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1.
Ande sempre equipado.
Você já leu e ouviu isso muitas vezes, mas já parou para pensar
no que significa? Andar equipado é mais do que usar corretamente
o capacete. É ter proteção para os olhos, mãos, pés,
tornozelos, joelhos e cotovelos. Na estrada e na cidade, pois a
maioria dos acidentes acontece em áreas urbanas.
Lembre-se que o clima quente não justifica negligências com a
segurança. Para enfrentar o calor procure escolher o equipamento
mais arejado que encontrar.
2. Farol aceso o tempo todo, seja dia ou noite.
Lembre-se que, a 40 metros de distância, uma motocicleta pode
sumir do campo visual do motorista até mesmo atrás do tercinho
pendurado dentro do carro. Por isso, muitas vezes você está fora
do foco dos motoristas. O farol da moto aceso ajuda a torná-lo
mais visível. Roupas e capacete de cores claras também ajudam.
3. Concentração é fundamental.
A moto é mais rápida e menos visível que os demais veículos. Só
isso bastaria para exigir muita concentração. Mas tem outra
questão. Ela combina pouca segurança passiva com boa segurança
ativa. Trocando em miúdos, em geral a moto tem mais facilidade
que um carro para livrar-se de situações difíceis (segurança
ativa). Mas se o acidente acontecer (segurança passiva), o piloto
estará menos protegido do que o motorista.
Para que possa usufruir da segurança ativa, o piloto tem de estar
atento o tempo todo. Só assim ele pode usar todos os recursos que
a moto possui para evitar acidentes. Até aquele antigo
ensinamento, que diz "na dúvida, acelere", só vale se
você estiver atento! Por isso, tudo que atrapalha a concentração
constitui perigo para o motociclista, principalmente a pressa, o
nervosismo, o cansaço e o álcool.
4. Pilote de forma defensiva.
A atitude defensiva no trânsito significa dirigir por você e
pelos outros, antecipar-se em relação aos erros alheios e demais
riscos. Pense que, uma vez envolvido em um acidente, pouco adianta
provar que a culpa foi de outra pessoa. Aí o piloto já estará
dentro do gesso (na melhor das hipóteses). Então, aprenda a
antever as imprudências e erros dos outros.
5. Conheça as ameaças mais comuns.
Quando você anda de moto, está sujeito a situações de
potencial risco típicas desse veículo. É preciso conhecê-los
para saber evitá-los. Um dos principais são as freqüentes
fechadas que sofremos no trânsito. Muitas vezes os motoristas não
têm intenção de fazer isso, eles apenas não percebem a moto
por perto. A atitude mais segura é ter sempre o pressuposto de
que o motorista não está vendo sua moto. Mantenha margem de
manobra.
Não se esqueça de outros pequenos imprevistos que, para um
motociclista, são uma ameaça. Um pedestre distraído, um
cachorro atrapalhado, um pássaro em rota de colisão com a
viseira ou fios/cordas atravessando seu caminho podem provocar
acabar com o seu passeio. Necessário destacar que existe a praga
das linhas de pipa. Uma linha perdida, deslizando sobre a pele,
pode ser um susto embaraçoso. Se ela for revestida com cerol,
pode ser fulminante. Corta como uma navalha voadora. No caso de
cerol, não confie na proteção de materiais como couro ou náilon
(aliás, já estão à venda no mercado hastes metálicas
protetoras para instalação no guidão da moto, parecidas com
antenas de rádio).
6. Desenvolva o autocontrole.
Acelerar uma motocicleta pode ser tão gostoso e excitante a ponto
de o prazer embotar a noção de prudência. Por isso, sem
autocontrole você pode ser vítima de si mesmo. Adrenalina é
legal, mas na hora e no lugar certos. De preferência, num
circuito próprio para altas velocidades.
7. Identifique as armadilhas do solo.
Em cima de duas rodas não tem jeito. Se você for traído pelo
solo numa curva, é provável que vá comprar chão. Piso molhado,
areia solta, buracos, costela de vaca e, principalmente, óleo na
pista. Esses obstáculos podem estar onde você menos espera.
Lembre-se que, na curva, o alcance da visão é pequeno. Também
é nas curvas e rotatórias que ônibus e caminhões com tanques
cheios derramam diesel.
Produtos escorregadios também podem soltar-se da carga (coisas
como grãos, leite ou frutas no chão significam perigo de
derrapagem).
8. Viajar à noite, não.
Pode ser que um dia tenhamos condições propícias para viagens
noturnas. Por enquanto, não temos. Pra começar, a maioria das
motos não tem iluminação eficiente, embora os fabricantes já
comecem a corrigir esse problema em alguns modelos de última geração.
Além disso, viseira de capacete não tem limpador. Imagine-se à
noite, sob chuva, com a luz dos faróis refletida na viseira
molhada. A lama que os caminhões jogam na viseira também
atrapalha a visão. Mas o pior de tudo é que a maior parte das
rodovias brasileiras é precária e mal sinalizada, não
permitindo uma viagem segura durante a noite.
9. Olhe para a frente.
De tão óbvia, tal recomendação seria cômica se o motivo não
fosse trágico. Muita gente se espantaria se houvesse um sensor
capaz de acusar quantas vezes desviamos os olhos enquanto
pilotamos. Seja para ver um outdoor, identificar uma moto
diferente que passa, observar um tumulto na esquina,
"filmar" uma gatinha maravilhosa, admirar a paisagem ou
para conversar com o garupa. Uma quantidade considerável de
acidentes acontece naquele exato momento em que o piloto detém os
olhos no retrovisor ou em algum ponto que não seja à sua frente.
10. Assaltos, um perigo a mais.
Como se não bastassem todos esses cuidados e os
"abusos" que sofremos no trânsito, agora temos mais um
problema. Os assaltantes estão de olho em nossas motos, sejam
elas pequenas ou grandes, nacionais ou importadas. Infelizmente, não
há muito o que fazer. Reagir não é aconselhável. Acelerar para
escapar é outro risco. Então, se estiver sozinho, evite locais
onde os assaltantes tenham facilidade de atacar. Geralmente eles
usam outra moto para abordar as vítimas.
Fique atento sempre que alguma moto com dois ocupantes estiver se
aproximando. Quando estacionar, procure escolher locais menos
vulneráveis e use algum dispositivo anti-furto na moto.
Pensamento positivo
Depois de ler essas dicas, você poderá dizer: "se eu sair
por aí só pensando em quedas e acidentes, vou acabar caindo
mesmo!"
De fato. Se você se concentrar no tombo, tem boa chance de cair.
Aliás, acontece algo parecido sempre que o piloto quer se desviar
de um buraco mas, em vez de olhar para o desvio, fixa os olhos no
obstáculo. Vai passar sobre o buraco, com certeza.
O segredo é simples: mentalize as reações corretas, pense
sempre na conduta segura e não naquilo que você pode fazer de
errado.
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