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Relato Viagem de São Mateus do Sul/PR, circundando no Uruguai final de 2010


Por: Marcelino kaizer

Pretendia realizar esta viagem com mais dois colegas. Porem um estava com problemas de saúde que se agravaram, e o outro não foi devido a problemas de saúde de seu enteado. Como eu já tinha programado minhas férias e comprado passagens para minha família até Montevidéu, decidi ir assim mesmo.

O fato de ir sozinho tem suas vantagens, pois você faz seu ritmo e seu itinerário, porém se acontecer algum imprevisto, você terá que se virar sozinho

O Uruguai e um país muito interessante. O povo é bem educado e hospitaleiro. Em geral as casas e automóveis são antigos, e as motos são na maioria chinesas e de baixa cilindrada. Sendo assim em cada lugar que parava com minha Bandit 650S, sempre alguém vinha ver a moto, perguntavam se era ”una mil” e se admiravam pelo fato de eu estar viajando sozinho.

22/10 – (São Mateus do Sul – Vacaria): Pretendia sair no sábado(23/10) pela manhã, mas sai na sexta-feira para fugir da chuva. Não deu certo. Após 150 km de viagem, o céu desabou. Nunca tinha viajado na chuva. Mas não foi tão difícil. A capa, as botas e as luvas evitaram que eu me molhasse. Quando parei no hotel em Vacaria, minha roupa estava quase toda seca.  Lavei o bauleto, tomei um banho, jantei e fui dormir.

23/10 – (Vacaria – Pelotas): Saí com chuva, e desci a serra que fica depois de Vacaria no molhado. Andava igual uma tartaruga. Quando virei para Gramado a chuva passou. Em Gramado visitei o museu do automóvel e o museu das Harley Davidson. Vale a pena. São muito bem cuidados e os veículos, fantásticos. Segui em direção a São Francisco de Paula, e peguei chuva novamente, justo no trecho de serra. Passei por Porto Alegre e toquei até Pelotas. Neste dia vi que temos que respeitar nossos limites. Ao sair de um posto de gasolina, devido ao cansaço e a um ônibus que obstruía minha visão, não percebi que estava entrando na rodovia e quase fui atropelado por um caminhão.

24/10 – (Pelotas – La Paloma): Passei por Chuí, onde troquei reais por pesos. Solicitei informações no trailer de informações turísticas que fica na Aduana brasileira e me indicaram um lugar confiável. Chuí me assustou um pouco, pois parece com Ciudade de Leste no Paraguai. Almocei, abasteci e segui para o Uruguai. Quando se entra no Uruguai, parece uma tranqüilidade absoluta. Peguei a Ruta 10 que vai próxima do litoral. Em vários trechos o asfalto desaparecia. Passei a noite em La Paloma, um pequeno balneário, que nesta época do ano fica quase que vazio, com exceção dos jovens que se acumulam na rua principal com suas motos 125cc e ciclomotores.

25/10- ( La Paloma – Punta Del Este – La Paloma): Neste dia fui a Punta Del Este conhecer a cidade. Os edifícios e casas são fantásticos. As outras atrações são o cassino e a escultura La Mano em La Arena.

26/10 – (La Paloma – Minas): Sai de La Paloma cedo e fui até Rochas. De lá pegaria uma estrada direto para Minas, conforme constava no mapa. Segui as orientações, e quando cheguei no local encontrei um estradão de chão. Voltei e perguntei a um motorista de taxi, que me disse que havia uns 40 km de terra. Então segui em direção a Velázquez.. Lá não havia nenhum lugar para comer. A cidade era uma rua, com algumas casas em volta e um posto de gasolina. Segui para Aiguá. Parei na entrada da cidade e uns garotos me pediram para acelerar a moto para ouvirem o ronco. Procurei algum lugar para comer e me indicaram um armazém na saída da cidade. Parecia um bar do velho oeste. A mulher informou que havia milanesa com tomate e alface. Parecia ótimo. Quando veio, a milanesa estava fria e dentro de um pão. Comi assim mesmo. A estrada ate Minas é quase deserta. Ao chegar me instalei num hotel e fui dar uma volta na cidade. Fotografei uma infinidade de carros antigos ainda em uso.

27/10 – (Minas – Montevidéu): Resolvi ir a Montevidéu pela Ruta 60. É uma estrada panorâmica. Aumenta o trajeto, mas vale à pena. Chegando em Montevidéu, o trânsito é um tanto assustador. Demorei para achar o hotel. Tomei um banho e levei a moto a concessionária Suzuki para revisão.

