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Uma Aventura pela Europa - Maio 2008
Trajeto
Realizado
Veja algumas "dicas de viagem" ao final do
relato
Considerações Gerais
Por estranho que pareça, esta viagem pode ser considerada
uma "aventura", pois foi totalmente diferente da
anterior, em 2006 (Pelas Terras de Cabral, Cervantes e Napoleão).
Os motivos são evidentes ! Por exemplo, quando estávamos
completamente sem rumo no Grande Anel Orbital de Londres, com
chuva, frio e trânsito pesado, um local impossível de parar
e conseguir qualquer informação, nos sentimos como se estivéssemos
perdidos na Patagônia ou numa floresta do Amazonas, apenas o
cenário era diferente.
Na verdade sabíamos que pilotar na Inglaterra seria
complicado e por isso mesmo resolvemos enfrentar esse desafio.
Além disso, conduzir a gigante GS 1.100 foi um esforço
adicional e, nesse quesito, até nos saímos bem, sem qualquer
susto. Outro fator de dificuldade foi a questão de idiomas,
principalmente em países como Alemanha e Holanda. No que pese
uma base no inglês, francês e espanhol, a não fluência
nesses idiomas dificultava, principalmente quando nos fazíamos
entender porém tínhamos dificuldade de ouvir, o que é nosso
caso. Além desses aspectos, por falha pessoal, na maior parte
da viagem estávamos apenas com um mapa da Europa em grande
escala, onde não constava médias e pequenas cidades,
dificultando a localização em rodovias do interior,
principalmente na Alemanha e Holanda, com cidades de nomes
impronunciáveis.
Além desses aspectos, felizmente após conhecermos
Londres, na qual tínhamos um interesse especial, a moto
apresentou problemas no motor de arranque e não conseguimos
resolver, de forma que tomamos uma decisão intempestiva: deixá-la
no hotel e retornar de avião para Lisboa. Esse problema
afligiu tanto nós quanto o proprietário da moto em Lisboa.
Como estávamos em Ronford, local de difícil acesso (pelo
menos para nós) ao Areporto de Luton, necessitamos tomar 3
linhas do metrô carregando pesadas malas da moto onde levávamos
nossas roupas. Não fosse gente de boa vontade que nos
auxiliaram nessa ocasião, no hotel e no metrô, certamente
passaríamos da fase de estresse para quase pânico.
De qualquer forma, cruzar 9 países europeus em 15 dias,
conhecer novos locais e rever outros tantos, foi algo magnífico
e mesmo a viagem se encerrando prematuramente, após 5.000 kms
podemos dizer com absoluta certeza: VALEU A PENA !
Finalizando, cabe ressaltar que nos bons e nos "nem tão
bons" momentos da viagem, estava presente a sempre fiel
companheira, garupeira, Lourdes: ativa, solidária e cuidadosa
todo o tempo. Sem ela, com certeza, a viagem não seria
completa !
Pré Viagem
Quebrando um tabu, nessa viagem voltamos a curtir o clima de
"pré-viagem", qual seja, a fase dos preparativos, onde
essa começa efetivamente. Havíamos abandonado esse hábito nos
últimos tempos, uma vez que alguns projetos muito alardeados
não se concretizaram. Por sua vez, quando paramos, as coisas
voltaram à normalidade. Certamente coincidências, pois levar
isso a sério não faz o menor sentido.
Voltamos a convidar companheiros para fazer parte do projeto
e, como sempre, nada evoluiu pois compatibilizar gostos, período
de férias, tempo e outras coisas é algo realmente difícil.
De qualquer forma, gostamos mesmo de ampla liberdade nesse tipo
de viagem de férias, algo que consideramos pessoal e, portanto,
não insistimos quando esses companheiros convidados não demonstraram
maior empolgação.
Divulgamos a viagem em nosso Site, criamos um nome prévio,
confeccionamos camisetas personalizadas, ou seja, não havia segredos
a respeito, até por ser difícil manter isso de foma reservada,
afinal todos perguntam: Pra onde será a viagem agora ?
Logomarca
da Viagem
Evidentemente, para nós, a viagem começa quando a moto está
efetivamente na estrada. De qualquer forma, essa fase precedente
tem aspectos curiosos e interessantes e até estressantes, como
nesse caso de uma viagem à Europa, onde temos que suportar 10
ou 12 horas num avião, algo sem graça para quem gosta de pilotar
moto.
