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GAS
GAS MC 125, HONDA CR 125, KAWASAKI KX125, KTM SX 125,
SUZUKI RM 125, YAMAHA YZ 125
"ESCOLHA
DIFÍCIL"
Fizemos um
comparativo entre quatro motos, onde 2 construtores
japoneses se confrontam com dois europeus numa batalha
pela classe de 125. Quem vencerá?
Texto: PAULO CINTRA
Fotos:
IMAGEPRESS/JOSÉ FONSECA
Com a a colaboração
de: LUÍS CORREIA, LUÍS FERREIRA, RUI GONÇALVES, SANDRO
MARCOS.
GAS
GAS MC 125
Seguindo as letras
do alfabeto, a marca espanhola Gas Gas surge em primeiro
nesta análise aos modelos intervenientes na disputa pela
liderança na classe de 125. Para 2003, a Gas Gas MC 125
recebeu ligeiras alterações de forma a potenciar o seu
comportamento em pista, que passaram por uma pequena
alteração na geometria do quadro, modificação no motor
a nível da válvula de escape, janelas do cilindro e
alteração na curva de ignição.
A utilização
de um eixo do braço oscilante de maior diâmetro e uma
redução de peso na roda de trás são outros aspectos
modificados.
Com um
equipamento bastante competitivo, forquilha Marzocchi e
amortecedor Ohlins, a MC 125 revela–se um pouco pesada
de frente, não sendo muito rápida nas curvas fechadas. O
que tem de bom a nível de estabilidade perde naturalmente
na maneabilidade do conjunto e numa pista como aquela em
que estivemos esse fator torna–se determinante.
Numa pista
rápida e com piso irregular poderá dar os seus
frutos. A posição de condução é natural mas o tato
dos comandos ainda está longe das suas concorrentes: o
acelerador é pesado e se a embreagem é suave no acionamento,
só falta mesmo é uma manete à altura do sistema.
Parar a Gas Gas
não é problema, temos mesmo é que acelerá–la, pois a
moto só se sente bem é nos altos regimes. Ao contrário
das suas irmãs de enduro, a MC 125 revela um
comportamento demasiado sossegado em baixa e média rotação
e apesar da caixa de seis velocidades, neste circuito,
para retirar todo o potencial ao bloco, teríamos que
colocar mais dois dentes na sua coroa para encontrar um
pouco mais cedo a sua explosividade. A Gas Gas MC 125 foi
uma agradável surpresa, mas dentro da classe os técnicos
ainda têm trabalho para fazer, no entanto este também não
é o nicho do construtor espanhol, por isso o melhor preço
dentro da classe poderá ser decisivo na compra.
HONDA
CR 125
Depois da apresentação
faltava só mesmo andar! Nos últimos anos a Honda CR 125
perdeu algum terreno em relação às suas adversárias,
no que diz respeito à performance do motor, e isso não
é segredo para ninguém. Assim os técnicos puseram mãos
à obra e melhoraram no modelo de 2003, a caixa do filtro
de ar e trabalharam todo o sistema de admissão (novas
lamelas e janelas de cilindro) bem como a câmara de
combustão.
O resultado foi
atingido, em parte, pois as melhorias foram sentidas,
notando–se uma alta mais forte, mas que dentro da classe
ainda não está na primeira linha. O motor da CR 125
trabalha bem nos altos regimes apesar de a banda de potência
ser curta, ou seja, não possui uma capacidade de
alongamento muito extensa, em relação por exemplo à
Suzuki, ou ainda melhor à KTM, mas acaba por ser um motor
fácil de se levar.
Com uma ciclística
de luxo, tanto a nível de quadro, como a nível de
suspensões, a CR 125 parece agora ter encontrado o equilíbrio
perfeito para atacar os vários tipos de circuito, pois
maneabilidade é coisa que não falta à Honda, tal como o
conforto. A terceira geração do quadro de alumínio,
estreada em 2002, está à altura dos produtos deste
construtor, já que desde o seu lançamento vinha
recebendo algumas críticas.
