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O BRASIL E O TRANSITO - Colaborador: Edson Lobo


Nos dois últimos anos temos visto a imensa confusão e embates entre o Poder Público e os motociclistas. Leis e Decretos confusos entram em vigor e depois são revogados, não há uma discussão publica para se chegar a um consenso.

Vamos estudar o principio: antigamente existiam motoristas de ônibus, comerciantes de lojas e correio, além de um ou outro serviço de entrega. Os financiamentos existiam, porém com juros altos. Além disso, a frota de veículos era, relativamente, pequena, e o sistema viário até que razoável, principalmente em se falando de uma cidade como São Paulo. O Código de Transito Brasileiro já veio com falhas, mas “quebrava o galho”. As auto-escolas tinham um sistema “padrão” e ensinavam o mais básico dos básicos aos alunos, sendo que para tirar Carteira Nacional de Habilitação Categoria A (condutor de veículo motorizado de duas ou três rodas), poucas dispunham dessa área.

Os anos se passaram e um fenômeno surgiu na vida do País e surgiram categorias que não existiam:

- Perueiros, para competir com o deficitário transporte publico e causou uma confusão enorme no transito;
- Camelôs, que até então existia um ou outro numa esquina, passaram a ocupar calçadas, praças e ruas, depois que uma determinada prefeita de São Paulo legalizou a profissão. Com o desemprego em alta, surgiram milhares deles;
- Motoboys, para agilizar a entrega de documentos, começaram a surgir as empresas de moto-frete e hoje não se consegue estimar quantas existem, formais e informais, colocando um batalhão de motos na rua todos os dias, com utilização totalmente diversa do uso original da motocicleta, isto é, antes se utilizava motos para ir ao trabalho e como lazer.

Três outros componentes ainda contribuem para esse caos:

- Financiamento, com taxas baixas permitem a compra de uma moto, em até 60 meses, e isso fez com que chegássemos a 2008 com uma frota de cerca de 9 milhões de motos no País. Vamos considerar aqui que isso também vale para os automóveis, cuja frota é estimada em 24 milhões no País. 

- Código de Transito Brasileiro, criado em Setembro de 1997, tem muitas falhas, não acompanhou a dinâmica da evolução do trânsito brasileiro. Por exemplo, ele disciplina o uso de carroças no sistema viário, mas não contempla a enorme quantidade de carroceiros hoje, nas grandes capitais do País. Se por um lado eles ajudam a “limpar” a cidade, por outro, contribuem sobremaneira para o caos no transito.

- Auto Moto Escolas e CFCs, pararam no tempo! Se você fizer uma pesquisa confirmará que existem milhares de Auto Moto Escolas e Centros de Formação de Condutores (CFC), Sindicatos da categoria, das mais variadas espécies, porém não se ouve uma voz deles no sentido de contribuir para a melhoria no transito. Aliás, a maneira arcaica com que ensinam os alunos, os vícios que já “impregnam” durante o aprendizado, seriam um ótimo motivo para uma avaliação mais profunda do setor. Basta passar um dia com um instrutor, ler o material que vendem aos alunos, para constatar que está totalmente fora da realidade atual.
Vá a uma cidade do interior, por exemplo, e veja a invasão de motos nas ruas. Se conversar com os donos dessas motos, ouvirá que elas não tinham a menor noção do que era um veiculo, são pessoas de origem humilde, muitos até do campo, de fazenda, e, de um dia a outro, passaram do cavalo para a moto, andando em ruas, avenidas e estradas, com um mínimo de conhecimento sobre as regras de Transito e Segurança, agem igual à robôs, “doutrinados” por uma Auto Moto Escola. 

Resultado, com todas essas agravantes e mais uma miopia geral dos órgãos oficiais, Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, associações que se dizem representantes de classes, federações não atuam em prol da população, imprensa atua lentamente na cobrança das ações mais efetivas e, principalmente, a população que assiste tudo passivamente, deixa que os outros tomem à frente das batalhas, reclamam, mas acabam pagando os exorbitantes impostos (tipo Seguro Obrigatório para Moto, de 2005 a 2008, um aumento absurdo de 265,3%), enfim um imobilismo geral e não se resolve nada.

Na minha visão, somente uma Audiência Publica, com motoristas, motociclistas, especialistas em Transito, Sistema Viário, Legisladores e outras pessoas dispostas a colaborar e não só “jogar” para mídia, é que resolveria uma parte do caos do Transito brasileiro.

Agora, é ver quem dará o primeiro passo.

Edson Lobo, 57 anos, é jornalista e profissional de Marketing e Comunicação. Motociclista há 40 anos, tem vasta experiência em viagens nacionais e internacionais e profunda admiração por quem anda e respeita as motos.

Contato: edson_lobo@hotmail.com 


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