O dia-a-dia da viagem
Quinta 1º de Maio de 2008 - Na verdade o “Dia D”
da viagem está na sequência. Após mais de 10 horas enlatados
como sardinha e aguardando em aeroportos, chegamos a Lisboa onde
nos aguardava o companheiro Casimiro, amigo do Carlos Azevedo
(proprietário da moto com a qual viajaríamos), ambos do NOMAD’S
TRAIL CLUB DE PORTUGAL, uma vez que Carlos tinha compromissos
familiares. Nos instalamos no Inatel, previamente reservado pelo
Carlos, mesmo hotel da viagem anterior. Carlos apareceu a seguir,
trazendo a gigante BMW GS 1.100. Fizemos a entrega de uma mini-bandeira
com as bandeiras do Brasil e Portugal e nossas logomarcas mixadas
(TOCA e NOMAD's). Na sequência descansamos para ajustar o fuso
horário, afinal no dia seguinte estaríamos na estrada.
Com
Carlos Azevedo e esposa
Sexta dia 02 - Partimos de Lisboa por volta das 9
horas, não sem antes repetir uma foto na Torre de Belém,
seguindo agora no sentido Sul ao invés de Norte.
Torre de
Belém - Lisboa (Portugal)
Cruzamos a magnífica Ponte 25 de Abril seguindo para Setúbal,
bastante próxima de Lisboa. Em Setúbal cruzamos pelo
ferryboat em direção ao Sul do País. A partir desse ponto,
um trajeto de pouco movimento, paisagens bucólicas, de
pequenas vilas, muito verde e corticeiras, enfim, caminho para
se curtir como qualquer estrada do interior e tão somente
relaxar, afinal necessitávamos nos adaptar à gigante GS
1.100.
Trajeto
Setúbal - Faro (Portugal)
Chegamos ainda cedo à Faro, Cidade que, como todos sabem,
é uma Meca do Motocilismo europeu, onde ocorre um evento
mundialmente conhecido, no qual se reunem mais de 30.000
motard's, como eles se denominam. Faro é uma bela cidade, com
muitos calçadões e arquitetura interessante, enfim, um local
agradável que valeu a pena fazer parte do roteiro.
Aspecto
arquitetônico de Faro (Portugal)
Sábado dia 03 - No segundo dia partimos de Faro
(Portugal) e após 180 kms já estávamos em Sevilha
(Espanha), cidade que já conhecíamos, de forma que passamos
direto, tão somente registrando uma foto nas sua
proximidades.
Proximidades
de Sevilha (Espanha)
De Sevilha partimos em direção a Córdoba, cidade também
já conhecida, de forma que o passo seguinte foi procurar um
"hostal" nas pequenas cidades subsequentes. Num
abstecimento, notamos que a luz vermelha de pressão do óleo
havia acendido e assim permaneceu. Ficamos preocupados e
paramos à beira da auto pista para verificar se havia algo
estranho com o óleo. Por coincidência, apareceu um
motociclista "arrepiando" numa CBR 600, o qual
prontamente se mostrou interessado em ajudar e nos guiou até
o primeiro posto de gasolina, ou seja, motociclista é gente
boa em qualquer parte do mundo.
Motociclista
espanhol
Ligamos aos amigos em Lisboa, que mandaram seguir adiante,
ou seja, não deveria ser nada sério, afinal havíamos
percorrido alguns kms após essa sinalização e nada notamos
de anormal. Certamente um alarme falso.
Fim de semana na Europa é período complicado para se
hospedar, algo que constatamos na viagem anterior. Como era sábado,
não foi diferente. Procuramos hotel numa primeira cidade e
nada encontrando seguimos para a próxima onde conseguimos
vaga num pequeno "hostal". Queríamos descansar,
afinal havíamos percorrido uma quilometragem superior à
pretendida. A pequena localidade denominada Rus era agradável,
à beira da auto pista, cuja principal atração é um
imponente castelo nas imediações, o qual fotografamos sob
todos os ângulos.
Castelo
em Rus (Espanha)
Domingo dia 04 - Da pequena Rus seguimos em direção
à Valência, não sem antes verificar o contato da luz
indicadora de pressão do óleo, uma orientação do proprietário
da moto. Curiosamente o problema era esse mesmo, apenas um mal
contato.
Imaginavamos que o trajeto a seguir seria por uma região
árida, tipo deserto, tão qual observado na viagem anterior,
porém estávamos enganados. Trata-se de uma região
industrial, destacando-se imensas plantações de oliveira. Além
disso, muito verde e curvas, tornando a pilotagem muito agradável.
A próxima cidade do trajeto era Albacete, de porte médio,
onde cruzamos por muitos motociclistas, afinal era pleno
domingo de sol. Receosos que estávamos com relação a polícia
rodoviária do Sul da Espanha, a qual também costuma se
esconder para multar os infratores, conduzíamos a moto
seguindo rigorosamente a sinalização. De repente, uma
"speed" nos ultrapassou em alta velocidade e pouco
adiante se encontrava parada pela polícia, que também nos
parou. Só faltava alegarem qualquer infração, porém nos
mandaram seguir enquanto retinham a "speed".