É uma moto leve
e que se consegue meter onde se quiser. Qualidade de
construção e comportamento da frenagem são aspectos que
não merecem qualquer comentário, por motivos óbvios,
ficando apenas uma pergunta no ar: estando os técnicos do
departamento de pesquisa e desenvolvimento trabalhando na
nova CRF 250, será destino desta oitavo de litro ficar no
esquecimento?
KAWASAKI
KX 125
É moto que mais me
despertou a atenção este ano, simplesmente pelo fato de
ser um modelo que foi completamente revisto para 2003,
guardando pouco do seu antecessor.
Várias foram as
alterações efetuadas, de onde se destaca o novo quadro,
ainda perimetral, e um motor totalmente trabalhado.
O que
dizer do novo motor face às suas adversárias: está bem
apetrechado para entrar na corrida. Possui um pouco de
tudo, mas mesmo não sendo o máximo a baixas e altas rotações,
face à KTM ou à Suzuki, tudo o resto funciona bem.
É uma moto que
obriga o piloto a trocar constantemente de marcha, o que
se para uns é prazer, para outros torna–se um pouco
mais difícil explorar todo o seu potencial. O fato de
possuir relações de caixa curtas favoreceu-a neste
comparativo em virtude do desenho e piso da pista.
Possui uma posição
de condução muito natural, acusando apenas um assento
demasiado mole para a nossa opinião. Todo o ‘feeling’
transmitido pela moto é de fato agradável e é sem dúvida
o modelo mais bonito.
A nível de
suspensões pouco a dizer, senão que tudo funciona bem e
a KX é uma moto fácil de se colocar em curva, oferecendo
uma frente muito confiante. Tanto os comandos, como a
freios estão ao nível mais alto da classe.
A Kawasaki KX
125 de 2003 mostrou um elevado potencial dentro da classe
e uma subida na qualidade de construção que a coloca
lado a lado com a Honda.
KTM
SX 125
Guardando o título
de melhor moto na classe desde o ano passado, a KTM SX 125
é a máquina que serve de referência para quem quer o
melhor entre as que estão disponíveis no mercado.
Para este ano as
alterações mecânicas foram mínimas e por isso a bomba
laranja manteve todo o seu potencial. Novidade é a
introdução de uma caixa de cinco velocidades que se
mostrou perfeitamente adaptada às características do
motor.
A SX 125
vale pelo equipamento que oferece: forquilha WP invertida
de 48 mm, guidão Renthal monotubo, embreagem hidráulica
Magura, proteções de quadro (a única a oferecer de
fábrica), entre tantos outros pormenores.
Com a nova
decoração em tons predominantes de laranja, a SX ficou
ainda mais atraente, mas será que ainda tem potencial
para lutar pela liderança, face aos fortes ataques da
Kawasaki, Suzuki e Yamaha? Sem dúvida, e um dos pontos
fortes é o seu motor! Este motor de 124,8 cc, alimentado
por um carburador Keihin PWK 39 mm, possui baixa e média,
não tanto como a Yamaha, mas depois revela todo o seu
potencial, e de uma forma explosiva mostra que é uma 125
que se parece com motos de outra cilindrada.
A alteração da
caixa de velocidades quase que não se sente, pois quem
esperava que esta moto poderia morrer à saída de uma
curva apertada, quando rodamos em segunda, engana–se,
porque pode não revelar aquela força da YZ ou da RM, mas
o motor logo desperta com um pequeno toque na manete
esquerda.
A nível ciclístico,
as suspensões estão num nível bastante elevado
transmitindo ao piloto a sensação de que se pode rodar rápido
e com segurança, não temendo reações estranhas e
pecando apenas na maneabilidade, aspecto em que a SX é
penalizada, ainda mais porque na afinação do ângulo de
viragem que o quadro possui, não podemos virar muito
porque corremos o risco das rodas de suspensão baterem
nos radiadores.
SUZUKI
RM 125
As Suzuki de cross
logo deu muito boas impressões do seu potencial.
Com as alterações
sofridas, o pequeno motor passou a oferecer uma ampla
faixa de utilização que vai desde as baixas até às
altas rotações.
Comparativamente,
nos baixos e médios regimes assemelha–se um pouco ao
comportamento da Yamaha, embora a YZ seja um pouco mais
forte, mas depois ganha em relação à mesma na
capacidade de manter a mesma mudança lá no alto.
