Viagem ao Nordeste Brasileiro


CONSIDERAÇÕES GERAIS

Abril tem sido um mês no qual empreendemos longas viagens de moto, cujo objetivo extrapola conhecer locais ou culturas, pois buscamos algo diferenciado, onde esteja presente desafios a serem superados. 

Foi dessa forma que em 2002 fizemos o trajeto Florianópolis - Peru - Chile, via Estado do Acre, objetivando conhecer Macchu-Picchu e o Deserto de Atacama.

No ano de 2003 foi a vez de conhecer a Patagônia e a Terra do Fogo, especificamente a cidade mais austral do planeta, Ushuaia, além de locais como o Glaciar Perito Moreno e a Carretera Austral, estrada não pavimentada que serpenteia a Cordilheira dos Andes. Em função de neve na Patagônia Argentina, apenas o último trajeto não pode ser concretizado.

Neste ano entendemos que era chegado o momento de conhecer um pouco mais do Nordeste Brasileiro, sua paisagem, seu povo hospitaleiro e seus costumes. 

Evidentemente fazer esse trajeto de moto não chega a ser um grande desafio, razão pela qual resolvemos adquirir um triciclo e, mesmo não conhecendo esse tipo de veículo, com ele empreendermos a viagem. 

A VIAGEM

A aquisição do triciclo deu-se em Barra Mansa, Rio de Janeiro, ponto de partida da viagem. Pilotar algo com 3 rodas, que dá a sensação de andar de moto, porém assemelha-se mais a um automóvel em termos de dirigibilidade, no início, foi um desafio e as primeiras curvas da Serra das Araras, inevitavelmente, saíram "quadradas", porém a adaptação deu-se mais rápido que o esperado.

Nosso primeiro "pit stop" foi em Petrópolis, onde fomos recebidos pelos companheiros do MC LIVRES PARA VOAR, conhecidos de longa data. Já rolava um churrasco na Sede do Moto Clube e, mesmo um pouco cansados, lá estávamos. Hospedamo-nos na residência dos amigos Ricardo & Tereza e no dia seguinte, com alguns integrantes do Moto Clube, fomos visitar o pequeno museu "Casa de Santos Dumont" em Petrópolis. Após, fizemos um passeio à Itaipava, onde ocorria uma exposição de carros antigos (imperdível.... mesmo para motociclistas !) O programa da tarde foi almoçar numa pequena comunidade da Região.

Na segunda-feira, partimos em direção à Além Paraíba, evitando retornar pela Capital. Começou um desafio: em se tratando de um veículo com uma roda dianteira e duas traseiras, há dificuldade em se livrar dos inevitáveis buracos (muitos, verdadeiras "crateras") existentes em nossas rodovias. Não deixamos que isso se revertesse num grande problema, pelo contrário, seria um desafio a superar. Não demora muito e, ao cair numa dessas "crateras", sentimos que algo estranho tinha ocorrido, pois um lado da suspensão traseira abaixou, ficando o para lama apoiado no pneu. Mãos à obra ! Tiramos o para lama e começamos a retornar, pois havíamos passado pela Cidade de Além Paraíba há pouco. Como nossos anjos da guarda são eficientes, menos de um quilômetro retornando havia uma pequena oficina que constatou a quebra de uma barra de torção e conseguiu solucionar o problema num curto espaço de tempo. Percebemos a facilidade com que se lida com a mecânica Volkswagen.

Passamos por Macaé, cruzando no sentido oeste - leste em direção ao Espírito Santo, chegando ao anoitecer mas proximidades de Cachoeiro do Itapemirim. Na verdade, esse foi o primeiro dia efetivamente na estrada.

No dia seguinte, agora pela BR 101, cruzamos Vitória, entramos na Bahia sem parar pelas localidades do Sul do Estado, uma vez que conhecíamos até Porto Seguro, indo pernoitar numa agradável pousada não muito distante da Ilha de Itaparica. Era intenção conhecer o Morro de São Paulo, porém nos deparamos com o problema de ter que deixar o triciclo num local e fazer um determinado percurso de barco. Como acomodávamos nossos pertences em duas bolsas de couro, ou seja, teríamos que levá-las conosco, abortamos a idéia. Quem sabe na volta !

A primeira grande atração foi conhecer pontos turísticos de Salvador, como o Farol da Barra, o Pelourinho com sua bela arquitetura e suas baianas típicas, o Elevador Lacerda, etc.

Saindo Capital Baiana, enfrentamos a primeira (e última) "ficada sem gasolina". Mais uma vez a eficiência dos anjos da guarda: havia um posto a menos de 20 metros. Passando por Lauro de Freitas tentamos contatar um companheiro motociclista, porém não o encontramos em casa. Seguimos, agora pela chamada "Estrada do Coco", pista em boas condições, parando em Arembepe para observar algo coisa sobre o Projeto Tamar. Mais uma vez a dificuldade de deixar o triciclo com as bolsas, ou seja, vai um, fica o outro cuidando, o que começou a me incodar.

Na divisa dos Estados de Sergipe com Alagoas, na Cidade de Própria, hospedamo-nos num hotel às margens do Rio São Francisco, onde pudemos apreciar toda a beleza do "Velho Chico", tão cantado em prosas e versos. Um belo pôr de sol deu ainda um aspecto mais especial à paisagem.

