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EXPEDIÇÃO MACHU PICCHU
A Aventura de Moto de um Casal e o Fim
da Relação.
Tudo
começou com a idéia de que para rodar mais de 10 mil km em
cima de uma moto, não é preciso ser homem ou ser um grupo de
homens. Por que não apenas um casal?
Desde
que o planejamento seja bem detalhado, priorizando a segurança,
não há problema. Pelo menos, eu acho.
Partimos
de São Paulo às 6 da manhã com destino a Pato Branco, no
Paraná, depois de 12hs e 875 km rodados, chegamos à cidade dos
boleiros Rogério Ceni e Alexandre Pato.
Uma
merecida noite de sono e seguimos para Corrientes, na Argentina.
No caminho alguns passarinhos e muitas borboletas
“atropeladas”, além de uma contribuição compulsória a um
policial argentino.
Ao
chegarmos, o primeiro sinal de desgaste na relação, procurar
hotel é sempre estressante. Acordamos no dia seguinte rumo a
Salta, mais 845 km de chuva, sol, e muito calor, um pouco de
tudo, mas no fim da tarde chegamos à bela cidade de Salta.
Dia
seguinte, após um merecido descanso, partimos às 11:30 rumo a
San Pedro do Atacama, no Chile. Tudo muito bonito, muito bacana,
até as 18hs, foi quando percebi o segundo sinal de que nossa
relação já não ia bem.
Com
o sol se pondo, e nós ainda sobre as montanhas, a mais de 4.500
metros de altitude, o frio nos pegou pra valer, e com ele um
fortíssimo vento lateral, vencido com muito custo, chegamos a
S. Pedro quase 8 da noite, tremendo de frio, querendo só um
banho quente e um prato de sopa. Mas antes disso ainda tivemos
que cuidar da relação, afinal quando se viaja com uma mulher
junto tem que se pensar nisso também.
De
San Pedro seguimos para a cidade chilena de Tocopilla, depois de
rodar quase 300 km sobre montanhas, você desce beirando a
precipícios, e dá de cara com a imensidão azul do pacífico,
incrível.
O
Chile é realmente um pais surpreendente, uma amostra do
planeta, tem um pouco de tudo, desertos, vulcões, praias,
cordilheiras, neve. Antes de seguirmos para Tocopilla, fomos
visitar a maior mina de cobre do mundo em Chuquicamata,
impressiona pela grandiosidade não só da mina e dos caminhões,
mas dos números também. Cada caminhão transporta 400
toneladas, tem um tanque de diesel de 4.000 litros que dura 24h,
e cada pneu, que dura um ano, custa U$ 30.000.
Dormimos
em Tocopilla, ou melhor, eu dormi, porque a minha garupa quase
morreu do coração, quando uma funcionária do hotel onde estávamos
hospedados bateu à porta para nos avisar que “a moto havia
sido roubada”. Era brincadeirinha! Assim não há relação
que aguente.
Mais
557 km e chegamos agora em Arica, um visual lindíssimo, à
direita montanhas gigantescas, à esquerda o gelado pacifico.
Apesar do mar ao lado esquerdo o cenário ainda é de deserto,
com exceção de algumas figuras que de repente surgem do nada,
no meio da estrada, como um cara de bermuda, camiseta pólo que
caminha com seu cãozinho, de onde ele veio e pra onde ele ia só
Deus sabia.
Rompemos
mais uma aduana, depois de um festival de carimbos, chegamos ao
Peru. Arequipa, no começo assusta, o transito é caótico, todo
mundo buzina o tempo todo, ninguém respeita nada, uma loucura.
Mas com o tempo a gente se acostuma e até acha divertido.
Percorremos
mais 325 km e chegamos a Puno, a 3.820 metros de altitude, o que
significa falta de ar e dor de cabeça. A paisagem até Puno é
fantástica, você roda o tempo todo sobre as montanhas ao lado
das nuvens, o frio é intenso, é preciso estar bem equipado.
Mas vale muito a pena.
Em
Puno fomos visitar o lago Titicaca e as ilhas flutuantes, morada
da comunidade indígena Uros. De lá seguimos para Cusco, nosso
destino. Depois de 5.158 km chegamos. Agora é só voltar. Não
sem antes discutir um pouco sobre a relação, afinal hoje cedo
a moto ameaçou não pegar, culpa da altitude e da gasolina
peruana.
Cusco
é uma cidade muito grande e o centro histórico lembra um pouco
Paraty. Chegamos com chuva, agora é torcer para que o Deus Sol
nos presenteie com sua presença amanhã seguinte. E ele
apareceu, o Deus Inte (Sol), nos acompanhou o dia todo na visita
ao Vale Sagrado. Para mim um lugar inesquecível, que além da
beleza me despertou a emoção de toda a história da civilização
Inca.
Machu
Picchu – Missão Cumprida. O passeio a Machu Picchu é puxado,
o guia nos pegou no hotel às 6:10 para embarcarmos no trem rumo
a Águas Calientes às 7h, depois de 4h chacoalhando, pegamos um
ônibus e em mais 30 minutos estávamos no portal da “Velha
Montanha”. Nós e mais um batalhão de turistas do mundo
inteiro, afinal, é um patrimônio da humanidade.
No
inicio ficamos um pouco assustados com a quantidade de gente.
Mas, fomos seguindo o guia, atentos a todas as explicações, e
depois que a maioria das pessoas desceu, ficamos com a montanha
quase que só para nós.
Concluída
a Expedição Machu Picchu, iniciamos no outro dia o retorno a São
Paulo. No total seriam mais de 10 mil km rodados em 20 dias,
muita gasolina e pneu queimados pelo caminho.
Infelizmente,
mesmo depois de muita atenção e todo o cuidado, chegou ao fim
nossa relação. Também não é pra menos. Depois de duas
viagens internacionais, está na hora de trocar a coroa,
corrente e o pinhão, porque de namorada eu não troco não.
Até
a próxima!
Débora e José Carlos realizaram a Expedição
Machu Picchu entre 18/12/08 até 06/01/09 e são os
idealizadores do site www.motoa2.com.br.
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