Agora, Dakar terá limite de velocidade para moto

Maior rali vai priorizar a segurança dos competidores; Rally dos Sertões, no Brasil, foi a primeira prova no mundo a adotar limites para todas as categorias.


Quem diria... O que já é regra no Brasil no Rally dos Sertões, a maior prova off road das Américas, passará a ser usado, só agora, no Paris-Dakar. A principal competição do planeta resolveu priorizar a segurança e criou uma série de medidas para proteger os participantes e espectadores, entre elas o limite de velocidade para as motos, quadriciclos e veículos das equipes de apoio já a partir da edição 2006, que terá largada dia 1o de janeiro em Portugal e vai percorrer 9.043 quilômetros até a capital do Senegal. O limite para os caminhões já havia sido implementado em janeiro de 2005.

Já a categoria carros ainda é uma incógnita, mas a empresa A.S.O., organizadora da prova, também estuda criar artifícios para diminuir a velocidade em trechos considerados "perigosos". Mas a tendência é que todas as modalidades passem a ter limite de velocidade. Afinal, ninguém consegue imaginar as motos – limitadas a 150 km/h - na frente de carros que estarão em velocidade máxima. Aí sim haveria falta de segurança. Em pouco tempo os carros alcançariam as motocicletas e o risco de acidente seria constante no momento da ultrapassagem.

O Dakar foi o primeiro rali a impor limite de velocidade – apenas para os caminhões em 2005. Mas foi uma prova brasileira, o Rally dos Sertões, a primeira no mundo a criar limite de velocidade para todas as categorias: carros, motos, caminhões e quadriciclos. O regulamento da prova brasileira, bastante sensato, foi aplicado na edição deste ano, entre julho e agosto. 

Inovação
No início, polêmica. Mas depois, aos poucos, competidores foram assimilando o recado de que o limite de velocidade só traria benefícios para todos. A fórmula do Rally dos Sertões parece bem acertada. E agora com a adoção do limite de velocidade no Dakar, competição que normalmente dita as regras do Rally Cross Country, essa prática será irreversível nas outras principais provas do calendário mundial. É apenas questão de tempo.

Parece estar com os dias contados o maior argumento de pilotos e navegadores, de que "controlar a velocidade atrapalha a concentração, já que é uma coisa a mais para se preocupar durante a corrida". É muito provável que as equipes achem fórmulas no Dakar de "limitar" a velocidade automaticamente, sem prejudicar torque, potência e desempenho dos veículos. Ou seja, o piloto não teria mais essa preocupação.

Não duvide que as fábricas, principalmente as européias, desenvolvam dispositivos que controlem o RPM (rotações por minuto) do motor ou coisas do gênero. Se piloto e navegador, juntos, dizem ter dificuldade de controlar a velocidade durante o rali, é hora de começar a pensar na "santa eletrônica".

Principais mudanças
- Categoria motos e quadriciclos

* Limite de velocidade para 150 km/h, com tolerância de 10 km/h

Penalizações:
* 5 minutos 161 e 165 km/h
* 15 minutos entre 165 e 170 km/h
* 30 minutos acima de 170 km/h
* Na segunda infração, penalização e multa de 500 euros (cerca de R$ 1.500,00)
* Desclassificação na quinta infração

- Autonomia das motos passou de 350 km para 250 km. Assim, a motocicleta será menor e mais leve – portanto mais segura – já que passará a levar 38 litros de gasolina e não mais 50 (no caso das KTM 700)

- Parada obrigatória de 15 minutos para pilotos de moto nos pontos de abastecimento durante a competição: tempo para descanso do piloto

Veículos de apoio
· Carro: limite de 130 km/h
· Caminhão: limite de 110 km/h


População local
· Organização alerta a população local sobre a segurança, principalmente crianças, sobre o rali. A mensagem é passada através de desenhos/cartoons
· Parceria com a RFI (Radio France Internacionale) para a divulgação de informações sobre a passagem do rali através de emissoras de rádio local


Iritrack
· Dispositivo eletrônico que passará a ser obrigatório para todos os veículos do Dakar em 2006. O equipamento (como o Spy brasileiro) informa, por telefone satélite, a posição exata do competidor e se ele está em movimento ou parado – pode ser por problemas mecânicos ou acidente. Com essas informações, a organização pode tomar providências imediatas de resgate 

Sentinela
· Dispositivo que avisa o competidor se há algum outro veículo da prova por perto – num raio de 200 metros. Muito útil para evitar colisões de frente ou durante manobras quando algum piloto erre o caminho e estiver tentando voltar para a rota correta. No Brasil, onde é permitido "pedir passagem pelo rádio", o sentinela também poderia ser útil

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