SUPER TEST - CONFRONTO FINAL 2003
 
Qual é a melhor esportiva do momento?
Esta é uma pergunta que é difícil responder, por isso juntamos 14 esportivas da última geração para uma batalha sem tréguas num dos mais difíceis cenários da atualidade, o circuito de Almeria - PT.

Mas como nem só de tempos vive o homem, e porque estas motos vão certamente passar mais tempo na estrada do que em pista, decidimos valorizar também os outros aspectos que pesam na altura de passar o cheque.

É o confronto final, a grande decisão entre as esportivas 2003!
Texto: MÁRIO FIGUEIRAS, F. P. MARTINS e FERNANDO NETO
Fotos: IMAGEPRESS/JOSÉ FONSECA

DUCATI 749S

Depois do título alcançado nas Supersport com Paolo Casoli, a Ducati foi paulatinamente desaparecendo das pistas, tendo a 748 perdido alguma da importância que teve nos finais da década de ‘90. Com o aparecimento dos novos motores Testastretta, desde cedo se começou a falar de uma sucessora, que surgiu materializada na 749, lançada à imagem da mana 999. Na versão S, a monolugar que tivemos à disposição em Almeria, a 749 possui afinação da posição (cinco) das pedaleiras e permite a afinação da posição do assento/depósito em 20 mm (3 posições). De resto, as características básicas são idênticas às da mana 999, com a particularidade de montar uma versão Testastretta com cotas 90 x 58,8 mm, que lhe permitem retirar mais seis cavalos de potência (103 no total) e mais 0,4 kgm (7,8 no total) face à anterior 748. Um amortecedor Showa distingue-a, ainda, do Sachs Boge montado na 749, à imagem dos mais dois cavalos de potência declarados para a S.

Em Almeria a 749S mostrou todas as suas qualidades dinâmicas, onde a precisão de trajetória aliada à maneabilidade e à capacidade de freadas fazem dela uma máquina temível no miolo de qualquer circuito. É extremamente divertida de pilotar e requer algum trabalho de marchas, face às mais possantes 999. Requer, ainda, habituação na condução deste tipo de motores, sobretudo da parte dos “revers” mais familiarizados com a condução das tetracilíndricas.
 

HONDA CBR 600RR

Desde a apresentação mundial da Honda CBR 600 RR na Bélgica, que este tem sido um dos modelos mais falados e cobiçados por todo  lado. Isto devido não só à estética, inspirada completamente na Honda RCV 211V que Valentino Rossi utiliza atualmente no MOTO GP, mas pelas soluções técnicas utilizadas que vieram romper com tudo o que a Honda vinha a fazer na sua polivalente Honda CBR 600 F. 

Em primeiro lugar, a nova RR é muito bela, para o qual contribuiu o novo escape por baixo do assento, o espetacular braço oscilante, ou mesmo o formato dos faróis. Tecnicamente, finalmente a CBR tem argumentos semelhantes à concorrência, com um motor potente e capaz de fazer muita rotação, uma frenagem impressionante e novas suspensões, tendo o amortecedor traseiro a particularidade de estar ligado na zona superior do mesmo ao braço oscilante. 

Em termos de equipamento e acabamentos não há nada a apontar. Este modelo está muito bem acabado e o painel de instrumentos é um dos mais completos da classe, sendo o único com indicador do nível de combustível. 

Dinamicamente há que separar a estrada do circuito. Em circuito esta é uma moto com muito potencial e que impressiona pelas suas pequenas dimensões e sensação de leveza, no entanto, nem todos os proprietários deste modelo conseguirão inicialmente extrair todo o seu ‘potencial’ devido à sua condução ser algo exigente.

KAWASAKI ZX-6R

À semelhança da Honda com a sua CBR 600, também até 2003 a Kawasaki apostou sempre em oferecer uma ‘supersport’ amigável, a qual se adaptava bem ao uso diário ou a algumas viagens, mas também bastante eficiente para o uso em circuito. 

