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Moto em Foco
Modelo original
- Harley Softail Custom de 1340cm³
Cabeça
de Ferro "O American Choppers
brasileiro”

Passeando no evento de
Cascavel/Paraná, encontro, em um dos stands, várias criações dignas
do programa “American Choppers”, se bem que, bato na tecla que o
brasileiro, pela falta de recursos e peças prontas, é mais evoluído
pelo seu trabalho artesanal e maior criatividade.

Bom, deixando a
conversa de lado, fiquei louco para conhecer o maluco beleza que era
responsável por aquelas obras de arte. O nome, gravado em todas as
motos, era “Cabeça de Ferro” e, lógico, que esperava aquele
barbudo, tomador de cerveja e fã Rock’n Roll. Só que me enganei,
pois deparei com Ricardo Machado, autor da obra, que tem cara de
intelectual, nada alto, magro e escuta Vivaldi, para se inspirar nas
suas criações.

Foi assim que nasceu
essa Harley doida, uma das atrações do Salão Duas Rodas 2005. O
modelo original era uma Softail Custom de 1998, que ficou 10 meses
dentro da oficina para receber toda modificação.

O motor Evolution, de
1340 cm3, recebeu poucas modificações, apenas um comando
502 e varetas de cromo-molibdênio, ambos da marca S&S, ignição
Crane HI-4 e, por último, dois carburadores Weber 40mm, colocados bem
ao lado direito da moto, bem expostos.

A grande modificação
ficou por conta do quadro, com ângulo de cáster aumentado para 55º,
além de ter sido foi totalmente reconstruído em berço tubular único,
mudando totalmente sua forma e aumentando muito seu comprimento. Para se
ter noção, o banco ficou rebaixado em 4 polegadas.

A balança traseira foi
construída do nada, sua forma e dimensões saíram de vários projetos
e idéias, que finalizaram calçando pneu Metzeler 280/35-18, formando
uma só peça com o pára-lama traseiro, também de desenho surreal.
O freio traseiro faz
conjunto com a transmissão final e a coroa, além de dar tração através
de correia, também faz o papel do disco de freio, com pinça de quatro
pistões, mordendo dos dois lados.

Falando na parte
traseira, outra coisa “show de bola” é o sistema de suspensão,
pois apesar do melhor estilo destas máquinas ser “colado” ao chão,
com cerca de dois dedos do asfalto, porém, como em nossas estradas
buracos não faltam, entra em cena um sistema com acionamento pneumático
que eleva a moto em mais de 5 centímetros em relação ao solo, e o
mais legal é que isso não altera o curso do amortecedor, quando a moto
está no chão e nem quando ela está totalmente levantada.

A roda foi outro trampo
louco, com 16 polegadas foi toda usinada, aumentando para 18 pol de diâmetro
e 10,5 de largura. A dianteira, com aro 21, também tem desenho autêntico,
deixando o estilo da moto ainda mais diferente, pois é quase fechada,
com linhas semelhantes as de uma hélice.
A pintura tinha que
ficar mais gringa, sendo importadas tintas da marca House of Kolor, as
mesmas que brilham os Hot Rod americanos, animal mesmo!
O resto também foi
todo criado na oficina, pára-lama dianteiro, traseiro, tanque de
gasolina e de óleo. Acessórios, de outra marca, ficaram por conta do
escapamento Medustas Martin Bros, contagiros Auto-Meter, velocímetro
Sigma, espelhos Cyril Huze, comandos de guidão OMP, pedaleiras
Accutronix, farol Kuryakyn, manoplas Perse Performance, ufa!!!! Tá bom
ou querem mais?
O melhor, mesmo, é
saborear a moto com os olhos, para se ter noção do comprimento total
de 3 metros. Outras peças seguem a mesma proporção, como o guidão
que é grande demais, não fazendo o piloto ficar debruçado sobre o
tanque.
O visual, sem dúvida,
é alucinante, comprovando a superioridade dos nossos artesões na arte
da customização, em relação a outros países como os EUA, onde o
excesso de meios supera a criatividade.
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