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Relato Viagem: Expedição 4 Fronteiras 34 dias (saída 11/2007) - Total 11.051Km

Os Personagens

Nós somos três casais amigos que nos conhecemos há alguns anos. Por determinadas
situações viajamos de moto tendo como destino encontros de motociclistas. Eu, Paulo Gomide, recém aposentado do Banco do Brasil, Lena, minha mulher com o apelido de Gata, de Macaé(RJ), somos do Moto Clube ? Eu,Gata e Cão Fiel? de Macaé(RJ), os casais Marcos Pires e Regina, aposentados do Banco do Brasil e Sérgio e Vera, aposentados da Ampla, antiga CERJ ( empresa de energia elétrica que atua no Estado do
Rio de Janeiro) e com loja e oficina de motocicletas na Cidade de Campos, são do Moto Clube de Campos, no Rio de Janeiro.


A Partida

Foram meses de planejamento e pesquisas até que finalmente chegou o dia. A ansiedade que nos absorvia, parecia que chegava a seu limite quando no dia 03 de novembro, os primeiros raios de sol indicavam que era hora de partir.

A noite que antecedeu nossa partida foi invadida mais por pensamentos distantes do que pelo sono propriamente dito. Pela manhã, 6:30h aproximadamente, começaram a chegar alguns amigos para acompanhar nossa partida que estava prevista inicialmente para as 7 horas. Viceumar, Jéferson e Valter, foram os primeiros a chegar para nos acompanhar até o ponto de saída e logo ficaram sabendo que seria adiada para uma hora mais tarde, em virtude de uma missa em que nossos companheiros de Campos participariam antes de vir a nosso encontro.

Somente às 8:30 horas, chegamos ao ponto de encontro com o pessoal que vinha de Campos, para juntos darmos inicio a nossa jornada. Passados 10 minutos, lá chegavam eles, Marcos Pires, Regina, Sergio e Vera Cortes.

Todos devidamente preparados e não menos ansiosos do que nós. Abraços, apresentações, pequenos cuidados e lembretes. Com o roteiro no bolso, tudo estava pronto. A viagem começava. Na BR, uma placa indicando a divisão entre Macaé e Glicério assistia a nossa partida em fila indiana, o que aconteceria durante toda viagem com um rodízio permanente. Com uma estimativa de rodar 900 km neste dia, a viagem
estava prevista para rodar a Registro, a 230 km de São Paulo onde dormiríamos. Porém, a chegada a São Paulo foi sob a queda de uma impressionante tempestade que nos obrigou a buscar um hotel em Guarulhos para o pernoite.


Segundo dia

Após descansar, pela manhã partimos em direção a Florianópolis onde esperávamos ter melhores condições do tempo.Nos 130 km iniciais, fizemos a viagem sob chuva ininterrupta, o que nos obrigou a manter uma velocidade média de 80 km por hora. E assim permaneceu até o alto da Serra. 

Ao rodar mais 20 km, notei que minha moto estava saindo de traseira. Solicitei a Sergio que verificasse o que estava acontecendo. Não foi difícil constatar que o pneu estava baixo e imediatamente paramos para resolver o pequeno problema. Para minha sorte, a 200
metros, um borracheiro examinou o pneu e encontrou dois pregos.

Problema sanado continuamos ,nossa viagem. Na tentativa de tirar o atraso, andamos um pouco mais forte, porem, a Regis Bittencourt, estrada principal que liga São Paulo ao Paraná estava em péssimo estado de conservação, os muitos buracos na pista e o transito
intenso dificultava um pouco a direção. Ao cortar um caminhão, um Astra também cortava e existia uma tremenda cratera ha frente, não sendo possível desviar e acabei dando uma grande pancada com a roda dianteira, torci para que nada de mais grave tivesse acontecido e segui em frente. 

Rodamos aproximadamente 150 km em mais de 3 horas e sentimos que mais uma vez estava difícil de cumprir o roteiro estabelecido. Por muita sorte, as estradas que ligam o Paraná a Santa Catarina estão em excelente estado e apesar do intenso transito motivado pelo final de feriado , chegamos a Floripa às 18:45 h. Procuramos um hotel e após um rápido banho acompanhado por um mais breve descanso ainda, fomos a uma pizzaria onde comentamos sobre os 758 km rodados nesse dia. A moto de Sergio teria que trocar o retentor de um amortecedor. Pela manhã
verificaríamos como seria possível.

 


Terceiro dia

Fomos a Concessionária Yamaha local , onde após a troca da peça da moto de Sergio, o mecânico observou que minha moto estava com o aro dianteiro amassado, conseqüência da batida do dia anterior no buraco na Régis Bittencourt, e resolvemos desamassa-la.
Problemas que nos custaram uma manhã em Florianópolis. Resolvidos os problemas, partimos da capital Catarinense somente às 12:30 horas. Pé (ou rodas) na estrada e corremos na tentativa de pernoitar em Porto Alegre, neste já atrasado terceiro dia. Os primeiros 100 km, embora com movimentação intensa na BR 101 onde muitos caminhões
dificultavam nossa viagem, conseguimos fazer em 1 hora, já os 50 km seguintes, muitas obras, caminhões e transito cada vez mais intenso nos tomou o mesmo tempo levado para fazer o dobro do percurso anterior.

Demos uma parada para almoçar e verificamos que teríamos que baixar o pé. Por sorte, ainda na fase de planejamento, em Macaé meu dentista Rogério, conhecedor da região, orientou-me para sairmos da BR a partir de Torres e passar pela rodovia das praias. Entramos nela em acesso pela BR e rodamos 89 km de estrada de primeiríssima qualidade, rodovia que nos permitiu andar em torno de 140 km por hora. Apesar dos
diversos pardais com limitador de velocidades, dentro das normas de segurança, voamos. Ao chegar a Ozório no Rio Grande do Sul, fizemos a opção por seguir pela Free Way onde uma rodovia com três pistas de rolamento, que permitia desenvolver velocidade no mesmo patamar anterior. Este percurso nos permitiu tirar um pouco do atraso e passar
por Porto Alegre, dormindo em Guaíba, uma simpática cidade ao lado da capital Gaúcha.

Após estes 500 km rodados, jantamos e fomos dormir para partir no dia seguinte em direção a Punta Del Este no Uruguai.


Quarto dia

Nas primeiras horas do dia seguinte, pegamos a estrada em direção a Pelotas por onde passamos rapidamente e logo em seguida, rodávamos em direção a Rio Grande. O dia ensolarado com excelente temperatura e as estradas em perfeitas condições, com praticamente nenhum transito, contribuíram para que fizéssemos uma viagem agradável. São retas que se sucedem cortadas por uma infinidade de pequenas lagoas e muito,
mas muitos animais silvestres, principalmente na região da Área de Preservação do Taim.
Garças, capivaras, tatus, gaviões, cobras, marrecas e ouras espécies, tornaram incrível nossa passagem por essa região, onde apesar toda preservação, com gradis separando a estrada, ainda assim passamos por muitos animais mortos. Pouco tempo depois chegamos ao Chui, fronteira com o Uruguai. 

A rua que divide o Brasil com o Uruguai corta do lado brasileiro o Chui e do lado uruguaio o Chuy com y. Nossa última parada no Brasil foi para fazer cambio de moeda e logo a 200 metros, passamos pela aduana onde entramos efetivamente no Uruguai. Ainda tínhamos 250 km para rodar e já passava das 17 horas, felizmente as estradas do Uruguai, apesar de possuírem somente uma pista, são excelentes. Retas infinitas de dar sono, diversas propriedades com cavalos, ovelhas e gado, muito, mas muito gado mesmo.

