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Ténéré Experience


 

A lendária família Ténéré tem no Brasil uma representante de um quarto de litro. Desde o seu lançamento, a Yamaha XTZ 250 Ténéré causou uma boa impressão, tanto por seu apelo moto-turismo quanto por suas qualidades off-road. Para conhecer melhor esta máquina, este teste foi proposto em uma distância de 1.125 km em um roteiro extremo, no qual poucas vezes levei uma moto a um limite como este.

Estilo

Em um primeiro contato: sensações. Ela transmite a sensação de ser uma moto maior, frontalmente há faróis duplos, possui carenagem e seu tanque é volumoso. No entanto, a trazeira deixa a desejar por ser muito compacta. Acredito que os engenheiros da fabrica consideraram que o consumidor sempre iria instalar baús laterais e trazeiros. Este é um item que merece mais atenção, pois a moto é belíssima. O assento é bem amplo, possui degrau que é ótimo para caronas baixinhas. A principio pode parecer que sua espuma tem a densidade muito dura, mas após alguns quilômetros esta sensação desaparece.

O painel é bem apropriado ao moto-turismo, possui marcador de combustível e dois hodômetros parciais (Trip A e Trib B). Além disso, o painel tem boa leitura diurna e noturna. O guidão alto com amortizadores proporciona boa ergonomia para pilotagem. A motocicleta freia bem pois é equipada com freios a disco em ambas as rodas. Para completar, piscas com bom tamanho, na medida, e  lanterna trazeira que cumpre com seu papel, em uma rabeta inexistente.

Rodando

Para uma estatura de 1,90m, a posição de pilotagem foi confortável nas varias situações enfrentadas, diga-se asfalto, chão batido, cidade e estradas. Velocidade máxima chegou na casa dos 130 km/h, com alforjes carregados, piloto e carona. Na cidade, gostei, impõe respeito, isso é ótimo e na questão manobralidade, vai tranquila entre os carros.

Consumo

O consumo ficou entre 27,33 e 29,67 km por litro, considerando trechos planos e serras.
Motor
Já tradicional, o motor 250cc tem um ótimo histórico: é o mesmo que equipa a Fazer e a Lander. Com pistão forjado, cilindro com revestimento cerâmico e injeção eletrônica, o motor é confiável e econômico. Na Ténéré continua cumprindo seu trabalho. O câmbio algumas vezes é um pouco duro, nada demais, mas pode melhorar.

Considerações sobre o roteiro do Teste e situações enfrentadas

Saímos de uma altitude de 10m e fomos a 1.421m acima do nível do mar(pressão atmosférica). Mas ela sofreu mesmo foi na região dos Campos de Cima da Serra, estrada em péssimo estado entre Cambará do Sul e São José dos Ausentes/RS, onde fui obrigado a rodar usando 1º, 2º e 3º marchas somente por 50 km, sempre em estrada de chão batido.

Melhorou entre São José dos Ausentes/RS e Morro da Cruzinha, 2º ponto mais alto do RS, trecho de 42 km, chão batido.

Na Pousada Fazenda, usaram cavalos para ir ao Cânion Monte Negro, ponto mais alto do RS, mas eu usei novamente a moto para rodar nos campos, atravessando riachos, trechos sem estrada nenhuma. Os pneus Pirelli Scorpion MT 90 que equipam a Ténéré cumprem otimamente a que se destina a moto. Outro fato é o tanque com 16 litros, excelente, para quem quer sair e não ficar se preocupando com abastecimento e roteiro. Mas como era uma viagem de 7 dias, continuei até SC, mais exatamente Serra do Rio do Rastro, tudo por chão batido e estradas sempre passando por campos, plantações de maças, até sair em Bom Jardim da Serra/SC.

Curvas para ver como ela se comporta nada melhor que as 284 que se encontra na serra, e novamente não decepcionou.

Asfalto até Praia Grande/SC, a cidade dos Cânions. Subi e desci a Serra do Faxinal por duas vezes. Curvas e curvas, pedras soltas, asfalto e chão batido.

