As
três reúnem o fato de serem as únicas opções com
potentes motores de dois cilindros existentes na classe
das maxi–scooters.
Honda, Suzuki e Yamaha
mostram os trunfos próprios de cada conjunto onde bem se
misturam traços do universo das motos e das
scooters.
As maxi–scooters, ou
melhor, as super–maxi–scooters, estão em
constante evolução técnica e estrutural. E o resultado
está bem à vista: uma enorme competência perante
qualquer situação que se lhes imponha, tanta que
surpreende os mais incrédulos no gênero.
Texto: RUI MARCELO
Fotos: IMAGEPRESS/JOSÉ FONSECA
com a colaboração de VITOR MARTINS E FERNANDO NETO
Foi objetivo
primeiro na realização deste comparativo, juntar apenas
e só os atuais modelos de maxi–scooters existentes no
mercado equipadas com motores de dois cilindros. Assim, no
'confronto' que a seguir descrevemos, não entram por isso
outras importantes apostas destes e de outros construtores
(principalmente europeus) que se têm revelado grandes
sucessos comerciais e notáveis máquinas pertencentes a
uma classe em franca expansão.
São as monocilíndricas
que, à sua maneira, têm também conseguido atrair e
converter muita gente às vantagens e inerentes da utilização
de uma maxi–scooter nas mais variadas situações.
Aos poucos as motos com
aspecto 'grande', que não deixam de ser automáticas mas
que impressionam pelas suas qualidades dinâmicas, vão–se
instalando nos vários mercados onde estão presentes,
impondo um novo olhar sobre este tipo de veículos que
respondem cada vez melhor às mais básicas necessidades
de locomoção: são confortáveis (muito mesmo), têm
espaço para arrumação de objetos, permitem viajar a
dois com grande comodidade, são potentes e fáceis de
usar, protegem bastante do frio, vento e chuva e até que
dão um certo ar de elegância.
Todas - incluindo algumas
monocilíndricas - um porém: o preço elevado, acessível
para aqueles mais abonados e quem gosta mesmo deste
estilo.
A evolução das
maxi–scooters tem sido realmente notável. E neste campo
dos modelos com mais de um cilindro, as apostas registradas
estão igualmente em força.
A Yamaha foi a primeira
a romper a barreira da cilindrada - até ao surgimento em
2000 da Tmax a maior das maxi–scooters era a Suzuki
Burgman 400 - e da concepção mecânica e ciclística. No
ano seguinte foi a Honda a entrar na corrida fazendo-o de
forma ainda mais eloqüente, chegando mesmo a um recorde
de cilindrada bem misturado com um 'sabor' próprio da
marca patente na qualidade e rigor de construção, imponência
do desenho e até dinamismo. Por fim a Suzuki, a última a
responder a ambos os rivais e de forma ainda mais
completa, apostando numa cilindrada incrementada, em soluções
ciclísticas de destaque e até alguns extras bem dignos
de motos maiores, tudo em nome da exclusividade e claro,
do contentamento dos seus clientes. É perante este cenário
que as analisamos procurando sobretudo distinguir os
campos em que mais se utilizam e onde, apesar de não
parecer, se sentem grandes diferenças.
EM
ESTRADA - VIAS RÁPIDAS
Em vias rápidas e
auto-estradas a Suzuki destaca–se desde logo da Yamaha
Tmax 500 pelas capacidades do motor. Até a Honda o faz,
contando ambas quase mais dez cavalos, embora este seja um
valor que interfere mais com a velocidade máxima
atingida. A surpresa é que a Tmax é capaz de rodar a par
da Silver Wing, permitindo contudo que a Suzuki se
destaque, pois é claramente a mais veloz.
O que também se nota é
que a Suzuki e a Honda tem maior elasticidade e rapidez de
resposta quando o motor já roda em regimes muito
elevados. Qualquer uma delas permite, como referi, rodar
bem depressa e em valores de velocidade máxima bem fora
da lei, as três com bastante suavidade e sem vibrações
por todo o conjunto, mas infelizmente com algumas diferenças
na resposta das suspensões e restante ciclística.
Aqui a Suzuki volta a
destacar–se um pouco porque o conjunto é estável e
preciso em qualquer tipo de piso, permitindo aproveitar
bem o volume geral e até o peso, nunca se sentindo falta
de instabilidade ou incerteza na condução.