As baixadas que formam o país são de extrema beleza, rara beleza diria. Transito quase nenhum, muitos veículos antigos, tão antigos que existem lá alguns da década de 40 e 50, a grande maioria caindo aos pedaços, talvez a espera de colecionadores para restaurá-los. Ao anoitecer chegamos a Maldonado, logo percebemos que é uma bela localidade turística. Rodamos mais 15 km onde passamos por diversas praias e finalmente chegamos a Punta del Este. Em seguida buscamos onde nos hospedar, pois já eram 19 horas. Após as acomodações, saímos para jantar e ficamos maravilhados com a diversidade de oferta e
estrutura do lugar. Prédios com estilo mediterrâneo, grandes Cassinos convidativos, lojas de griffes( Ermenegildo Zegna, Dior, Louis Vuiton e outras), concessionárias BMW, Mercedes, Volvo e uma infinidade de ofertas do ramo. Punta del Este como o próprio nome já diz, forma uma ponta para um lado com o Rio da Prata e o outro para o Oceano
Atlântico.

Nosso jantar na cidade foi num restaurante maravilhoso,o ?El Palenque? onde as carnes servidas têm a procedência do gado Uruguaio, um dos melhores do mundo e a preparação feita em um braseiro enorme, adega com excelentes vinhos no subsolo vista de cima
pelo piso de vidro.


Quinto dia

Hoje partimos para conhecer a região. Trata-se de uma belíssima localidade onde a estrutura turística se faz presente , com sofisticadas lojas, cassinos, restaurantes, um show de cidade.

Percorremos toda a região, visitamos o museu de Casapueblo, criação do artista plástico Uruguaio, Carlos Paez Vilaro. Visitamos também o famoso Cassino Conrad, onde gastamos uns trocados à noite, enfim, recomendamos a todos que passem naquela região para uma visita.


Sexto dia

Partimos para Montevidéu neste dia onde fomos recebidos por Carlos Chopitea, presidente do Moto Clube Charrua de montevidéu, por Carlos Pons, integrante do moto Clube e seu filho Ignácio, comemos uma pizza e marcamos novo encontro em Rio das Ostras no próximo ano, onde faremos o Encontro de Motociclistas.


Sétimo dia

Partimos para Buenos Aires, capital Argentina onde novas e agradáveis surpresas estariam para acontecer. Seguimos a direção do Buquebus, barco que faz a travessia entre o Uruguai e a Argentina. No estacionamento encontravam-se três MGs, carros esportivos sem capotas, tradicionais, que estavam para ser embarcados para corridas. Nossa travessia transcorreu tranqüila. Ao chegar a Buenos Aires, desembarcamos sob intensa chuva e logo em seguida, partimos em busca de um hotel para nos instalar. 

O transito da capital Argentina, consegue ser pior do que o do Rio de Janeiro ou São Paulo. Os motoristas jogam os carros por cima, buzinam o tempo todo é um caos. Por sorte, conseguimos um hotel logo em seguida bem próximo da Córdoba, uma das
principais avenidas, onde fica a Galeria Pacifico maravilhosa em todos os sentidos. A noite saímos e fomos a Puerto Madero, antigo cais todo recuperado e com uma infinidade de bares, charutaria, cassino flutuante ao largo, simplesmente maravilhoso. Paramos em um bar temático, HOOKER (totalmente construído em madeira) e tomamos umas e outras. Fazia um frio imenso e ventava muito quando retornamos para o hotel.


Oitavo dia

Dia de tour, pela Calle Florida(rua de compras no Centro de Buenos Aires, onde se encontra o a Galeria Pacifico, Shopping com lojas muito sofisticadas em prédio histórico e de bela arquitetura.Rodamos pelas grandes avenidas(09 de julho a principal com 12 pistas de rolamento), passamos pelo Obelisco,Catedral Metropolitana, Casa Rosada, Shopping
Abasto entre outros.


Nono dia

Tour em Buenos Aires, inicio por El Caminito, localizado na área Portuária do bairro da Boca. São diversas casas pintadas em cores chamativas, com variado comercio de lembranças da Argentina, bares, restaurantes, artesanato, artistas locais, dançarinos de tango e ambiente constante de festa. Algumas casa tem em sacadas bonecos dos
ídolos argentinos, como Maradona, Carlos Gardel, Evita. Milhares de turistas passeiam em suas ruelas e recomendamos como passeio. Seguimos em direção ao Estádio La Bombonera, campo do Boca Juniors e era dia de clássico argentino (BocaXVelez Sarzfield), lembrando o Maraca em dia de FlaXFlu. 

Continuamos em direção a republica de San Telmo, local onde aos sábados existe uma feira de artesanato, antiquários,artistas de ruas com marionetes, dezenas de pessoas fantasiadas e com milhares de turistas em suas vielas, chegando ate a Plaza de Mayo. Estivemos também na Plaza de Mayo, local onde fica a Casa Rosada, sede do governo argentino.Retornamos ao Hotel e a noite fomos a casa LA VENTANA, especializada em tango. Seu Show de 1:30h, passa por dançarinos, cantores, musica de altiplano com suas flautas e danças e uma interpretação maravilhosa de vários Bandoneons. Imperdível.


Décimo dia

- A caminho de Mar del Plata, saímos do transito horrendo do Centro de Buenos Aires e seguimos em direção a Mar Del Plata. Balneário muito bonito e porém temperatura muito fria. Fizemos amizade logo ao chegar com Tito, presidente do Moto Clube Siniestros de Mar del Plata, que nos cedeu garagem em prédio localizado em frente ao hotel para
estacionarmos as motos. Marcamos encontro para o dia seguinte e jantamos uma sensacional Paella, pagando preço de botequim de terceira e comida de restaurante "Internacional".


Décimo Primeiro dia

- Partimos cedo para City-Tour, rodando pelo Alem, com diversas lojas e bares e onde rola a festa nas noites do balneário, seguimos em direção a Escolera Sur, porto onde juntam-se navios, barcos de pesca e leões marinhos em contato. Existem centenas deles situados ali, convivendo com cães, barcos e o homem. 

Almoçamos no Chichilo, restaurante de frutos do mar em praça de alimentação com diversos restaurantes que servem pesca variada. Seguimos pela costa passando por Playa Grande, Parque Gral Arias, Parque San Martin, Playa Chica, seguindo em direção a praia Bristol passando pelo Torreon Del Monte, Punta Iglesias e Varese.

O Acesso às praias localizadas no Centro da cidade são pagos, com estrutura montada para troca de roupa, arrumadas em tendas uma ao lado do outra . A noite, Tito nos aguardava e partimos para um restaurante onde nos aguardavam os componentes de seu moto clube, para comermos uma Parrilada, prato com diversas carnes existente em todo o Sul do Continente. Terminado o jantar, partimos para o Hippolito, barzinho bem transado da noite com boa musica, onde ficamos até às 3 da manha. Fazia um frio intenso, porem foram boas as recordações.


Décimo Segundo dia

Pela manha, paramos em uma oficina para troca de óleo nas motos das meninas(Vera e Regina - uma Yamaha XT 660R e uma Bmw GS 650). Baixou uma tempestade de dar medo, fomos a um posto de gasolina para abastecimento e um motorista de caminhão brasileiro conversando com Regina passou a informação de que havia chegado de
Bariloche e tinha pego muito vento, chuva e geada. Partimos com muita preocupação. 

Foram 100 km de um frio intenso e vento impressionante, onde observamos que nossas roupas eram insuficientes para proteção caso chovesse. Ate pararmos em um posto apos esse trecho, na minha garupa Gata tremia uma enormidade, eu fiquei extremamente preocupado. Nesta parada, avaliamos que em caso de chuva, talvez tivéssemos que
retornar a Buenos Aires, subindo em outra rota para o Chile. Compramos luvas de pano para colocar sob as nossas e colocamos novos agasalhos sob nossa roupa de viagem para suportar o caminho a seguir. 