No próximo trecho, ela teve moleza, entre Praia Grande em SC até próximo a São Francisco de Paula/RS, asfalto de boa qualidade.

Mas na descida da Serra do Umbu até Barra do Ouro/RS, chão batido e chuva por um trecho de em torno de 50 km, sendo a estrada um misto de cascalho e bons quilômetros de barro e pedras soltas, onde fui obrigado a rodar muitas vezes em 1º marcha, ela carregada total, eu carona e alforjes. Em algumas vezes, como a Ténéré tem o recurso de desligar o farol, usei-o desligado. Outra ótima sacada foi o lampejador.

Subida da Serra da Boa Vista entre Barra do Ouro e Riozinho/RS, novamente, colocada à prova a moto, pois os trechos acima descritos sempre em estradas de chão batido.

Em meus roteiros pela cidade, ela foi ao limite em termos de estradas.

Utilizei uma estrada que ainda não foi inaugurado, um trecho de ladeira de 5 km com um misto de saibro em uma pequena parte e restante chão argiloso, mesmo sabendo do risco do para lama baixo rente a roda dianteira trancar com a junção do barro.

Não deu outra, trancou tudo.

Quando já tinha pedido para a Mara ir buscar ajuda na pousada que estávamos, que não era longe, para conseguir tira-la daquela situação, me veio à mente o kit de ferramentas.

Normalmente, eles são com poucas opções de chaves. Surpresa, lá estava à chave que eu precisava. A retirada do para lama dianteiro foi fácil e rápida.

Subir na moto, acelerar morro acima, pegar a Mara na subida e sair do sufoco. Mais um ponto para a Yamaha na questão do Kit de ferramentas.

O restante foi o retorno para Porto Alegre/RS, em um percurso de 1125 km rodados em 7 dias.

A Ténéré foi utilizada em minhas matérias turísticas, levantamentos de novos roteiros de moto turismo que conduzo. Passou no teste. Motor de um quarto de litro para ser usado no dia a dia e em suas aventuras, solo ou com carona.

Agradecimentos

Yamavale Motos

Por Jerre Rocha

36 Comentários

  1. Alex Araújo GCM

    Muito bom esse teste. Parabéns pelo excelente trabalho.

  2. Ibwagner

    Que belo passeio e aventura,
    mas ainda acho que a Tenere 250, como todas outras 250, falta potência nas estradas asfaltadas (principalmente nesse nosso trânsito maluco). Já no off é a ideal.
    Abraço
    Wagner

    • Jerre Rocha

      Wagner, depende do ponto de vista. Os motores 250/300 são ótimos na relação custo beneficio. Agora se você quer rodar acima de 130 km/h, ai realmente falta.

      • Ibwagner

        Não, na realidade meu único receio é nas ultrapassagens. Já tive experiências negativas com uma intruder 250 e uma twister. Quando a necessidade é enrolar o cabo para sair de trás do caminhão, a coisa complica. Como gosto de passear de moto mais de 100km/h é bobagem.
        Abç

        • Jerre Rocha

          Wagner, tudo é questão de como usar.
          Nas motos com maior cilindrada, você esta atrás de um caminhão como citaste, é só puxar e acelerar que desenvolve.
          Mas no caso de menor cilindrada, não gruda na trazeira, simplesmente mantem certa distancia e com motor cheio espera a oportunidade da ultrapassagem que não terá surpresas.
          Existe no geral, um costume que causa acidentes tanto em motos como carros que é o seguinte:
          Pessoal na cidade gruda na trazeira do veiculo de sua frente mesmo quando existe espaço disponivel, pois bem, quando vão para a estrada, continuam dirigindo igual.
          Estrada livre e o carro ou moto que vem atras a poucos metros do que esta a sua frente, colado.
           Parece um GP.
          É só observar como existem acidentes com engavetamento de veiculos em estrada. 
          Muitas vezes ter paciencia e aguardar alguns minutos nos farão viver mais algumas décadas.
          abraços