A nova ZX-6R vem romper com a versatilidade dos modelos anteriores, posicionando–se como um modelo extremamente radical e em que a pista será o seu ‘habitat natural’. Com uma estética muito agressiva e uma ciclística de primeira ordem, onde se destaca o fabuloso conjunto dianteiro formado pela forquilha invertida e pelos freios com pinças de montagem radial, logo aqui se observa que este modelo não foi construído apenas para as voltinhas de fim–de–semana mas especialmente para as corridas. 

Em relação ao motor, pode–se dizer que os engenheiros da Kawasaki foram inteligentes ao construírem um motor de 636cc, pois parecendo insignificantes, os adicionais 36cc fazem realmente a diferença, fazendo com que a subida de regime seja fulgurante logo a partir das 8.000 rotações, regime bastante mais calmo nas suas concorrentes.

Mas existem contras. Em estrada a ZX-6R tem de fato umas suspensões duras e a posição de condução é exageradamente radical, uma das mais cansativas. Em pista, não sendo a ‘supersport’ mais fácil de conduzir, tem um potencial enorme, com um motor fulgurante, frenagem fabulosa e suspensões que (aqui sim) funcionam realmente. Em termos de acabamentos e qualidade de construção, esta moto não está no entanto ao nível da Honda ou da Yamaha.

KAWASAKI ZX-6RR

Com o lançamento da versão de 636cc, a Kawasaki encontrou uma contrariedade que foi o fato de não poder participar com essa moto no Mundial de Supersport. Por esse motivo essencialmente, a marca de Akashi apresentou a ZX-6RR, um modelo de 600cc (desta forma em conformidade para participar nesse campeonato), que além da cilindrada mais baixa, apenas pode ser diferenciado da ZX-6R por possuir uma afinação no apoio do braço oscilante, algo que apenas poderá trazer diferenças ao comportamento da moto numa utilização a sério em circuito, para além da embreagem anti-bloqueio e do suporte para montagem do amortecedor de direção. 

De resto, a ZX-6RR possui o mesmo desconforto em estrada aberta, mas como o motor possui menos cilindrada, é um pouco menos brusco e mais fácil de explorar. No entanto, em pista, já não existem aqui os fulgurantes médios regimes da outra ‘verdinha’, apresentando o mesmo caráter mas apenas algumas rotações acima. De resto, não existem mesmo mais diferenças para a ZX-6R, mostrando também pormenores muito bem construídos  (ponteira de escape por exemplo) mas outros de menos qualidade tais como alguns plásticos, tato da embreagem ou alguma brusquidão no uso da caixa de velocidades. O painel de instrumentos é bonito, compacto e completo mas o conta girus (digital) poderia ser mais legível.

SUZUKI GSX-R 600

Desengane–se quem pensava que a Suzuki GSX-R 600 iria tornar–se uma moto ultrapassada com a chegada dos novos modelos de 600cc. O único ponto em que este modelo perde sem dúvida para os restantes modelos é na estética, que não sendo negativa, não possui já os laços de agressividade dos novos modelos de 2003. É que não tendo passado muito tempo desde o lançamento desta moto, apenas dois anos, a concorrência não perdoa, e ao olharmos para a GSX-R 600, temos efetivamente a sensação que é a ‘supersport’ de maiores dimensões e menos... moderna, se assim podemos dizer.

Com um motor não tão brusco como a CBR e a ZX-6R, mas com uma potência nos médios regimes muito agradável que não dá hipóteses à adversária da marca da asa dourada, este modelo está ainda bem atual, por isso só podemos imaginar que daqui vai sair uma grande ‘bomba’ quando a GSX-R sofrer uma atualização. A ciclística, não impressionando, cumpre plenamente a sua função em estrada (onde a posição de condução é bem mais agradável que a da CBR ou da ZX-6), apenas encontrando os limites, numa utilização muito (mas mesmo muito) intensiva em circuito, onde os freios poderiam ter uma potência suplementar. Mas de qualquer modo, em pista a GSX-R continua a comportar–se muito bem, com uma facilidade de condução elevada e onde o motor ‘cheio’ nos médios regimes permite uma condução bastante divertida mas igualmente eficiente, sendo tão rápida como as suas concorrentes.

