
hora é não ter Pesos, outra o posto não aceita cartão ou então
o posto não tem combustível. Arriscamos seguindo em frente e
pra nossa surpresa não deu certo. Pintou o segundo estresse da
viagem, até que para 18 dias foi pouco. Fiquei P... da vida e
ainda tive que ouvir “Ta nervosa? Tira a calça e pisa em
cima...acredita? Além de estar naquela situação tive que
ouvir isso.
Contei até mil e engoli seco, mas tudo bem, não tinha
alternativa, tentamos pedir carona e não tivemos sucesso. A
nossa opção era um fica o outro vai. Faltavam 7Km para chegar
ao posto, resolvemos que eu ficaria e o JC iria atrás do
combustível.
Não tinha uma árvore para eu ficar embaixo e o sol estava
de lascar, então pensei, ao invés de tirar as calças resolvi
arregaçar as mangas, comecei a andar em sentido a uma casa e
perguntar se tinha um litro de gasolina para me arrumar. Uma
senhora muito simpática entendeu minha situação e resolveu
trazer um líquido em um galão pra mim. Perguntei o que era,
mas ela não soube dizer.
Cheirei o produto com tanto entusiasmo que fiquei tonta.
Disse que queria aquele produto só que tinha um probleminha, eu
não tinha um centavo para paga-la e na realidade não tinha
mesmo porque todo o dinheiro tinha ficado com o JC. Ela muito
gentil me deu. Neste meio tempo, passava um monte de
motociclistas acenando, mas ninguém parava.
Fiquei com muita raiva e comecei a achar que ninguém iria me
ajudar, até que de repente passaram por mim mais cinco
motociclistas indo em sentido Corrientes, pensei, não vão
parar também. Engano meu, pra minha surpresa eles voltaram e me
perguntaram se eu precisava de ajuda. Fiquei até
emocionada.
 
Perguntas pra lá, perguntas pra cá, eles tinham combustível
para me dar, dar mesmo, pois eu não tinha dinheiro para pagá-los.
Fotos para registrar o momento, não poderia deixar de fazê-las.
Espero que eles me enviem por e-mail os nomes para eu possa
agradecer de novo. Os batizei de “Anjos da pane seca”.
Queriam por que queriam levar a moto até o posto, mas eu não
quis atrapalhar mais a viagem deles e resolvi que eu mesma
levaria. Estava com medo, mas aquela era a hora. Eles
concordaram e disseram que só partiriam depois que eu saísse
de lá. Aceitei e logo em seguida saí.
Estava super tensa, afinal esta moto é muito grande e pesada
pra mim. No final deu tudo certo, segui a orientação deles e
cheguei até o retorno. Tive que parar a moto e na hora de
cruzar a autopista ela morreu e tombou um pouco para o lado,
pensei, tô ferrada. Segurei e consegui sair de lá. Faltava
mais 1km para chegar à cidade de Ituzaingó.
Fui com fé e quando cheguei no posto o JC tinha acabado de
chegar. Poupei-o de andar 7km de volta. Acho que ele não
acreditou quando eu cheguei lá. Sorte a nossa assim a viagem não
ficaria atrasada. Antes eu estava com raiva, agora até agradeci
por ele ter me dado oportunidade de passar por esta experiência.
Só tem um probleminha, agora eu tenho esta história pra contar
e uma dor nas costas pela tensão e pelo esforço de segurar a
moto quando ela tombou.
 
Dormimos em Barracão, já no Brasil e como estava muito
tarde não fomos para Pato Branco que era o nosso destino.
Aproveitamos para jantar e eu não pude deixar de pedir feijão,
afinal já são quase 20 dias sem comer esta maravilha.
19º DIA - 05/01/09 - BARRACÃO (BR) - CURITIBA BR)
 