Continuamos mantendo a velocidade regulamentada, agora mais do
que nunca, afinal, na viagem anterior, levamos uma multa de
"míseros" 264 euros no trajeto Córdoba - Granada,
algo que dói até hoje.
A partir de Albacete pegamos a auto estrada, onde mesmo à
velocidade de 120 km/h todos nos ultrapassavam. Ainda cedo
chegamos a Valência, procuramos um hotel e a seguir fomos
caminhar pelo centro. A Cidade nos impressionou pela sua
arrojada e bem cuidada arquitetura, fazendo lembrar outras
belas cidades européias.
Plaza de
Toros em Valência (Espanha)
Quando viajamos em férias, no que pese gastarmos aquilo
que julgamos ter direito, vez por outra procuramos
alternativas para equilibrar o orçamento, pois devemos ter um
certo parâmetro de dispendios. Em Valência, o valor da diária
do "hostal" era pequeno para os padrões europeus
(35 euros), porém um estacionamento para a moto custaval 19
euros, ou seja, pela primeira vez a moto dormiu na rua.
Segunda dia 05 - Partimos por volta das 9 horas em
direção à Barcelona. Havia uma dúvida de pernoitaríamos
nessa Cidade ou seguiríamos adiante. Trata-se de um trajeto
de poucos atrativos. Além disso tomamos a auto pista
(pedagiada) onde, após 150 kms a conta apresentada foi de 20
euros. O fato pitoresco desse trajeto foi que, ao parar num
posto de gasolina, ouvíamos uma boa música dos velhos tempos
(Day After Day, do Badfinger - apenas para os nascidos antes
ou na década de 60). Ficamos pensando: Bom gosto desse
pessoal! A seguir começamos a ouvir Erasmo Carlos. A surpresa
aumentou: Erasmo fazendo sucesso na Europa com uma música dos
anos 60 (Você me Acende), realmente, algo estranho ! Final da
história: nosso celular, que também armazena música, estava
ligado há muitas horas.
A única atração desse trajeto é um arco romano do 1º século
D.C., 50 kms antes de Barcelona, onde paramos para fazer
fotos. Chegamos à Capital da Catalunia por volta das 15 hs e
ao estacionar a moto e travar o quidão, pois essa iria
novamente dormir na rua, notamos que a luz de estacionamento
tinha ficado acesa. Qual não nossa surpresa ao tentar
retornar a chave à posição anterior sentir que essa não
obedecia. Tentamos várias vezes e nada ! Experimentamos a
chave reserva e...nada ! Então telefonamos ao seu proprietário
em Lisboa relatando o problema. Segundo ele era tão somente
uma questão de "jeitinho". Nossa salvação foi
conseguir um alicate e forçar a chave que, então, retornou
à posição normal. Tudo isso demandou quase 2 horas. O hotel
tinha preço razoável para o padrão europeu: 75 euros. Após
um merecido banho fomos a famosa La Rambla para tomar um
"chopp gigante", uma tradição local. Gigante
inclusive no preço (9 euros). Para completar, a esposa pediu
1/2 garrafa de vinho que custou a bagatela de 16 euros. Na
Europa, mesmo se preparando psicologicamente para o câmbio 1
euro = 1 real, essas situações ocorrem, ou seja, pode
ocorrer do valor nominal ser o dobro ou o triplo do nosso,
mas....em euros.
Arco
Romano do 1º Século D.C., próximo Barcelona (Espanha)
Terça dia 06 - A saída de Barcelona foi um tanto
confusa. Perdemos mais que 01 hora para achar a
"carretera nacional" como pretendido. Chegamos a ser
orientados por um senhor ciclista que pedalou conosco por mais
de 2 quilômetros simplesmente no intuito de indicar a saída
- gente boa ! Esse contratempo teve sua vantagem, pois a
rodovia tomada meio que por acaso, a partir de Barcelona, no
sentido norte, se mostrou o tipo de estrada que motociclista
gosta: montanhas, curvas, pequenas vilas e muito verde.
Não demorou muito e começamos a subir os Pirineus. No
topo a temperatura era de 8ºC e um pouco de neblina, porém
belas vilas, curvas, vales e boas estradas. Ao chegarmos em
Narbbone (França) procuramos "hotéis automáticos",
esses onde não há gente para te atender, porém não
conseguimos concluir a reserva, o que ficamos em dúvida se
era em função da nossa pouca prática ou falha no
equipamento. Constatamos posteriormente esse tipo de ocorrênca,
ou seja, são instaladas máquinas em substituição às
pessoas, mas nem sempre existe suporte ao usuário. Escolhemos
um hotel nos mesmos moldes, porém onde havia gente na recepção.
Não nos arrependemos. Até este ponto foram 1.900 kms
percorridos, cumprindo criteriosamente o roteiro.