TRIUMPH DAYTONA 600

A Triumph merece uma medalha pela coragem que demonstrou ao defrontar os gigantes japoneses na classe mais concorrida do mercado mundial, e logo com armas iguais. Depois do tremendo fracasso comercial da TT 600, facilmente explicado pela pouco inspirada estética do modelo e por um motor que, apesar de potente e de ter estreado a injeção eletrônica nas máquinas de quatro cilindros desta categoria, denotava falhas na entrega de potência nos baixos e médios regimes, os britânicos colocaram mãos à obra e desenvolveram para esta ano uma máquina totalmente nova, a começar pelo desenho, que agora revela não só originalidade mas também linhas consensuais e até apelativas.

A mecânica foi refinada, sendo de destacar a introdução de um novo sistema de injeção com duas borboletas em cada um dos corpos de admissão de 38 mm, que concorrem para uma resposta mais linear e progressiva sem comprometer o débito máximo de potência.

A admissão forçada de ar foi revista, assim como o escape, e com os ganhos de peso conseguidos em alguns componentes, o quatro em linha britânico ganhou uma nova alma que lhe permite lutar de igual para igual com as mais recentes produções nipônicas.

Ao nível da ciclística, se bem que a arquitetura base não foi modificada, nota–se apesar de tudo maior eficácia em pista ou em condução esportiva, pois a geometria da direção está um pouco mais radical e tanto as suspensões como os freios sofreram retoques que melhoraram a sua eficácia. 

A Daytona 600 é uma moto que surpreende pela sua eficácia global, e se em pista pouco perde para as suas rivais - apenas a caixa de velocidades por vezes não colabora - já em estrada estará como peixe na água face às radicais 600 da nova geração.

YAMAHA YZF-R6

Face ao profundo ataque pela Honda e pela Kawasaki para este ano, a forma como a Yamaha resolveu modernizar a sua R6 parece não provocar tanto espanto, já que a máquina de Iwata manteve a silhueta já conhecida e em termos técnicos, apesar da miríade de novidades, não parece ter sido alvo de processos tão radicais como sucedeu na CBR 600RR e na ZX-6R.

Mas é tudo uma questão de aspecto exterior e de opção por uma determinada filosofia construtiva, pois a R6, com o conjunto quadro/braço oscilante totalmente novo, e com um motor que recebeu as graças da injeção eletrônica (o mesmo sistema com recurso a êmbolos controlados por depressão que já tinha dado excelentes resultados na R1) é capaz de uma pilotagem esportiva inacreditável, aliando à sua meteórica capacidade de realizar grandes tempos uma facilidade de condução desconcertante.

É daquelas motos que se deixa levar sem esforço, reagindo sempre com total neutralidade e com uma eficácia desconcertante, a todos os níveis, graças a uma ciclística muito equilibrada e a um motor forte mas com um tato do acelerador e uma resposta muito suave, devido ao tal sistema de injeção.

Se em circuito as capacidades da R6 não merecem o mínimo reparo (basta ver os tempos) também em estrada a máquina da Yamaha ganhou com a radicalização das suas mais diretas concorrentes, revelando uma inesperada polivalência graças a uma posição de condução esportiva mas não exagerada, a suspensões bem calibradas e a um conjunto de freios fáceis de utilizar.

DUCATI 999

Os rapazes de Borgo Panigale, em Bolonha, preferem chama–la de “Redvolution”! E de fato, a 999 tem tanto de revolucionário quanto de polemico.

A substituição do “designer” Massimo Tamburini (é para mim a Luz em termos de desenho de motos) pelo sul–africano, mas não menos experiente, Pierre Terblanche, abanou os transalpinos como um terremoto. Terblanche partiu de uma folha em branco para chegar à 999, onde apenas o motor Testastretta foi aproveitado da 998. O corte foi radical e se a 999 é um excelente trabalho de engenharia, o fato é que esteticamente é o assunto de maior discussão entre a tertúlia motociclística. 