A Burgman funciona de forma
suave, como um todo, e raramente circulando depressa se
sente qualquer susto na resposta.
A Yamaha Tmax segue–lhe
bem o rasto. Por ser compacta e mais leve, a 500 deste
confronto também é bastante estável e segura, até
porque das três é a que tem as suspensões mais firmes e
duras. Só que não tendo tanta proteção aerodinâmica,
abana um pouco mais que a Suzuki, embora sem exagero.
Por fim a Honda, um modelo
que perde terreno por culpa da construção ciclística
escolhida e que é entre as três a que mais se aproxima
do conceito tradicional deste segmento. Tem as suspensões
demasiado brandas e que implicam, infelizmente, a perca de
alguma firmeza na resposta, causando alguns, pequenos,
sustos. Tudo isto aumenta e sente–se mais quando se faz
curvas rápidas.
A Burgman aplica muito bem
a rigidez do quadro e até mesmo as qualidades dos pneus
Bridgestone radiais (os primeiros numa scooter) para
continuar as curvas a qualquer velocidade com uma certeza
que faz inveja a motos maiores.
A Tmax também faz curvas,
revelando muita estabilidade e segurança. A Honda é que
tem problemas em curvas rápidas, pois o conjunto abana e
não dá confiança, fato que pode bem ser explicado pelas
limitações do quadro e montagem das suspensões mas também
na escolha de uma roda com apenas 13 polegadas de diâmetro
atrás.
EM
ESTRADA
A Honda é ligeiramente
mais confortável porque as suas suspensões são mais
suaves, além de que o assento amplo e esponjoso ajuda a
que nunca nos cansemos mesmo em trajetos mais
longos.
A posição de condução
é muito natural - apesar da elevada altura do guidão -
chegando–se com uma certa facilidade com os pés ao
solo.
Mas o contra da Honda volta
a estar numa certa falta de precisão de movimentos e
aprumo ciclístico. A moto continua a abanar e a não faz
curvas como se desejaria em ocasiões de estradas muito
esburacas, além de infelizmente o tato da direção não
ser o melhor.
A Tmax é um pouco dura e
mais seca de suspensões, que lhe permite obter melhor
firmeza de resposta e algum conforto. Além disso o
assento também não ajuda muito, pois é pouco esponjoso.
Vale sobretudo a enorme agilidade do conjunto (a mais leve
e rápida nas mudanças de direção) e o estupendo
‘feeling’ que nos transmite - aliado à confiança na
condução - mesmo nos piores pisos. A posição de condução
afasta-se do universo scooter por se conduzir mais em cima
do guiadão de forma não tão relaxante como nas
concorrentes, apesar de também termos bastante espaço -
como nas outras duas e só para o condutor - para esticar
as pernas.
A Suzuki peca por ser muito
pesada, fator que requer apenas algum hábito de condução.
As suspensões ficam no meio termo entre as duas
concorrentes, valendo sobretudo a resposta bastante firme
da frente, melhor que a traseira, um pouco menos
consistente em algumas situações. Mas o tamanho das
rodas compensa as perdas e transmite–nos um tato de
leitura muito bom, permitindo acompanhar o desempenho dos
pneus e a rigidez de toda a estrutura onde o motor está
‘colocado’. A posição de condução também é boa,
fruto do assento envolvente e confortável.
Quanto à resposta do motor
todas são semelhantes até porque é natural que o
desenvolvimento dos propulsores premie a utilização nos
baixos e médios regimes. Inicialmente a Suzuki (mesmo com
o ‘power mode’ ligado) perde algum terreno no arranque
devido ao peso, saindo a Yamaha em primeiro lugar e
percorridos os metros iniciais. Nenhum dos três motores
tem qualquer falta de resposta, sendo a entrega em todos
pronta e limpa, com uma subida constante e sobretudo muito
rápida. Só mesmo em alta é que a Suzuki se volta a
destacar pois alonga um pouco mais que as suas rivais,
embora a Honda lhe imite tal façanha. Não há, como
disse, falta de resposta em nenhuma, bem pelo contrário,
permitindo-nos ter sempre motor disponível para qualquer
ultrapassagem ou outra recuperação e transmitindo–nos
uma enorme alegria a utilização de qualquer um dos 'bi'
em confronto. ]
E por surpresa, apesar de
ter a menor cilindrada das três, a Yamaha é a que em
termos de consumo médio, atinge o valor mais elevado (é
a única alimentada por carburadores).
