Comparativo das Maxi-scooters: HONDA FJS 600 SILVERWING, SUZUKI AN 650 BURGMAN, YAMAHA XP500 TMAX, COMPETÊNCIA TOTAL
 
As três reúnem o fato de serem as únicas opções com potentes motores de dois cilindros existentes na classe das maxi–scooters. 

Honda, Suzuki e Yamaha mostram os trunfos próprios de cada conjunto onde bem se misturam traços do universo das motos e das scooters. 

As maxi–scooters, ou melhor, as super–maxi–scooters, estão em constante evolução técnica e estrutural. E o resultado está bem à vista: uma enorme competência perante qualquer situação que se lhes imponha, tanta que surpreende os mais incrédulos no gênero.
Texto: RUI MARCELO
Fotos: IMAGEPRESS/JOSÉ FONSECA 
com a colaboração de VITOR MARTINS E FERNANDO NETO

Foi objetivo primeiro na realização deste comparativo, juntar apenas e só os atuais modelos de maxi–scooters existentes no mercado equipadas com motores de dois cilindros. Assim, no 'confronto' que a seguir descrevemos, não entram por isso outras importantes apostas destes e de outros construtores (principalmente europeus) que se têm revelado grandes sucessos comerciais e notáveis máquinas pertencentes a uma classe em franca expansão. 

São as monocilíndricas que, à sua maneira, têm também conseguido atrair e converter muita gente às vantagens e inerentes da utilização de uma maxi–scooter nas mais variadas situações. 

Aos poucos as motos com aspecto 'grande', que não deixam de ser automáticas mas que impressionam pelas suas qualidades dinâmicas, vão–se instalando nos vários mercados onde estão presentes, impondo um novo olhar sobre este tipo de veículos que respondem cada vez melhor às mais básicas necessidades de locomoção: são confortáveis (muito mesmo), têm espaço para arrumação de objetos, permitem viajar a dois com grande comodidade, são potentes e fáceis de usar, protegem bastante do frio, vento e chuva e até que dão um certo ar de elegância. 

Todas - incluindo algumas monocilíndricas - um porém: o preço elevado, acessível para aqueles mais abonados e quem gosta mesmo deste estilo.

A evolução das maxi–scooters tem sido realmente notável. E neste campo dos modelos com mais de um cilindro, as apostas registradas estão igualmente em força. 

A Yamaha foi a primeira  a romper a barreira da cilindrada - até ao surgimento em 2000 da Tmax a maior das maxi–scooters era a Suzuki Burgman 400 - e da concepção mecânica e ciclística. No ano seguinte foi a Honda a entrar na corrida fazendo-o de forma ainda mais eloqüente, chegando mesmo a um recorde de cilindrada bem misturado com um 'sabor' próprio da marca patente na qualidade e rigor de construção, imponência do desenho e até dinamismo. Por fim a Suzuki, a última a responder a ambos os rivais e de forma ainda mais completa, apostando numa cilindrada incrementada, em soluções ciclísticas de destaque e até alguns extras bem dignos de motos maiores, tudo em nome da exclusividade e claro, do contentamento dos seus clientes. É perante este cenário que as analisamos procurando sobretudo distinguir os campos em que mais se utilizam e onde, apesar de não parecer, se sentem grandes diferenças.

EM ESTRADA - VIAS RÁPIDAS

Em vias rápidas e auto-estradas a Suzuki destaca–se desde logo da Yamaha Tmax 500 pelas capacidades do motor. Até a Honda o faz, contando ambas quase mais dez cavalos, embora este seja um valor que interfere mais com a velocidade máxima atingida. A surpresa é que a Tmax é capaz de rodar a par da Silver Wing, permitindo contudo que a Suzuki se destaque, pois é claramente a mais veloz. 

O que também se nota é que a Suzuki e a Honda tem maior elasticidade e rapidez de resposta quando o motor já roda em regimes muito elevados. Qualquer uma delas permite, como referi, rodar bem depressa e em valores de velocidade máxima bem fora da lei, as três com bastante suavidade e sem vibrações por todo o conjunto, mas infelizmente com algumas diferenças na resposta das suspensões e restante ciclística. 

Aqui a Suzuki volta a destacar–se um pouco porque o conjunto é estável e preciso em qualquer tipo de piso, permitindo aproveitar bem o volume geral e até o peso, nunca se sentindo falta de instabilidade ou incerteza na condução. 