28/10  – (Montevidéu): Visitei o Museu do Automóvel que fica no Automóvel Clube e apanhei a moto depois da revisão. Minha esposa Helena, minha filha Luiza e o namorado Ronaldo chegaram por avião.

29/10 – (Montevidéu): Fizemos um tour por Montevidéu. Aluguei um carro para passearmos no dia seguinte.

30/10 – (Montevidéu – Punte Del Este – Montevidéu)): Visitamos Punta Del Este. Conforme já relatei é muito bonita. Vale o passeio.

31/10 – (Montevidéu – Colônia Del Sacramento – Montevidéu). A cidade foi construída por portugueses. Os casarios antigos são muito bem conservados e há também um farol que dá uma vista panorâmica da cidade. Alugamos um mini bug, mas o melhor é conhecê-la a pé.

01/11 – (Montevidéu – Fray bentos): Minha família retornou a Curitiba e segui viagem em direção a Fray Bentos. Passei por Carmelo, cidade pequena porém com lugares interessantes. Cheguei à noite em Fray Bentos e procurei um hotel. Achei um hotel bom, porém não tinha garagem. A proprietária me indicou uma garagem de ônibus. Paguei cem pesos e estacionei a moto com segurança.

02/11- (Fray Bentos – Salto): Em Fray Bentos há uma antiga fabrica de processamento de carne, desativada, porém não pude visitá-la, pois era feriado. Fui ate um balneário chamado Lãs Cañas. As casas e as praias são muito bem cuidadas. Retornei ao hotel, carreguei minha bagagem e segui para Salto. Parei para almoçar em Paysandu. Próximo ao restaurante havia um terreno com dezenas de carros antigos a venda. Muitos em bom estado. Chegando em Salto, procurei um hotel e depois fui visitar a represa de Salto Grande. Cruzei a represa, entrei na Argentina e voltei. Neste dia passei meu segundo susto. Fiquei indeciso se deveria cruzar a represa e ao invés de estacionar a moto, fiquei andando em baixa velocidade, no que passou um carro tirando uma fina. Se eu tivesse me desviado um pouquinho do caminho teria sido atropelado.

03/11 – (Salto – Tranqueras): Por indicação do proprietário do hotel, peguei a Ruta 26, que vai direto de Salto a Taquarembo. Foram 210 km sem um posto de gasolina, oficina, comércio, etc… Possui muitos remendos e em alguns pontos o asfalto ruiu completamente. Vez por outra passava um automóvel ou caminhão. Almocei em Taquarembo e segui para a Pousada Lunarejo próximo a Tranqueras. Para chegar lá tive que fazer 2 km numa estrada que era só pedra solta. Levei mais de 10 minutos, mas valeu a pena. O local é muito bonito. Descobri que eu era o único hospede naquele dia. Andei de bicicleta, caminhei, jantei e fui dormir.

04/11 – (Tranqueras – Santana do Livramento): Caminhei mais um pouco pela manhã e depois do almoço sai em direção a Santana do Livramento, pela Ruta 5. É uma estrada muito bem conservada e a paisagem é muito bonita. Me instalei num hotel e fui às compras em Rivera.  Em poucos minutos gastei todos os pesos que ainda possuía e mais uma boa quantidade de reais. Pude ver que as lojas de lá são um paraíso para as mulheres.

05/11 – (Santana do Livramento – Passo Fundo): Segui pelas estradas do interior para ver as paisagens. Pra variar errei o caminho e cheguei à noite em passo fundo. Fiquei num hotel na beira da estrada em que o filho da proprietária possuía uma Yamaha R1 e fez questão de saber detalhes da minha viagem.

06/11 – (Passo Fundo – São Mateus do Sul): Continuei pelas estradas do interior e fugindo da chuva. Vi paisagens muito belas e no final da tarde, após 4.755 km cheguei em casa!

Dicas:

. A gasolina é um pouco mais cara do que aqui. Sempre abastecia nos postos da Ancap, com a gasolina de 95 ou 97 octanas. Ambas funcionaram bem. Há postos da Petrobras e da Esso também.

. Tenha cuidado com os automóveis, pois muitos motoristas consideram a moto um veículo de segunda categoria no Uruguai, visto que estas costumam transitar na lateral da pista ou no acostamento.