Em todas a análise aos
freios tem igualmente alguns condimentos diferentes. A
Honda tem falta de maior potência de freios porque erra
logo ao apenas possuir um disco à frente. Vale o sistema
combinado que nela foi montado, facilitando a sua utilização
sobretudo em cidade.
Na Yamaha também se nota
alguma falta de potência mas sobretudo de maior
progressividade de resposta, apesar de em nenhum momento
se sentir falta de insegurança. Não tem - o que é bom -
sistema de freios combinado.
Por fim a Suzuki que mostra
ser talvez a melhor concebida em termos de freios pois
possui três discos no total, e por sinal bem
dimensionados. Mesmo sem sistema de freio integral - que
acaba por ser uma boa opção dos técnicos, pois aqui nem
falta faz - a frenagem é sempre eficiente e imediata
perante o muito peso do conjunto ou mesmo com passageiro e
carga a bordo. O sistema possui uma enorme progressividade
e tudo isto se traduz num fator importante: a melhor
confiança de feio entre as três.
NA
CIDADE
Fator comum às três
concorrentes e que depressa se nota num primeiro contato
é que todas são bastante pesadas e algumas situações
difíceis de manobrar. Andar para trás por exemplo é difícil
em qualquer uma delas porque nenhuma tem marcha–atrás e
porque, mesmo a sós, a balança acusa uns bons quilos. Hábito
exige–se.
Apesar disso, sente-se que
nos três modelos o peso está bastante bem distribuído e
colocado o mais possível em baixo, melhorando a
maneabilidade e equilíbrio a baixa velocidade.
Na cidade qualquer uma é
penalizada por este fator e até pelas dimensões do
conjunto, embora a Tmax ganhe algum terreno porque além
de ser ligeiramente mais leve é também mais compacta,
ligeira e fácil de conduzir. A resposta do motor é para
todas ideal e mais que suficiente nesta situação, quer
para nos adiantarmos a qualquer emergência quer para
discutirmos todo e qualquer sinal luminoso, sempre com a
vantagem a nosso favor.
A Suzuki, além de ser um
pouco mais volumosa, tem também o contra dos espelhos
estarem colocados ao nível dos automóveis, o que lhe faz
perder algum terreno nas situações mais 'apertadas'. Já
a Honda não tem qualquer problema, embora se note também
que é muito grande, exigindo atenção nas manobras. O
assento é um pouco alto, o que aliado ao referido peso, não
ajuda os menos experientes. Referência última aos
consumos que são, nesta situação, os melhores na Yamaha
por serem obviamente mais baixos, ajudando por isso a máquina
dos três diapasões a ganhar alguma vantagem numa utilização
intensa dentro de uma qualquer metrópole.
EQUIPAMENTO
Ao ter sido a última a
surgir no mercado, a Suzuki teve a vantagem de observar a
concorrência e procurar claramente supera–la a todos os
níveis.
O equipamento oferecido e os aspectos práticos a ele
inerentes são disso um exemplo, tendo–se a clara idéia
de que a Suzuki leva vantagem frente a ambas as adversárias,
embora a Honda não fique muito longe.
E porquê esta 'vitória'?
A Suzuki foi realmente pensada para nos oferecer um leque
de interessantes pormenores que muito contam quando se
utiliza a moto em pleno. Tem, por exemplo, três espaços
na dianteira, muito espaço debaixo do assento, recorte da
plataforma dos pés, encosto do condutor regulável e
freio de parking.
A Honda aposta em dois espaços
à frente, mais espaço por debaixo do assento, recorte na
plataforma e também no encosto do condutor ajustável. Só
o ‘vidro’ dianteiro não tem ajuste e os espelhos são
mais simples (enquadram-se mal na estética), além de
mostrar alguns pormenores junto ao guiadão, falhas de
construção.
Por fim a Yamaha que tem um
painel mais simples, espelhos de melhor desenho e menos
espaço para bagagem, quer à frente quer debaixo do
assento.
Fica a idéia clara de que
foi pensada para ser simples, mas eficiente. Numa análise
final, deixo à vossa consideração a escolha, atendendo
aos preços propostos e respectivos dinamismos. Mas em
jeito de resumo aqui fica uma idéia clara: a Yamaha é a
que dá maior gozo de conduzir, a Suzuki é muito completa
e super-eficiente e a Honda aposta na comodidade, mas peca
em outros pontos.
Agora escolham vocês!
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