Seguimos em direção aos demais estados nordestinos, com uma pequena parada apenas em Maceió, Alagoas. Não visitamos Recife, uma vez que, quando possível, evitamos o tumulto das grandes cidades. Na Paraíba, após uma chegada confusa na Capital João Pessoa e com dificuldade de achar um hotel adequado, visitamos no dia seguinte locais como Ponta Seixas, parte mais oriental das Américas e apreciamos a beleza da orla marítima, com os tradicionais coqueiros, paisagem que, praticamente, se repete nas demais cidades do Nordeste. A simpatia e a cordialidade do povo nordestino é algo surpreendente. Quase sempre nos rodeavam buscando informações sobre a viagem e o triciclo (quanto corre.....quanto gasta....., quanto custa, etc.) 

Em Mossoró, Rio Grande do Norte, contatamos o companheiro Luiz Lima, do MC GUARDIÕES DA LIBERDADE, que conhecíamos apenas pela Internet. Muito prstativo, veio acompanhado da esposa e de outro casal de amigos. À noite saimos para uma pizza e, no dia seguinte, gentilmente nos orientou acerca de providências que se faziam necessárias em relação manutenção do triciclo e aquisição de "bauletos" que pretendíamos instalar, objetivando acabar com a questão de não poder deixar o triciclo sozinho sem ter que levar as malas junto. Conhecemos outros integrantes do MC do Luiz, despachamos as malas vazias através do Correio e seguimos viagem, agora em direção à Fortaleza, não sem antes fazer uma parada em Canoa Quebrada, local de rara beleza.

Chegamos à Fortaleza, hospedando-se num hotel na Praia de Iracema onde, do alto, pudemos observar toda a efervescência de sua vida noturna. No dia seguinte, enquanto o triciclo era submetido a uma merecida revisão, empreendemos um passeio marítimo para apreciar o belo por de sol da Capital Cearense. 

'À noite, contatamos o companheiro Luiz Almeida, do MC ESQUADRÃO DO ASFALTO, o qual, também, conhecíamos apenas pela Internet. Levou-nos para conhecer a Sede do MC onde fomos apresentados a outros integrantes e recebemos uma camiseta como lembrança. Saímos para jantar e bater papo sobre aquilo que mais gostamos, nesse caso, em dose dupla, pois o Luiz está, também, escrevendo um livro. 

É chegada a hora do retorno. Não somos adeptos de voltar pelo mesmo caminho, porém dessa vez não tínhamos outra opção. Dessa forma, aproveitaríamos para visitar locais que, por "n" motivos, não puderam ser vistos na ida. 

Antes de Mossoró, por indicação do companheiro Luiz, de Fortaleza, fizemos uma pequena parada na praia de "Redonda" a procura de lagosta, pois achávamos injusto ir ao Nordeste e não saborear esse incrível crustáceo. Após, eis que surge o segundo problema mecânico: rompeu um retentor da caixa, passando óleo para o disco da embreagem, fazendo com que começasse pequena patinação quando na quarta marcha. Paramos em Mossoró para resolver esse problema e, mais uma vez, tudo resolvido mais rápido que o previsto. Pena não termos condições de contatar novamente nossos companheiros que tão bem nos receberam naquela Cidade quando da ida. Algumas centenas de quilômetros após, eis que surge o terceiro (e, ufa....último !) problema mecânico: dessa vez um rolamento numa roda traseira. Nada que qualquer mecânico de beira de estrada não resolvesse - ou seria nossos eficientes anjos da guarda ? !

Um dos locais que pretendíamos visitar no retorno era Porto de Galinhas, em Pernambuco, com suas incríveis piscinas naturais e, nas imediações, a foz do Rio Maracaípe, com manguezais de incrível beleza, onde passeamos de canoa e saboreamos incríveis caranguejos.

Conhecer a Chapada Diamantina, no centro do Estado da Bahia, também estava em nossos planos e, retornando àquele Estado, para lá seguimos. Lamentavelmente as estradas estavam em condições tão precárias que quase nos arrependemos haver tomado essa decisão, porém, estar no topo do morro de Pai Inácio com seus mais de 300m de altura, donde se tem a melhor vista da Chapada, bem como visitar a gruta Poço Encantado, com seu poço de águas cristalinas com mais de 60m de profundidade, cujos raios de sol iluminam o fundo, valeram mais o sacrifício de enfrentar as péssimas estradas.

Deixamos a Chapada Diamantina em direção ao Estado de Minas, observando pequenos vilarejos perdidos no "meio do nada", de gente extremamente humilde e, porque não dizer, até assustadas com nosso estranho veículo. 

Visitamos mais uma amiga motociclista em Visconde do Rio Branco, próximo a Juiz de Fora, Minas Gerais e de lá rumamos direto para Barra Mansa para uma última revisão do veículo, agora na fábrica. 

No dia seguinte tomamos a direção da Grande São Paulo e Curitiba (com muita chuva), para, finalmente, para receber o abraço da família, retornando a Florianópolis após 19 dias na estrada, 8.700 quilômetros percorridos, cruzando 13 estados e haver experimentado alguns problemas mecânicos, normais num protótipo montado sobre diversas peças recondicionadas.




Cícero & Lourdes

Moto Esporte: Valeu por mais uma viagem realizada, temos muito orgulho em estar relatando, a viagem do casal Cícero e Lourdes, em 2005 estaremos aqui com espaço aberto para divulgar a próxima aventura..... É muito importante a divulgação dessas viagens, assim ajuda o próximo viajante. Valeu e Sucesso!!!