Este caráter homogêneo,
sem nunca perder a gênica, acaba por agradar muito
ao comum utilizador, não deixando desapontado o piloto
oficial, que encontra igualmente capacidade suficiente
para sair na frente com este motor de fábrica.
Na ciclística,
a adaptação à posição de condução não é muito
natural para o meu caso específico, mas em conversa com
outros colegas da redação o mesmo já não se
passa.
As suspensões
foram um dos aspectos que me deixaram mais dúvidas,
porque no primeiro contato que tive com este modelo senti
um comportamento algo duro na fase inicial, mas devido ao fato
de a pista onde foi efetuado este comparativo ser toda
em areia, esta reação não se fez notar tanto pelo fato
de que, neste tipo de piso, torna–se mesmo necessário
endurecer as suspensões.
A caixa possuiu
um acionamento macio tal como a embreagem. A nível de
freios, tanto o conjunto da frente como o de trás
revelou–se potente e com bom tato.
A Suzuki RM 125
está uma moto muito mais equilibrada e por isso consegue
subir alguns lugares na tabela da classe em relação a
anos anteriores.
YAMAHA YZ 125
Mantendo a mesma
base de ano anterior, a Yamaha YZ 125 surge uma vez mais
como uma moto equilibrada e fácil em todos os
aspectos.
Não se revela
em nenhum ponto em especial, mas acaba por fazer tudo bem,
e é nesse conceito que se baseia o modelo de 2003.
Quem se senta
pela primeira vez logo não estranha nada: um guidão bem
posicionado que nos permite ficar colocados bem sobre a
frente da moto, em virtude do desenho do tanque e tampas do
radiador. O motor da Yamaha tem evoluído já há algum
tempo e acabou por ser uma das referências na classe, até
chegar a KTM.
Com uma baixa e
média superior à das suas adversárias, a YZ 125 por
vezes parece ter outra cilindrada, mas não tem. Por
possuir estas características é um motor fácil de se
levar e onde muito ajuda a nova relação de caixa - a
segunda está mais perto da terceira. Perde em relação
à KTM e Suzuki no rendimento máximo, mas ganha pela
facilidade.
Numa pista difícil
em areia está com peixe dentro de água, não só pelo
comportamento do motor como pela grande maneabilidade
sentida em todo o conjunto.
A nível de suspensões,
as recentes alterações mantêm confortável na leitura
inicial da pista, e firme nas recepções dos saltos,
enquanto o amortecedor ajuda a manter um equilíbrio nas retas
com sucessivas costelas.
Surgindo com um
novo burrinho de freio atrás, toda a frenagem não acusou
qualquer fadiga ou falta de potência, estando sempre
disponível desde o primeiro apertar.
A Yamaha YZ 125
é a mais fácil e mais divertida de se conduzir, mesmo
por aqueles com pouca experiência em motos de cross.
O mesmo já não
dirão pilotos que procuram motos mais agressivas e
explosivas, ao jeito da KTM.
Conclusão
Tal como o título
inicial indicava, a escolha da melhor moto na classe de
125 para 2003, não é uma escolha fácil e diferentes opções
surgiram, não se chegando a um resultado consensual.
Neste
comparativo optamos por não incluir a Yamaha YZ 250 F,
modelo a 4T da marca, para esta classe, mas que se tivesse
participado poderia ter uma palavra a dizer na luta pela
liderança, e que para o ano já espera uma adversária à
altura: a Honda CRF 250.
Os pilotos
convidados deram a sua opinião através de um tabela de
pontuação de onde se destaca o seguinte: Luís Correia
referiu a posição de condução da Suzuki e ainda o
motor da KTM; Luís Ferreira destacou a maneabilidade da
Suzuki e a qualidade de construção da Honda; Rui Gonçalves
deu boa nota à facilidade do motor da Yamaha e à
apresentação da nova Kawasaki; Sandro Marcos deu boa
nota ao equipamento da Gas Gas e à maneabilidade da
Suzuki.
Foram dois dias
plenos de trabalho no terreno e que quisemos enriquecer
com a inclusão dos quadros com os preços de algumas peças
de maior desgaste, algo que também pode ser decisivo no
momento da compra.
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