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Campanha invicta do Team Scud Petrobras no Brasileiro
de Motovelocidade

Defasagem técnica em parte do campeonato, dificuldades de adaptação e
acidente marcam conquista do sétimo título nacional de Gilson Scudeler

A análise dos números da temporada 2008 pode levar à dedução de que os pilotos do Team Scud Petrobras viveram facilidades no Campeonato Brasileiro de Motovelocidade. Afinal, a equipe venceu todas as 12 corridas que compuseram as rodadas duplas da categoria Superbike e conduziu Gilson Scudeler ao sétimo título nacional consecutivo com 11 primeiros lugares. Ainda assim, o time sediado em São Paulo teve um ano marcado por inúmeras dificuldades.
“Foi a primeira vez que conseguimos terminar um campeonato vencendo todas as corridas”, comenta Scudeler, chefe da equipe. “Mas foi, com toda certeza do mundo, o ano em que nós enfrentamos mais dificuldades para manter um bom nível de competitividade”, acrescenta o paulista, que compete com uma moto CBR 1000RR, da Honda. “Outras marcas apostaram em estruturas muito fortes, desde o início nós sabíamos que seria um ano muito difícil”.
A perspectiva de que a disputa pelo título seria árdua levou o Team Scud Petrobras a uma preparação intensa. “Nós imaginamos, em janeiro, que esta seria uma temporada muito difícil. Em, mesmo, me preparei muito, no aspecto técnico e também no psicológico. E isso foi determinante, porque tivemos um campeonato com provas muito difíceis em todas as etapas, esse foi um dos anos em que a nossa equipe mais trabalhou na parte técnica”, avalia.
Na fase inicial do campeonato, a maior dificuldade de Scudeler e de seus companheiros de equipe, o paulista Pierre Chofard e o gaúcho Robson Portaluppi, foi a indisponibilidade do modelo 2008 da Honda CBR 1000RR. “Outras equipes já contavam com modelos novos, e nós ainda estávamos competindo com a versão 2006/2007. Isso exigiu um esforço multiplicado, a desvantagem era nítida. Mesmo assim, conquistamos vitórias”, lembra o chefe de equipe.
A chegada das novas unidades destinadas ao Team Scud Petrobras para a terceira rodada dupla, em Campo Grande, não deixou de acarretar dificuldades para os pilotos da equipe. “Só conseguimos colocar as motos na pista na véspera das corridas, o equipamento não estava acertado e todas as demais equipes já estavam num bom estágio de desenvolvimento. Mas nós tínhamos que apostar na novidade, porque os modelos antigos estavam no limite”, lembra.

A aposta resultou na conquista de mais duas vitórias por Scudeler, que mantinha-se invicto. “Foram vitórias muito especiais, porque nossa dificuldade na adaptação às novas motos foi grande, tivemos problemas com a parte eletrônica”, lembra. A etapa seguinte, em Brasília, representou mais um desafio. “Foi a pista que mais dificultou o acerto das motos para nós, tivemos até quebra de motor nos treinos, um problema incomum na equipe”, acrescenta o piloto.
As dificuldades com o acerto na capital federal não impediram o piloto de levar a moto número 1, decorada nas cores de Petrobras, Podium, Honda, GP Lubrax, Shark, Leo Vince, Arlen Ness, Afam, Puig, Samacar, Ferodo, Braking, TCX, Luna e Calfin, a mais duas vitórias. Em Cascavel, durante a preparação para a quinta etapa, Scudeler teve sua dificuldade mais contundente – um acidente nos treinos, que o fez perder parte do dedo mínimo da mão esquerda.
A semana de recuperação entre o acidente e os treinos classificatórios no circuito paranaense permitiu que o piloto reabilitasse-se a ponto de participar das duas baterias. “No que diz respeito ao desgaste físico, foi a corrida mais difícil da minha vida”, define. “A falta do dedo me obrigou a buscar uma nova posição para pilotar a moto, eu senti muitas dores no braço e no ombro. Na segunda bateria, eu pensei até em desistir, mas busquei forças não sei onde”, conta.
O esforço acima da média em Cascavel rendeu a Gilson Scudeler mais duas vitórias e a conquista antecipada do tricampeonato brasileiro da Superbike, sétimo título consecutivo de uma carreira que destaca, ainda, o tetracampeonato da Supersport, consolidado entre 2002 e 2005. No encerramento da temporada, sábado (15) em Interlagos, o piloto teve sua invencibilidade quebrada na primeira bateria e conquistou, na segunda, sua 11ª vitória em 12 provas.
“Eu ainda não estava 100% recuperado, mas tinha boas perspectivas em Interlagos. Na primeira corrida, um erro na relargada me fez mover a moto antes da hora, fui punido e caí para o fim da fila. Fiz uma boa prova, me recuperei bem e isso foi importante para eu ter uma boa posição de largada na segunda corrida”, resume o heptacampeão, que fechou a primeira corrida da rodada dupla paulista em oitavo, posição da qual largou para vender a outra.
Na única corrida do ano da qual não saiu como vencedor, Scudeler viu a vitória de Chofard, seu companheiro de equipe. “Tanto o Pierre quando o Robson fizeram um trabalho muito bom neste ano, graças a isso nós vencemos todas as etapas. Foi um ano muito bem recompensado. Eu comecei este campeonato com a perspectiva de encerrar minha carreira, esse foi um ingrediente a mais para que me empenhasse em potencializar os resultados”, segue o campeão.
Com as 11 vitórias em 12 corridas na campanha para o heptacampeonato brasileiro, Scud estabeleceu um recorde pessoal. Até então, o ano mais vitorioso de sua carreira havia sido o de 1997, quando conquistou o título do Campeonato Português também com 11 primeiros lugares, mas em um campeonato composto por 13 corridas. “Naquele ano, eu tive também um segundo lugar e um abandono, por quebra de motor”, recorda o piloto paulista.
Texto: Luciano Monteiro/ Fotos: Aldemir Donini
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