A Burgman funciona de forma suave, como um todo, e raramente circulando depressa se sente qualquer susto na resposta. 

A Yamaha Tmax segue–lhe bem o rasto. Por ser compacta e mais leve, a 500 deste confronto também é bastante estável e segura, até porque das três é a que tem as suspensões mais firmes e duras. Só que não tendo tanta proteção aerodinâmica, abana um pouco mais que a Suzuki, embora sem exagero. 

Por fim a Honda, um modelo que perde terreno por culpa da construção ciclística escolhida e que é entre as três a que mais se aproxima do conceito tradicional deste segmento. Tem as suspensões demasiado brandas e que implicam, infelizmente, a perca de alguma firmeza na resposta, causando alguns, pequenos, sustos. Tudo isto aumenta e sente–se mais quando se faz curvas rápidas. 

A Burgman aplica muito bem a rigidez do quadro e até mesmo as qualidades dos pneus Bridgestone radiais (os primeiros numa scooter) para continuar as curvas a qualquer velocidade com uma certeza que faz inveja a motos maiores. 

A Tmax também faz curvas, revelando muita estabilidade e segurança. A Honda é que tem problemas em curvas rápidas, pois o conjunto abana e não dá confiança, fato que pode bem ser explicado pelas limitações do quadro e montagem das suspensões mas também na escolha de uma roda com apenas 13 polegadas de diâmetro atrás. 

EM ESTRADA

A Honda é ligeiramente mais confortável porque as suas suspensões são mais suaves, além de que o assento amplo e esponjoso ajuda a que nunca nos cansemos mesmo em trajetos mais longos. 

A posição de condução é muito natural - apesar da elevada altura do guidão - chegando–se com uma certa facilidade com os pés ao solo. 

Mas o contra da Honda volta a estar numa certa falta de precisão de movimentos e aprumo ciclístico. A moto continua a abanar e a não faz curvas como se desejaria em ocasiões de estradas muito esburacas, além de infelizmente o tato da direção não ser o melhor. 

A Tmax é um pouco dura e mais seca de suspensões, que lhe permite obter melhor firmeza de resposta e algum conforto. Além disso o assento também não ajuda muito, pois é pouco esponjoso. Vale sobretudo a enorme agilidade do conjunto (a mais leve e rápida nas mudanças de direção) e o estupendo ‘feeling’ que nos transmite - aliado à confiança na condução - mesmo nos piores pisos. A posição de condução afasta-se do universo scooter por se conduzir mais em cima do guiadão de forma não tão relaxante como nas concorrentes, apesar de também termos bastante espaço - como nas outras duas e só para o condutor - para esticar as pernas.

A Suzuki peca por ser muito pesada, fator que requer apenas algum hábito de condução. As suspensões ficam no meio termo entre as duas concorrentes, valendo sobretudo a resposta bastante firme da frente, melhor que a traseira, um pouco menos consistente em algumas situações. Mas o tamanho das rodas compensa as perdas e transmite–nos um tato de leitura muito bom, permitindo acompanhar o desempenho dos pneus e a rigidez de toda a estrutura onde o motor está ‘colocado’. A posição de condução também é boa, fruto do assento envolvente e confortável. 

Quanto à resposta do motor todas são semelhantes até porque é natural que o desenvolvimento dos propulsores premie a utilização nos baixos e médios regimes. Inicialmente a Suzuki (mesmo com o ‘power mode’ ligado) perde algum terreno no arranque devido ao peso, saindo a Yamaha em primeiro lugar e percorridos os metros iniciais. Nenhum dos três motores tem qualquer falta de resposta, sendo a entrega em todos pronta e limpa, com uma subida constante e sobretudo muito rápida. Só mesmo em alta é que a Suzuki se volta a destacar pois alonga um pouco mais que as suas rivais, embora a Honda lhe imite tal façanha. Não há, como disse, falta de resposta em nenhuma, bem pelo contrário, permitindo-nos ter sempre motor disponível para qualquer ultrapassagem ou outra recuperação e transmitindo–nos uma enorme alegria a utilização de qualquer um dos 'bi' em confronto. ]

E por surpresa, apesar de ter a menor cilindrada das três, a Yamaha é a que em termos de consumo médio, atinge o valor mais elevado (é a única alimentada por carburadores).

