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Benefícios de uma SuperMotard

Colaborador: Alberto de Castro Teixeira - Brasília/DF 

Sempre botei fé no comportamento das motos Trail no uso urbano, no asfalto das cidades, por serem motos leves, estreitas, altas e portanto bastante ágeis e práticas. Quando começou a onda Supermotard confesso que fiquei bem excitado imaginando o quanto poderia melhorar a ciclística deste tipo de moto com aros menores, pneus mais largos e próprios para grudar no asfalto, e muito freio para segurar tudo e fazer umas gracinhas de vez em quando. 

Parei de imaginar e comecei meu projeto Supermotard que tinha de ser de baixo custo. Comprei uma Falcon usada porque sabia que o motor da Falcon era derivado das competentes XR 400 de enduro que tive o prazer de possuir uma nos tempos de trilheiro. Fiquei decepcionado com o desempenho geral da moto, o excesso de peso, o design estranho em que as formas parecem não se encaixar.

Vendi a Falcon e comprei uma Sahara 350 de boa procedência. Aí o desafio era duplo: fazer melhorias na ciclística e transformar o sapo em príncipe (êta moto feia). A moto recebeu aros 17 pretos, pneus 120(d) e 150(t) , perdeu todos os excesso de peso, ganhou uma bela pintura perolizada, alguns detalhes cromados e o escapamento de minha Harley Sportster (o ronco ficou um show). 

Fui prá a rua confirmar a teoria e realmente a moto ficou bem interessante nas curvas. A distância entre eixos diminuiu, o centro de gravidade baixou e foi deslocado para frente, a área de contato dos pneus aumentou . Resumindo: as curvas de baixa ficaram uma delícia, a frenagem melhorou, em alta ficou muito sensível a reação do guidon. Mas faltava motor e sobrava peso , principalmente o meu porque tenho uns 95 Kg. Vendi a Sahara. 

Comecei a pensar numa 600/650 e conclui que a moto ideal era a Suzuki DR 650 do modelo mais novo. Já tive uma dessas e a moto dá um banho na XT 600 em quase tudo. É mais leve, a suspensão é melhor, tem um motor mais elástico, mas também tem um banco estreito e duro e sempre foi mais cara que a Yamaha... Talvez seja por isso que a moto nunca emplacou.

Como meu projeto era de baixo custo, comprei uma XT 600 ano 1995 bem rodada mas bem cuidada que passou por uma revisão cuidadosa . Ganhou aros mais largos e pneus Pirelli alemães excelentes, escapamento esportivo e uma afinação do motor pra gasolina Podium. Agora sim, a brincadeira é de gente grande (e pesada). 

O escape original da XT estrangula muito o motor além de ser muito pesado. Com a modificação, o motor melhorou muito a resposta em baixa, ficou mais elástico e passou a impressão de que a XT nem parece tão pesada quanto realmente é. Mas vamos às curvas que é o que interessa. Os pneus sobram e a moto aceita inclinações absurdas. Por mais que eu incline, quando chego em casa vejo aquelas marcas de borracha esfregada nas laterais dos pneus e elas ainda estão longe daquela linha que parece ser o limite (se passar dali, é chão). 

A frenagem melhorou por conta da maior área de contato com o solo. O disco original da XT dá conta do recado mas um disco maior (que existe no mercado) causa mais impacto. A melhora na frenagem provoca pequena torção nas bengalas em frenagens fortes o que me fez pensar em mandar fazer e instalar uma barra estabilizadora ligando as bengalas. Os conduites de malha de aço (aeroquipo) são imprescindíveis e será meu próximo investimento. 

Resumindo: A XT 600 em curvas de baixa parece um kart. Nas curvas de alta exige muita atenção porque ficou muito arisca, sensível a mudanças de direção como correções no meio de uma curva, por exemplo. Portanto em curvas de alta é bom ter a curva desenhada na cabeça e procurar seguir aquela trajetória (abrir, tangenciar,fechar). Quem estiver pensando em transformar uma moto trail numa Motard, posso garantir que é diversão na certa e pode ser feita em etapas porque o pacote básico que são os aros, raios, pneus e câmaras de ar já é um investimento expressivo. A partir do básico, o céu é o limite (freios, suspensões, escapes, plásticos, grafismo, etc.). E se resolveu vender a moto, a transformação é reversível e pode ser aproveitada em outras motos.

 


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