Belos
trajetos nos Pirineus (Fronteira Espanha/França)
Quarta dia 07 - Partimos de Narbbone em direção a
Montpellier, porém ao ver placas indicando Millau,
imediatamente associamos esse nome a algo que circulou há
algum tempo na Internet, qual seja, uma apresentação que
mostrava a construção de uma magnífica ponte sobre um vale,
cujos pilares tinham uma altura espantosa. Certamente muitos
se recordam disso, pois as imagens mostravam a seqüência da
construção. A princípio julgávamos que essa ponte se
situava na fronteira da França com a Espanha, tanto que no
dia anterior, quando cruzamos essa região perguntamos, porém
ninguém sabia algo a respeito. No entanto, nos recordamos que
a ponte tinha algo a ver com o nome Millau. Na verdade
chegamos à essa localidade por acaso, pois ao invés de rumar
em direção a Montpellier tomamos outra direção e, claro,
esperávamos que nossos pressentimentos estivessem corretos. E
estavam ! Avistamos essa magnífica obra de engenharia, pois
nossa rodovia passava exatamente por baixo dela. Uma grata
surpresa encontrar algo que pretendíamos conhecer, porém não
haviámos previsto no roteiro.
Impressionante
Ponte em Millau (França)
De Millau retornamos à Montpellier passando ao longo
dessa, não sem antes enfrentarmos dificuldades em tomar a
direção correta, pois nunca vimos uma cidade com tantas
rotatórias. Avançamos alguns quilômetros e fizemos o “pit
stop” em Nimes, que se situa ao norte de Marselha.
Quinta dia 08 - De Nimes partimos em direção a
Pont du Gard e na sequência Nyons. Um trajeto de belas
paisagens e incríveis parreirais, conhecida como Rota do
Vinho, conforme lemos em algumas placas. Nyons, pelo que
constatamos, estava em festa. Cruzamos com muitas motos no
sentido da Cidade. Em conversa com um motocilista soubemos que
era feriado e havia um grande encontro local. Algo que nos
chamou a atenção é que todo motociclista se cumprimenta.
Paisagem
dos Alpes Franceses
A partir de Nyons a paisagem começa a ficar cada vez mais
interessante: curvas, rios e picos nevados, afinal começávamos
a subir os Alpes Franceses. Sem dúvida, uma paisagem
extraordinária, bastante parecida à região dos lagos no
Chile, porém com arcos, pontes e toda espécie de construções
antigas, ou seja, paisagem de encher os olhos. A última
cidade da França, já próxima à Itália, é Briançon, uma
espécie de Gramado/Canela ou Campos do Jordão, porém em
maior proporção.
Neve ao
lado da pista - Alpes Franceses
Depois de Briançon a subida é ingreme e os picos nevados
começam a ficar bastante próximos, na verdade a neve está
praticamente às margens da rodovia. No topo da montanha é a
fronteira França - Itália, com uma incrível sequência de túneis.
Pegamos a auto estrada rumo a Turin e por volta das 17 hs estávamos
ingressando na Cidade, horário de "rush" e
motoristas aparentemente estressados, sem a mínima idéia de
onde encontrar um hotel. Sem dúvida, pilotar a gigante GS
1.100 nessas condições foi tarefa difícil. Para piorar a
situação, além da dificuldade de se localizar/orientar não
encontrávamos hotéis e os poucos consultados estavam
lotados. Após quase 2 horas de tentativas resolvemos seguir
adiante, porém ao procurarmos a saída da Cidade encontramos
um hotel e nos instalamos, nessas alturas totalmente exaustos,
mas, faz parte da viagem, ou seja, nem só de belas paisagens
e acertos é constituída uma viagem desse porte. Após o
banho sequer conseguimos um restaurante decente nas
proximidades e o jeito foi apelar para uma pizza. Ainda bem
que tínhamos um "bordeuax" comprado em Nimes,
bastante adequado para harmonizar com a mesma.
Um detalhe que nos chamou a atenção foi que os
motociclistas na Itália raramente se cumprimentam. Na verdade
o que mais se vê são scooter's, muitos de média cilindrada,
aparentemente utilizados no dia-a-dia, ou seja, uma outra
realidade.
Sexta dia 09 - Considerando Turin como uma espécie
de "pedra no sapato", queríamos mesmo era sair o
quanto antes da Cidade em busca de novos lugares. Por orientação
do pessoal do hotel, a melhor opção para seguir a Milão
seria a auto pista e assim fizemos, não sem antes pequenos
erros para sair da Cidade. Pilotar em auto pista na Europa é
algo que somente vale a pena se dependermos de tempo, o que não
era nosso caso. Pior é que mesmo nos 120 kms/h constantes
todos nos ultrapasavam, ou seja, o pessoal tem mesmo "pé
de chumbo".