A característica frente de dois faróis lenticulares deu lugar a duas mini–ópticas sobrepostas, como já conhecíamos da KTM Duke e da MV Agusta F4. Atrás, desapareceu o belíssimo monobraço e as duas panelas de escape de saída superior (mais um rasgo de gênio de Tamburini) foram substituídas por dois coletores de diâmetros diferentes inseridos um corpo retangular. Independentemente das opções estéticas, tecnicamente a 999 é uma moto muito mais simples, fabricada com muito menos peças (menos 30%) e com uma repartição de pesos muito mais equilibrada. 

Interessante o fato de podermos regular a geometria da direção e a ergonomia, ao podermos colocar o assento em três posições diferentes. A 999 está agora mais confortável para estrada e muito bem- vinda é a nova instrumentação com um taquímetro analógico, colocado sobre um painel de cristais líquidos ligado apenas por dois fios, já que a 999 é a primeira moto de série a adotar o sistema CAN (Control Área Network), já muito em voga na indústria automóvel e que reduz de sobremaneira a complexidade das instalações elétricas.

DUCATI 999S

Imaginem uma 999 vestida a rigor para um jantar de gala. Aí têm a 999 S. Logo para começar, o motor Testastretta surge “envenenado” ao debitar mais 12 cavalos (136 cv no total) que a 999, para além do binário ser 0,4 kgm superior (10,8 kgm contra 10,4 kgm). Depois, a Ducati recorreu ao seu “alfaiate” de luxo para a definição das suspensões. Assim a Showa invertida original de 125 mm de curso de roda dá lugar a uma unidade sueca de 120 mm de curso, qualquer uma delas com tratamento de superfície das bainhas à base de nitrito de titânio. Atrás, um amortecedor escandinavo idêntico aos da competição, substitui o Sachs Boge montado na 999, enquanto na direção surge um Ohlins multi–regulável. 

Depois, o novo sistema de ajustamento da tensão da corrente não com as afinações da suspensão ou com a altura da moto, como nas versões anteriores de monobraço. Tal como na 999, podemos afinar o avanço do assento em 20 mm (3 posições), enquanto as pedaleiras podem ser colocadas em cinco posições diferentes (exclusivo das versões monolugar), que tornam a 999 S na primeira “Superbike” de ergonomia ajustável. 

Há ainda o imobilizador (tal como o HISS das Honda), a bomba de freio radial e as pinças de freio de quatro pastilhas e ponte tripla, o radiador inovador ou a possibilidade de ajustar a geometria de direção (23,5 º a 24,5º). 

Por tudo isto, para além de mais confortável para uma utilização estradista, a 999 S revelou todas as suas aptidões para rolar em pista, revelando–se como a moto mais precisa de todas as que tiveram no circuito. Faltou o confronto com a Aprilia RSV Mille Colin Edwards, mas a 999 S é sem dúvida uma das mais eficazes bicilíndricas do momento, capaz de proporcionar momentos de pilotagem únicos, como era a passagem na tripla direita cega ou na chicane do circuito de Almeria, onde a sua eficácia era estonteante. Tão estonteante quanto o seu preço...

HONDA CBR 900RR FIREBLADE

Foi em 1992 que a Honda apresentou, na pista australiana de Phillip Island, a primeira versão da CBR 900RR Fireblade, cuja particularidade residia num novo conceito aplicado a modelos esportivos: o controle total. Pretendia–se que as novas esportivas da Honda fossem fáceis de conduzir e que o condutor tivesse sempre a noção de comandar a máquina, ao invés do que sucedia com outros modelos. 

A “Blade” rapidamente se tornou um sucesso, mas a concorrência evoluiu e a Honda viu–se forçada a acompanhar a passada das suas adversárias, aumentando progressivamente a capacidade do motor, que na versão atual (que é a sétima) soma já 954 cc. 

Esteticamente muito agressiva e com uma instrumentação atual, a Fireblade surge como um bom compromisso para a pista e para a estrada. A sua facilidade de condução será muito apreciada pelos menos experientes.

Na atual versão, a maior alteração respeita ao incremento de 25 cc, com o quatro em linha a somar agora 954 cc face aos anteriores 929 cc da versão apresentada em 2000. Dotada de injeção/ignição eletrônica PGM–FI, há que destacar os injetores de 12 furos e ainda o sistema H–VIX de válvula de escape e de admissão variável.  