O próximo trecho foi de muita tensão, já que por toda a estrada sempre nos acompanhavam nuvens muito negras e chuva, porém sem nos atingir. Na terceira parada, para nosso alívio, finalmente mudança de tempo, aparecendo um sol de fim de tarde. Chegamos já à noite em Bahia Blanca.


Décimo Terceiro dia

A chegada em Bahia Blanca e a saída pareciam um acontecimento, paravam adultos, idosos, crianças, todos encantados com as motos. Bahia Blanca é uma das províncias argentinas, de grande porte e para sair do Hotel, tivemos dificuldades. Todos queriam conversar conosco, tirar fotos, saber sobre a viagem, só faltou mesmo televisão.

Partimos em direção a Patagônia Argentina e com muito receio em relação ao frio. Na localidade de Choele Choel, ao parar para abastecimento, fomos abordados por Daniel Simoneta, um dos organizadores do encontro de moto daquela localidade que se iniciaria
no dia seguinte. Insistiu muito para participarmos, porém agradecemos e apos muita insistência, conseguimos partir. Passava das 16 horas e teríamos que rodar pelo menos 200 km para atingir o objetivo deste dia (Neuquen) .

Apos rodarmos uns cinco minutos, senti a corrente da minha moto se soltando. Achei pelo barulho que esta havia arrebentado, porém somente soltou-se. Nosso "Anjo da Guarda" Sérgio imediatamente retornou e em logo nós estávamos novamente na estrada. A corrente que era nova (tinha comprado para a viagem), após rodar somente 5000 Km já estava totalmente estendida. Seguimos por paisagens semi-desérticas , com vento intenso e jogava muita poeira na estrada, tornando a viagem bem perigosa e cansativa. 

Apos passarmos uma localidade chamada Vila Regina, nova mudança de cenário. Diversas
falésias se formavam em contraste com o deserto, com tons de marrom. A aproximação de Neuquen, trouxe novamente mudança de cenário. Diversas plantações de pêra, cereja e pés de eucalipto, esverdeavam este novo roteiro. Os eucaliptos tem a finalidade de ceder tiras para utilização de suporte às macieiras, buscando aumento na produtividade em sua produção. Chegando em Neuquen , uma surpresa.

Durante todo o percurso muito frio e neste momento uma mudança brusca de temperatura. Já passava das 19 horas e um calor intenso acontecia em plena Patagônia Argentina. Hospedamo-nos em Hotel a beira da estrada e saímos para comer e tomar uma cerveja bem gelada, usando bermuda e sandálias havaianas. Neuquen é outra província Argentina
(como os estados brasileiros) de grande porte.


Décimo Quarto dia

Acordamos cedo para tentar comprar uma nova corrente para minha moto. Para nossa surpresa, a menos de 500 m do Hotel, existiam 6 lojas com peças de moto, com grande variedade, onde adquiri uma corrente de origem japonesa para minha moto(Suzuki V-Strom), que paguei aproximadamente R$ 270, bem mais em conta do que no Brasil. - Partimos de Neuquen, rodamos 30 km e entramos na Ruta 237, destino Bariloche. A
partir desta rodovia, a aridez existente, acentua-se transformando o caminho em quase um deserto. Vegetação branca, muitas pedras, parece que estamos nos dirigindo a lugar nenhum. 

Após percorremos alguns km, aparece na localidade chamada de El Cochon, um lago simplesmente lindo, de cor esverdeada, contrastando com os tons de branco e marrom até ali existentes. Trata-se da Embaise (Represa) Ezequiel R.Mexia, que é utilizada em sua extensão como balneário. O caminho seguinte transforma-se, imensidões de retas, onde avistamos muito longe no horizonte uma linha, com paredões circundando nossos caminhos. 

Mais adiante, chegamos a localidade de Pedra Del Áquila (Pedra da Águia), formações rochosas que parecem trabalhadas pelo homem, formando diversos desenhos. Paramos para abastecer em um Posto Petrobrás e decidimos almoçar num pequeno restaurante chamado de Parrila la Posta. Local extremamente aconchegante, com sua lareira espanta o
vento e frio que se encontra lá fora. Comemos assado simplesmente divino, tomamos duas garrafas de um vinho maravilhoso e pagamos a ninharia de R$ 23 (Convertidos para nossa moeda) por casal. Retornamos a estrada e o vento torna-se forte, extremamente forte. 

À proximidade de Bariloche, faz com que o frio aumente, assim como a beleza das paisagens. Entramos por dentro de montanhas e ao longe já vemos a Cordilheira dos Andes, com seus cumes gelados. O vento aumenta absurdamente e ao cruzarmos uma ponte sobre um lago imenso, à nossa direita observamos um violenta tempestade no caminho que leva a São Martin de Los Andes. A beleza estampada a partir deste trecho lembra demais as paisagens canadenses, com diversos lagos, e vegetação e árvores típicas daquele país. 

O verde das águas dos lagos ali existentes, chegam a superar em beleza as o mar de Angra dos Reis e arredores. Agradecemos à Deus ter nos dado a oportunidade de estar em locais tão belos. Logo chegamos à Bariloche, porém sob uma intensa e fria chuva. Paramos em um posto para nos secar, enquanto Marcos Pires consegue um hotel no Centro, o Hotel patagônia Sur, em rua alta, onde de nossos quartos conseguimos ter uma visão fantástica do lago Nahuel Huapi. A noite, após o jantar damos uma volta pela bela localidade e o frio é intenso. Nos recolhemos para os passeios que nos esperam no próximo dia.


Décimo Quinto dia

- O frio era intenso pela manha e o tempo encontrava-se nublado. Resolvemos então alugar uma Station Wagon, para fazer os passeios. Partimos então para Cerro Catedral, local onde fica a mais famosa estação de esqui de Bariloche e da América do Sul. No local existem estrutura para receber milhares de turistas, com lojas,  hotéis, bares, boates e diversos teleféricos que no inverno  encontram-se em funcionamento, com aluguel toda a parafernália 
específica para esquiar. 

Como já estávamos em plena primavera, somente o principal teleférico com bondinho encontrava-se em funcionamento. Pagamos 40 pesos (R$14 aproximadamente) por passageiro, e partimos para esta aventura. Subimos até 2890ms, onde à proximidade do topo existia cada vez mais gelo. Descemos em uma plataforma com um restaurante anexo e ficamos encantados com o primeiro contato com a neve. A nossa frente, uma excursão com
diversas crianças fazia a festa, com guerra de gelo, gritos, descidas em "esquibunda", uma verdadeira bagunça. Entramos também no espírito predominante, fazendo bolas de gelo e jogando nos outros, tomando tombos, nos sentíamos crianças novamente . 

Tomamos um vinho no bar existente, e partimos em direção a uma rampa com cadeiras conduzindo ao topo da montanha. Ao chegarmos lá, a existência de um deque com mirante onde conseguíamos ter uma visão total de Bariloche, com suas montanhas nevadas, a cidade, as estradas de acesso e os diversos lagos ao seu redor. A claridade era tanta, que tínhamos dificuldades em enxergar. Retornamos à base e partimos em direção ao Circuito
Chico. 

Localizado entre o lago Nahuel Huapi e o Lago Moreno, passa por Llao Llao, local onde está encontra-se hotel de mesmo nome que merece uma visita pela sua localização, sendo alvo de diversos cartões postais.Passamos ainda pela Colonia Suiza, em estradas de rípio, onde seus moradores se refugiam, lembrando demais as pequenas vilas suíças, com pequenos córregos correndo à entrada de suas propriedades.Retornamos em direção ao Centro, passando rapidamente pelo Cerro Otto, com acesso via teleférico a confeitaria rotatória, com vista total da cidade de Bariloche.