| Quiilômetros
Rodados |
503km |
| Horários |
Saída:
11:00h |
Chegada:
17:00h |
| Despesa
Combustível |
R$
133,00 - Pedágio R$ 14,20 (04 pedágios) |
| Despesa
Alimentos |
Almoço
R$ 10,00 / Jantar R$ 0 |
| Despesa
Hospedagem |
R$
88,00 (Hotel Fórmula 1) - com café da manhã |
| Classificação
do Local |
Excelente
cidade |
|
Piloto
Agora faltam só 447 km. Chegamos em Curitiba, vindo de
Barracão por estradinhas bem bonitas cercadas de verde dos dois
lados, só que não rende, tem que fazer um festival de
ultrapassagens. Bem, no final com muita sorte, conseguimos
chegar antes da chuva. Agora jantaremos na casa de nossos anjos
da guarda, Ana e Ronald.
Garupa
É incrível como na ida a gente não dá atenção a um
monte de coisas. Basta ver paisagens extremamente diferentes
para na volta dar mais atenção a qualquer detalhe. Todas as
cores ficam mais vivas, principalmente o verde. A gente passa a
enxergar diversos tons, o que antes não fazia muita diferença.
 
A quantidade de frutas que existe em nosso país e a fartura
também foram coisas que eu percebi de imediato, já pelo
caminho é possível certificar-se disso. É muito bom voltar
pra casa com um monte de experiências novas e bons amigos,
inclusive vamos ter a honra de reencontrar os que conhecemos
pelo caminho, fomos convidados para um jantar na casa
deles.
Isso é muito bom, já não via a hora de um programa mais
caseiro, porque 20 dias comendo em restaurante ou pelas estradas
faz a gente sentir muita falta disso.
20º DIA - 06/01/09 - CURITIBA BR) - SÃO PAULO (BR)
 
| Quiilômetros
Rodados |
447km |
| Horários |
Saída:
11:00h |
Chegada:
16:00h |
| Despesa
Combustível |
R$
55,00 - Pedágio R$ 1,50(02 pedágios) |
| Despesa
Alimentos |
Almoço
R$ 0/ Jantar: Feijoada da Mamãe |
| Despesa
Hospedagem |
Em
casa |
| Classificação
do Local |
O
melhor do mundo |
|
Piloto
Fim da Expedição Machu Picchu. Fim de um planejamento
trabalhoso e também muito prazeroso. Fim dos 10.570 km
percorridos por estradas do Brasil, Argentina, Chile e Peru. Fim
de férias. Fim de pneu traseiro. Fim de *relação.
*Calma pessoal, a relação que me refiro é a coroa,
corrente e pinhão da moto. Minha relação afetiva com a minha
inseparável garupa Débora, continua cada vez mais forte.
 
Acho que agora só tenho que agradecer:
A todos os amigos, que de alguma forma participaram de nossa
expedição, mandando mensagens de apoio, nos incentivando e
dando dicas por todo o nosso roteiro.
Um agradecimento especial ao Sid, César, Gugu e ao Vidotto
por tantos conselhos, dicas e mensagens durante nossa viagem.
Um agradecimento especial a todos nossos familiares e amigos,
que mesmo com os corações apertados, nos acompanharam e nos
apoiaram em mais uma aventura.
Agradeço a todos os irmãos brasileiros, argentinos,
chilenos, peruanos que conhecemos pelo caminho. Obrigado pela
acolhida, pela ajuda, pela receptividade, pelos acenos por todas
as estradas em que passamos, é muito bom saber que por onde
passamos deixamos amigos.
Agradeço mais uma vez a incansável V-Strom, que mais uma
vez, se mostrou guerreira e confiável por todos os terrenos
trilhados.
 
Agradeço ao meu inseparável “chicletinho”, que em todos
os momentos esteve sempre ao meu lado, sempre me apoiando e
sempre curtindo muito todas as situações que passamos, seja
num bom restaurante ou numa ceia de ano novo regada a pisco e a
pão duro. Já não é a primeira, nem a segunda vez que me
orgulho de ter essa companhia em minhas aventuras. Realmente sou
uma pessoa de sorte, uma mulher assim é para poucos. Obrigado
por acreditar e confiar em mim “chicle”. Te Amo.
Agradeço a Deus por ter nos proporcionado, mais uma vez,
conhecer pessoas, culturas, países diferentes, e tudo isso sem
nenhum tipo de problema.
Espero poder contar com todos para a próxima.
Muito Obrigado.
Garupa
É isso aí!
Contato Viajante Zé
Carlos: piloto@motoa2.com.br
Viajantes:
Débora
e José Carlos - Moto Suzuki V-Strom
Moto Esporte: Parabéns ao casal, pela ótima viagem
com responsabilidade, planejamento e um maravilhoso relato, que
com certeza irá orientar e ajudar aos próximos viajantes..
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