Na ciclística, a grande estrela é o braço oscilante assimétrico, tipo Yagura, inspirado nas unidades do Mundial de Velocidade e que ancora diretamente no motor, enquanto na frente encontramos a obrigatória forquilha invertida, onde se inserem os impressionantes discos de 330 mm de diâmetro, servidos por pinças Nissin de quatro êmbolos. 

Muito provavelmente, esta será a última das “Blade” no conceito como sempre o conhecemos. Na calha estará uma 1000, esteticamente semelhante à RC 211V de Rossi, para lutar com a líder incontestada, a GSX-R 1000, e as anunciadas ZX-10R, da Kawasaki, e a nova Yamaha R1.

KAWASAKI ZX-9R

A Kawasaki sempre teve a fama de possuir na sua gama as motos mais potentes e rápidas, algo que as diversas ZX-9R sempre cumpriram ao longo dos anos e das várias atualizações. Mas com a chegada, nos últimos tempos, dos potentes modelos de 1000cc, a ZX-9R foi perdendo algum terreno, pois além de possuir um motor que é o único que não possui ainda injeção de combustível, este é um modelo - e aqui perde claramente para a concorrência - bastante mais volumoso. 

Esteticamente, a ZX-9R continua a ser bastante bonita, mas as suas dimensões são bastante avantajadas, e isto nota–se bem depois de andarmos nas concorrentes. O painel de instrumentos, totalmente analógico, é outro ponto que já merecia uma remodelação, mas como é possível que seja apresentando um novo modelo lá para o final deste ano...

No entanto, e apesar desta ser a moto do comparativo que talvez menos evoluções tem tido ultimamente, em estrada a ZX-9R pouco perde para as restantes (talvez um pouco em maneabilidade) com uma posição de condução agradável e com uma proteção aerodinâmica das melhores do segmento. Em circuito, é necessário algum tempo (pouco) até nos acostumar–mos à sua posição de condução (tanque de combustível bastante largo e dimensões imponentes), mas depois desta habituação a sua condução acaba por sair fluída como em qualquer outra moto do seu segmento. 

Os freios surpreendem agora pela positiva, e no restante este modelo comporta–se bem e o maior volume acaba por não se notar demasiado. Em relação ao motor, não existem grandes reparos a fazer, com uma subida de rotação limpa e com muita potência nos altos regimes, ao melhor estilo Kawasaki!

SUZUKI GSX-R 750

A GSX-R 750 não podia deixar de ser englobada neste trabalho generalista, pois continua a ser uma excelente moto e sem dúvida uma das esportivas mais equilibradas de todos os tempos.

A meio caminho entra a popular 600 e a poderosa e cada vez mais inatingível 1000, a sete e meio é uma moto que dá prazer pilotar, revelando um motor que para muitos continuar a ser o ideal em termos de potência e facilidade de utilização, mais forte que o da sua irmã menor, mas não tão bruto e assustador quanto o da mais recente GSX-R.

A 750 foi a pioneira, em meados dos anos ‘80, desta nova geração de motos esportivas potentes e leves, definindo o caminho que todos os construtores viriam a seguir e marcando a evolução de uma gamas de maior sucesso dentro da Suzuki.
Foi a 750 que estreou a refrigeração líquida, o quadro tipo dupla trave, a injeção de combustível, o sistema de alimentação forçada de ar... enfim, tudo o que a Suzuki conseguiu fazer de bom para que mais tarde a 1000 viesse a beneficiar de todos estes ensinamentos, acabando por destronar a 750 dos stands e também das pistas.

A GSX-R 750, apesar de não sofrer alterações desde 2000, continua a ser uma moto muito eficaz, exibindo um motor cheio de gênica que não se intimida por exemplo face a uma Fireblade ou ZX-9R e uma ciclística de exceção onde o equilíbrio é a palavra de ordem, sendo de destacar não só a maneabilidade, mas também a precisão e o aprumo em curva, notando–se apenas uma ligeira necessidade de modernização em termos de ergonomia, suspensões e freios, porque nestes campos as coisas evoluíram muito no últimos anos.