Décimo Sexto dia

- Acordamos cedo e partimos para o Parque Nacional Nahuel Huapi. Com seu acesso a 37 km de Bariloche, a partir da localidade de Villa Mascardi existem 3 opções de passeio. Decidimos inicialmente seguir o passeio que ladeia o Lago Steffen, que nos levaria bem próximo a fronteira com o Chile. Seguimos para a Cascata Los Alerces. Seu caminho possui horários definidos para acesso em virtude da estada precária. 

Aberta de 8:00 até ás 10:15h no caminho de ida e com regresso liberado das 11:15 até às 13:00h, sua divisa é a partir de uma ponte onde mantemos à esquerda, seguindo pelos Lagos Mascardi, Lago Hess e Lago Roca, com estrada em precipício com vista dos lagos à direita, com diversos mirantes em seu caminho, onde conseguimos belas fotos. Cruzamos a Playa Negra, lago cristalino com fundo em pedras. Seguimos acompanhando o Rio Manso, que separa os lagos Mascardi e Gutierrez.

Como curiosidade, as águas dos rios coletados pelos Lagos Nahuel Huapi e Gutierrez. formam o rio Limay que atravessa toda a Argentina, desembocando no Oceano Atlântico. Já as águas do lago Mascardi, formam o Rio Manso, com a coloração verde esmeralda e
totalmente cristalino, de arregalar os olhos de tão belo, criando a Cascata Los Alerces, que caminha até desembocar no Oceano Pacífico. É roteiro que não pode ser desprezado quando em visita à Bariloche.

O seu acesso fica em área para estacionamento de diversos veículos onde conhecemos turistas interessantes. Ao chegarmos fizemos contato com Diaz, turista argentino que venho de Buenos Aires (distante mais de 1500Km) em sua pequena motoneta de 70cc, um herói. Fizemos também contato com René e Nicol Ruckstuhl, casal suíço que vem fazendo tour
( http://orix-on-road.blogspot.com  ) pelo mundo com seu caminhão imenso(típico dos que correm o Rally Paris-Dakar), e partiram da Alemanha de navio, e ao longo dos países, onde o navio aporta eles faziam passeios. Desembarcaram em Santos, Salvador, no Rio de Janeiro e desceram definitivamente em Buenos Aires. 

Já estiveram em Ushuaia e informaram que ali em Bariloche o frio estava mais intenso que na Terra do Fogo. Adesivamos devidamente seu caminhão com "Eu,Gata e Cão Fiel"
e seguimos de volta para o 2o passeio. Retornamos até a ponde divisória(19 Km) e partimos em direção ao Glaciar Del Manso. Seu caminho é trilhado no início pelo Lago Mascardi onde após 37 Km finalmente chegamos ao Cerro Tronador. O Glacial foi formado a milhares de anos e sua característica e de nunca se descongelar totalmente. Em seu caminho vemos diversos rios criados pelo seu descongelamento, onde as pedras e árvores existentes nesta primavera são de coloração totalmente branca. 

Cruzamos com o Hotel Tronador no caminho, com restaurante aberto ao público, tendo ao fundo um lago, totalmente florido em sua volta e com belíssima montanha ao fundo, um verdadeiro desenho de Deus. Retornando, encontramos com 4 alemães em motos BMW, que alugaram no Chile. Batemos um papo num castelhano arranhado e eles ficaram admirados com a distancia que estávamos percorrendo. Estavam a caminho de Ushuaia. Retornamos ao hotel para último dia em Bariloche.


Décimo Sétimo dia

Partimos cedo sob o frio intenso de Bariloche, e logo alcançamos Vila La Angostura, charmosa localidade à beira do lago Nahuel Huapi, com toda estrutura turística e que ficamos com pena de não termos dedicado alguns dias para conhecê-la melhor. Início do caminho que nos leva à Cordilheira dos Andes, com trecho extremamente agradável, 
com muito verde em seu caminho. Logo depois, começamos a passar por neve em toda a extensão da estrada. Passamos por trecho de mais de 20 km totalmente tomado pela neve, onde fartamo-nos de tirar fotos.

Encontramos com um ônibus de excursão parado com diversos jovens fazendo uma verdadeira batalha com bolas de neve retiradas da beira da estrada. Mais uma paisagem contagiante. Adiante começava a burocracia para atravessar as aduanas da Argentina e posteriormente a do Chile.

Recomendamos que tenham sempre os documentos à mão. Adentramos ao Chile e seguimos até Osorno, onde paramos para almoçar. Seguimos até Villarica, vilarejo localizado bem próximo do vulcão Villarica. Hospedamo-nos na Hosteria Hue-Quimey, pousada charmosa localizada junto a um lago e com vista frontal do vulcão. Jantamos no Restaurante El-Rey, ao lado da pousada, onde fomos recebidos pelo seu proprietário
que contou que foi um dos cozinheiros da Seleção Brasileira na Copa
de 1962. Comemos bem e com preços razoáveis.


Décimo Oitavo Dia

Partimos cedo para ajustes e lavagem das motos. Trocamos a corrente da minha moto, o pneu da moto de Sergio e ao lavar as motos, a BMW de Marcos Pires simplesmente não funcionou mais, problemas na parte elétrica. Ficamos das 10 horas até às 16:30h tentando fazer funcioná-la, porém sem sucesso. Marcos Pires então, contratou transportadora para conduzi-la à Santiago(760 km de Villarica)onde teria assistência técnica da BMW. Eu e Gata resolvemos não perder o dia que nos restava. 

Retornamos ao Hotel onde 3 israelenses chegavam em suas motos(3 Honda Transalp 650 ), e estavam indo em direção a Ushuaia. Entregamos adesivos do "Eu,Gata e Cão Fiel" e partimos para Pucon.Cruzando a fronteira a partir de Pucón, visita-se com facilidade cidades argentinas como San Martín de Los Andes, localizada a 19 km de Pucón. A cidade é a porta de entrada do Parque Nacional Lanín e sede da estação de esqui de cerro Chapelco. 

O ponto de encontro entre os territórios da Patagônia chilena e Argentina fica no começo da cordilheira dos Andes, em seu pequeno trecho na Região de Araucanía e na região do Lagos. Pucón é um dos principais destinos turísticos do Chile e dos chilenos. A cidade
oferece atividades durante o ano todo, e não há uma estação que seja mais indicada para a viagem. Depende do tipo de atividade que se deseja praticar. A principal delas é a escalada até o topo da cratera do Villarica (a 2.847 metros de altitude). Paramos no Restaurante Chef Pato após um breve passeio por Pucon, onde tomamos umas e outras observando o movimento da localidade. 

Diversos estrangeiros residem ali, buscando a tranqüilidade e beleza do local. Partimos às 11hs de volta à Villarica, 23 km de Pucon, amanhã, caminho de Santiago.


Décimo Nono dia

Seguimos pela manhã em direção à transportadora para levar os baús da moto de Marcos Pires, e partimos para a estrada já quase 10 horas da manhã. A manhã estava com uma neblina tão intensa que molhava como se fosse chuva. Aliada a um frio intenso, transformou os primeiros 150 km em uma viagem gelada. Após a primeira parada, o sol finalmente 
aparecia. Estávamos na Ruta Pan-Americana, que atravessa as Américas, do Alasca até a ponta chilena mais próxima da Antártida, entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes. Rodamos o dia inteiro, sempre com belas paisagens à direita(Cordilheira), com vulcões totalmente cobertos de neve. 