Auto
Pista Turin - Milão (Itália)
Próximos a Milão tomamos a direção norte em sentido a
Ravena e Stresa, cidades situadas às margens do Lago
Maggiore. Até Ravena seguimos pela auto pista, porém a
partir dessa por estradas secundárias, onde pudemos viajar
sem estresse e apreciar belas paisagens européias, com
estradas sinuosas, muitas vezes com árvores antigas que
formam um túnel verde, pequenas vilas, curvas e construções
antigas.
Vista
do Lago Maggiore a partir do hotel - Belgirate (Itália)
A região do Lago Maggiores é um verdadeiro paraíso
voltada ao turismo, com muitos hotéis, belíssimas construções
que margeiam o lago, enfim, algo que vale a pena conhecer e não
apenas passar ao longo do caminho. Ainda cedo, cerca de 14 hs,
resolvemos ficar num hotel na comunidade de Belgirate, colada
com Stresa, com magnífica vista para o lago, afinal, não
queríamos repetir a chegada em Turin, ainda mais por sabermos
que nos fins de semana reservar hotel em locais turísticos não
é fácil. Descansamos, passeamos pelas imediações e fizemos
fotos incríveis. Essa foi nossa última noite na Itália,
pois estávamos bastante próximos da Suíça, para onde
seguiríamos no dia seguinte.
Sábado dia 10 - Sem pressa, partimos de Belgirate
margeando o Lago Maggiore, ou seja, o visual continuou incrível.
Sem dúvida, essa região ficou gravada no rol dos mais belos
lugares por onde já passamos. Cruzamos a fronteira Itália -
Suíça e tomamos a auto pista em direção a Luzerna e
Zurich. O visual desse trajeto, mesmo a partir da auto pista,
é indescritível, com montanhas nevadas e pequenos vilarejos
que dão um toque especial. Enfrentamos um grande
congestionamento antes de ingressarmos no tunel St. Gotardo
que apesar do nome latino é na Suíça. O túnel possui tão
somente 17 kms em pista simples, o que ocasionou o
congestinamento. Pouco antes de Luzerna seguimos à direita,
pois o objetivo era ingressar na Alemanha em direção a
Stutgart.
Paisagens
na Suíça
A primeira vila nesse trajeto, Sisikon, é aquilo que
podemos denominar de típica paisagem suíça. Tudo
absolutamente limpo, a graciosa torre de uma igreja, lago de
águas azuis e montanhas nevadas ao fundo. Não resistimos e
paramos para fazer uma foto, porém havíamos observado um
hotel pouco antes. Resolvemos voltar e verificar o preço, no
que pese ainda cedo (14 hs) e Zurich estar ainda há quase 100
kms. Nos atendeu uma senhora simpática com a qual conseguimos
nos entender em inglês. Além do local incrivelmente belo, o
preço do hotel era atrativo (50 euros), de forma que
resolvemos encerrar nossa jornada diária. Após instalados
fomos caminhar pela pequena localidade, apreciando suas impecáveis
ruas à beira do lago e, claro, tomamos nossa primeira cerveja
em terras suíças.
Sisikon,
típica vila suíça
Até esse ponto, considerando as paisagens do trajeto
nesses primeiros 3.300 kms, além da moto que, apesar do
tamanho dominávamos sem problemas, poderíamos considerar a
viagem como um sucesso, porém ainda havia muito pela frente.
Domingo dia 11 - Partir da paradisíaca Sisikon foi
algo que deixou saudade antecipada. O local é um verdadeiro
paraíso. Além disso a dona do hotel simpatizou conosco tanto
quanto nós dela. Partimos em direção a Zurich que estava à
60 kms, inicialmente por estradas secundárias, porém a
seguir pela auto pista. Chegamos rapidamente à Zurich e não
tivemos maiores dificuldades de acesso, porém como já a
conhecíamos seguimos em direção a Stutgart, na Alemanha.
Como nos últimos dias encerramos a viagem cedo, nesta data
estávamos propensos a uma maior quilometragem.
Ingressamos rapidamente na Alemanha, onde não tínhamos
maiores pretensões, de forma que o maior objetivo era mesmo
percorrer o País no sentido Sul - Norte. Seguíamos pela
"autoban", onde não havia muito o que se ver, a não
ser veículos nos ultrapassarem constantemente, mesmo mantendo
uma velocidade acima dos 130 km /h. Além do visual de típicos
vilarejos e extensas plantações floridas de amarelo
contrastando com o verde (pelo que constatamos algo similar à
soja, denominada "raps"), nada mais nos prendeu a
atenção.
