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9500 km rodados,
33 dias de viagem e muita histórias pra
contar... ( SP ao NE ) 2010
12/05/2010
Por: Paulo Henrique Lima Bleasby

Essa foi a viagem que fiz rumo ao Nordeste no
final de 2009 ao início de 2010, entre os meses
de dezembro e janeiro.
Uma experiência maravilhosa de conhecer novas
pessoas, novos lugares e que com certeza irei
levar por toda a vida.

Em julho de 2009, ao regressar de uma viagem de
quase 4.000 km em 20 dias pelo sul do Brasil,
comecei a planejar a viagem para o Nordeste. O
primeiro passo foi arrumar a moto – como a Super
Tenere 750 da Yahama de ano 95 não era uma moto
tão confiável pelo seu estado de conservação,
meses de visitas a vários mecânicos foram
extremamente necessário. Começou a juntar
dinheiro e marcou a data de saída coincidindo
com o início das férias de final de ano. Tracei
a rota e fiz contato com integrantes do ClubeXT
e ClubeNX (que é administrador), das cidades por
onde planejava passar.
No dia 19 de dezembro de 2009, às 5h30, quando o
sol nem tinha despontado no céu de São Paulo,
parti para minha aventura. Na bagagem,
ferramentas, muitos mapas e roupas para 30 dias
de viagem, aliás, muitas roupas mesmo, várias
nem utilizando.
O primeiro objetivo era chegar a Itapipoca antes
das festas natalinas, para aproveitar a data com
a família. Viajava durante o dia todo – nunca à
noite por causa do risco maior de acidentes e
assaltos – a moto fazia 17 km por litro, a uma
velocidade média de 140 km/h, com pausas curtas
para abastecimento, alimentação e para esticar
as pernas (e aproveitar para bater fotos).
Na primeira parada dei uma passada na casa do
Betão, administrador do ClubeNX que mora em
Pouso Alegre, isso bem cedo, para tomar o café
da manhã, já há uns 200 km de São Paulo. Depois
segui direto para Montes Claros onde o Wagão (ClubeXT)
e sua esposa estavam me esperando para levar há
um hotel da cidade, isso por volta das 22h.

No segundo dia de viagem resolvi mudar todo o
roteiro e seguindo conselhos de outros amigos
motociclistas peguei pelo interior de Minas
Gerais para entrar na Bahia pela Chapada
Diamantina, no caminho, ainda umas paradinhas
para conversar com alguns amigos que só conhecia
pela internet, como o Naldo lá de Janaúba, um
cara muito gente fina, e o Tony Ronan da cidade
de Brumado.

Depois de algumas horas nas estradas pelo
interior sem passar um mosquito na minha frente,
consegui chegar a Andaraí, já dentro da Bahia,
na Chapada Diamantina, e procurei abrigo na
Pousada Andaraí, por sinal uma das melhores na
região.

Lá descobri que não conseguiria conhecer a
Chapada Diamantina em apenas um dia, então
resolvi seguir viagem e tentar chegar ao
objetivo, que era Itapipoca no Ceará. No outro
dia segui viagem também pelo interior.

De Minas a Pernambuco as estradas estavam muito
boas e vazias, o único motivo de atenção eram os
animais, próximo à cidade de Afrânio em
Pernambuco quase caí da moto quando um porco
atravessou a pista na velocidade da luz.
A comida e a hospedagem no interior foram muito
baratas, gastando uma média de R$50,00 por dia.
As paisagens mais marcantes do trajeto são a da
Chapada Diamantina (BA) e o Cemitário Gótico que
fica cravado nas pedras à beira de uma serra.
Depois de Afrânio segui até Picos no Piauí e
depois peguei a rodovia BR-020 para ir até
Fortaleza.

De Tauá – CE até Itapipoca encontrei uma estrada
muito cheia de buracos, foi a parte mais
perigosa da viagem. Mas consegui chegar ao
destino dentro do prazo previsto: de São Paulo a
Itapipoca foram quatro dias de viagem.

Passei o Natal em família e continuei a viagem
pelo interior do Ceará, visitando alguns amigos
em Varjota, Jericoacoara, e até o lugar mais
lindo de toda a viagem, a Lagoa do Paraíso (o
lugar que tem a cerveja mais cara do Ceará,
simplesmente R$ 5,50), Lagoa Tatajuba e Jijoca,
lugares fantásticos. Só era preciso estar atento
às estradas com muita areia.

Uma dica para Jericoacoara é a Churrascaria do
Ávila, um motociclista integrante do ClubeXT, o
peixe que sua esposa faz é maravilhoso e muito
barato. Lá na Churrascaria tive a felicidade de
encontrar um grande amigo do ClubeXT de São
Paulo, o Xan e sua esposa, que estavam passando
as férias por lá, com eles fizemos alguns
passeios e como virou nosso jargão “que vidinha
mais ou menos...”