Por toda a Ruta existe a cobrança de pedágio, inclusive para motocicletas(R$ 1,75 por moto aproximadamente). Perto de Santiago, logo após a travessia do pedágio que dá acesso à capital chilena, é obrigatória a parada para a aquisição de bilhete no valor de R$ 12(motos), para poder transitar na Ruta de acesso à Santiago. A multa para quem não possui o bilhete é alta, conforme orientação recebida. O Chile é muito rigoroso em relação ao respeito às leis, as multas são registradas e cobradas imediatamente, em vans de apoio ao policiamento, com computadores em seu interior, lavrando e recebendo estas no momento em que acontecem. Chegamos a Santiago e buscávamos hospedagem no bairro
da Providência, próximo à representação da BMW, local onde chegaria a moto de Marcos Pires pela manhã. 

Já passavam das 22 h e não conseguíamos hospedagem. Na região, a grande maioria de hotéis eram de luxo( Redes Hitz, Marriot entre outras). Partimos de volta em direção ao Centro e paramos em frente a um Hotel para saber da existência de vagas. Ouvimos então uma voz salvadora. Era o Celio de Oliveira, carioca que estava radicado a anos no Chile, empresariando Shows de mulatas, pagode, churrasco e que imediatamente ligou para
Hotel a 200m dali, em pequena rua transversal a onde nos encontrávamos. Hospedagem prontamente providenciada, Hotel Los Nogales, apart-hotel com diária relativamente salgada (U$S 95), que com chorada ficou por US$ 80. Pedimos uma pizza e dormimos no
confortável Hotel.


Vigésimo dia

Santiago nos surpreendeu. Diferentemente da Argentina, somente circulavam carros novos e de grande porte, principalmente Station Wagons(BMW, Mercedes, Volvo),etc. No bairro onde nos hospedamos(Providencia), ruas arborizadas onde os prédios construídos Privilegiavam área livre, com muito verde e plantas muito bem cuidadas. Enquanto Sergio e Marcos Pires partiam para ver a moto, partimos em tour pela cidade. Eu,Gata,Regina e Vera, fomos inicialmente à agência do Banco do Brasil em Santiago para saque de pesos chilenos. 

Em seguida pegamos o metrô para visita ao Centro.Conhecemos a Universidade do
Chile, o Palácio La Moneda (Sede do Governo), visitamos a Catedral de Santiago, o calçadão PASEO AHUMADA (todas ao longo e próximo da Calle Bernardo O"Higgins), e verificamos tratar-se de uma bela capital, não ficando a dever nada às grandes cidades brasileiras.

Participamos inclusive de uma passeata dos funcionários públicos, com apitaço pleiteando reajuste salarial. A noite, jantamos e tomamos um vinho no bairro da Providencia. A moto de Marcos Pires ainda não possuía diagnóstico sobre o problema apresentado.


Vigésimo primeiro dia

Sergio de Marcos Pires partiram novamente para a oficina, enquanto nós resolvemos dar umas voltas pelo bairro da Providencia. Comercio  diversificado, cidade bem cuidada e um grande movimento, como qualquer grande capital. Retornamos ao Hotel para almoçar e lá pelas 14 horas, Marcos Pires e Sergio retornavam com a BMW já em funcionamento.
Comemoramos e marcamos saída à noite para despedida de Santiago. 

Ali mesmo na providência encontramos o que podemos chamar de "Baixo Providência", região com dezenas de bares, restaurantes e casas noturnas, com movimento constante de pessoas em busca de diversão. 

Ficamos no HAVANA, barzinho bem transado com Rock And Roll de qualidade, com diversos vídeo-clips passando em seu interior, e com varanda lotada de mesas. Tomamos umas no capricho e partimos já de madrugada.


Vigésimo segundo dia

Pela manhã, colocamos as vestimentas, porém sem roupa adicional para frio, já que na véspera o calor tinha sido intenso, e partimos na direção de Viña del Mar e Valparaíso. Mais uma vez fomos enganados pelo clima, pois após rodarmos uns 20 km, baixou uma neblina intensa e gelada, certamente proveniente do Oceano Pacífico, já que partíamos 
em sua direção. Adentramos Viña del Mar e paramos num posto de gasolina enquanto nosso "GPS" Marcos Pires, partia novamente em busca de hospedagem. Instalamo-nos numa casa antiga(mais de 100 anos de existência), numa das pequenas travessas existentes em Viña, situada ao lado de um morro e muita fria, além de não possuir calefação em
seu interior. 

Tomamos um banho e demos uma pequena volta de reconhecimento pelas redondezas. Valparaíso fica somente a 1 Km de onde nos encontrávamos. Viña del Mar abriga as praias onde os turistas freqüentam e Valparaíso localiza-se na região portuária. À noite, fizemos um tour pelas principais ruas acessíveis por veículos, praças e acessos, já que toda sua parte histórica fica em morros, com acesso por 15 elevadores ou ladeiras acentuadíssimas,
sendo tombada como Patrimônio da Humanidade. 

À noite, suas luzes transformam a cidade em uma imensa árvore de natal, dando um visual
diferente e belo. Retornamos e jantamos em um restaurante com musica ao vivo, onde o repertório variava de sucessos brasileiros, chilenos e dos outros países do continente. Viña del Mar possui também um belíssimo Cassino, antigo e de grande porte. Combinamos de partir no dia seguinte, já que não vislumbramos tantas atrações para dispor de mais um dia.


Vigésimo terceiro dia

Partimos cedo, já que neste dia teríamos pela frente os temidos "Caracoles", porém ainda dentro de Viña del Mar, a moto de Sergio apagou em plena estrada. Paramos em um bar enquanto aguardávamos a solução do problema, porém demorou bem mais do que o previsto. Ele precisou retirar o filtro de gasolina da moto para que ela conseguisse andar. Eu apelidei sua moto de "Muito Católica", já que só gostava de andar com gasolina batizada.

Voltamos à estrada efetivamente perto das 12hs. Beirando o Pacífico por toda Viña del Mar, a Ruta Internacional proporcionou belos cenários, com visual pelo caminho onde pela primeira vez na vida consegui ver pelicanos, parados nas pedras em sua Costa, além de hotéis, restaurantes e belas mansões. Seguimos até a localidade de Los Andes, última parada antes de subirmos em direção a Cordilheira. Gata atrás registrando belas imagens, com rios ao fundo de grandes penhascos e a Cordilheira aguardando a nossa chegada. Após percorrermos mais de 60 km, finalmente eles. A primeira visão é simplesmente chocante. 

Ao lado da montanha, a estrada com suas idas e vindas e diversos carros e caminhões parecendo estar uns empilhados sobre os outros. Começamos então a subida de "Los Caracoles", estrada que nos leva ao topo da Cordilheira dos Andes e fronteira da Argentina com o Chile. São dezenas de curvas, onde só existem penhascos e sem acostamento.

Cruzamos diversas vezes com caminhões imensos nas curvas totalmente fechadas, onde qualquer falha humana ou da máquina, pode ocorrer acidente fatal. Existem também diversos trechos onde existem deslizamento de neve, com túneis gélidos e escuros, para proteção nos períodos de inverno, proporcionando emoção ainda maior, e concluído com o Cristo Redentor, túnel com 3185 m de altura e aproximadamente 5 km de extensão, com escuridão quase total e gelado como uma geladeira. Paramos no alto para fotos, onde fica a fronteira do Chile e da Argentina, Gata estava aflita com o trânsito por dentro do túnel e tirava rapidamente a balaclava e o casaco. Eu quase não conseguia respirar, em virtude da altitude. 

Atravessamos as duas aduanas(mais burocracia), encontrando um grupo de brasileiros com umas oito motocicletas no caminho inverso ao nosso. No caminho para Mendoza, passamos pela Villa los Penitentes, que no inverno transforma-se em estação de esqui, com intenso movimento. Adiante, as estradas encontram-se em estado precário, diferente da parte chilena, principalmente devido ao trânsito pesado entre os países, porém compensados pelas paisagens deslumbrantes.