Paisagem
típica alemã a partir da "autoban"
Nesse trajeto cruzamos com muitos motociclistas (afinal era
domingo), porém poucos se dispunham a levantar a mão em
cumprimento, tal qual na Itália. Por volta das 16 hs,
percorridos mais de 500 kms, paramos em Niesrtein, pequena
cidade antes de Mainz que, por sua vez, localiza-se antes de
Frankfurt. A pequena Nierstein é um polo de vinicultura,
conforme constamos passeando pelas graciosas ruelas, onde
parreiras de grande porte servem como decoração das casas. O
hotel no qual estávamos era decorado graciosamente com
pinturas típicas alemãs e motivos voltados à vinicultura.
Um recanto agradável como tantos outros existentes nessas
pequenas localidades européias.
Hotel
em Nierstein (Alemanha)
Segunda dia 12 - De Nierstein partimos em direção
a Limburg, por estradas secundárias, belas paisagens, pouco
movimento, muito verde, campos floridos e vilas típicas. Após
Limburg tomamos a auto pista em direção a Duisburg, uma
grande cidade após Dusseldorf. Nesse trajeto cruzamos com
muitas motos (até triciclos) conduzidos por motociclistas (?)
que não demonstram muita simpatia para com estranhos. Fizemos
nosso “pit stop” em Hertogenbosch, 60 quilômetros antes
de Amsterdan, uma grande cidade que nos pareceu traduzir o
clima desse povo que gosta de música e cerveja como poucos. O
centro da cidade é uma verdadeira festa, com calçadões,
bares, músicos, enfim, tudo em clima de festa. E olha que
estavamos em plena segunda-feira !
Clima
festivo em Hertogenbosch (Holanda)
Até este ponto havíamos percorridos 4.200 quilômetros,
praticamente sem problemas, exceto a questão de acesso em
algumas grandes cidades e uma certa dificuldade de comunicação
na Alemanha e Holanda, afinal nem todos que abordávamos
falavam inglês. Um fator "sorte" foi que até então
não tomamos uma única gota de chuva.
Terça dia 13 - Da festiva Hertogenbosch retornamos
à auto pista em direção a Amsterdam, enfrentando um grande
congestionamento que nos fez relembrar locais do Brasil como a
“Marginal do Tietê em São Paulo”. Segurar a pesada GS
1.100 em 1ª ou 2ª marcha atrás dos carros não era fácil.
Dessa forma o “espírito kamikase” aflorou e preferimos
ultrapassar pelo corredor De qualquer forma, por volta do meio
dia estávamos devidamente instalados no centro da Capital da
Holanda, o ponto extremo da viagem.
Quando atinjimos um objetivo previamente traçado sentimos
uma indescritível satisfação. Assim foi quando chegamos a
Machu-Picchu, Ushuaia ou Vale do Loire (França) em viagens
anteriores. Desta vez, não foi diferente.
Chegada
em Amsterdam (Holanda)
Amsterdam é uma cidade interessante que lembra Veneza, na
Itália, em função dos inúmeros canais que servem de
"rua" para os barcos. Segundo nos informaram, há
mais de 1.000 pontes. Além disso, é uma cidade peculiar, com
todo tipo de "gente louca" que se possa imaginar.
Chegamos a ver loja que vende maconha, bem como acessórios
para usuários de drogas pesadas que são vendidos em lojas de
souvenir's, ou seja, algo plenamente normal (na concepção
deles !).
Canais
de Amsterdam (Holanda)
Quarta dia 14 - De Amsterdam guardamos boas lembranças,
afinal é uma Cidade fora do convencional, como já
externamos. Os pontos negativos foram tão somente nossa
escolha de hotel, que não tinha ventilação e tivemos que
abrir uma janela à força e o trânsito nas auto estradas que
levam à Cidade, um verdadeiro caos, no que pese bem
sinalizadas. No entanto as placas pouco dizem para quem
desconhece o idioma nativo. Partimos bem cedo em direção à
Bélgica, nossa próxima localidade do roteiro, seguindo em
direção à Antuérpia, onde enfrentamos, além do trânsito
congestionado, nossa primeira chuva após 4.500 kms, por
sinal, chuva rápida.
Chegamos em Bruxelas e procuramos o centro da Cidade no
objetivo de localizar um hotel, o que se mostrou tarefa difícil,
pois acontecia um congresso ou algo similar. Estávamos
desisitindo quando fizemos uma última tentativa, a qual foi
positiva. Estacionamos a moto e saímos à pé pelo centro
para conhecer algumas das suas atrações. A Cidade é muito
bela, porém notamos uma grande quantidade de imigrantes e
pedintes. À noite resolvemos degustar um vinho com queijo
diretamente no apartamento do hotel, até pelo fato de não
nos sentirmos seguros em sair à noite.