Em todas a análise aos freios tem igualmente alguns condimentos diferentes. A Honda tem falta de maior potência de freios porque erra logo ao apenas possuir um disco à frente. Vale o sistema combinado que nela foi montado, facilitando a sua utilização sobretudo em cidade. 

Na Yamaha também se nota alguma falta de potência mas sobretudo de maior progressividade de resposta, apesar de em nenhum momento se sentir falta de insegurança. Não tem - o que é bom - sistema de freios combinado. 

Por fim a Suzuki que mostra ser talvez a melhor concebida em termos de freios pois possui três discos no total, e por sinal bem dimensionados. Mesmo sem sistema de freio integral - que acaba por ser uma boa opção dos técnicos, pois aqui nem falta faz - a frenagem é sempre eficiente e imediata perante o muito peso do conjunto ou mesmo com passageiro e carga a bordo. O sistema possui uma enorme progressividade e tudo isto se traduz num fator importante: a melhor confiança de feio entre as três. 


NA CIDADE

Fator comum às três concorrentes e que depressa se nota num primeiro contato é que todas são bastante pesadas e algumas situações difíceis de manobrar. Andar para trás por exemplo é difícil em qualquer uma delas porque nenhuma tem marcha–atrás e porque, mesmo a sós, a balança acusa uns bons quilos. Hábito exige–se. 

Apesar disso, sente-se que nos três modelos o peso está bastante bem distribuído e colocado o mais possível em baixo, melhorando a maneabilidade e equilíbrio a baixa velocidade. 

Na cidade qualquer uma é penalizada por este fator e até pelas dimensões do conjunto, embora a Tmax ganhe algum terreno porque além de ser ligeiramente mais leve é também mais compacta, ligeira e fácil de conduzir. A resposta do motor é para todas ideal e mais que suficiente nesta situação, quer para nos adiantarmos a qualquer emergência quer para discutirmos todo e qualquer sinal luminoso, sempre com a vantagem a nosso favor. 

A Suzuki, além de ser um pouco mais volumosa, tem também o contra dos espelhos estarem colocados ao nível dos automóveis, o que lhe faz perder algum terreno nas situações mais 'apertadas'. Já a Honda não tem qualquer problema, embora se note também que é muito grande, exigindo atenção nas manobras. O assento é um pouco alto, o que aliado ao referido peso, não ajuda os menos experientes. Referência última aos consumos que são, nesta situação, os melhores na Yamaha por serem obviamente mais baixos, ajudando por isso a máquina dos três diapasões a ganhar alguma vantagem numa utilização intensa dentro de uma qualquer metrópole.

EQUIPAMENTO

Ao ter sido a última a surgir no mercado, a Suzuki teve a vantagem de observar a concorrência e procurar claramente supera–la a todos os níveis. 
O equipamento oferecido e os aspectos práticos a ele inerentes são disso um exemplo, tendo–se a clara idéia de que a Suzuki leva vantagem frente a ambas as adversárias, embora a Honda não fique muito longe. 

E porquê esta 'vitória'? A Suzuki foi realmente pensada para nos oferecer um leque de interessantes pormenores que muito contam quando se utiliza a moto em pleno. Tem, por exemplo, três espaços na dianteira, muito espaço debaixo do assento, recorte da plataforma dos pés, encosto do condutor regulável e freio de parking. 

A Honda aposta em dois espaços à frente, mais espaço por debaixo do assento, recorte na plataforma e também no encosto do condutor ajustável. Só o ‘vidro’ dianteiro não tem ajuste e os espelhos são mais simples (enquadram-se mal na estética), além de mostrar alguns pormenores junto ao guiadão, falhas de construção. 

Por fim a Yamaha que tem um painel mais simples, espelhos de melhor desenho e menos espaço para bagagem, quer à frente quer debaixo do assento. 

Fica a idéia clara de que foi pensada para ser simples, mas eficiente. Numa análise final, deixo à vossa consideração a escolha, atendendo aos preços propostos e respectivos dinamismos. Mas em jeito de resumo aqui fica uma idéia clara: a Yamaha é a que dá maior gozo de conduzir, a Suzuki é muito completa e super-eficiente e a Honda aposta na comodidade, mas peca em outros pontos. 
Agora escolham vocês!
 

 

fonte www.motojornal.pt