Por bom trecho, grandes Canyons acompanham nosso roteiro, cruzando no caminho com o Cemitério Los Andinistas, mais adiante com a "Puente Del Inca", localizado a 2720m de altura com fontes de água termal e uma riqueza histórica sem igual devido à civilização inca, que fazem de Puente Del Inca uma região turística importante às margens da rodovia Pan-americana. Passamos por Uspalatta, cidade que fica ao pé do Aconcágua, ponto mais alto da América do Sul e chegamos quase à noite em Mendoza. Hospedamo-nos no Gran Hotel Ariosto e ainda tivemos tempo de ir a um bar à noite, onde vimos exibição do Grupo ?Caracol"(http//caracol.salvage.tumbf.com), com interpretação bem humorada de sua ópera Rock chamada de "As dez estações".


Vigésimo quarto dia

Mendoza, província responsável pela produção de 70% dos vinhos e das vinícolas argentinas, onde é possível degustar e comprar vinhos que podem fazer esquecer os franceses. Bodegas tradicionais e centenárias, umas mais artesanais, outras mais avançadas
tecnologicamente, que exportam 20% de sua produção e distribuem para consumo interno, na própria Argentina, os 80% restantes. 

A bebida mendocina é de ótima qualidade, e a explicação para isso é que, embora chova pouco na região, lá existe água em abundância,proveniente principalmente do degelo dos Andes e a irrigação torna possível controlar o vigor e a qualidade do cacho de uva.Em quase todos os restaurantes existentes em Mendoza, além da carta de vinhos para consumo existe o chamado "vinho do turista", que pode ser servido em copo ou garrafa, onde se paga aproximadamente R$ 6,00 todos de excelente qualidade. 

Conversamos com o recepcionista do Hotel que nos indicou duas bodegas a serem visitadas, a La Rural e a Bodega Lopez(localizada em Maipu, próxima a Mendoza). Apesar de mapa indicativo, a dificuldade para chegar lá foi imensa. O argentino é péssimo para informações e rodamos umas 3 horas para conseguir finalmente localizá-la. A Bodega Lopez é tradicional e centenária, seu horário de funcionamento é das 9 até às 17h. Lá chegando, fomos recebidos pela Maria, que nos encaminhou a um "Vinho-tour", passando por todas as instalações. 

O período de colheita das uvas é normalmente no período de março a abril, onde centenas de caminhões desembarcam suas uvas em grandes bacias onde,em processo industrializado é feita a separação e transformação da fruta em vinho. Conforme informado por Maria, a Bodega Lopez já importou para o Brasil, porém em virtude de produzir vinho de qualidade superior, seu preço não ficou muito competitivo.

A degustação é feita em subsolo, com diversos corredores, onde são colocadas centenas de garrafas nas paredes, de safras especiais que ali permanecem em envelhecimento. >>> Encontramos vinhos de até 1970, que deverão ser liberadas para consumo com sabor incomparável e preços estupendos.Mendoza também possui diversas praças e cafés, sendo muito movimentada, certamente um local agradável de se residir.


Vigésimo quinto dia

Partimos cedo em direção a Córdoba, e para variar, sem roupa específica para frio, já que tinha feito um calor absurdo em Mendoza durante nossa estada. Após rodarmos 40 km, o tempo começou a escurecer, e aliado a fortes ventos laterais, dificultou bastante nossa
viagem.Paramos para abastecer e uns policiais que se encontravam no posto, avisaram-nos que em San Luis(direção em que seguíamos), estava se formando uma imensa tempestade, com jeito de tormenta. 

As tormentas tem a característica de ventos fortíssimos e chuva de granizo, podendo ser extremamente perigosa(Em Buenos Aires vimos um carro totalmente amassado por pedras de granizo). Resolvemos dar um tempo no posto, até que esta passasse. Porém, após meia hora, nada de tempestade. Resolvemos encarar a estrada assim mesmo e combinamos
que em caso de tormenta, buscaríamos abrigo. A viagem foi bem tensa, já que pegamos chuva, frio porém sem maiores consequências.

Chegamos em San Luis, e lá estava um calor intenso. Partimos então em direção a Lujan, e neste trecho efetivamente pegamos mais de 100 km sob chuva e encaramos inclusive granizo, porém com pedras pequenas. Chegamos a Vila Dolores, onde se iniciava cadeia de montanhas que nos levaria à Córdoba. O local lembra muito a região serrana fluminense,
onde existe estrutura para atender o turismo, com hotéis, pousadas, restaurantes, locais de produtos caseiros locais, um trecho muito bonito. Recebemos recomendação de em caso de chuva ou neblina, pararmos em algum local pois o trecho é cheio de curvas e muito
perigoso. 

Passamos por locais charmosos como Nono, onde fizemos parada esperando a chuva estiar, Mina Clavero e diversas pequenas vilas bem charmosas. Tínhamos inclusive idéia de pernoitar em Nono, porém a relação da moto de Regina estava em frangalhos, o que nos fez seguir até Córdoba, para solucionar o problema logo pela manhã. Após Mina Clavero, inicia-se um trecho com montanha de um lado, com formações rochosas formando diversas figuras e do outro lado, um vale imenso onde descortina-se o outro lado da montanha. 

São curvas diversas onde começou a chover e o sol já estava se pondo, percorrendo este caminho sob frio intenso. A descida na direção de Córdoba, são cheias de curvas, algumas de 180 graus, transformando a pilotagem num prazer incrível. Chegamos às 19h em Córdoba, onde paramos numa concessionária BMW, para programar a troca da relação de Regina. Chegamos a um Hotel já perto das 21 horas, onde nos hospedamos e
saímos para jantar.


Vigésimo sexto dia

Partimos de Mendoza após às 13 horas, já que Sergio e Marcos foram trocar a relação da moto de Regina. O calor era intenso e a estrada para Santa Fé apresenta pelo caminho, muitas pequenas localidades, com cruzamento lento, com diversos sinais, tornando a viagem muito chata. 

Numa dessas localidades passamos por um posto de gasolina onde estava parada uma V-Strom (moto igual a minha e que tinha sido lançada na Argentina somente 30 dias antes).Daqui a pouco, passa por nós o seu proprietário e seguimos adiante até um posto de abastecimento. Paramos, e conhecemos o Ernesto Renon. Ele havia acabado de tirá-la na
concessionária(estava naquele momento com 35 km rodados), e pediu informações sobre a moto. 

Tirou fotos do mata-cachorro(protetor do motor e tanque) e ficou admirado de encontrar outra V-Strom naquela região. Logo depois, entra no posto uma BMW GS 1200, com adesivos de diversas localidades do mundo(Chile, Ushuaia, Dakar entre outros) e reluzindo em sua carenagem o adesivo de "EU,GATA E CÃO FIEL". Curioso, procurei saber onde ele tinha conseguido. Desceu da moto o Oscar, argentino de quase 2 metros de altura e que tinha recebido o adesivo de uns israelenses na travessia de balsa que leva a Ushuaia(aqueles mesmos que entreguei os adesivos em Villarica - Chile). 

Fiquei embabacado com a coincidência, pois estávamos a mais de 3000km de onde repassei os adesivos. Oscar reside em Ushuaia e repassou seu e-mail, para todos motociclistas que desejarem se hospedar na "Terra do Fogo"(motoviage.rolocoel22@hotmail.com .) Seguimos caminho , passamos por Santa Fé e atravessamos para Del Parana, por baixo do Rio Paraná túnel com extensão de 2 km. Seguimos viagem por mais noventa Km, até a pequena cidade de Maria Grande, localidade que em 2002 foi totalmente arrasada por um tornado. Hospedamo-nos numa pousada simples e jantamos muito bem e barato no restaurante do vilarejo, bebemos um excelente vinho e fomos dormir.


vigésimo sétimo dia

Teríamos que rodar aproximadamente 820 km neste dia. Saímos após as 10h, tempo para que Sergio fizesse alguns ajustes nas motos. Dia quente, desenvolvemos bem. Fomos parados por diversas barreiras policiais, porém os adesivos indicativos da viagem e a surpresa de que em diversas abordagens coincidir estarem as meninas pilotando, causavam
um certo constrangimento nos policiais para criarem situações de extorsão(Como diversos relatos de pessoas que fizeram o mesmo roteiro). 