Não sei se terá sido uma despedida definitiva, mas uma coisa é certa, a GSX-R 750 vai deixar muitas saudades!

SUZUKI GSX-R 1000

Se com a primeira GSX-R 1000 a Suzuki deixou a concorrência moribunda, o golpe de misericórdia dos samurais de Hamamatsu veio com a segunda versão da 1000. 

Imaginem um novo ataque das tropas da coligação às devassadas brigadas da tropa republicana iraquiana! A Suzuki reduziu a nada as suas concorrentes. Guiar a nova GSX-R 1000 é uma experiência única. 

O alegado monstro de 164 cavalos de 168 kg (quase quebrada a mítica barreira de um cavalo por quilograma de peso) é afinal fácil de guiar, muito fácil mesmo. Mais fácil e menos física que as manas 750 e 600, imaginem, tal a facilidade com que se insere a 1000 em curva. 

No miolo de Almeria, a terceira chegava para tudo, mas também podíamos rolar em quarta, ou até em segunda. Mas é nas retas que a GSX-R 1000 mostra a sua descendência espacial e acelera como nada em duas rodas, marcando mais de 280 km/h no final da reta mais longa do circuito andaluz, cerca de quase mais 20 km/h que as suas adversárias de segmento! E no entanto é tão fácil de guiar e dá–nos tanto prazer. 

Para 2003 e para a sua segunda versão, apenas 2 kg a menos e 2 cavalos a mais separam a primeira da segunda versão. Bom, na realidade a nova GSX-R 1000 surge dotada com um processador de comando do motor de 32 bits e com maior capacidade de memória; a injeção foi retocada e as tomadas de ar forçada reaproximadas. O sistema de dupla borboleta nos coletores de admissão (resposta mais suave do motor) é imagem de marca da Suzuki.

Para além da nova estética mais compacta (a lembrar a Hayabusa), o quadro é novo e a geometria de direção menos agressiva, com a forquilha Kayaba invertida a receber um tratamento de superfície em DLC (Diamond Like Carbon) que oferece melhor coeficiente de fricção face ao titânio. Finalmente, as suspensões possuem uma calibragem mais dura e as pinças de freio são de montagem radial, como na Moto GP, e de quatro pastilhas, o que permite aumentar a potência de frenagem mesmo com a diminuição do diâmetro dos discos para 300 mm (antes 320 mm).

YAMAHA YZF-R1

A nova R1, tal como sucedeu com a mana R6 - lançada este ano - representou um passo no caminho da polivalência. Quatro anos após o seu lançamento, foi em 2002 que surgiu com o novo produto da sua redefinição do radicalismo da versão original. A R1 foi durante algum tempo a referência da categoria, mas era uma moto algo caprichosa e com um caráter muito vincado, que a tornavam numa moto nem sempre ao alcance de todos. 

Pois bem, a nova R1, para além de ser a mais bela (apreciem bem as formas de uma versão monocromática!) está agora muito fácil de conduzir e bem mais agradável. Além disso, é de uma eficácia a toda a prova, graças às muitas modificações nela introduzidas. 

O novo quadro Deltabox III é mais rígido (30%) e o amortecedor e a forquilha dianteira invertida com bainhas de 43 mm de diâmetro são novas. 

As alterações da geometria da direção e a colocação do motor em posição mais elevada tornaram a R1 numa moto que entra em curva de forma mais progressiva e com menos esforço. É agora mais precisa e estável e os freios receberam novas pinças monobloco de quatro êmbolos.

Quanto ao motor, e seguindo os passos da Suzuki, a nova R1 recebeu as vantagens da injeção eletrônica, muito embora não disponha ainda de um sistema de pressurização, tipo Ram–Air, mas com o controle dos êmbolos por vácuo, o que ajuda a suavizar as reações do motor. Para tal contribui ainda o renovado sistema de válvula de escape, o pioneiro EXUP.

Com uma traseira linda de morrer (com um fino farol de LED), esperem por uma versão ainda mais “espigada” já para o próximo ano.
 

 

 

Fonte: http://www.motojornal.pt