No 11º dia de viagem encontrei um amigo de São
Paulo, o Fernando, que tínhamos combinado nos
encontrar em Itapipoca para fazer a volta
juntos.

Depois de uma virada de ano na Praia de Iracema
meio que desastrosa por não encontrar lugar para
ficar, estava tudo lotado, desde pousadas,
hotéis, papelão no meio da rua, não tinha nem
poste pra encostar a cabeça, fomos passar um dia
maravilhoso no Beach Park, um dos melhores
parques aquáticos do Brasil, senão o melhor.

No outro dia já seguimos nosso segundo objetivo
da viagem: passar por todos os estados
contornando toda a costa nordestina pelas
praias.

À beira-mar tanto comida como hospedagem são
mais caras, principalmente nas capitais e
cidades turísticas. O gasto médio por pessoa
varia de R$200 a R$300 por dia. Lugares
imperdíveis: Morro Branco, Aracati, Canoa
Quebrada, Natal, Genipabu, Maracajaú, Praia de
Pipa e Ilha de Itamaracá.

Mas só em Natal ficamos cerca de quatro dias,
pois tínhamos que esperar um pouco na viagem,
para esperar minha esposa, que estava vindo de
São Paulo e iríamos encontrá-la em Recife.

Continuando a viagem fomos nos deparar com
Olinda em Pernambuco, aliás, para minha supresa,
Olinda fica mesmo em Pernambuco e não na Bahia
como eu achava(rs), então meio que sem querer e
sem estar na programação da viagem, paramos em
Olinda e ancoramos também quatro dias, acho que
foi o que de melhor aproveitamos em toda a
viagem, chegamos bem no final de semana de
prévias de carnaval, uma loucura, os blocos na
rua, e ainda demos muita sorte em ficar numa
pousada bem no centro histórico, a Pousada
D’Olinda, que tinha quartos bem coloniais e uma
comida muito boa também.

Lá nos encontramos com o Luiz e o Tadeu também
do ClubeXT que moravam em Recife, com eles
fizemos vários passeios e também nos ajudaram
muito quanto a questão das motos, pois
precisamos fazer umas revisões e troca de óleo.
Com o Luiz fomos a belíssima Porto de Galinhas
(PE), onde a tradição é comer um peixe na telha,
maravilhoso! Como a idéia também não era gastar
muito escolhia-mos sempre dormir em lugares que
não eram pontos turísticos famosos, pois as
pousadas eram mais baratas. Em Alagoas, o
passeio de barco pelas sete ilhas é uma boa
pedida para famílias, principalmente para quem
tem crianças.

Um dos momentos mais emocionantes da viagem foi
um passeio pela beira do mar para encontrar a
foz do rio São Francisco, andamos cerca de 40km
entre o mar e as dunas, sem mais nada por perto.
Próximo a Salvador também valeu a pena um
passeio pela vilinha do Projeto Tamar na Praia
do Forte.

Na ilha de Itaparica o Fenando resolveu adiantar
a viagem e não fazer mais tantas paradas, eu e a
Clarissa continuaram seguindo o roteiro. Uma
dica de pousada próximo a Angra dos Reis é
Arakatu, de um casal de franceses. Comida muito
boa e preço bom!

Para quem deseja realizar uma empreitada como
esta as dicas mais importantes são: levar pouca
bagagem, conhecer bem a moto (na estrada quem
tem que resolver os probleminhas que normalmente
aparecem é o próprio piloto) e tirar muitas
fotos. É uma viagem cansativa, mas que vale a
pena.

Chegamos em São Paulo depois de 33 dias de
viagem no dia 20 de janeiro, e para dar mais
emoção ainda a tudo, na esquina de casa a
corrente da moto quebrou, travando a moto de um
jeito que só consegui para uns 10 metros depois
arrastando pneus. Não tinha o que fazer, como já
estava em São Paulo, era procurar o mecânico
mais próximo, trocar a relação e terminar os
últimos 50 metros até chegar em casa.
Não existe piloto inexperiente, existe piloto
medroso, para fazer uma viagem destas basta um
pouco de programação quanto ao dinheiro e ter
muita disposição para pegar estrada.
Responsabilidade e saber o que está fazendo o
tempo todo.
Um grande abraço a todos e já estamos
programando a próxima viagem, onde
pretensiosamente queremos dar a volta no
continente sul-americano. E ai, quem topa?
Por: Paulo Henrique Lima Bleasby
Contato:
pahe@girico.com.br
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