Rodamos bem e sem nenhum percalço em direção a Ituzaingo, praia as margens do Rio Paraná, na província de Corrientes, onde pretendíamos tirar um dia para descanso efetivamente. Faltando uns 200 km para chegarmos, a corrente da moto de Vera simplesmente arrebentou-se, enquanto Marcos Pires e Sergio resolviam o problema, paramos em um posto alguns kms adiante para aguardar o conserto da moto. 

Mais uma vez o "Anjo da Guarda" Sergio, resolveu o problema. Seguimos e chegamos já à noite em Ituizango. Jantamos e marcamos Praia para o outro dia.


Vigésimo oitavo dia

Pela manhã, levamos a moto de Vera em uma oficina para troca da relação e logo seguimos para a praia. Ficamos em Soró, praia à beira do Rio Paraná, próxima da represa de Yacreta e do outro lado do rio fica o Paraguai. Ao entrarmos no barzinho, diversos cartazes dos encontros de moto realizados em Ituizango. 

Seu proprietário, Carlos Daniel Martin, motociclista e passou a nos dar tratamento de reis. Colocou diversas espreguiçadeiras com encosto de espuma para as cabeças, mesas sob a sombra, cerveja gelada, uma garrafa de Whisky e de tira gosto, surubi(peixe característico da região) e jacaré.sorte nossa que o Ibama não atuava naquela região. 

Foi um dia ótimo, tomamos todas e já saímos ao final da tarde. Daniel mostrou-nos diversas fotos de eventos realizados ali no verão, verdadeiro point. Voltamos à cidade, tomamos sorvete, fomos ao locutório de demos ligadinha para saber notícias de casa de tiramos uma soneca. A noite demos uma saidinha, porém sem nenhuma vontade de bebida e comida.


Vigésimo nono dia

Dia de retorno ao Brasil, partimos de Ituzaingo 9 horas e logo chegávamos a Posadas. Ali, paramos na estrada antes e resolvemos alterar o roteiro, entrando pelo Paraguai. Ganharíamos em torno de 50 km, porém sabíamos dos riscos(assalto, desrespeito ao trânsito). Ao atravessarmos a fronteira entre Posadas(Argentina) e Encarnacion (Paraguai), trânsito infernal, lento e muito calor. Levamos mais de 1 hora somente para acessar a aduana na Ponte fronteiriça. 

Fizemos contato com 3 motociclistas do Buena Vista, moto clube de São Paulo, trocamos bottons e adesivos e combinamos de seguir caminho juntos. Ao atravessarmos a ponte porém, nos desencontramos. As estradas que cruzam o Paraguai estavam em excelente estado, porém, existiam diversas localidades pelo caminho onde cada prefeito resolveu fazer seu quebra-molas particular. Imensos, demos diversas pancadas com os fundos das motos.

Por toda extensão da estrada, diversas plantações, principalmente de soja, esverdeavam a terra vermelha daquele país. Rodamos bem e chegamos ao acesso a Ciudad del leste, onde existiam pistas duplas de transito, com diversas "bestas" rodando pela contramão tanto no acostamento à direita como à esquerda, além daqueles que atravessavam a pista sem olhar o trânsito. Para complemento, chegamos em Ciudad del Leste às 17h, horário que as lojas já se encontram fechadas, além de ser sábado, onde milhares de pessoas em vans, ônibus, a pé, vinham aqui adquiri muamba para revenda. 

O trânsito estava totalmente parado, onde principalmente as vans e ônibus estacionavam em qualquer local, o calor passava dos 40 graus. Suávamos imensamente e começamos a andar como motoboys, furando o trânsito e com medo de tombarmos em virtude dos bauletos imensos, principalmente em minha moto. Na alfândega, por sorte, os policiais pararam uma de nossas motos e notaram que todas estavam com adesivo de Expedicão 4 Fronteiras, nos liberando imediatamente, sem vistoria de bagagem. 

Atravessamos a ponte pela contramão acompanhando os motoboys e conseguimos chegar a um posto de gasolina já em Foz do Iguaçu. Paramos e tomei 3 latas de suco, de tão intensa que era a sede. Ligamos para PH (falaremos dele adiante) que nos indicou o hotel reservado. Ao chegarmos, estávamos loucos para tirar as roupas de viagem e tomar um banho. À noite, PH passou no hotel para sairmos. PH é engenheiro mecânico de Itaipu, morador de Foz do Iguaçu e motociclista do Moto Clube Templários de Foz do Iguaçu, bem rodado já tendo vindo inclusive aqui no Estado do Rio e Espírito Santo. 

Possui uma TDM850, e levou-nos ao Park City, barzinho bem transado e com Rock and Roll de primeira. Tomamos uns "Cão Fiel" e batemos um excelente papo, esquecendo do inferno passado durante o dia.Informou-nos que corremos grande risco na travessia do Paraguai, principalmente no aspecto relacionado a assalto, porém já poderíamos estampar em nossos coletes, um símbolo daquele país.


Trigésimo dia

Neste dia, o grupo já conhecia as Cataratas do Iguaçu e resolveu ir às compras. Eu também já havia estado ali, porém há 35 anos atrás.Peguei Gata e partimos em direção ao Parque Nacional de Iguaçu, considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Com estrutura de estacionamento(R$ 11 por moto), acesso por jardineiras (ônibus com 2 andares e parte superior aberta), vôos de helicóptero e passeio de barco junto às Cataratas (U$S 70 por pessoa) além de bares, lanchonetes, restaurantes, lojas de souvenirs.

O passeio de ônibus custa R$ 35 o casal(para brasileiros) e trafega pelas estradas que deixam passageiros em diversos locais, conforme o tipo de passeio pretendido. Seguimos até a parada onde existe trilha de 1200 metros, acompanhando a mata nativa e levando até as Cataratas propriamente ditas. Pelo caminho, diversos pássaros, tucanos, guaximins
ente outros animais, vão sendo fotografados pelos milhares de turistas que ali acorrem. 

Pela trilha estava um calor intenso, com muitas subidas e descidas, onde brinquei com gata que deveríamos fazer todo o retorno por ali. Conforme caminhamos, aproximamo-nos cada vez mais de suas grandes corredeira, terminando em passarela que nos leva até a chamada
Garganta do Diabo e mirante onde se aglomeram centenas de pessoas para tirar fotos. O retorno é feito por elevador panorâmico, que termina em deck com diversas lojas, restaurantes e bares à direita e o Rio Paraná e visão do buraco, onde é formada a parte argentina das cataratas, com deck e diversos turistas. Belo passeio. 

Lanchamos, pois o restaurante do local cobra R$ 45 por pessoa, com buffet Self
Service, um pouco caro. Retornamos pretendendo ir ainda à Hidrelétrica de Itaipu, porém o calor nos convenceu a retornar ao ar condicionado do hotel. Neste dia a temperatura atingiu a 45oC. À noite, PH nos recebeu em sua residência com sua esposa Neide, que preparou feijão com aquele churrasco, já que fazia 30 dias que não víamos a leguminosa em nossos pratos, tomamos Johnnie Black e ouvimos bom Rock and Roll, grande parceiro PH.