Como
turistas convencionais em Bruxelas (Bélgica)
Quinta dia 15 - O fato de portarmos tão somente um
mapa em grande escala da Europa, deixava a desejar, pois nesse
tipo de mapa não constam pequenas localidades e muitas vezes
nos deparávamos com placas e não sabíamos qual direção
seguir. Dessa forma, pouco antes de Bruxelas adquirimos mapas
específicos da Bélgica, França, Espanha e Portugal. Essa
foi uma decisão acertada que, inclusive, facilitou a saída
de Bruxelas. Seguimos em direção a pequenos vilarejos, no
sentido Lille e Calais, essas já na França. Numa dessas
localidades pudemos observar em detalhes um desses famosos
moinhos de vento que tão bem representam a Holanda, porém
estávamos na Bélgica, quase na França.
Moinho
de Vento datado de 1.750 - pequena localidade na Bélgica
A partir de Lille retornamos à auto pista em direção a
Calais, quando começou uma pequena chuva, quase garôa, mas
suficiente para molhar e aumentar a sensação de frio. Não
adentramos à Cidade, seguindo adiante em direção ao Euro
Tunel, pois nosso propósito era chegar a Londres.
Diferentemente de outros países da Comunidade Econômica
Européia, na aduana exigiram passaporte e fizeram entrevista
sobre o que pretendíamos no País, quanto dias ficaríamos, o
que fazemos no Brasil, etc. Cumpridas essas formalidades
embarcamos a moto no trem que faz o tranporte por esse incrível
túnel sobre o Canal da Mancha, compreendendo o trajeto Calais
(França) e Dover (Inglaterra). Pilotar na Inglaterra na
"mão inglêsa", ou seja, tudo ao contrário, nos
preocupava, mas também era um desafio. Some-se a isso o
trajeto de aproximadamente 100 kms após o túnel com chuva,
frio, vento e trânsito pesado, para uma receita adicional de
desconforto. Em função do trânsito acabamos por tomar uma
direção errada e quando nos apercebemos estávamos adiante
de Londres. Ao invés de chateados, vimos o lado positivo,
pois no pequeno distrito da Grande Londres onde chegamos
(Hornchurch), encontramos um hotel agradável e de bom preço,
ou seja, tudo que necessitávamos, afinal, estávamos
cansados, tensos, molhados e com frio.
Com a
moto no Euro Túnel
Sexta dia 16 - O plano deste dia foi conhecer
algumas das atrações de Londres como turistas convencionais,
pois não seria adequado ir ao centro com a moto. Como estávamos
na extremidades de uma das linhas do metrô, foi só fazer o
caminho inverso para estar na City Londrina.
Nossa primeira parada foi na Torre de Londres para apreciar
essa magnífica atração conhecida até então por fotos e
filmes. Sem dúvida, algo majestoso !
Torre
de Londres
Atravessamos a Ponte, circulamos pelas imediações,
compramos souvenir's e tomamos novamente o metrô em direção
à Abadia de Westminster onde se encontra o famoso Big-Ben.
Nessas proximidades também está a roda gigante conhecida
como London Eye e, apesar do preço, ingressamos para uma
volta, afinal equivale à Torre Eiffel de Paris. A vista do
alto é magnífica. Após a London Eye retornamos às imediações
da imensa Abadia de Westminster para apreciar outros detalhes
locais, onde, por acaso, terminamos por participar de uma sessão
da Câmara dos Comuns, algo "pra inglês ver"
conforme o jargão popular. A sequência é a seguinte: entra,
revista criteriosa, fila, espera, sobe escada, desce escada,
preenche formulário e guarda pertences para se chegar numa
espécie de hall envidraçado, com monitores de tv, onde se
assiste a algo como um julgamento. Evidentemente não ficamos
mais que 5 minutos, continuando nosso passeio.
Abadia
de Westminster - Big-Ben
Após esse passeio retornamos ao hotel, tranquilos, na
intenção de voltar à França apenas no dia seguinte. Qual não
foi nossa surpresa ao constatar, através de um contato feito
pela recepcionista do hotel com a empresa que explora a
travessia do Canal da Mancha, que deveríamos retornar no
mesmo dia, pois o ticket do Euro Tunel tem data marcada para a
volta. Não havíamos dado a devida importância a esse
detalhe. Arrumamos tudo às pressas pois já passava das 17
hs, porém daria tempo de chegar à Dover.
Tomar a direção certa a partir de onde estávamos foi
algo complicado, afinal não tínhamos mapa, uma vez que a
pretensão inicial era deixar a moto no lado francês e seguir
de trem à Londres. Além do frio intenso, em cada entrada que
fazíamos no intuito de ajustar o trajeto cometíamos mais um
erro, de forma que circulamos várias horas pela denominada
Grande Orbital de Londres, onde não se consegue parar ou
mesmo conseguir qualquer tipo de informação. Em determinados
momentos sequer sabíamos em que sentido estávamos. Dessa
forma retornamos, sem querer, à Londres e por sorte
conseguimos um hotel, resolvendo continuar a viagem no dia
seguinte.