. A comida é cara e em geral não tão boa como a nossa

. Anoitece por volta das 21:00h, por isso e possível tocar até mais tarde

. Nas cidades do interior as ruas costumam ser de mão única e em sentido alternado. Não há preferencial, e quem chega primeiro passa. Se bem que essa regara nem sempre é obedecida.

. Para enfrentar o calor uso um Camel Back, que me permite beber água em movimento e uma jaqueta Summer Shock da HLX. Quando esfria coloco a capa de chuva por cima.

. Viajei também com uma calca jeans da HLX. Dá uma boa proteção e não aquece tanto. Uso sempre por baixo uma bermuda de ciclismo bem almofadada, pois aumenta muito o conforto.

. Apesar de ser proibido, sempre viajo com protetor auricular. Reduz muito o stress devido ao barulho do vento. Procure os de silicone que são mais flexíveis e incomodam menos.

. Também uso vacina de pneu. Nunca furei um pneu, mas é uma garantia a mais.

. O vento no Rio Grande do Sul e no Uruguai é muito forte. Depois da viagem era perceptível o desgaste maior dos pneus do lado esquerdo da moto.

. Se estiver cansado pare. Se for o caso, procure um hotel para passar a noite, mesmo que seja dia e possa fazer muitos quilômetros. O cansaço diminui muito a concentração.

Se quiserem alguma informação adicional, não hesitem em me contatar: marcelinokaizer@hotmail.com.

Marcelino kaizer

7 Comentários

  1. diego pereira

    Ola estou indo a montevideo sabes me dizer onde fica a Suzuki .

    Rua ou proximidade pois eu conheço a cidade. Obrigado

    • Marcelino

      Desculpe a demora em responder. A concessionária Suzuki em Montevidéu chama-se Domingo Torre y CIA. Fica na Av. Daniel Fernandez Crespo, 2252, esquina com Madrid. É próximo da região central. Se você pesquisar um mapa de Montevideu no google, consegue achar. No mai, boa viagem.

      Live Fast and Die Old

      Marcelino

  2. Aurino de Castro

    Prezado Sr. Marcelino,
    Cordiais Saudações Mineiras!

    Muito interessante suas descrições sobre esta viagem ao Uruguai. Nuestros hermanos del sur!
    Gostaria de fazer as seguintes perguntas:
    1. Qual é a documentação necessária para entrar no Uruguai?
    2. Necessário portar a Licença Internacional de Habilitação para moto?
    3. O Sr. tem alguma experiência sobre a eficiência da “vacina” de pneu?

    Estou pensado…, em 2013, conhecer o interior do Uruguai com a minha FAZER 250 cc, ano 2012, só para testar esta cilindrada de motor… :)
    A propósito, “cá entre nóis, uai!”, a sua moto é DEZ!!!

    • Marcelino

      Boa noite Aurino,

      Primeiro, não me chame de senhor. Tá certo que tô cruzando o Cabo da Boa Esperança, mas tenho uns kilometrozinhos ainda pela frente. Quanto à documentação, a moto não pode estar alienada, ou se estiver tem que levar uma carta da financiadora autorizando a viagem. É necessário fazer a carta verde. Tem algumas companhias de seguro que fazem. Eu fiz na HDI. Você pode também fazer na fronteira antes de entrar no Uruguai. O valor depende do tempo que você vai ficar lá. Não é necessário a licença internacional para dirigir. Quando a vacina de pneu, eu nunca usei. Ouvi relatos de quem usou, e quebrou o galho. Ir para o Uruguai com uma 250 não é problema. Se você não tem um porte físico maior, a moto menor até ajuda. É só não arriscar nas ultrapassagens. Se precisar de qualquer outra informação, me passe um e-mail.

      Um abração aqui da terra das araucárias, e boa viagem

  3. Pessoa

    Grande MESTRE Marcelino.
    Olha o “convite” em cima da hora… Espero poder ir este ano pro Uruguai. Pretendo sair no dia 22 de setembro. A idéia é apenas rodar na costa do Uruguai e voltar, como já havia comentado contigo. A esposa irá junto. Vamos??

    • Marcelino Kaizer

      Caro amigo pessoa. Agradeço muito o convite. Pretendo voltar ao Uruguai para percorrer estradas por onde não passei, mas neste ano não poderei acompanhá-lo. me coloco à disposição para qualquer informação que necessitar. Passe aqui para conversarmos.

      um grande abaraço

  4. Xavier

    Camarada Marcelino. Se não fosse eu você estaria andando de bicicleta até hoje rsrsrsrsrsrs. Criei um monstro e agora? Quem segura esse piá!!!!!

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