Trigésimo primeiro dia

Pela manhã, levamos minha moto de a de Regina na oficina do Luciano, a minha com rolamento do link estrangulado e fazendo muito barulho na suspensão e a dela com os anéis de rolamento da direção gastas, prejudicando bastante a pilotagem. Os rolamentos da moto de Regina não existiam em Foz e Sergio e Marcos Pires tiveram que buscar em loja de
Ciudade del Leste. O da minha moto Luciano mandou fazer num torneiro mecânico.

Enquanto os dois iam de moto atrás da peça, alugamos uma van do parceiro Eliseu(eliseu_Lopes@terra.com.br), que além do transporte nos ajudou bastante. conseguindo uma caixa grande para remessa de roupas de frio e outras, via correio para Macaé, a fim de liberar espaço para alguns presentes e "Cão Fiel". Em Ciudade del
Leste, compramos alguns perfumes e sofremos bastante por só poder trazer poucas garrafas em nossos bauletos. 

Pagamos 12 anos a U$S 19,90 (R$ 37 aproximadamente), garrafas em dose de Chevas Regal a U$S 1,40 e trouxemos também um "Royal Salutezinho", pequeno mimo para agradar meu paladar. Retornamos a Foz, onde a temperatura variava de 42oC à sombra a 48oC no sol. Partimos para o ar condicionado e à noite, comemos uma Pizza com PH e esposa e um Scotch saideiro.


Trigésimo segundo dia

Saímos do hotel às 7:15h, fugindo do calor. Paramos em Maringá para abastecimento e nos encontramos novamente com o pessoal do Buena Vista  Motoclube, que havia pernoitado ali perto. Seguimos em direção a Campos Novos Paulistas, e já em São Paulo, próximo a Assis, o  primeiro grande susto meu na viagem. O calor era intenso, os reflexos encontravam-se um pouco retardados e numa subida de morro, distrai-me procurando a moto de Sergio pelo retrovisor. 

Olhei à direita e não localizei, olhei então pelo retrovisor esquerdo e fiquei procurando
sua moto. De repente, Gata me cutuca e logo à frente subindo o morro a uns 30km/h, um grande caminhão. Eu desenvolvia a velocidade de pelo menos 120Km/h e freei imediatamente, parando quase em cima do caminhão. Grande susto, pois já tínhamos rodado quase 230Km sem paradas, e encontrava-me bem cansado. 

Parei mais adiante para tomar um líquido e café. Chegamos em Campos Novos Paulistas já no final de tarde. Tomamos um banho de descansamos um pouco e fomos recebidos a noite pelo Edson e sua esposa, onde tomamos umas cervejas e comemos um senhor estrogonofe. Grande papo Edson, primo de Vera e Regina.


trigésimo terceiro dia

Saímos em direção a Ourinhos, para substituir a corrente de Vera, que infelizmente não conseguiu rodar muito tempo. No caminho, o cabo do acelerador de Regina arrebentou. Porém pela enésima vez surge mais uma vez o nosso"Anjo da Guarda" Sérgio. A BMW possui tanque de gasolina na parte traseira da moto. Ele soltou as peças que dão a aparência de tanque, puxou o que restou do cabo do acelerador, amarrou em sua luva a veio puxando, fazendo a aceleração até que chegássemos a Ourinhos. O famoso Mac-Guiver brasileiro mais uma vez nos salvando. 

Chegando a Ourinhos, um motoboy nos levou a um mecânico conhecido que trocou a corrente de Vera, enquanto Sergio com um cabo de freio de bicicleta e parafusos de uma vassoura, providenciou o novo cabo de acelerador da moto de Regina. Já eram mais de 11 horas e tínhamos pelo menos 650km a serem percorridos. 

Por sorte, logo entramos na Avenida Castelo Branco, onde apesar da chuva, conseguimos manter uma média excelente de velocidade. Nossa pretensão era passar por São Paulo antes do rush. Chegamos a São Paulo perto de 15:30h. O trânsito estava já um inferno, minha moto levava o raio mais uma vez para cortar com os bauletos imensos. 

Conseguimos sair da Castelo Branco e entrar na Bandeirantes, onde rodamos ainda com bastante trânsito até chegar à entrada da Airton Sena. Paramos num posto para um lanche rápido e partimos com destino a Resende. Porém rodamos uns 18 km e nada de vermos as motos de Marcos Pires e Sergio. Paramos e por sorte meu celular tinha sinal. 

Na saída do posto a moto de Marcos apresentou problemas na bomba de gasolina. Pediu para esperarmos, e após quase duas horas de espera, Sérgio chegava de moto e Marcos
encima de um caminhão da Assistência 24hs com sua moto. Já passava das 18:30h e partimos em direção a Resende, porém o caminhão somente seguiria pela manhã, ficando de encontrar-nos em Resende. A Airton Sena é outra ótima estrada do Estado de São Paulo e serve como alternativa à Dutra, pelo menos até a altura de Taubaté. 

Ali retornamos à Dutra, já escurecia e o trânsito era intenso. A viagem foi muito perigosa, os caminhões desenvolviam velocidades altas, e como reduzimos o ritmo em virtude da noite, a viagem foi bem atribulada. Chegamos em Resende após às 21:00h e todos os hotéis encontravam-se lotados em virtude de uma convenção que ali se realizava. Por sorte conseguimos hospedagem em Motel a beira da estrada, com Churrascaria ao lado. Tomamos um banho e partimos para o Churrasco de despedida. Amanhã, "Tô voltando prá casa".


Trigésimo quarto dia - A Volta

Marcos Pires partiu mais cedo com o motorista do caminhão. Combinamos de antes de chegarmos à Linha Vermelha, ligar pois sua moto estaria na AutoKraft e dependendo do diagnóstico, poderíamos nos encontrar no Rio e seguir viagem. A viagem foi agitada, o trânsito estava intenso, muitos caminhões. A descida da Serra de Araras estava em obras, atrasando um pouco nossa chegada ao Rio. 

Paramos antes de entrar na Linha Vermelha conforme combinado, porém ainda não tinha
prognóstico sobre a moto de Marquinhos. Na ponte Rio/Niterói notei que o pneu de Sérgio estava baixo. No pedágio avisei, e na saída do Contorno em Niterói ele parou num borracheiro. Paramos no Mc Donalds enquanto esperávamos Sérgio e Regina ligou mais uma vez para a Autokraft. Marquinhos mandou seguirmos viagem. 

Conforme Macaé se aproximava, eu me lembrava dos bons momentos que tínhamos passado juntos nestes trinta e quatro dias de convivência. Lembrava de meus filhos que nos aguardavam, dos amigos que torceram pelo nosso sucesso, da minha Gata que se tornava cada vez mais companheira inseparável e em emocionava. Perto do trevo de Macaé, eu estava puxando o grupo e Sérgio, que durante toda a viagem permanecia sempre como último do grupo, tomou a dianteira, e entrou no trevo que nos leva a Macaé, parando exatamente no mesmo local de nossa partida. 

Não consegui conter a emoção. Paramos e eu escondendo o choro. Descemos das motos, nos abraçamos e marcamos em próxima data um novo grande passeio. Agradeço de coração o convite recebido dos amigos,aos amigos Afonso da Continental, Gurgel da Só Moto, Augusto da Manchester, que acreditaram no projeto,à condução exata e sem erros de nosso amigo "GPS" Marcos Pires, a amizade das 2 maiores motociclistas que conheço,
Vera e Regina, ao nosso "Anjo da Guarda" Sérgio e a minha esposa que muito contribui para que eu conseguisse rodar com tantas adversidades e vencesse os 11051Km percorridos e principalmente a Deus por ter nos conduzido todo o tempo.

Contato: gomidebb@oi.com.br (Paulo)


Moto Esporte " Parabéns pela bela viagem e relato, só nós mesmos motociclistas entendemos estes sentimentos.... abraço a todos e no próximo estaremos aqui para relatar, sucesso."

 Marcos  Branco - Diretor Moto Esporte

 


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