Final da Viagem
Após uma noite de merecido descanso e melhor orientados
com relação a saída, nosso objetivo era tomar café e
refazer o que não conseguimos no dia anterior. Para nossa
surpresa, a moto cismou de não pegar, com um aparentemente
problema no motor de arranque. De imediato contatamos o
pessoal de Lisboa que nos orientaram a fazer algumas
tentativas, porém nenhuma mostrou-se eficaz. Um funcionário
do hotel nos ajudou, inclusive empurrando a moto na tentativa
dessa "pegar no tranco", algo difícil em se
tratando de uma GS 1.100. Por último tentamos contatar a
assistência 24 horas em Lisboa e também não tivemos
sucesso. Conseguir qualquer tipo de assistência em pleno sábado
não seria fácil, por isso tomamos a decisão que nos pareceu
mais lógica numa situação como essa: Deixar a moto e
retornar à Lisboa por via aérea. Nisso contamos novamente
com o apoio imprescindível do hotel que fez a reserva do vôo
e orientou sobre o trajeto do metrô, nos deixando na estação,
facilitando (e muito) as coisas.
Apenas para se ter uma idéia, tomamos 3 linhas de metrô
para chegar ao aeroporto de Luton, um trajeto que demanda
quase 2 horas. Nesse dia estávamos com sorte de encontrar
"gente boa". Um irlandês que seguia ao mesmo
destino nos orientou nos transbordos e até carregou as
pesadas malas de aluminio da moto que estavam com nossas
roupas de viagem. Sem o apoio desse tipo de gente, certamente,
as coisas seriam bem mais complicadas. Expomos a situação ao
amigo Carlos, em Lisboa, proprietário da moto, o qual se
mostrou preocupado pela nossa decisão de deixar a moto em
Londres. Tranquilizamos o mesmo com relação a segurança da
moto, fizemos nossos trâmites para embarque e por voltas das
21:00 hs estávamos em Lisboa.
Um
irlandês "gente boa"
Contratempos fazem parte de qualquer viagem e, claro, ideal
é quando retornamos com a moto ao ponto de partida, o que não
foi esse caso. De qualquer forma, conhecemos um pouco mais da
Europa e podemos considerar que os 5.000 kms percorridos em 15
dias através de 9 países (Portugal, Espanha, Itália, Suíça,
Alemanha, França, Holanda, Bélgica e Inglaterra) valeram, e
muito, a viagem.
Dicas úteis desta viagem
-Atrazo de conexões aéreas é algo sobre o qual nada
podemos fazer, tão somente ter paciência e rezar, se achar
que isso resolve;
-Carregar materiais metálicos e liquidos torna-se um
grande impecilho nos aeroportos;
-Preparar-se financeiramente é algo imprescindível. Na
Europa, a melhor forma de "engolir" preços é
considerar a paridade 1 Euro = 1 Real. Ficar comparando preços
pelo câmbio oficial será frustração na certa. Apesar disso
convém estar preparado para preços exorbitantes (além desse
tipo de câmbio sugerido);
-Importante lembrar que está lidando com culturas
diferente. Dessa de forma, aparentes antipatias em
determinados países não devem ser levadas tão a sério;
-Importante ter mapas detalhados. Mapas em grande escala
levam a equívocos com relação ao tamanho da cidade, além
de suprimir pequenas localidades, dificultando a orientação;
-Belas paisagens, normalmente, estão nas estradas secundárias
denominadas "nacionais". As auto pistas, muitas
pedagiadas, são úteis tão somente quando se necessita
ganhar tempo;
-Se hospedar na Europa por menos que 60 ou 70 Euros é difícil.
Nas grandes cidades, principalmente na França, uma boa opção
são redes de hotéis econômicos como o Formula 1 (existem
outros), cujas diárias variam entre 30 e 40 euros. Esse tipo
de hotel é totalmente automatizado, porém permite fazer uma
razoável economia;
-Na hipótese de 01 casal (nosso caso), prepare-se para
gastar entre 100 e 150 euros diários, considerando
abastecimento, 01 lanche e 01 refeição com vinho ou cerveja.
Evidentemente esse gasto pode ser menor dependendo do nível
de exigência pessoal;
-A Inglaterra, no que pese integrante da Comunidade Econômica
Européia, possui moeda própria, a Libra (ainda mais
valorizada que o Euro em relação ao Real), controles
aduaneiros rígidos, praticamente tudo é mais caro que nos
demais países, além da incoveniente "mão inglêsa"
que equivale a dirigir na contra-mão.
Cícero: ciceropaes@ciceropaes.com.br
Moto Esporte: Parabéns ao casal aventureiro...
tenho certeza que suas viagens relatadas aqui no Moto Esporte
ajuda e encoraja os próximos viajantes. abraços Equipe Moto
Esporte.
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