  3. Nelson I. Stiegler

    Mais uma vez parabéns pelas fotos e relatos, aquela cachoeira fica em que lugar?
    No feriado de maio estaremos desbravando aquelas estradas também e seria uma opção a mais para visitar-mos. abs.
    Nelson

  4. Richard

    Ótima matéria, tô sempre lendo as tuas histórias. Bah, tb tenho uma T250, tô querendo equipar pra fazer umas viagens mais longas.
    Gostei desses alforjes, sabe me dizer onde posso comprar esses alforjes e os suportes?

  5. luiz Andrade

    Muito bom o teste. Quantos kg vocês pesam ? Dá pra manter uma tocada de 100 Km/h normalmente ? Nas subidas de serra asfaltada, dá pra andar a uns 80 ? Abraço a todos.

  6. junior

    Parabéns pelo roteiro e pelo ótimo teste…
    Fiquei muito satisfeito pelas explicações
    Meus parabéns novamente..

    Abraço

  7. Pedro

    Adoro esta moto, porém tenho 1,70 metro de altura e achei ele muito alta. Há como abaixar um pouco ela sem ser a opção de retirar espuma do banco?

  8. JUNIOR

    Olá.Primeiramente parabéns pela matéria. A minha dúvida é sobre a altura da moto. A minha dignissima tem 1,60 e acha a moto alta, estamos comprando uma, há possibilidade de agradar a nós dois, visto que eu tenho 1,80?

    Tenha um bom final de semana.

    • Jerre Rocha

      Olá Junior.
      A tua dignissima tem a mesma estatura da minha, rsrsrs…
      As trails são motocicletas mais altas, mais cursos de suspenção, inclusive as de cilindrada mais baixa.
      Você experimentou a rodar com ela junto?
      Vais observar que aquela parte do carona com nivel mais elevado é ótimo principalmente para ela. Outro fato é que ela vai curtir não ter batida de fim de curso de suspenção. Aquela batida seca.
      Da uma volta com ela na carona e depois me comenta o que ela achou.  Abraços e boas estradas a vocês.

  9. e ai Jerre, grande matéria. sabia que podiamos contar com a tua experiência para tirar as dúvidas sobre a motoca. andei por algumas dessas estradas com um titan125 ES solito, por que com a patroa judiaria muito das duas rsrsrs. em breve trocarei por uma T250 e ai até poderemos rodar juntos. um abração e acelera ai tche…

  10. É uma wxwlwntw moto eu estou louco ppor uma mas tambem espero por um lançamento da yamaha quem sabe uma nova lander com novo motor a unica coisa que nao me agradou foi o paralama baixo sera ninguem faz um paralama alto para ela ou adapta o da xtz 250 x

  11. jose m lopes

    Que alegria ter visto estas imagens e lido esta sua narração.Este nosso BRASIL , é espetacular, por onde quer que vc vá ,há maravilhas para se ver.gstaria de ter comprado a TENERE 250. Minha altura de 1.68 dificulta um pouco.
    Tenho uma moto mais baixa por força da minha altura mas, vou a varios lugares com ela. Meu sonho mesmo é a TENERE 250,quem sabe. O melhor foi ver seu relato desta bela viagem,por este sul maravilhoso.
    Meu abraço .

  12. fernando rachadel

    ola tou esperando ser consociado da tenere, nao vejo  a hora de pega a minha para fazer uma viagem dessa tens como manda o roteiro ou mapa por onde  passa se valeuuuuu. tens video no youtube?

  13. Quanto tempo vc acha que a lander ainda fica no mercado, porque a tenere é uma moto espetacular mas eu gosto mas das off road. A tenere entrou agora ae fica aquela duvida lander boa mais velha, tenere boa mas estranha e nova sendo o motor o mesmo pequenas melhorias no motor da tenere sera que a yamaha não ta com uma nova lander pra lançar no brasil.

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